Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Na miragem desértica, a ausência de tua alva nuvem em minhas noites vazias e taciturnas;
no leito solitário, a ausência de teu corpo em minhas inércias carrancudas;
na mente demente, a constante chuva a inundar-me as ilusórias horas mortas e as excitadas luzes dos néons:
e tudo o mais, misturado com faustos e falsos sabores de infinitos, por onde (antes de te perder)
me escorri, ensandeci-me e me enferrujei assim, tão enlaivecidamente fecundo, com minhas asas inválidas, com minhas peles queimadas e com minhas merdas defecadas pedras afiadas.
143
SEI TUDO SOBRE TI
Ela me amou, se não, muito bem dissimulou,
e eu a amei, ou muito bem dissimulei;
e tudo bem até aí porque ser é inefitavelmente dissimular.
Mas um dia ela disse que ia me injetar veneno aos poucos na quantidade certa para não matar:
e nisso eu garanto, ela dissimulou, porque são crer que ela não me mataria, sem nenhuma pietade, ela matou!
141
UM SOL NA JANELA
140
CADÁVER QUE ANDA
... sedendo, faminto e me arrastando já há tanto tempo neste seco e sombrio deserto,
já não alargo minhas pupilas para imaginar um mais razoável horizonte,
já não alço as asas dos sonhos para não me quedar novamente da subsequente encruzilhada,
já não dou ouvido às canções dos anjos porque eles me dilaceram levando-me ao inferno dos homens.
Então, apenas ativo o olfato, aspire o perfume de uma flor que resiste ao deserto,
aspiro como se fosse o ultimo perfume que sentirei em minha vida,
tentando me esquecer das passadas e incontáveis chuvas de fogos e de pedras!
187
OS CAÇADORES
Caçadores caçam ovelhas, cães caçam puritanos para devorarem com seus dentes e com seus paus agudos,
até os canálios celibatários caçam templos para se satisfazerem, insanamente, escondidos;
mas quem mais exercita o exercício da caça são os anjos que, com o exercício da palavra volátil,
esperam tempos e tempos a fio, como lhes convém na perfeição do intento, aguardando que a vítima lhes creiam
e, sem dar um disparo, se dirijam ao abate para seu próprio ninho!
206
ETERNAMENTE
Sofri como ela disse que eu ia sofrer,
lutei como ela disse que eu ia lutar,
chorei como ela disse que eu ia chorar,
sangrei como ela disse que eu ia sangrar
e, quando todos os médicos diziam que eu não tinha mais nenhuma chance,
sobrevivi como ela disse, antes de partir, que eu iria sobreviver!
224
OS LADRÕES DE SONHOS!
O sol cai a pique, logo após a chuva de verão que amolhaçou a terra ressequida,
e eu aproveito uma vez mais para plantar, escondidamente,
algumas sementes, na tênue esperança de que não sejam vistas pelas legiões famintas das formigas.
108
A INVASORA
Quando chegaste, por educação, eu abri a porta da sala para te atender;
mas eu não sabia que invadiria meu quarto, entraria em mim,
tomaria meu coração e faria escrava de um louco e impossível amor, minha alma, Senhora!
166
O EXISTENCIALISMO TAMBÉM NÃO EXPLICA NADA
Se para Jean Paul Sartre, a angústia surge no exato momento em que o ser se descobre aprisionado em sua própria liberdade,
se para Shopenhauer viver é necessariamente sofrer
e, se para Fernando Pessoa, pensar é essencialmente errar;
Thor Menkent decreta que viver é simples, irrevogável e inalienavelmente estar atrelado à abnormal condição em que foi em meio das coisas jogado!
167
VAI DOER DE TODO JEITO!
Que coisa meio estranha e demasiado doída:
depois de dois anos habitando um distante frio,
com ela subestimando a minha precária condição física, as imagens e as cores lida,
sozinho numa intensa luta pela vida e ela a se mantendo distante e vazia,
apareceu uma flor que entrou em meu deserto já nenhuma experança exígua.
Agora se me irrompe uma luta entre o antes tempestuoso mar de amor e o calmo, sensível e amoroso lago de águas tranquilas!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*