Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
outrora sedentas, ressequidas a flutuantes ossos próximos a minha cama:
não falam mais nada, apenas se ressoam tristes ecos entre as paredes do quarto ________ esquálido,
enquanto o ar se povoa com cheiro perdido as flores de inverno - e dos cemitérios ________ do inferno -
como que se me servido todas as madrugadas, como doces cálices ________ de veneno.
123
AMOR VERDADEIRO
... posso não saber o que seja um amor verdadeiro,
mas sei bem que nunca te deixei, quando de mim precisaste, na mão,
e eu sei pelo menos o que certamente não possa ser condiderado um amor verdadeiro:
aquele que se diz apaixonado e capaz de tudo pelo ser amado e, em vez de ajudá-lo, trata-o com imperioso e inquisitor verbo volátil;
aquele que se diz apaixonado e maltrada, e desconfia e afronta o ser amado por ele escrever poesias com abertas asas,
confundindo a arte da imaginação e da composição com algo que pensa lhe ferir, sem perceber que está caindo é pelo próprio ego;
aquele que se diz apaixonado e fala "Te amo", "Te amarei sempre", "Sou eternamente sua e pode contar comigo, meu amor"
e no primeiro aperto ou relâmpago covardemente abandona o ser armado jogando-lhe, como se já não fosse demasiado o fardo que ele carrega, mais dor e cansaço!
149
ANDARILHA DE LUZ E SOMBRAS
... andarilha deáceus, mares e infernos,
bailarina de teatros, cinemas e leitos.
anjo de doutores, menestréis e putos;
Lilith, a alva umbrática, quem te cita sem te conhecer, não aguentaria de ti uma só pedrada!
188
DESÍGNIOS
Por que me lês a caminhar em ebriedade inóspita, se, assim como minhas tormentas de outrora, ao contemplar teus estouvados e arguciosos voos, poder-te-iam evitar tantas quedas recorrentes; os versos tristes que salivo de meu retiro ermo poder-te-ão sedimentar dores lancinantes nos pensamentos que se perdem entre um, e outro, e inúmeros reinos que inventaste em enlaces inexequíveis entre tantas lendas? Contempla, então, o meu vagar entre areias estéreis, porque, de tudo que dizias do fausto fecundador de sonhos, o improvável se tornou inevitável em meu veio ressequido, sem que possas sentir a solidão nua em que naufrago. Mas eis que, para teu alívio em leitos nobres e para tua liberdade em horizontes argamassados, melodio, de meu desterro, uma triste oração que a Brisa te segredará em alguma madrugada insone: "Ó grande reino de ébrios enlaces em quimeras insanas contra o qual ainda me debato em invencível compêndio, não espalheis mais sonhos incautos em meus céus acinzentados para que eu não os desdenhe em esquálida descrença. Ó grande ego senciente, implacável e degenerado, como a inocência outrora perdida, mortificas-te em mim para que não me volte ao conforto das flores de alvas pétalas nem aos confrontos com os magníficos menestréis do mundo. Ó regozijadores de todos os tempos e adventos, mantende-vos longe de minha retirada paz no deserto para que não vos exponha os intrínsecos espúrios com o bruto ceticismo me assola em enferma resignação. E, por fim, ó poderoso deus da flor de inverno, cuida de tua filha à qual vi caminhar perdida. E afasta-a de mim, que conheço dela os maculados segredos, pois aprisioná-la-ia em minha alma entenebrecida e amá-la-ia em plena e dolorosa eternidade!"
257
NOVAS AURORAS MORTAS
... havia ___ uma flor no caminho,
no caminho ___ havia uma flor;
havia uma flor que carregava (com este cão), ___ meus espinhos,
nada de sonhos encantados, nada de céus estrelados, nada de luas clareadas, ___ nada de sexos heroicados;
apenas havia uma flor que me entendia ___ com recíprocas vesanias;
havia uma flor no caminho que foi responsável pelo surgimento do que chamam de cão ou poeta ___ escritor;
sim, no meio do caminho havia uma flor que, ao partir, deixou-me no rigor de um mundo ___ sem cor!
164
ESSE É MEU VASTO MUNDO SOMBRIO!
... o que nos inebria é a estranheza e a incerteza,
assim tolo é o que quer ter certa, razoada e normal guia,
que sempre os poda da audância de ultrapassar os limites, de pular os muros
e de promover, com as imagens que quiser, em todo o infinito presente, futuro, real, onírico ou pressuposto
e com a força da mente, as mais sublimes e idílicas fantasias e as mais delirantes e extáticas orgias!
200
ETERNIDADE
... eternidade não existe no sentido físico de que falam para o sapiens,
uma vez que este deixará, um dia, de existir jogado no meio das coisas;
portando é bom estar atento e saber que a única eternidade possível para o ser
é a do momento em que ele sonha, em que ele ama, em que ele deseja e em que ele leva para a cama!
142
EU NÃO SEI SE AMO, MAS TRAÍ POR AMOR!
... como pode dizer a todo momento "Eu te amo" e depois dizerem que nem sabem o que venha a ser o amor?
Como podem, na hora do sexo e da putaria, dizerem "vai, mais, meu amor", e não saberem o que venha a ser o amor?
Como pode, de repente, num momento alucinado, arriscar tudo por umas trepadas,
e perdendo tudo depois, por um suposto amor, se não sabe nem o que venha a ser o amor?
Como não sabem que a primeira condição para saberem se realmente amam alguém é exatamente amá-lo,
para não se confundir, seja voando nos céus, navegando nos mares, andando pelas largas avenidas ou tendo excelentes e intensos orgasmos numa cama?
123
O DURO MANTO DA MORTE
... o que antes queria, a tua quente matéria em carne, a tua alva coragem em se colocar pura acima do sapiens,
a tua dança parecida com a das mais graciosas aves, os teus desejos mais secretos e excitantes,
o teu amor por mim como se eu fosse a tua última artéria, as suas asas e as eruas pernas aberas a me convidarem para entrar;
e tudo mais que no infinito das horas mortas construímos, não me cabem mais, devido a este duro e frio manto da morte,
que te cobre de tal modo que nem mais posso chamar-te, amar-te ou sequer contemplar-te!
128
VI-TE EM MUITOS REINOS, MAS VI-TE PEQUENA EM TODOS ELES!
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*