Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
entre as razoes dos sapiens e as vertigens de seus além-mares:
Bem, muito bem, eu não sei se sorrio ou se choro disso:
Aonde vou? Não sei.
Aonde vais? Com certeza absoluta não sera comigo!
162
EGOCENTRISMO
Sei que corro sério risco de vereis egocentrismo no que vou dizer - e nem me nego tal imanência -, entretanto não mais me permito medos nesta breve jornada;
muito pelo contrário habituei-me a transitar entre a solidão, com meus fantasmas bastardos e com minhas imanentes sombras, como há tanto tempo tenho feito:
Raro me é tolerar, por muito tempo, alguém próximo sem que o chateie com meus fétidos suores e meus avessos reflexos;
e quando me perco a olhar rostos, pernas, peitos, vulvas e contos de fadas regozijados por anjos e demônios,
é prenúncio de naufrágio, não da humaníssima relação em si, mas do que de melhor se costuma perder quando também se perde a cegueira.
Antes seja, portanto, a inalcançável pureza dos sem-limites do que os escândalos e as quedas ao fim dos encharcados crepúsculos.
217
A PEDRA SOMOS NÓS
... sim, Drumond, no meio do caminho há uma pedra,
há uma pedra no meio do caminho à qual Deus, que tudo podia, fez de forma que na senciência e na absurda visão retilínica dela não mais poderia mexer;
sim, Drumond, no meio do caminho foi criada uma pedra (nós, sapiens)
que me faz desconfiar de que Deus já não mais tudo pode fazer!
138
O ATAQUE COMO VÃ DEFESA
Por que atacas tanto meu amor, exigindo que eu seja como os filhas da puta dos anjos,
que moram com deuses e que têm tudo em seus paraísos secretos
- provavelmente, até vastíssimas promiscuidade entre paus e bocetas de asas sem que sejam elucubrados ou julgados em momento algum -,
se sou um simples humano, e ainda assim mais que eles, e mais também que os demônios,
e que, por isso, como você, meu amor, dissimulo mais por natural condição, mas também amo mais, amo muito mais,
muito mais,
que esses sublimes e fantasiosos anjos otários que inventamos e que ficam de plantão
a olharem todas as cenas ora desdenhando, ora se masturbando em fausto fogo idílico?
121
NUVEM ESCURA
Nuvem que carrega esplendores e tempestades, não sei exatamente quando perdi minha paz ilhada,
mas ainda me lembro de quando caminhava por uma estrada sinuosa e esburacada, e você chegou sem hesitar, toda alvissarada.
Ainda não tinhas a adaga nem o verbo afiado - eras só flores e sonhos esplendorosamente anuviados, que me davas com gosto declarado -,
isso veio depois, bem depois de andarmos por serras e montes elevados; e eu nem me lembro mais de quando nos caímos pela primeira vez, mas a terra tremeu sob meus pés e as sombras balouçaram às minhas madrugadas.
Até tentei fugir do iminente naufrágio, mas todas as portas e janelas já estavam fechadas, e a bela luz da morte de não sentir, de não querer, de não amar já havia inexoravelmente me abandonado;
hoje tomo meu café, fumo meu cigarro de palha enrolado e ando pelas avenidas dos vivos e dos mortos, com o pouco que de mim haja restado,
que todo o mais a ti também fora com mesmo gosto ofertado sob sóis e chuvas, às noites e às noites ausentes, entre as brisas e as tempestades ferventes neste incomensurável, mas ébrio amor degenerado.
199
TUA ESPERANÇA ESTÁ MORTA!
... entre anjos, mitos e dromedários cães,
entre estrelas, paraísos e escuras prisões,
entre as razoes dos sapiens e as vertigens de seus além-mares:
Bem, muito bem, eu não sei se sorrio ou se choro disso:
Aonde vou? Não sei.
Aonde vais? Com certeza absoluta não sera comigo!
207
NÃO SUBESTIMEM A ETERNIDADE PRESENTE, O PORVIR SEMPRE TENDE AO NIHILO!
E entre o amor que pensávamos termos,
o sorriso que pensávamos termos,
o sonho que pensávamos construirmos,
e entre as florestas em que abrimos passagens
a lagos e rios virgens,
e entre os leitos
em que nos comemos e gozamos
extasiadamente aos litros,
e entre os paraísos
que onirizamos para nossos comuns
infinitos,
o que havia,
de fato, e não percebíamos, era só o momento
ao qual, muitas vezes, subestimávamos
colocando-lhes vãs atuações
e idolatrias.
E agora que não podemos
mais falar, pensar, sonhar, amar, sofrer, foder
ou chorar
comprovou-se
que nunca tivemos foi,
como eu sempre dizia e não entendias:
um nada vestido de vãs
fantasias!
171
REGOZIJOS E SENCIÊNCIAS
Enquanto vos regozijais com vossas senciências por aí, digo que não há nenhuma chance ou esperança:
as casualidades morreram, as probabilidades foram aprisionadas e tudo foi recriado, inclusive os próprios destinos porvires;
Sim, enquanto vos rejubilais de vossas nobilíssimas e filiais origens, afirmo que não há absolutamente nenhuma esperança mais:
agora, a tudo o homem faz com uma cegueira tal, que lhes fizeram refém até aquilo a que chamam de Pai.
198
EINSTEIN, DEUS, COMO TU PENSAVAS, NÃO É MATEMÁTICO!
... desde o surgimento da abnomalia, não há mais relatividade percebível sem o sapiens,
e este foi, provavelmente, o maior erro de Albert Einstein,
por não incorporar parte da filosofia, da quântica e da incerteza em sua teoria da relatividade;
ao Cosmo desprovido de nossas retinas, como as coisas não se sabem coisas ou como nada que seja descritível ou analisável pelo ser,
não há nem o tempo, nem o espaço, nem sequer o ponto que sirva de referencial para qualquer coisa, predominando-se assim o eterno caos.
A relatividade veio a ser instalada exatamente com a visão racional, metafísica, filosófica, onírica, espiritual ou dementemente sapiens
e está condenada sobre alicerces sapiens que, para o Cosmo virgem, simplesmente não existem!
181
NA MÃO!
Somente quem já não ficou a ver navios ou de pau duro em má situação, quando aquela pomba que dizia nos amar voou vociferando suas indignações,
ou quem já passou pelas sinuosas trilhas das estações sem os rígidos frios hiemais e as fluorescentes foices estivais,
poderia realmente falar, com direitos adquirido às horas mortas, das angustiantes e dolorosas quedas de meus voos sem asas,
dos estranhos marulhos de minhas enturvadas águas e das desarmoniosas cegueiras de minhas fluorescências fragmentadas.
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*