Lista de Poemas
ESTOU ESTRANHO NO NINHO

não há mais mares,
não há mais estrelas,
não há mais sonhos,
não há mais esperanças,
não há mais amores,
não há mais
a expectativa de o ser mudar
e se tornar melhor, como se não
fosse,
não há mais
a menor condição de te rever,
de te beijar, de te levar para a cama
e de te amar:
o ques me resta
é unicamente a geografia da solidão,
por onde me tenho andando
cercado apenas de espessas
escuridões!
207
LIBERDADE AINDA NÃO CONCEDIDA

chamada mundo e, nela, comigo
foram jogados outros, como eu,
abnômalos azarados;
após algum tempo
comecei a procurar a liberdade
para tal prisão a céu e infinitos por mim
mesmo abertos
e, em todas as vezes,
usando a filosofia, a poesia ou o pensamento
para buscar uma saída,
a única coisa
que tenho conseguido, até hoje,
é ficar ainda mais
aprisionado!
137
SONHOS, SUORES E VÍSCERAS!

"O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaa é a mesma que apedreja.
...
Apedreja a mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!'
Augusto dos Anjos
... silêncio,
ouve apenas, já que não me
respondes,
o jardim outonal
entrou em franca decadência,
e o limpo céu se turvou
em cinza-escuro:
agora não
sou mais poeta, nem pássaro,
sou apenas mais um animal aguardando
a sua definitiva treva
sepulcral!
173
A ÚNICA CONQUISTA QUE ME FALTA É A MORTE!

... como poderia
eu olhar, adorar ou amar
ao brilho da lua e das estrelas
acima no firmamento,
se tudo
que me reluziu com a intensidade
de mil sóis já se foi
com a morte
lhe cobrindo com sedoso
e morto véu?
191
POR QUE OS POETAS TANTO CAEM E TANTO SOFREM?

... quando queremos,
por desejos, por fantasia, ou crendo
em tal possibilidade, sobretudo
___ no amor,
alcançar
o infinito, flexionamos e extasiamos
___ tanto a imaginação que,
ao fim,
diante da constatada
impossibilidade de sequer se atingir
um céu que seja apenas azul
___ celeste,
sentimos
como se nossas asas inválidas
pensassem como granitos e se depencassem
em vertiginosa e aflita chuva
___ ao duro chão da vida!
159
ESTOU ESTRANHO NO NINHO

... não há mais sóis,
não há mais mares,
não há mais estrelas,
não há mais sonhos,
não há mais esperanças,
não há mais amores,
não há mais
a expectativa de o ser mudar
e se tornar melhor, como se não
fosse,
não há mais
a menor condição de te rever,
de te beijar, de te levar para a cama
e de te amar:
o ques me resta
é unicamente a geografia da solidão,
por onde me tenho andando
cercado apenas de espessas
escuridões!
142
SEM FORÇA PARA CAMINHAR, NINGUÉM PODE FALAR DE SONHO OU DE AMOR

... quando,
mesmo aos mais claros dias,
fazem-se presentes os interiores instintos
sombrios,
é sinal de que,
racional e desconexo, considerado
um todo sendo, nada mais que um ser, em mente,
fragmentado,
o sapiens,
embora não saiba e não ainda
não tenha ser deitado em eterno berço,
já está morto!
274
FOGOS, CINZAS E PEDRAS AO DESERTO SEM MARGENS!

... jovem dama
de minha chama invisível,
que silente
queima ao escuro e seco
deserto em que
habito;
chamas
ardentes, persistentes,
vivissimamente excitadas
e por ti sedentas.
E, como o mar
distante e imponente, jovem dama,
faze-me desejar-te, sonhar-te
e amar-te
como a brisa
do vento que, sem tocar,
em delírio, percorre, lambe,
masturba-se e goza à superfície da água
que lhe queima!
148
A PROFANAÇÃO

... alguém, uma só pessoa,
já teve a mim absurdamente,
todo mente, todo coração,
___ todo alma
em meu deserto
onde outrora ousou adentrar
para contemplar de perto
as minhas chagas
___ humanas,
estendendo-me a mão
como uma aberta e suave pétala
___ de rosa,
beijando-me
a boca como a suave brisa
que corre à secreta
___ noite,
tocando
meu corpo como o excitado
___ vento de agosto
e me embriagando
de paixão e de amor,na medida certa
para ir me matando
___ aos poucos!
187
MADRUGADA FRIA

Durante a silente madrugada,
costuma ser pior:
os sons moucos dos trovões de todas
as tempestades;
os rios, os mares,
as nuvens, os montes e as falésias
de todos os lugares;
os tempos e destempos de todas
as estórias;
os horizontes perdidos
de todos os pássaros com seus voos,
cantos, encantos e faróis
soberbeiros;
os viscos, os rancores,
e as dissimuladas entenebridades
de todos os vermes
sorrateiros.
Tudo, enfim, parece adentrar
- em estranhas e dolorosas cores -
pelas janelas e portas fechada
de minha casa,
como que a acender-me,
ainda mais,
a suspensa hora
morta;
como que suspender-me
- com a mente em vesania e a esferográfica em fogo -,
ainda mais, do apagamento natural
das coisas.
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Comentários (7)
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SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*
Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*
Trivium
Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Lindo e provocante!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*