PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

n. 1970 -- --

Escritor, poeta e pensador niilista, sempre em busca da análise do ser jogado em meio de suas reinauradas coisas!

n. 1970-03-07, Bom Despacho

Perfil
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FLOR DO DESERTO, VÊS COMO ME ENCONTRO?

Flor do Deserto,
vês como já há tanto tempo
me encontro?

Sabes quanto
me custa ser franco
quanto a meus sentimentos por alguém
que já passou a um leito negro
de onde jamais
retornará?

Alguns anjos me julgam
dizendo que é derespeito amar
uma defunta,

outros
vão além e dizem que com ela
ainda me masturbo,

e há os que
não me perdoam por quererem a carne
deste corpo, que nada vale perante
o sentimento que se assentou
em minha alma;

e eu fico aqui
pensando: "O que posso fazer
por alguém, uma flor tão boa para comigo,
de modo que a agrade, sem que minta
ou a engane sobre meus sentimentos
mais profundos?
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Poemas

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O MENINO-CÃO

... era uma vez em Bom Despacho, as ruas não eram calçadas, e os passeios não eram todos cimentados, o esgoto corria livre pelas calçadas, com seus marimbondos pretos pousados. Fedia. Fedia muito, mas mesmo assim, de pés ao chão, jogávamos bola no meio da rua e, por vezes, as pegávamos no meio das bostas das beiradas. Nada digno sequer de uma classe média de 5.000 anos passados.

Era, pois, preciso criar cabanas e esconderijos nos vagos matos, por onde pudéssemos virar heróis com uma tampa de óleo de 18 litros, um pedaço de pau feito espada e um bodoque com uma sacola de mamonas a serem atiradas.

Não tinha esse negócio de TV, Playstation, nada. O que havia eram crianças, com a mente empenhada nas brincadeiras alvissaradas. Troca-trocas que nem se penetravam, queimadas, passar-anel, pique-em-lata, rouba-bandeiras, paredão, e um escabal de brincadeiras. Do paredão, as meninas eram poupadas, porque eu caprichava na força e na mirada.

Vez em quando se via um e outro reclamar de dor de barriga e cagar cobras pelo cu nos terreiros desmurados. Mas a gente entendia, que as lombrigas em nossos estômagos se fartavam.

Às vezes, escapulíamos escondidos e invadíamos o campo da praça de esportes. Claro é que não gostavam e colocaram um monstro para nos vigiar. Cascudos, esfregões e pontapés rodaram-nos.

Nas escolas, éramos motivo de piada, com nossa piolhada, quichutes desgastados e uniformes rasgados e a agulha costurados.

Eu não comi uma menina nessa época. Só dava para os boizinhos a desgraçada. Mas me lembro de como eu a pegava sozinho com minha mãozinha atolada em meu pau já acordado.

A passarinhos a gente por prazer matava. Sobretudo pardais, mas também canários, sabiás, bem-te-vis, pássaros-pretos, tesoureiros, beija-flores e o que demais surgisse nas matagais caçadas.

As professoras? Eram uma piada! Na quinta-série deviam ter se tornado nossas alunas da vida na dura estrada. Era tão engraçado o que elas tentavam ensinar que mais atenção em seus peitos e bundas prestávamos.
Bem, eu me tornei um mestrezinho da cambada, ardiloso, maquinador, traiçoeiro, um anjo disfarçado que escondia nos bolsos pedras e contos de fadas, para usar conforme a situação adequada. Sobreviver e com a mente sempre alerta era a jogada.

Um dia, uma mulher me levou para casa dela. E não sei por quê, sentiu por mim algo que eu só sabia em sonho. Sentou-se. Abriu as pernas. E socou o dedo na xana do lado da calcinha. De olho em mim, gemeu e, depois, me deu um pouco de café com leite e bolacha. Só depois fui saber que aquele belo anjo havia era gozado na minha cara.

Mas não deixei por menos, depois disso ela esteve em minhas punhetas de vezes uma porrada.

Um livro inteiro poderia ser escrito, mas estou deveras da vida cansado.
E assim, já em pequeno, em cão me tornava. E hoje sou o que chamam de cão niilista ou cão do diabo, mas garanto que sei tudo sobre o que está dentro e fora das margens.

Luto contra os anjos, porque sempre são os que mais extrapolam tais margens e luto pelos humildes que, mesmo em pequenas alegrias ou vitórias, pelos soberbos do mundo são massacrados!
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TOMANDO UM CAFÉ À PORTA DE UM BOTEQUIM

An ram!

Bom, desculpem-me. Deixa eu falar sério um pouco.

É verdade que os ventos, as chuvas e as tempestades são velhos companheiros meus. Digamos que me alivia um pouco quando, com o verbo em contos ou em poesias, coloco as culpas e os pesos no mundo.

Mas não é que eu seja totalmente insensível aos revezes da vida. Por outra, costumo mirar os maiores egos e os mais sonerbos anjos. Aos humildes, eu poupo, e desafio um só de meus poemas lhes serem afiadamente destinado.

Mas quando um trovão sobrevoa o ar que respiro, realmente tenho de mostrar umas coisas. Por exemplo, ,como sempre digo, em países desenvolvidos jogam Playstation, vão a parques de diversão, comem e bebem de tudo, e regozijam que são bons. Ah, claro, e dentro de nosso próprio país ocorre o mesmo com alguns irmãos.

Mas, enquanto isso, e sempre digo que enquanto isso muitos morrem de frio, e muitos templos padecem de fome biológica e cultural.

Então, são sons desconexos. "Sou bom", "Estou morrendo de fome". Tudo nas mesmas células do corpo humano.

Então vos pergunto: "Onde é mesmo que está a porra do câncer?"
161

SERÁS MINHA E EU TEU TOTALMENTE POR UMA TARDE!

... não ficarão vestígios,
prometo,

serás a segunda
flor de minha vida em uma cama
e eu já te olhava com estes cabelos cacheados,
jeito de menina, toda linda,
toda cheia de desejos
escondidos,

e eu decidi
que, se permitisses, eu iria tea mar
improvisadamente abrançando-te, fitando-te
os olhos, beijanto-se a boca, chupando-te
e flamejantemente te possuindo,

e então
beberei de teu suor, de cada gota
que sair de teus poros, de teus orgasmos
e de toda a tua chama de jovem
insaciável,

e, ao saciar-te
e saciar-me a toda sede em nossas nuas
fontes, sendo pelo momento eu todo teu
e tu toda minha,

eu apagarei,
para te proteger, o entardecer
ao qual te amarei de modo que nem
os mais astutos anjos possam
farejar!
171

TÊNUE E INATINGÍVEL DISTÂNCIA AMARGA

... uma tênue
linha traça s distância entre a minha vida
___ e a tua morte

e logicamente
que não percebem, os anjos não perceberm
nada miais que asas, bons modos
er palavras, corpos gostosos
___ e sexos nas expraiadas;

mas toda
vez que cai pingos de chuva na vidraça
de minha casa, enquanto sorriem, zombam,
divertem-se, bajulam-se
___ e se fodem,

eu percebo
claramente que aquelas gotas que
ali se escorrerm são suas
___ lágrimas!
167

QUANDO EU MORRER

... quando eu morrer
não quero alarde, não quero cortejo,
não quero cochichos ou ecos de pessoas
que dizem ter ido ali para dar
forças à família de um
defundo;

na verdade,
eu digo que vão beber e foder logo
após o ednterro e que, para contuarem
com suas atuações miseráveis,
não esperarão nem o sol
da manhã do dia
seguinte;

quando eu morrer
não quero ninguém no meu enterro,
somente o coveiro desconhecido, urubu
longínquo se preciso que faça o serviço
sem nenhuma fulgacidade
de sentimentos e palavras,

porque, na verdade,
eu digo que os mesmo que irão a meu enterro,
cocixarão entre si como eu fui
ou como eu deixei de ser:

pobre coitado,
era malandro,
um puteiro,

morreu de cirrose provavelmente,
o câncer que o matou foi u castigo de Deus,
agora a família e os amigos dele vão ter
paz sem ele.

Bastardos hipócritas,
não os quero em meu enterro,
não quero que assustem Deus, com quem
eu gostaria de me encontrar,

com o que miseravelmente
dizem de outro semelhantíssimo miserável
como vocês!
174

DEPOIS DE UM TEMPO

Depois de um tempo,
já se esquece a cor do céu,
exceto pela negritude nas nuvens,
a prenunciarem novas
tempestades;

depois de um tempo,
desmoronam-se os muros e barreiras,
porque já não existe o que
proteger em seus
interiores;

depois de um tempo,
arrefecem-se os sonhos incautos
e as indeléveis vontades dos voos,
porque as carnes se falesiaram
e as asas se quedaram
cansadas;

depois de um tempo,
deixam-se os imperativos
e se apela aos andares divinos,
em repetitivos suplicações
por alívios, redenções
e vidas eternas;

um pouco mais de tempo depois,
após jazida a abnormidade senciente,
já nenhum, nem algum,
nem nada;

a não ser o inexorável retorno
ao apagamento.
140

HORA DE RISCO

... não és apenas um lembrança,
eu ainda te escrevo como se estivesses
ao meu lado no caminho, no mar
e na cama,

e eu não posso
apagar nada com palavras e versos
vazios, e talvez não possas
como tu tentaste fazer,

falhando,
durante muito tempo;

Mas eu cansei
de ser chamado de cão vadio
e de ver coisas tolas e indescentes
de alguém que dizia tentar se livrar
de mim por dor do amor
a mim;

e então decidi,
eu que nunca fiz da forma que fizeste,
vou tentar me livrar disso
tudo

percorrendo
o mesmo caminho
que te levou a tantos êxtases,
a tantos orgasmos
e a tantos abismos!
175

DO PÓ AO PÓ

... poeira,
leve e incaulta poera somos,
já não nos sabendo mais de nossas
próprios composições
___ quânticas;

poeira
que sempre se levanta pensando
voar alto, mas que breve
___ retorna ao chão;

poeria feliz ou triste,
contida ou excitada pelo vento
ou pelo pensamento segue seu ciclo
de gozoa, de delírios
___ e de tormentos;

poeira que
ora é amor puro e, já em seguida,
se transforma em lama podre com chuvas
___ de fogo;

poeria,
sencientemente abnormal,
insana, e humana,
___ somos!
182

A MENINA QUE SUBJULGOU UM HOMEM

... cuidado
com aqueles que parecem ser
por demais sublimes
e inocentes,
pois eles
também podem ser
por demais negros
e dementes!

Thor Menkent



... não há diferença
alguma em intrigas feitas nas favelas
e nos palácios residenciais;
não há diferença alguma
nas luzes ou nas sombras que se acendem
ou se apagam aos céus ou aos abismos
figurados;

não há diferença alguma
nas porras que se derramam nos corpos
e nas merdas que excrementam nas privadas
de um lugar mais baixo ou do alto
dos montes onde se achem
supremados;

não há diferença alguma
de idade, de responsabilidade ou de sublimidade
quando a boa ou a má fé parte da íntima
capacidade de cada abnormal:

filosoficamente,
eu diria que, exceto os templos de coração
realmente puro, no branco ou no preto,
no terno ou no rasgo, nos céus
ou nos chãos,

nos motéis
ou atrás das moitas, nos paraísos
ou nos infernos que
se constroem,

todos partem
de um mesmo ponto absolutamente igual,
mudando-se apenas a capacidade de determinação,
de dissimulação e de persuasão
de cada um!


158

SEMPRE A ILUSÃO À BEIRA DO ERRO

Tem qualquer coisa
à beira da ilusão, do erro,
ou mais provavelmente do naufrágio,
em quem poetisa essas coisas
de amor eterno, puro
e incondicional,

que só agradam
aos insectos trepadeiros
que gostam dos açúcares das porras,
ou aos pássaros de asas inclinadamente avesgalhadas,
que labutam em busca de fantasias,
sobrevoando os varais estirados
dos terreiros alheios;

isso para não dizer
que sejam aleijados no osso
- os insetos, os pássaros e as demais
metáforas apropriadas -
do seco cerne.








Mas devo confessar
que há algo bem mais estranho
nos pensamentos e nos eventos mentais
do niilista que escreve gozando - ou sangrando -
sombras e desesperanças;

o que não agrada,
nem interessa, àqueles que não têm
a mínima noção de que sejam em si, são o próprio erro,
sem nenhuma chance de recurso
ou conserto.
166

Comentários (7)

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fernanda_xerez

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez

Lindo e provocante!