Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
... existem nos profundos lados de nossas próprias noites,
algo que talvez nunca tenhas percebido:
auroras surreais, desejos menestrais, e ilusões sem iguais;
mas quando se acorda aos próprios fundos é sempre tarde demais.
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CRESCEU EM CORPO MAS NUNCA PERDEU A MALÍCIA TENRA
... mesmo as sombras
podem se mascara com um lindo rosto
e terem uma postura tão doce
e sensual
que pode
enganar até os mais
poderosos anjos
e cães!
Thor Menkent
.. ela não sabia quando dominava os anjos e os santos, seduzindo-os e depois jogando-os às camas e aos chaos;
assim como ela não sabia que, antes de morrer, iria me agradecer chorando
com a cara, o corpo e a alma expremidamente sangrando contras as próprias pedras que fabricou como lindas, doces e excitantes ilusões!
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EGOCENTRISMO
Sei que corro sério risco de vereis egocentrismo no que vou dizer - e nem me nego tal imanência -, entretanto não mais me permito medos nesta breve jornada;
muito pelo contrário habituei-me a transitar entre a solidão, com meus fantasmas bastardos e com minhas imanentes sombras, como há tanto tempo tenho feito:
Raro me é tolerar, por muito tempo, alguém próximo sem que o chateie com meus fétidos suores e meus avessos reflexos;
e quando me perco a olhar rostos, pernas, peitos, vulvas e contos de fadas regozijados por anjos e demônios,
é prenúncio de naufrágio, não da humaníssima relação em si, mas do que de melhor se costuma perder quando também se perde a cegueira.
Antes seja, portanto, a inalcançável pureza dos sem-limites do que os escândalos e as quedas ao fim dos encharcados crepúsculos.
218
ACASO A LUZ PODE ADENTRAS AS PROFUNDESAS?
Acaso a luz pode adentrar as profundezas côncavas de vossas sombras, para que continueis vos achando assim tão inocentes,
enquanto mal conseguis intransitivar o verbo às elucubrações e julgos proferidos aos dissidentes semelhantes?
Acaso já destes mais que um paus e uns trocados às putas em seus leitos mordacentos,
enquanto vos derramas em amores, lavores e sublimes ensinamentos junto a vossos amigos, esposas e famílias?
Acaso já vivenciastes de modo pleno, alguma vez que seja, o vasto limite das purezas divinas que vós mesmos inventastes
- e das quais tanto vos regozijais -,
enquanto vos escorres dissimuladamente com mãos, sexos, fantasias, insânias e verbos por recantos escondidos de graciosas obscuridades?
Ora, caríssimos menestréis e doutos formados em luzes artificiais; se já, então podeis atirar a este cão as piores pedras.
216
ACEITAR(SE) NA VIDA E NA ARTE
Se alguém quiser ser mais para inovar - afiada e livremente - na arte, na musicalidade ___ ou na poesia,
deve aceitar, primeiramente e por completo, o cântaro da própria ___ abnormidade humana,
e ousar atingir, em algum momento, a transitiva e sublime moradia ___das sombras.
Paradoxalmente, deve descobrir-se, à nefasta natureza que adultera a todo ___ momento,
como um deus apócrifo, dissimulado e ousado, capaz de criar de recriar suas próprias estórias ___ e imensidades,
a fim de que consiga ultrapassar os arraigados limites das regozijadas ___ purezas,
lançadas aos mares, aos ares e aos montes de ouro pelos vertebrais ___ sapiens.
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NUVEM ESCURA
Nuvem que carrega esplendores e tempestades, não sei exatamente quando perdi minha paz ilhada,
mas ainda me lembro de quando caminhava por uma estrada sinuosa e esburacada, e você chegou sem hesitar, toda alvissarada.
Ainda não tinhas a adaga nem o verbo afiado - eras só flores e sonhos esplendorosamente anuviados, que me davas com gosto declarado -,
isso veio depois, bem depois de andarmos por serras e montes elevados; e eu nem me lembro mais de quando nos caímos pela primeira vez, mas a terra tremeu sob meus pés e as sombras balouçaram às minhas madrugadas.
Até tentei fugir do iminente naufrágio, mas todas as portas e janelas já estavam fechadas, e a bela luz da morte de não sentir, de não querer, de não amar já havia inexoravelmente me abandonado;
hoje tomo meu café, fumo meu cigarro de palha enrolado e ando pelas avenidas dos vivos e dos mortos, com o pouco que de mim haja restado,
que todo o mais a ti também fora com mesmo gosto ofertado sob sóis e chuvas, às noites e às noites ausentes, entre as brisas e as tempestades ferventes neste incomensurável, mas ébrio amor degenerado.
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SEMPRE A ILUSÃO À BEIRA DO ERRO
Tem qualquer coisa à beira da ilusão, do erro, ou mais provavelmente do naufrágio, em quem poetisa essas coisas de amor eterno, puro e incondicional,
que só agradam aos insectos trepadeiros que gostam dos açúcares das porras, ou aos pássaros de asas inclinadamente avesgalhadas, que labutam em busca de fantasias, sobrevoando os varais estirados dos terreiros alheios;
isso para não dizer que sejam aleijados no osso - os insetos, os pássaros e as demais metáforas apropriadas - do seco cerne.
Mas devo confessar que há algo bem mais estranho nos pensamentos e nos eventos mentais do niilista que escreve gozando - ou sangrando - sombras e desesperanças;
o que não agrada, nem interessa, àqueles que não têm a mínima noção de que sejam em si, são o próprio erro, sem nenhuma chance de recurso ou conserto.
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FILOSÓFICOS
Dos bem traçados pensamentos filosóficos às repetidas orações de fervorosa fé, e aos adocicados versos de amor,
a maioria das coisas que costumo ler parecem escritas por covardes ou alienados.
E tudo bem que queiram passar a vida persistindo em grafar chãos e sombras pensando ser céus e luzes,
mas, quanto a mim, não mais posso me permitir escrever absurdas mentiras:
nunca fui digno, nem mesmo um pouco menos fausto e dissimulado que seja,
para me situar em outro lugar que não os destroços e os lixos de minhas próprias loucuras.
169
AS CINZAS DOS ANOS
Precisas, talvez nem tanto como eu, mas precisas também
de um canto onde possas falar das estrelas e da eternidade
mesmo que elas não existam, mesmo que não haja nada;
precisas, como eu, tentar subver a razão e fugir das lógicas dos lábios e dos traços,
mesmo que isso rasgue os ventos, os versos e tudo que te houver sagrado;
precisas, como eu, que estou ao fim da jornada, de um lugar onde possas te descansar
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*