Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Ninfetas e garanhões a alisarem peles, peitos e genitálias em seus leitos infames;
anjos e santas a se consolarem, com sonhos, asas e mãos, em seus paraísos secretos;
homens-vales, homens-insones, homens-insanos: whitmans, sartres, sheakespeares, raquéis, mozarts e o esbambal:
Putos, todos putos, proxenetas, como eu, de palavras voláteis (vadias) e de oníricos orgasmos vazios.
145
QUANDO A LUZ SE APAGA
De dentro desde quarto solitário, mofado e fechado,
quantas vezes terei ainda de chorar minhas dores e minhas saudade
por aquela que partiu tão jovem e não volta nunca mais?
144
ONDE TU ESTIVERES, NÃO TE ESQUEÇAS DE MIM!
Não gosto de te amar com as palavras voláteis,
gosto de te amar com o sentimento sincero na virtude do silêncio,
com minha boca beijando tua boca, chupando teus seios, percorrendo teu corpo e bailando em tua boceta;
sim, gosto de te amar no segredo de um quarto fechado ou em um mar longíquo, ou no fundo de um lote esquecido,
longe dos anjos e dos demônios e dos mitos sapiens tão bem mascarados,
e gosto de te amar o corpo, o coração, a essência e a alma como se fôssemos uma só magnífica e Sonora harpa!
173
A PAIXÃO NÃO É COMO O AMOR: AVASSALA
... a paixão inflamada em piscinões lotados de pássaros, a paz por algum anjo recém-chegado,
a ilusão instalada para aliviar dores e pecados,
o sexo, o orgasmo, e o gemido instalados
podem abafar (e às dobras do caminho nos enganar)
o maior de todos os amores já vivenciado.
163
AINDA É NOSSO TEMPO!
Há tempos em que nos sentimos como mortos vivos, como quem já partira há muito e se esquecera de deitar,
há tempos em que nos sentimos solitários como a lua a brilhar em um céu eterno. Infinito e cheio de brilhoas longinguazmente vazios,
há trempo em que nos perdemos entre sonhos, esperanças, desejos, sombriedades e estupidedez humanas,
há também o tempo em que iremos realmente morrer nos deitar ao apagamento em que o absolutamente nada vigora.
Antes porém, que nos chegue este fatídico tarde demais, escolhamos um tempo, um canto e um encanto que nos permita, com sublime amor e ardente queimor,
nos tocas os lábios e apaixonadamente nos entregarmos e nos beijarmos!
164
OS LAMENTOSOS MURMÚRIOS DO SINO
Toda vez que me lembro assim tão triste, tão angustiado e tãosaudoso de ti,
é como se minhas lembranças quisessem atalhar e levar-me deste deserto, cortando caminho, até ti!
162
O CONTROLE DA MARGEM
Se continuarmos
a não controlarmos nossas insânias
possessivas, vamos matar
nosso amor,
bem mais que
por uma dolorosa ausência.
Vamos continuar
a enforcá-lo, a feri-lo, a chutá-lo
como a um cão sarnento e a jogá-lo
em algum abismo
cinzento,
até que,
entre as incessantes chuvas de fogo,
não nos reste mais nenhum
sentimento.
127
INEVITÁVEL ABISMO
Olhem, olhem para as janelas, seus grandes bastardos,
pois enquanto o céu brilha azul, e as nuvens e os pássaros nele desfilam escelsamente esbeltos,
e enquanto as flores se despetalam mostrando suas cores, seus perfumes, suas pétalas e suas vulvas;
no interior da casa, as portas, as paretes, o leito do quarto e as nossas carnes vãom, aos poucos exaurido suas vidas!
139
ÚLTIMAS SEMANAS DE ESPETÁCULO
Já estou chegando aos quarenta e oito, ainda perdido e pensando no que faço aqui,
é claro que ainda sonho e tenho tremendos e horripilantes pesadelos,
é claro que ainda fico a ver as mulheres que passam, admirirando-lhes a beleza, a feminilidade, os seios, as pernas e as bocetazs;
é claro que ainda amo dar umas boas trepadas, vianjando e não tenho de renunciar a nada que me agrade;
mas o problema é que agora eu sinto que realmente estou chegando numa idade e em uma consição em que sinto que,
a qualquer momento que eu abrir novamente a janela, verei o mundo a partir (ou estarei partindo eu?) com sua morna e extática luz!
148
HORA VAZIA XIX
Cruzei o deserto mais solitário, enfrentei o inverno mais rígido, adentrei a noite mais densa,
enfrentei os monstros os deuses mais poderosos,
cruzei mares e oceanos ácidos, deparei-me com a morte por várias vezes, sempre te procurando e clamando por teu nome,
tudo para que, no momento em que te achei ali descansando naquele silente e branco leito esplêndido,
e, quando me aproximar para de ti me despedir antes de tua eterna partida, impediram-me com veemência acusando-me de ser o responsavel pelo mal que te acometeu
e condenando-me a jamais ver de perto esses lindos olhos e a continuar te amando como sempre fizemos:
com projeções além, muito além, da visão e da luz e da lua dos homens!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*