Lista de Poemas
TEUS POEMAS: PERDIDOS COMO TU!

... quando
tentares me seduzir ou a mim
se referir em algum poema, faze-o
de forma que eu perceba teu intento,
não nas linhas escritas, mas nos intervalos
entre as palavras e elas;
quando tentares
me abraçar ou me dar algum afago
não o faças somente com belas e magníficas
palavras, mas usa as nuvens, o vento
e os sóis das meias noites;
quando tentares
me beijar, faze-o com mais que
a boca e a língua de tua luz de lamparina,
faze-o também com alma,
à qual sinto
desequilibradamente vadia, como se fosse
de uma galinha perdida;
e, se algum dia,
pensares em me amar, tira os rímeis,
os batons, as maquiagens e as máscaras
todas
para que,
deste teu tão incauto e tosco céu,
ao meu chão não sujares!
225
QUEM DISSE QUE O NIILISTA NÃO SENTE E NÃO VOA?

... pobres anjos incautos
e pássaros assoberbados, com suas
___ coliridas asas,
vivem peidando
sublimidades, luzes e amores
___ inconspurcos
e mal sabem
que eu tanto mais bem voo
quanto mais meus pés sente o torpe
___ e movediço chão!
229
O ÁRIDO AR DO DESERTO

Nesta planície,
onde não há mares, nem praias
às quais andorinhas e borboletas costumam
voar, com suas asas
enfiadas,
sob os clarões
das luas, das estrelas, dos sóis,
dos poetas de versos maduros, e dos tentilhões
de paus duros;
é preciso suportar
o peso de não ter um refúgio de águas
e de fabricar uma fluorescente
máscara,
para tentar manter cativa
a dama que, um dia, ousou incauta
a margear-me a condição
enferma.
183
O ENCONTRO

de primavera, que veio
enfeitar meu outonal
inverno,
eu não sabia
mais que meu coração podia
bater assim, com um amot tão quente
como um sol e com uma brandura rtão suave
como a luz da lua.
E agora,
neste tardio, demasiado tardios
de minha vida ao experimentar um pouco
deste teu sensual e suave
vinho
e desta linda
rosa de entre lindas pernas,
senti-me, eu que sou chamado de um cão
niilista ferrendo,
tão cativo
e tão pequeno perto deste teu brilho
que, ao chegar em casa,
continuei
a imaginar que, após te amar,
eu ainda estava ali do teu lado,
ao leito,
acordado,
como o zelador de um tesouro sagrado,
para te zelar até o amanhecer!
219
AMOR INFINITO?

... não há jardins infinitos,
Baby,
e não há céus infinitos,
e não há nenhum horizonte infinito,
e não há amor infinito
como tu disseste,
um dia, sentires por mim;
o que há são
espadas de luzes tintas e de palavras
tintas que, com seus ouros
evidenciados
provocam
(por consequência dos inevitáveis
desastres dos tropeços e das quedas sapiens
por entre, do mundo, desejos
e imagens)
posteriores
noites frias, escuras e sepulcrais!
223
INOCÊNCIA

Urge tentarmos
nos desfazer da falsa inocência
que plantamos por entre
as coisas;
urge tentarmos
nos libertarmos da irresistível vontade
de sermos anjos, heróis ou algo
traçado em linhas retas;
urge tentarmos
olhar ao espelho nossos fiéis reflexos,
em vez de só elucubrarmos e de condenarmos,
pseudopuristamente, as chagas
dos outros;
urge termos coragem
para aceitarmos nossas origens
- à casualística e singular aberração cosmológica -
com suas inexoráveis e espúrias
imanências.
203
AMIGA

... o vinho tinto sob
a mesa da sala, o cd player preparado
para tocar tua música
___ preferida,
apenas uma vela acesa
deixa à meia luz todo o ambiente
___ e nós ali, juntos e conversando,
tudo, tudo, tudo
calmamente perfeito para o imprevisto
e subconscientemente extasiante
___ encontro;
e eu ali,
sem tu ainda saberes, com o firme
inteno de te elucidar, de te desnudar,
___ de te beijar,
de te levar para a cama
e de te amar por toda a noite,
até que meu mar branco se seque
exaurido e não mais
___ derrame!
238
EGO

força do ego,
a pior coisa que pode
nos acontecer,
quando estamos realmente
a amar alguém,
é o afloramento
dissimulado medo da perda,
simplesmente por, conscientemente ou não,
sabermos que não somos
o melhor.
E isso, quando acontece,
é como se vivêssemos inventar duelos
contra mitos, lendas
e deuses
- ou ainda pior:
como que se intentássemos, de forma cruel,
devido ao ciúme e à possessividade,
contra o próprio ser a quem
amamos -,
com nossas torrenciais
chuvas verbais
ou com nossos ominosos
olhares postos em suas lepras
abstratas;
só para tentarmos,
em vão, suprir nossas imanentes
fraquezas junto à pessoa
amada.
225
LUCIDEZES, ILUCIDEZES E FERTILIDADES
Incomoda-meé tão fluorescentemente
fértil,
que, neles,
os homens são capazes
de inventarem sombras, quedas,
e guerras
só para poderem
suprir os insustentáveis sossegos
de suas próprias
tempestades.
156
NENHUM FRONTE DEVE SER ABANDONADO

... mesmo nas noites
mais escuras, onde o frio é intenso
e cortante,
e as nuvens
barram qualquer ultrapassagem
de luz e tudo se nos parece
sombras e abismo,
é preciso saber que,
por detrás da obscura cortina,
ainda há a brilhar, ainda que escondidas,
a lua e as estrelas!
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Comentários (7)
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SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*
Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*
Trivium
Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Lindo e provocante!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*