A NOITE É TESTEMUNHA
Quando se encontram
os amantes em seus secretos
recônditos
(sendo eles
limpos ou sujos, leais ou traidores,
brancos ou negros)
as bocas se beijam,
os braços se abraçam,
as línguas se chupam,
os corpos se tocam,
convulcionam-se, soam, penetram-se,
gemem e gozam:
sim,
a lua, encostada ao céu acima,
é testemunha silenciosa,
tal como
é o silente segredo que dali guarda
as quatro paredes!
NÓS ESCOLHEMOS TAMBÉM A QUEM ABRIMOS AS PORTAS
Ninguém chega
à casa da gente, entra para
tomar um café,
conhece a casa,
visita o jardim, usa o banheiro,
adentra ao quarto,
bebe,
deita,
dorme,
come,
fode,
etecetera,
sem deixar
rastros ou vestígios de alegrias,
de dores, de sêmens
ou de sangues,
querida!
TANTO ENGANO!
... tantos rostos
perdidos na multidão,
tantos passos
e tropeços na grande avenida
da procissão,
tanto sonho,
tanto delírio,
tanto desejo,
tantas bocas que se beijam,
tantas mãos que se tateiam,
tantos corpos que se excitam,
tantas veredas
abertas pelos reflexos das luzes
às retinas dos que pensam
ver,
mas que,
na verdade, não veem
nada!
E CHEGOU MESMO O MALDITO TARDE DEMAIS!
Meu amor, meu amor,
não deixas de povoar meus sonhos,
e eu fico a imaginar
como foi tão forte o que tivemos
e não aproveitamos enquanto
ainda cresciam flores nos jardins
e se esverdeava às margens das estradas
por onde andamos;
meu amor, meu amor,
ao berço da morte é onde te deitas agora,
estás tão fria e distante, que tornou
nossa ventura impossível:
Como se não bastasse,
sem tu aqui, a noite já se me desponta
também negra e finda!
TODA LUZ ESCONDE SOMBRAS
... nem todo
azul é esplêndido céu,
nem toda
oração é feita com sincera
fé,
nem todo
escrito é bela poesia,
nem todo
amor dito é o espelho
da verdade,
nem toda
dor e choro são feitos
de reais sais,
nem todo
anjo (ou nenhum anjo)
deixa de tocar suas punhetas
e ciricas,
com seus
nobilíssimos pseudoalados
iguais,
jogando
as culpas pelos tropeços,
quedas e pecados
aos cães!
O APAGAMENTO É O RETORNO A CASA
... por meio
de tantas poesias e escritos
desabafos,
fiz arder,
em palavreas, a minha
alma
que outrora
te por aqui te amava,
e que agora,
em meio a essas espetaculares
imagens soltas,
naufraga!
INCENDIASTE-ME!
Era impressão minha
ou eu te vi com brilhante sol
ali, meio no meio
das pernas, meio sob o colo,
na escura
e mágica noite de ontem?
O FIM DO HORIZONTE
Quase anoitecendo,
há cinzas ao chão das chamas apagadas
no dorso do pássaro
moribundo;
levanto-me todos os dias,
barbeio-me ou não, masturbo-me ou não,
sorrio ou não,
praguejo ou silencio,
caminho pelas avenidas
das árvores excelsas
dos verbos
e pelos jardins
das flores vestidas
de cetim,
nesse mesmo quase
anoitecer;
às vezes,
ainda aparece alguma
ave desgarrada querendo decifrar
o quebra-cabeças e acender o farol
com suas asas
oníricas;
mas até entendo:
é que ela ainda não
sentiu as dores
do infarto,
senão me ofertaria
somente o corpo cálido,
ao som de Mozart em minha silente
e angustiante
sina;
à qual
já não sonho mais.
INDECIFRÁVEL PARADOXO
Sempre me atraiu
a subjetiva ideia do não ser,
a visão
por cima do muro sapiens
do que não
nos haja ao reflexo
de nossas retinas abnormais:
pelejei,
antes fosse somente uma vontade,
mas tornou-se uma busca
incessante,
não sei quantas
vezes tropecei, mas eu devo assumir
que, além da vontade paradoxal
de entender o não ser,
eu, hoje,
tenho plena consciência de que tudo,
e até tal subjetivação de não ser,
pertence somente à minha
terrível condição
de ser!
DOR E SAUDADE, MAS NÃO LAMENTO!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*