Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Em que época soube o ser realmente sobre a composição da matéria,
sobre a essência da seiva divina ou cosmológica,
sobre a existência ou não de um nihil, ou de um tudo ou de um nada?
Quem conhece os pensamentos deste niilista para que embutam nele títulos de pagão, de falso ou de moralista do vazio?
Eu poderia escrever muito mais das ilusão de vossas bíblicas leituras, de vossas religiões inventadas para inconscientes autoproteções,
de vossos instintos ligados à id, animalescos, que vos põe em constantes xeques quando ao desejo, uma vez que demasiado e descontroladamente disparados vos tornam assassinos
e que, uma vez pouco ou controladamente forçados vos tornam brochas.
Eu poderia vos garantir que o nada não existe, pois só existe a quântica possibilidade flutuante do 1, sendo que o 0 é a subjetivação paradoxal do 1;
eu poderia vos mostrar que Deus não tem fundamento humano e que as estórias que contam têm cunho mitológico e infantil;
mas eu vou me restringir a dizer que tudo agora, acima, abaixo, ao lado, no outro lado do Cosmo, ao inferno
ou onde seja que imaginarmos se tornou abnormal e insoluvelmente humano!
177
PSIQUÉS E IMPULSOS
... quase nada sabem, muito menos que o desejo nos primitivo e nada mais se trata do que tentar sempre recuperar o primeiro prazer;
trazendo-nos como consequência, se em exagero, características de loucos assassinos e, se em contenção, a famigerada características dos impotenteé
simplesmente porque, entre o ser-eu e o ser-multidão, Freud, há um diferença tão grande
que se pode chegar não se tratar do mesmo ser e, por inconsciente autodefesa, não percepem!
129
ENCONTROS E CONFRONTOS
... quando a tarde se inclina em obediência à noite,
é que os anjos que semeava luzes durante o dia
escondem, aos becos, cantos e quartos escuros,
suas verdadeiraa faces junto a outros anjos que, também durante o dia, galoparam luzes;
com sua mente já meio tresloucada e com seu rijo garlho em chamas, é também neste momento de sombras dominantes
que o cão veste suas melhores e mais eficazes mascaras!
158
SOU APENAS O TEU INALCANSÁVEL CARRASCO!
... porque se eu fosse mesmo suas chuvas de fogo, como te fugirias,
se é com as águas verborrágicas que, incautamente, irrigas teus sonhos, teus devaneios e tuas confabulações em tão férteis e figurados arrebóis?
E se eu fosse mesmo a tua noite, como te fugirias, se é das sombras soturnas que te projetas esperanças em novos, sublimados e vãos alvoreceres, com tuas cegas retinas
e compões teus poemas e tuar pseudoardes as extáticas dores de parto que te ofereço?
134
DECLARAÇÃO
... nesta manhã de domingo, silente e fria, ___eu declaro ao mundo:
ouve-me, ___ mas não me creias;
já fui lavrador de ilusões em terrenos ___ baldios,
já fui compositor de músicas para ouvidos ___ moucos,
já fui malabaris ___ de belos fonemas vazios,
já fui até anjo ___ a beber demônias escondido;
antes, portanto, irdes às nuvens, às esquinas e às encruzilhadas ___ floridas,
por onde, pelo menos, podereis dizer que vos amam ou que ___ vos bem querem,
porque, deste meu anguloso e angustiante momento ao deserto ___ (que não passa),
nem isso mais, sem o morrer das faustas luzes do palco, permitir-me ___ posso.
150
A INQUILINA
... a certa altura (após longo tempo ausentes) perguntou ela, dramática e embuscadamente:
"Eu só queria saber qual a razão de você não falar mais comigo";
"... porque és como aquela mulher [da qual não contou o mito] ainda mais bela que Helena,
que quis servir - honrada e lealmente - a Tróia, copulando escondida com promíscuos aqueus!",
respondeu-lhe ainda chovendo e trovejando ele.
154
FOMOS HUMANÍSSIMOS, ANA!
... amei-te porque sou humano,
e errei porque sou humano;
___ gestos, ___ sorrisos, ___ desejos,
___ ilusões, ___ naufrágios, ____ suspiros em prantos:
errei porque sou humano, mas foi também assim que eu te amei tanto!
183
A ETERNA
Sob teu céu voaram esplêndias águias douradas, todas com asas de ouro e com cantos idílicos,
todos fortes, esplêndidos, plácidos, flores, mitológicos e afloradamente estáticos;
sobre teu leito ebúrneo, copulavam contigo diversos anjos, igualmente incônscios, igualmente marinhos, igualmente lunáticos e ugualmente safados;
e agora, sigo eu, sobre teu túmulo e apenas com a lembrança tua olvidando-me do sonho que eu te contara naquela época em que ainda andavas comigo,
acerda de tua passagem à outra esfera, deixando-me completamente abandonado e sozinho no escuríssimo prédio!
153
HORA VAZIA XVI
... nunca te deste conta de que o niilista se considera menos que um grão de pós no sapiens chão de estrelas,
para que imaginasses que ele aguentaria ileso tuas vesanias, tuas policromáticas palavras voláteis
e tuas severíssimas e assassinas chuvas de fogo?
166
O SAL DO SER!
... e algo que se deneminou de ser, surgiu;
e depois que surgiumos tudo se tornou inexoravelmente,
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*