Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
... ó loucura incógnita, atravessei estrelas e enfrentei deuses humanos que fabricaste como vindos de paraísos longínquos,
encarei monstros e terríveis sombras para ver se nos achava alguma luz no fim do túnel,
suportei pesos, culpas ao caminho em que te puseste a andar comigo fedendo a porras e enxofres,
aceitei teu paradoxo e tua crise existencial, advindos de labirintos escuros de tua infância perdida,
procurei pelo caminho menos espinhoso para alívio teu, muitas vezes silenciando-me com minhas angústias e dores:
quando o ópio se misturou completamente com o perfume da flor, já era tarde demais,
já habitávamos o limbo, com trajeto certo para precipício final.
194
AMORES LÍQUIDOS
... o cão se interna por um longo período, para químio e uma puristana que se acha boa liga a ele para apoiar, pedindo sexo telefônico ou virtual;
outra amante, a chamada Lilith, liga para dizer que enfrentam a mesma doença e lhe conta estórias de seus namorados e putos com quem traiu o esposo corno;
uma nuvem, em quem ele cria no amor, liga e ele liga a ela como a última esperança de morrer simplesmente como um homem;
ao retornar para casa, é recebido com cobranças, jugos e ferradas por comentários feitos em suas poesias.
E eu fico pensando como são bons os anjos, que vivem a refletir suas alvíssimas almas às negras sombras dos piores e devaneados cães.
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ELA ERA AZUL
... em seu lindo rosto pálido, seus olhos eram azuis,
em seu delicioso corpo espelto seus seios era azuis,
sua xota, a maior de suas preciosidades era azul,
suas palavras eram tão belas, puras e azuis
que me encantei;
um tempo depois veio o desengano qusando percebi que somente uma coisa lhe destoava do lindo azul que predominava:
sua alma era obscuramente negra!
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EU E VÓS
Sou dissimulado e vadio demais para escrever aqui, no meio de menestréis, puritanas e anjos mascarados;
assim como eles vê, desfilam, exibem troféus literários, conquistas, fazem suas masturbações egocêntricas, literária e genitálicas,
sem perceberem que são frágeis demais para lerem e aguentarem os labirintos subterrâneos do ser que mostro em sais e pós!
180
A RESSUREIÇÃO
Quarenta e sete, fragmentos de quedas, pedaços de sonhos e de ilusões quebradas,
e eu tentando ao deserto me reagrupar com ela, sempre ali, amorosa e delicada,
a me envolver, a me acalentar, a me embalar,
a me abraçar, a me beijar, a transar comigo,
a me proteger, a me aquecer e a me amar!
144
NÃO PRECISAM ENTENDER, MY LOVE!
... na manhã de hoje, após a intermitente insônia da noite,
levantei-me e me pus a caminhar por aquela solitária estrada de chão à frente de meu sítio;
com a mansa brisa sobre os ombros, a contemplar a fechada planície, cinza, sob as escuras nuvens que cobriam o céu,
senti, em solitário pranto amargo, a tua invisível presença, como que a me dizer: "Por tudo que aconteceu, você foi o culpado!"
193
INALIENAVELMENTE CONDENADO
A dura vida deixou-me niilisticamente perturbado,
já não creio o sapiens, seus desesjos, seus sonhos e seus anseios;
já não creio que as coisas do coração e da espiritualidade suplantem as da id e as da vaidade humana;
por consequência, tornou-se-me impossível atingir alguma razoável paz,
uma vez que, não crendo no semelhantíssmo, também não mais creio em mim mesmo!
139
INFELIZMENTE SOU POUCO
Infelizmente só tenho três pernas e um invisível par de asas;
e isso me deixa frustrado por não poder desfrutar de mais amores vermelhos,
de mais secretos desejos e de mais dissimulações teatrais sob as nobres e enigmáticas luzes dos sapiens!
164
A SENCIÊNCIA SAPIENS É SUA MAIOR PRISÃO
... é verdade que a visão da liberdade pelo homem é a confirmação inconsciente da própria prisão em que se encontra,
ou seja, é a negação da própria liberdade por não mais conseguir perceber, desde formada a abnomalia, o que for a da grande barreira continua naturalmente a ser inaurugurado;
e entenda a barreira exatamente como o infinito poder de ver e de imaginar no ser desenvolvido com a senciente evolução.
E nem vou me adentrar na explicação da fonte, mas filósofos, pensadores e cientistas não vos esqueceis de que o Cosmo
Não sabe de nós nem de nossas insignificantes e paradoxais redemolações de tudo que houve, há e haverá
no inexplicável mundo da quântica, do ocaso e das infinitas possibilidades.
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*