Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Nuvem que carrega esplendores e tempestades, não sei exatamente quando perdi minha paz ilhada,
mas ainda me lembro de quando caminhava por uma estrada sinuosa e esburacada, e você chegou sem hesitar, toda alvissarada.
Ainda não tinhas a adaga nem o verbo afiado - eras só flores e sonhos esplendorosamente anuviados, que me davas com gosto declarado -,
isso veio depois, bem depois de andarmos por serras e montes elevados; e eu nem me lembro mais de quando nos caímos pela primeira vez, mas a terra tremeu sob meus pés e as sombras balouçaram às minhas madrugadas.
Até tentei fugir do iminente naufrágio, mas todas as portas e janelas já estavam fechadas, e a bela luz da morte de não sentir, de não querer, de não amar já havia inexoravelmente me abandonado;
hoje tomo meu café, fumo meu cigarro de palha enrolado e ando pelas avenidas dos vivos e dos mortos, com o pouco que de mim haja restado,
que todo o mais a ti também fora com mesmo gosto ofertado sob sóis e chuvas, às noites e às noites ausentes, entre as brisas e as tempestades ferventes neste incomensurável, mas ébrio amor degenerado.
120
INCESSANTE DOR
... porque eles
nunca entenderão a dor
(após conhecer
a geografia do corpo e da psiqué
de uma hiemal
arquitetura absurda)
de se perder
para a morte horrorosa e estúpida,
juntamente com ela, parte
da própria alma!
128
EU DISSE QUE NÃO SABIA AMAR!
Sou egoístico para amar, confesso,
e isso se dá em conformidade com a condição em que fui jogado neste mundo de coisas;
por isso, não só quero ser amado,
mas quero sempre ser amado também com minhas defeitos,
com minhas metades erradas, com minhas vesanias vazadas e com meus caos e com meus tempestades temperamentais,
com minhas votandes abssais, com meus desejos absurdos e pervertidos e com minhas sombras niilisticamente djacentes,
porque somente com meu lado bom, heroico, potente, romântico e gracioso, qualquer uma poderia se enamorar!
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AMANHÃ, VESTIR-ME-ÃO COM AS CINZAS DA NOITE
... lembro-me
de quanto era criança,
despetalava
as flores brincando
e fazendo-as
morrer,
os pássaros
que eu pegavam morriam
ao meu bodoque ou
ao meu prazer,
as masturbações
corriam tenramente sem
a menor culpa
ou pudor:
hoje,
para se vingarem,
as flores se foram a outros
jardins,
os pássaros
fugiram a outros céus
e, por bater punheta, carrego
o peso de ser um puto
pecador!
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A ÚLCERA
... chão de espuma escura,
máscara de luminosidades obtusas;
ela caminhava com um sonho impossível e cada vez mais branco,
em sua realidade cheia de úlceras!
197
POUCOS DOCES MOMENTOS
Tua companhia, teus abraços, teus carinhos, teus beijos,
teus suores, teus gemidos, teus espasmos e teus gozos,
bálsamos e óasis em meu deserto de noites escuras,
eu os queria todos os dias que ainda me resta nisso a que chamam de vida!
103
A BARCA FURADA
Já ouvi dizer que certos orgasmos umedecem até a alma
que é, extasiadamente, ofertada ao concupiscente leito:
o mais estranho é que quem me disse isso não parecia ter nada além de vazios,
e muito menos aquilo que tão faustamente considerava ser, em si, uma alma.
190
EM CERTAS NOITES
Em certas noites, ela chegava tentando esboçar um sorriso amarelo como quem tenta levantar mil toneladas,
acomodava-se em silêncio e, de repente, começava a manusear o verbo volátil como um hábil malabarista de adagas afiadas;
e eu, espremido entre a tentativa de manutenção da calma e a entenebrecida vontade de reagir com o ego em chamas.
Sim, em certas noites - prolíficas em chuvas e sombras - não parecia ser ela que estava ali na minha frente, com o siso do ego inflamado.
Nestas noites, dava para perceber a dolorosa confusão que lhe havia entre paradoxais labirintos da mente,
como que perdida entre sinuosas trilhas de lava-pés tendo que decidir, sufocada e angustiadamente, que caminho tomar com relação a nós dois, que nos pendulávamos incautos entre o voo e a queda, o amor e a cólera, a loucura e a sanidade, a vida e a morte, enfim.
Sim, dava até para sentir os gritos de dor como que a pedir socorro, ao grande sonho de nuvens brancas que se iam tingindo de sombras nossas.
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SORRISOS E LÁGRIMAS
As gentes sorrimos sonhos e conquistas fluorescentes, enquanto outros choram dores e angústias recorrentes,
em inexorável, ávido e cíclico vício de cultuarmos - com palavras, sentimentos e halos de pedras -
as incomensuráveis paixões pelas imagens, que florescem em nossos suntuosos e abnômalos umbrais.
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NUNCA MAIS
Nunca mais queiras me enganar,
nunca mais queiras me fazer crer que realmente me amaste,
nunca mais tente me devastar com teus ciúmes e com tua mente e língua carrascas,
nunca mais tentes te demonstrar a mim de um jeito que por tantos anos tu nunca foste e não és:
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*