Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Olhem, olhem para as janelas, seus grandes bastardos,
pois enquanto o céu brilha azul, e as nuvens e os pássaros nele desfilam escelsamente esbeltos,
e enquanto as flores se despetalam mostrando suas cores, seus perfumes, suas pétalas e suas vulvas;
no interior da casa, as portas, as paretes, o leito do quarto e as nossas carnes vãom, aos poucos exaurido suas vidas!
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FLORES E VOOS
Margaridas e tentilhões fediam ao desfilarem com suas belas pétalas e plumas pelos canteiros e terreiros da cidade.
Dentre eles, a fulga flor de inverno (com seu tridente dourado), que vivia a cantarolar: "sou pura, pura, pura",
como que se não tivesse nascido entre as demais, como se não conhecesse o próprio rabo;
como se também já não tivesse a vulva (por todo tipo de pássaro que se imaginar) já rasgada.
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A PAIXÃO NÃO É COMO O AMOR: AVASSALA
... a paixão inflamada em piscinões lotados de pássaros, a paz por algum anjo recém-chegado,
a ilusão instalada para aliviar dores e pecados,
o sexo, o orgasmo, e o gemido instalados
podem abafar (e às dobras do caminho nos enganar)
o maior de todos os amores já vivenciado.
163
O SAL DO SER!
... e algo que se deneminou de ser, surgiu;
e depois que surgiumos tudo se tornou inexoravelmente,
por desconhecida condenação,
fruto da mente humana!
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DECLARAÇÃO
... nesta manhã de domingo, silente e fria, ___eu declaro ao mundo:
ouve-me, ___ mas não me creias;
já fui lavrador de ilusões em terrenos ___ baldios,
já fui compositor de músicas para ouvidos ___ moucos,
já fui malabaris ___ de belos fonemas vazios,
já fui até anjo ___ a beber demônias escondido;
antes, portanto, irdes às nuvens, às esquinas e às encruzilhadas ___ floridas,
por onde, pelo menos, podereis dizer que vos amam ou que ___ vos bem querem,
porque, deste meu anguloso e angustiante momento ao deserto ___ (que não passa),
nem isso mais, sem o morrer das faustas luzes do palco, permitir-me ___ posso.
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ATÉ A MAIS SUBLIME DAS CRIAÇÕES SERVE O HOMEM?
À imagem e semelhança somos, dizem
de um deus que não poderia ser senão fruto
da abnormal aberração da mente humana.
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O ERRO
O ser humano, ao que chamo sapiens, não deveria avaliar conjecturas, possibilidades
e, sobretudo, erros sobre as coisas ou sobres os daseins que entre elas foram jogados:
o sapiens devia já ter tido a percepção e a certeza de que,
de tudo que há e possa haver no Universo, ele é o único erro!
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SOMOS UMA POSSIBILIDADE, NÃO NECESSARIAMENTE UMA REALIDADE
... e se o verbo se fez do caos, e se o caos sempre existiu e continuará existindo pelo inesgotável do espaço-tempo,
e se surgiu neste meio o sapiens que inundou e engravidou a tudo com seu estranho e alucinado dna,
sempre será possível haver nova abnomalia, dentre as infinitas possibilidades, originária de que tudo novamente se possa reinaugurar!
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HORA VAZIA XIX
Cruzei o deserto mais solitário, enfrentei o inverno mais rígido, adentrei a noite mais densa,
enfrentei os monstros os deuses mais poderosos,
cruzei mares e oceanos ácidos, deparei-me com a morte por várias vezes, sempre te procurando e clamando por teu nome,
tudo para que, no momento em que te achei ali descansando naquele silente e branco leito esplêndido,
e, quando me aproximar para de ti me despedir antes de tua eterna partida, impediram-me com veemência acusando-me de ser o responsavel pelo mal que te acometeu
e condenando-me a jamais ver de perto esses lindos olhos e a continuar te amando como sempre fizemos:
com projeções além, muito além, da visão e da luz e da lua dos homens!
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HORA VAZIA XVIII
No silêncio da noite, ao aroma da dama-da-noite que inebria, com seu sedutor perfume, a escura brisa,
espero-te, solitariamente entre uma imaginação e outra, entre um suspiro e outro, a imaginar a elegância de tuas pétalas e a sinuosidade de teu corpo,
para que realizemos, uma vez mais nosso ato de amor em segredo, somente sob o brilho do distante olhar das estrelas!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*