Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
É muito possível, quanticamente, que nos reencontremos novamente um dia,
aliás esta realidade já existe independente de morte ou vida:
é que o comportamento ondulatório das elementares partículas que nos compõem
já se fragmentam em meu ser que ainda está sob a ponte, em teu ser que dela já passou
e em todos que já houve, há ou haverão, assim como em todas as coisas possivelmente existentes neste infinito Cosmo em expansão;
porém, advindos de tal imprevisível e comportamento de ondas, totalmente comuns e incomuns,
fragmentadamente em possibilidades de eternos sins e nãos.
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OS BELOS CÉUS DO SAPIENS!
Algumas escolhas que fazemos pode nos levar a céus permeados de sombras; outras a céus limpos e azuis, desde que não se lhes coloquem as próprias visões turvas.
É que constumamos nos blindar de forma drástica, sem nenhuma explicação lógica, em alguns encontros casuais, ou mesmo em compromissos mais duradouros.
São tendências naturais da abnormalidade. E a melhor defesa para o ego costuma ser a inversão de valores e o acúmulo de merdas no outro ser, a quem julgamos amar ou odiar, ou de quem nos dizemos amigos.
Se levarmos em contra esse paradoxo de o ser se ver bem, e não tão bema o próximo, a tendência, pelo ceticismo, é o devaneio pela busca no outro do que, na verdade, nem nós temos: a sublime condição de não mentir, de não jogar e de nao ludibriar.
Haveria algum porto Salvador de nós mesmos, se empurramos nossas próprias culpas nos outros?
Não. Definitivamente não. O devaneio é nato e, se a vida tem tanto de sorrisos como de choros, e tanto de alegrias como de angústias a tendência clara é de se desfazer do lixo. E o modo mais fácil de se fazer isso, mesmo inconscientemente é os jogado aos outros.
Se juntarmos tudo isso com os traumas da infância e da fase adulto, tudo fica ainda mais difícil. Se juntarmos o virtualismo atual, ainda mais complicado, chegando mesmo a beirar a insanidade, a partir do ponto onde nos achamos bons demais e aos outros por demais ruins, buscadores de desejos de vãs punhetas.
E não é de se julgar nada. Nós mesmos somos vítimas dos mesmos atropelos, mas se nos masturbamos, colocamos nossos egos em disputa e juramos amores a quem mal conhecemos para, depois, com combates violentos, chover-lhes ataques e chuvas, não deveríamos ter o direito de ainda nos autoconsiderar puros, ou sequer melhor que eles.
De modo que o virtualismo aumenta sobremaneira a tendência ao devaneio que é, logicamente, fruto de nossas próprias frustrações, fraquezas e desejos. Ainda assim, ali a vida chora, brinca e sorri, mas para nós mesmos, quando há dor, culpamos alguém por ela, nunca assumindo que somos um corpo e que nós e que, em certas situações, somos a célula cancerígena.
Não que me intente vestir de sábio ou de egocêntrico, por outra, coloco-me no mesmo nível dos demais, propício, portanto, às mesmas vesanias, às mesmas fantasias, ao mesmo avesso exercício do ego e às mesmas quedas covardes, com o afiado verbo aos demais atirados.
A questão é muito mais profunda. Na verdade, não se importa onde a pessoa se enocntra, ela tende a andar nas margens. No virtualismo, entretanto, tais marges ou desaparecem, deixando tudo parecer possível ou são ignoradas, sendo as coisas quase sempre diferentes do que nos ocorre na realidade.
Concluindo, o devaneio é imanente e precise ser autocontrolado. É maior no meio cibernético e não creio que se vestir de erudição, de anjo, de herói imbatível, de doutrinador com alguma autoridade, de dons huans valha absolutamente nada.
Tal qual na realidade, a participação pelo virtualismo é pessoal; e as responsabilidades por ultrapassar as margens devem também ser pessoais, e nao jogadas ao mundo, como se o mundo fosse nosso depósiti de destroços, de lixos e de porras.
Assim, acho que jamais encontraremos um meio etério e puro, porque a grande barreira está dentro de cada um de nós. Ou vós achardes fácil encontrar alguém em quem possais colocar um diferencial de luz e reconhecê-lo como puro e bom, sem que elas vos sejam e também vacilem como humanos?
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MAIS QUE DE COSTUME
Ultimamente, mais que de costume
talvez pelo efeito de tantos dias enfermo, sob antibióticos que atiçam a calmaria minha células nervosas,
ou pela constante tosse que, todas as noites, vem fazer amor com minhas amígdalas, ao solitário leito -,
tenho andando, sem sonhos, vesanias ou chuvas, a me pendular entre vãos e nadas,
deixando o ar livre para os vôos e para as dissimulações dos outros pássaros sapiens.
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DENTRO DE MIM
... dentro de mim,
sinto a incessante chuva
cair,
o passado
já está morto, como se nem
se tivesse havido,
a tarde
está cinzamente nublada
e o caos se faz
presente,
e a grande
noite sque se me aproxim
ó me parece um triste
e inevitável fim,
para
as luzes que emanamos
nos dias de hoje.
133
DELÍRIOS
Sim, querida,
podes levar-me
ao delírio com teu
sonho nuvem,
ou ao martírio com tuas
chuvas de fogo;
e ali, entre as cinzas,
podes deixar-me,
solitária e angustiadamente,
jogado,
ou podes soprar-me,
ao coração,
uma cândida brisa
fênix;
mas eis uma coisa
que não podes
fazer:
matar-me
o amor que te tenho
em minh'alma.
159
ELAS, AS FLORES II
Flores sim, que se me inscrevem em poemas às solidões das noites frias,
que me atiçam em fantasias ao som de inesquecíveis melodias,
que me agonizam - seja a pardas luzes ou a lisas sombras - em vesanias,
a me encantarem, e tanto mesmo sabendo eu, também,
de seus traiçoeiros espinhos e de suas insaciáveis cinorrexias.
144
MEU MAIOR ENGANO
Houve um tempo em que andar contigo parecia ser tão grandioso
(em amores, sublimidades e sempiternidades ofertadas;
e, diante de imagens e pedras ao caminho, demonstrou-se tão limitado
(mas tão limitado) que não moveria nem o mais misantrópico dos anjos.
153
QUANDO A CASA CAIU
Acreditava naquela história de que ela contava que era pura, pura, puríssima
e que sempre fora e seria eternamente minha;
eu me considerava um homem inteligentemente arrogante dando-me o poder de contrariar a condição sapiens para vê-la assim:
agora sei que sou um abnômalo burro como outro qualquer, que amo, que desejo, que me masturbo,
que tremo, que deliro, que gozo e que choro como outro qualquer!
159
QUANDO EU FALAR DEMAIS
Quando eu estiver muito chato ou falastrão,
assim meio desvairadamente perdido com o verbo volátil,
chega, tapa-me a boca com um beijo, abraça-me apertado, toma-me inteiro, joga-me em teu leito
e faze-me gemer e gozar com a intensidade tal que não me reste mais nenhuma força, senão para gemer e delirar!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*