Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Sobre meu deserto há uma algazarra de anjos celestiais,
sobre meu telhado, já envelhecido e trincado, há libidinosidade e dramas de pardais e de corujas esfolados:
sob minha sombra tomba a lua pálida, levando consigo todos os meus sonho e todas as minhas ilusões mais puerís nunca concretizadas!
147
INSPIRAÇÃO!
Andei refletindo e, realmente, não sei o que mais me inspirou a poesia emperdenida:
se tua alva difusa, regozijada a quatro ventos e mais outros, com teu ego espúrio;
ou se tuas sombras - que tanto lutas para manter omissas - a se escorrerem por cômodos secretos
e por varais onde pousam arcanjos inocentes e pássaros de paus duros.
117
OS FILHOS DE DEUS!
Dizei-me padres, pastores e demais apóstolos da Palavra, vós que dizeis seguir aos ensinamentos de vosso deus,
e que tanto vos rejubilais de serem dele filhos à imagem e semelhança, pregando sublimes ensinamentos e angelicais posturas por aí;
qual seria a desnecessidade do mal, se isso implicaria, por inexorável consequência a morte de tudo contra o qual lutais com vossos discursos voláteis,
como também do próprio deus que fabricais como lixão para vos aliviarem de vossas espúrias e imanentes chagas?
171
ANJO MASCARADO!
Ela se esticava toda tentando definir o que era o amor só para que eu a cresse,
ou, quem sabe, com o intento de me fazer andar em linha reta ao exíguo sonho horizontal que imaginava;
enquanto eu tentava explicar a ela que o amor, caso exista assim tão sublimemente como dizia,
almeja o topo, mas mantém os pés ao chão rejubila com a luz, mas não nega as imanentes sombras, voa com a imaginação, mas resiste às recorrentes quedas;
ao que ela, irredutivelmente, não concordava porque queria amar - sendo como eu: humana - era a um anjo.
129
ESCONDERIJOS!
O melhor lugar para se esconder não são as sombras, mas sim o sob o sol ou a luz,
que, ao refletirem as esplêndidas máscaras usadas, reluzem-nas com grande esplendor,
omitindo, subtilmente, as verdadeiras faces e intenções das dissimuladas atuações aos palcos da vida.
182
CAUSAS
Em bocas fechadas não entram moscas e marimbondos, nem saem palavras em turvas enxurradas;
em olhos fechados não entram fluorescências artificiais, nem se proliferam imagens retinadas;
às almas cuidadas, não entram pensamentos vagos, nem os cheiros de asas queimadas.
159
CERCADO PELO DESERTO!
O deserto me cerca de todos os lados, corroendo-me com ferrugens
de vazios e nadas; quase que se me apagando, inclusive, o pouco que sobrou
dos pueris dezembros e natais, em minha perdida infância passados.
170
A BIPOLAR!
De saudade, de angústia, de dor e de sofrimento, chamo-te Lilith,
a quem outrora conheci em seu inferno humano e sarnento;
por amor, depois de morta, chamo-me de A Flor do Inverno, com verdadeiro sentimento, em poesia e emoção!
124
TARDE MONÓTONA
Cheguei a casa aporrinhado naquela tarde, empalideci de imediato seu sorriso, fechando-lhe as portas e as janelas;
dirigi-me a meu pequeno quarto, onde havia livros, um som, uma cama e quase mais nada;
mas havia, dentro dos livros, estórias de mundos, e havia a música que se derramava em tudo, sem ocupar espaço;
e eu ali tentando me salvar de todas as coisas e de tudo que semeavam fora os grandes sapiens sencientes;
e o pior, tentando me evitar também o iminente naufrágio de todas as coisas e de tudo que se me confundia dentro.
108
VIL EXISTÊNCIA!
Certamente que podes ter de tudo quanto queirais nesta vã e vil existência
- inclusive jogares tuas culpas e pesos às incautas costas dos outros -;
afinal de contas, é tua a particular senciência para criares e para lidares, a teus modos
e por tuas escolhas, com tudo que - aprazendo-te ou não - ao ego te sirva:
ora amando anjos, pássaros e sapiens puristas em paraísos figurados,
ora debatendo-se com demônios, vermes e ratos aos chãos enlameados,
ora abrindo-te as asas e as pernas para que qualquer um deles te coma a vulva extasiada!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*