Lista de Poemas
O ÚLTIMO COMBOIO
... atirei ilusões,
fantasias e esperanças
ao mundo,
fiz uma
cabana onde
pudesse me abrigar
das chuvas,
beijei
lábios como fontes
puras,
masturbei-me
imaginando virgens
nuas:
e tudo
se foi indo em passagens
esquecidas,
por nunca
se ter tido, da imaginação,
o verdadeiro
colorido:
hoje,
ao deserto, tornei-me
desbotado,
com a certeza
de que não passei de um palhaço
que se apresentou
em circos.
172
CEGOS CONTRAPONTOS
Quanto mais
envelhecemos, menos entendemos
os sinais de nossas fraquezas
e fracassos;
muito menos
queremos deixar, das andorinhas,
as novas e extáticas
carnes;
e, dos anjos,
as promessas de eterna e fulgurosa
vida em paraísos
idílicos;
não obstante
estejamos cada vez mais
corcundamente inclinados às margens
dos lúgubres abismos.
envelhecemos, menos entendemos
os sinais de nossas fraquezas
e fracassos;
muito menos
queremos deixar, das andorinhas,
as novas e extáticas
carnes;
e, dos anjos,
as promessas de eterna e fulgurosa
vida em paraísos
idílicos;
não obstante
estejamos cada vez mais
corcundamente inclinados às margens
dos lúgubres abismos.
154
O QUE POSSO FAZER?
... nem comer bocetas
tira essa dor tão acentuada!"
... lembrar de ti é dolorido,sonhar contigo é horrível,
lembrar-me de ti é extremamente
angustiante,
eu eu sinto,
após tanto tempo, que estou
mesmo completamente
ferrado,
porque contigo
o esquecimento é impossível!
130
CORTINAS FECHADAS
... ela partiu há
exatamente um ano, e ainda
faz frio;
a rua não
é mais iluminada, a rua em que
andávamos já nem mais
existe,
nem o céu
em que voávamos, nem o mar
em que navegávamos, nem a cama
em que nos amávamos;
ainda assim
manteno ao frigidíssimo inverno
até que, solitaria, ela se congeal e tudo
se me escureça como ocorreu
com ela!
exatamente um ano, e ainda
faz frio;
a rua não
é mais iluminada, a rua em que
andávamos já nem mais
existe,
nem o céu
em que voávamos, nem o mar
em que navegávamos, nem a cama
em que nos amávamos;
ainda assim
manteno ao frigidíssimo inverno
até que, solitaria, ela se congeal e tudo
se me escureça como ocorreu
com ela!
166
SÓ CONHEÇO ESSE TIPO DE LUZES
... em noites escuras
e mórbidas como a que, há tanto
tempo, tem sido a minha,
luzes só entram
em fiampos pelas frestas;
e mesmo assim
carregam em si, o terrível fedor
que vem de for a:
suores,
excrementos diversos
e fétidas porras dos resíduos
de suas sujas bocas!
e mórbidas como a que, há tanto
tempo, tem sido a minha,
luzes só entram
em fiampos pelas frestas;
e mesmo assim
carregam em si, o terrível fedor
que vem de for a:
suores,
excrementos diversos
e fétidas porras dos resíduos
de suas sujas bocas!
194
QUERER III
... há um minuto
especial,
ao qual
degradamos com a palavra,
mas ele
é, e é sim, especial,
baby;
é um minute
em que não se respira
o amor,
delira-se
e se convulsiona
em ardente febre
e gozo!
152
O QUE ESTÁ OLHANDO?
"... por que
você está olhando, porque não vem
deitar?"
perguntou-me
ela, com sua linda calcinha enfiada
no cu, após darmos umas baitas
trepadas;
"Não querida,
podes dormir tranquila,
eu só estou reparando
como, tão diferentemente
dos dias em que tu andas, voas
e trepas nos duros paus
da vida,
tu te pareces
tão angelicalmente pura
descansando
assim!
135
NADA É ABSOLUTO
... dizem sobre
o que seja a verdade e a mentira,
o amor e o ódio, o bem e o mal,
etecetera,
mas eu afirmo
que absolutamente nada no reino
sapiens é definitivo
e absolute,
e que o sapiens,
assim como todos que dele nasceram
como os mitos, os heróis, os anjos,
os demônios e demais entes
abstratos
pensar estarem
no caminho certo, sem que lhes haja
de fato sequer um caminho
e pensar estarem
certos, sendo que a única coisa,
perante o Cosmo violado, que se pode
com certeza dizer é que eles
estão mentindo!
o que seja a verdade e a mentira,
o amor e o ódio, o bem e o mal,
etecetera,
mas eu afirmo
que absolutamente nada no reino
sapiens é definitivo
e absolute,
e que o sapiens,
assim como todos que dele nasceram
como os mitos, os heróis, os anjos,
os demônios e demais entes
abstratos
pensar estarem
no caminho certo, sem que lhes haja
de fato sequer um caminho
e pensar estarem
certos, sendo que a única coisa,
perante o Cosmo violado, que se pode
com certeza dizer é que eles
estão mentindo!
168
DESÍGNIOS
Por que me lês a caminhar em ebriedade inóspita, se, assim como minhas tormentas de outrora, ao contemplar teus estouvados e arguciosos voos, poder-te-iam evitar tantas quedas recorrentes; os versos tristes que salivo de meu retiro ermo poder-te-ão sedimentar dores lancinantes nos pensamentos que se perdem entre um, e outro, e inúmeros reinos que inventaste em enlaces inexequíveis entre tantas lendas?
Contempla, então, o meu vagar entre areias estéreis, porque, de tudo que dizias do fausto fecundador de sonhos, o improvável se tornou inevitável em meu veio ressequido, sem que possas sentir a solidão nua em que naufrago.
Mas eis que, para teu alívio em leitos nobres e para tua liberdade em horizontes argamassados, melodio, de meu desterro, uma triste oração que a Brisa te segredará em alguma madrugada insone:
"Ó grande reino de ébrios enlaces em quimeras insanas contra o qual ainda me debato em invencível compêndio, não espalheis mais sonhos incautos em meus céus acinzentados para que eu não os desdenhe em esquálida descrença.
Ó grande ego senciente, implacável e degenerado, como a inocência outrora perdida, mortificas-te em mim para que não me volte ao conforto das flores de alvas pétalas nem aos confrontos com os magníficos menestréis do mundo.
Ó regozijadores de todos os tempos e adventos, mantende-vos longe de minha retirada paz no deserto para que não vos exponha os intrínsecos espúrios com o bruto ceticismo me assola em enferma resignação.
E, por fim, ó poderoso deus da flor de inverno, cuida de tua filha à qual vi caminhar perdida.
E afasta-a de mim, que conheço dela os maculados segredos, pois aprisioná-la-ia em minha alma entenebrecida e amá-la-ia em plena e dolorosa eternidade!"
Contempla, então, o meu vagar entre areias estéreis, porque, de tudo que dizias do fausto fecundador de sonhos, o improvável se tornou inevitável em meu veio ressequido, sem que possas sentir a solidão nua em que naufrago.
Mas eis que, para teu alívio em leitos nobres e para tua liberdade em horizontes argamassados, melodio, de meu desterro, uma triste oração que a Brisa te segredará em alguma madrugada insone:
"Ó grande reino de ébrios enlaces em quimeras insanas contra o qual ainda me debato em invencível compêndio, não espalheis mais sonhos incautos em meus céus acinzentados para que eu não os desdenhe em esquálida descrença.
Ó grande ego senciente, implacável e degenerado, como a inocência outrora perdida, mortificas-te em mim para que não me volte ao conforto das flores de alvas pétalas nem aos confrontos com os magníficos menestréis do mundo.
Ó regozijadores de todos os tempos e adventos, mantende-vos longe de minha retirada paz no deserto para que não vos exponha os intrínsecos espúrios com o bruto ceticismo me assola em enferma resignação.
E, por fim, ó poderoso deus da flor de inverno, cuida de tua filha à qual vi caminhar perdida.
E afasta-a de mim, que conheço dela os maculados segredos, pois aprisioná-la-ia em minha alma entenebrecida e amá-la-ia em plena e dolorosa eternidade!"
248
AINDA QUERO ALGO, MAS ELE NÃO EXISTE
... confesso que
eu ainda quero algumas coisas,
sabe?
Mas como o que
quero inclui a pureza emu ma beldade
que sempre sonhei,
sinto que
tenho, cada vez mais que
me isolar no deserto
e na ilha,
porque
só tenho visto pela minha frente
e nesta minha casa, quando passam
a voar lendo o que escrevo,
meretrizes,
bruxas que cozinham em caldeirões
de porras e demônias, louca
e ninfomaníacas
mascaradas
de nobilíssimos anjos!
eu ainda quero algumas coisas,
sabe?
Mas como o que
quero inclui a pureza emu ma beldade
que sempre sonhei,
sinto que
tenho, cada vez mais que
me isolar no deserto
e na ilha,
porque
só tenho visto pela minha frente
e nesta minha casa, quando passam
a voar lendo o que escrevo,
meretrizes,
bruxas que cozinham em caldeirões
de porras e demônias, louca
e ninfomaníacas
mascaradas
de nobilíssimos anjos!
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Comentários (7)
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SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*
Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*
Trivium
Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Lindo e provocante!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*