Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Algumas escolhas que fazemos pode nos levar a céus permeados de sombras; outras a céus limpos e azuis, desde que não se lhes coloquem as próprias visões turvas.
É que constumamos nos blindar de forma drástica, sem nenhuma explicação lógica, em alguns encontros casuais, ou mesmo em compromissos mais duradouros.
São tendências naturais da abnormalidade. E a melhor defesa para o ego costuma ser a inversão de valores e o acúmulo de merdas no outro ser, a quem julgamos amar ou odiar, ou de quem nos dizemos amigos.
Se levarmos em contra esse paradoxo de o ser se ver bem, e não tão bema o próximo, a tendência, pelo ceticismo, é o devaneio pela busca no outro do que, na verdade, nem nós temos: a sublime condição de não mentir, de não jogar e de nao ludibriar.
Haveria algum porto Salvador de nós mesmos, se empurramos nossas próprias culpas nos outros?
Não. Definitivamente não. O devaneio é nato e, se a vida tem tanto de sorrisos como de choros, e tanto de alegrias como de angústias a tendência clara é de se desfazer do lixo. E o modo mais fácil de se fazer isso, mesmo inconscientemente é os jogado aos outros.
Se juntarmos tudo isso com os traumas da infância e da fase adulto, tudo fica ainda mais difícil. Se juntarmos o virtualismo atual, ainda mais complicado, chegando mesmo a beirar a insanidade, a partir do ponto onde nos achamos bons demais e aos outros por demais ruins, buscadores de desejos de vãs punhetas.
E não é de se julgar nada. Nós mesmos somos vítimas dos mesmos atropelos, mas se nos masturbamos, colocamos nossos egos em disputa e juramos amores a quem mal conhecemos para, depois, com combates violentos, chover-lhes ataques e chuvas, não deveríamos ter o direito de ainda nos autoconsiderar puros, ou sequer melhor que eles.
De modo que o virtualismo aumenta sobremaneira a tendência ao devaneio que é, logicamente, fruto de nossas próprias frustrações, fraquezas e desejos. Ainda assim, ali a vida chora, brinca e sorri, mas para nós mesmos, quando há dor, culpamos alguém por ela, nunca assumindo que somos um corpo e que nós e que, em certas situações, somos a célula cancerígena.
Não que me intente vestir de sábio ou de egocêntrico, por outra, coloco-me no mesmo nível dos demais, propício, portanto, às mesmas vesanias, às mesmas fantasias, ao mesmo avesso exercício do ego e às mesmas quedas covardes, com o afiado verbo aos demais atirados.
A questão é muito mais profunda. Na verdade, não se importa onde a pessoa se enocntra, ela tende a andar nas margens. No virtualismo, entretanto, tais marges ou desaparecem, deixando tudo parecer possível ou são ignoradas, sendo as coisas quase sempre diferentes do que nos ocorre na realidade.
Concluindo, o devaneio é imanente e precise ser autocontrolado. É maior no meio cibernético e não creio que se vestir de erudição, de anjo, de herói imbatível, de doutrinador com alguma autoridade, de dons huans valha absolutamente nada.
Tal qual na realidade, a participação pelo virtualismo é pessoal; e as responsabilidades por ultrapassar as margens devem também ser pessoais, e nao jogadas ao mundo, como se o mundo fosse nosso depósiti de destroços, de lixos e de porras.
Assim, acho que jamais encontraremos um meio etério e puro, porque a grande barreira está dentro de cada um de nós. Ou vós achardes fácil encontrar alguém em quem possais colocar um diferencial de luz e reconhecê-lo como puro e bom, sem que elas vos sejam e também vacilem como humanos?
212
O SER É UM SÓ CORPO
... e quando
o céu se torna escuro,
negro como
o ardente inferno,
os anjos
e os puritanos
saem escondidos de
Seus paraísos
e vão
participar das promíscuas
sodomias e concupiscências dos cães
e dos demônios!
182
NÃO HÁ SÓ AMOR, HÁ SEVERAS MÁGOAS CONTRA AS QUAIS LUTO
A chuva era constante, e o vento era extremamente selvagem,
havia mortos e fantasmas ainda urrando seus prazeres e suas dores do lado de fora:
dentro da cabana até que tentei nos manter do mundo separados,
mas, depois de constatado teu narcisismo e teus enganos e desenganos junto a anjos brancos de outras cidades,
eu fui obrigado a me deixar jogado do lado de fora!
105
A ARTIFICIALIZAÇÃO DO MUNDO
... flores de plástico, sofás de plástico, ___ camas de plástico,
poesia de plastico, amores de plástico, ___ fodas de plástico,
febres de plástico, granas de plástico, ___ honras de plástico;
enquanto isso, crianças caem dos penhascos, velhos morrem nos frios madrugados, deuses se contorcem com a farra, ___ mas escondidos e calados,
senhores se masturbam com suas puristas em grandes palácios, há goteiras nas casas dos já ___ semimortos,
as janelas dos sonhos são fechadas aos bastardos, aos retardados ___ e aos desempregados;
ela não enxerga mais que do nariz a um palmo, e vive nessa lama de teatrações ___ esparramadas;
e para mim só sobra foder os jumentos, os cães e os vermes, como uma ameba ___ servidora,
em triste condenação à inexorável morte na anarquia ___ dos plásticos.
127
DEIXA ELUCUBRAREM
Parece que querem saber quem é o paquera da Flor do Deserto,
anjos são "phoda" mesmo, nunca se mancam, nem quando picados por cobras venenosas;
mas eu devo dizer que a esses puritanos e puritanas ladrões de sentimentos e de desejos
que a Flor do Deserto não tem um paquera (esse negócio de paquera é coisa de adolescente retardado:
the flower of the desert has at his side is an arid man!
118
HUMANUM
... pois
que assim sejamos,
por vontade divina ou por ocaso
quântico,
porque
simplesmente (e nada
mais)
é o que
verdadeiramente
somos:
HUMANOS!
183
SOMOS EXATAMENTE ISSO!
ó virgens e santos,
ó homens e putos de toda estirpe,
ó pássaros e andorinhas
de suaves cantos,
qual a verdade
contidas nos palcos e espetáculos
apresentados por aí,
que não contenha
o silencioso contraponto do verbo
que a profere?
152
A NOITE É TESTEMUNHA
Quando se encontram os amantes em seus secretos recônditos
(sendo eles limpos ou sujos, leais ou traidores, brancos ou negros)
as bocas se beijam, os braços se abraçam, as línguas se chupam,
os corpos se tocam, convulcionam-se, soam, penetram-se, gemem e gozam:
sim, a lua, encostada ao céu acima, é testemunha silenciosa,
tal como é o silente segredo que dali guarda as quatro paredes!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*