Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
e depois que surgiumos tudo se tornou inexoravelmente,
por desconhecida condenação,
fruto da mente humana!
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SOU APENAS O TEU INALCANSÁVEL CARRASCO!
... porque se eu fosse mesmo suas chuvas de fogo, como te fugirias,
se é com as águas verborrágicas que, incautamente, irrigas teus sonhos, teus devaneios e tuas confabulações em tão férteis e figurados arrebóis?
E se eu fosse mesmo a tua noite, como te fugirias, se é das sombras soturnas que te projetas esperanças em novos, sublimados e vãos alvoreceres, com tuas cegas retinas
e compões teus poemas e tuar pseudoardes as extáticas dores de parto que te ofereço?
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HORA VAZIA XVII
... entre amores, desejos e vaidades humanas,
entre as luzes em que se apresentam em seus magníficos palcos
entre as sombras onde confabulam, tramam, fodem e traem escondiamente
ou entremeio a tudo que sapiens, deles sendo semelhante,
não sou exigente, contentando-me apenas com braços presents, olhares cruzados, uma trepada na noite calada,
alguma saudade amarga, alguma paixão que me faça esquecer o grande naufrágio e, quem sabe, um poema pelo menos que me baste até o fim do caminho, e mais nada!
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A ETERNA
Sob teu céu voaram esplêndias águias douradas, todas com asas de ouro e com cantos idílicos,
todos fortes, esplêndidos, plácidos, flores, mitológicos e afloradamente estáticos;
sobre teu leito ebúrneo, copulavam contigo diversos anjos, igualmente incônscios, igualmente marinhos, igualmente lunáticos e ugualmente safados;
e agora, sigo eu, sobre teu túmulo e apenas com a lembrança tua olvidando-me do sonho que eu te contara naquela época em que ainda andavas comigo,
acerda de tua passagem à outra esfera, deixando-me completamente abandonado e sozinho no escuríssimo prédio!
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ATÉ A MAIS SUBLIME DAS CRIAÇÕES SERVE O HOMEM?
À imagem e semelhança somos, dizem
de um deus que não poderia ser senão fruto
da abnormal aberração da mente humana.
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NÃO SABEIS O TAMANHO DE NOSSA INSIGNIFICÂNCIA!
... quem diz que semeia e só fala a verdade já mente,
pois surgiram longe, bem longe, da natural virgindade das coisas, com seus olhares humanos adulteradores;
de modo que eu garanto que todo pensamento, toda visão, toda crença e toda coloração ou renomeação das coisas do Cosmo,
diante do que chamam ser, já nasceram de uma abnormidade condenada a estar eternamente incapaz de germinar alguma verdade!
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HORA VAZIA XVIII
No silêncio da noite, ao aroma da dama-da-noite que inebria, com seu sedutor perfume, a escura brisa,
espero-te, solitariamente entre uma imaginação e outra, entre um suspiro e outro, a imaginar a elegância de tuas pétalas e a sinuosidade de teu corpo,
para que realizemos, uma vez mais nosso ato de amor em segredo, somente sob o brilho do distante olhar das estrelas!
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A INQUILINA
... a certa altura (após longo tempo ausentes) perguntou ela, dramática e embuscadamente:
"Eu só queria saber qual a razão de você não falar mais comigo";
"... porque és como aquela mulher [da qual não contou o mito] ainda mais bela que Helena,
que quis servir - honrada e lealmente - a Tróia, copulando escondida com promíscuos aqueus!",
respondeu-lhe ainda chovendo e trovejando ele.
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HORA VAZIA XVI
... nunca te deste conta de que o niilista se considera menos que um grão de pós no sapiens chão de estrelas,
para que imaginasses que ele aguentaria ileso tuas vesanias, tuas policromáticas palavras voláteis
e tuas severíssimas e assassinas chuvas de fogo?
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VEM, PORQUE QUEM SABE FAZ A HORA ACONTECER!
... um sonho que não tenha fim, dias sem abrenunciações de escuras noite, sóis sem posteriores chuvas de fogo,
o generoso cântico de dádiva e da oferta, o desejo em seu maior grau sem as consequências nefastas da id,
uma relação sem quimeras impossíveis, somente os sonhos e as fantasias que caibam no sorriso de um retrato possível,
no mais, paz, respeito, bem-querença, um pouco so de ciúme para apimentar tudo
e amos, e muito amor, e paixão, e muita paixão, e texão e sexo gloriosos como se tivéssemos hipnotizados com a erotica dança de nossos corpos!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*