Lista de Poemas
DA LUZ E DA SOMBRA
... nada tem
esquecimento, e um perdão
só vale quando alguém
realmente perdoa
e quando
aquele que pede perdão
realmente se empenhe para
não repetir tantos
erros
___ vãos,
___ confusos,
___ que não levam a nada
e que não trazem nenhuma paz
ou união:
o amor,
sobretudo, não é no mundo
um leilão,
que qualquer
pensamento desvairado e qualquer
angústia ou insegurança
incontidos,
possa fazer
com que atiremos a quem
mais amamos num
lixão!
162
SONHO SECRETO
Escondi,
aos idos da infância perdida,
numa caixa enterrada entre as flores
e as frutíferas do quintal
de minha casa,
um sonho
que realmente pensei
ser inquebrável.
Após ser atingido
por cantos e encantos de sereias
e por fortes tempestades
de areia
- e o tempo me corroendo
com falésias cheias -,
fui desenterrar o valioso
tesouro:
ao abrir, dentro havia
fiapos estraçalhados o que restou
do sonho - que hão conto,
pois é segredo -,
ao fundo,
aos lados e encavalados
haviam enormes vermes,
todos obesos.
aos idos da infância perdida,
numa caixa enterrada entre as flores
e as frutíferas do quintal
de minha casa,
um sonho
que realmente pensei
ser inquebrável.
Após ser atingido
por cantos e encantos de sereias
e por fortes tempestades
de areia
- e o tempo me corroendo
com falésias cheias -,
fui desenterrar o valioso
tesouro:
ao abrir, dentro havia
fiapos estraçalhados o que restou
do sonho - que hão conto,
pois é segredo -,
ao fundo,
aos lados e encavalados
haviam enormes vermes,
todos obesos.
138
SILÊNCIO E TANTA COISA
O regozijo do amor
é um bom truque,
sobretudo quando se atua
com a alma nua;
mas para transcender
até a esse nobre e tão florido
sentimento,
há que se ter muito mais:
às vezes,
é preciso deixar as lajes
e recapturar os sonhos perdidos,
reformar os ventos
e montar seus dorsos suaves
para se conseguir voltar
para casa!
é um bom truque,
sobretudo quando se atua
com a alma nua;
mas para transcender
até a esse nobre e tão florido
sentimento,
há que se ter muito mais:
às vezes,
é preciso deixar as lajes
e recapturar os sonhos perdidos,
reformar os ventos
e montar seus dorsos suaves
para se conseguir voltar
para casa!
140
VERTENTES
Que forte
esse nosso sentimento:
conseguimos ir juntos
às nuvens,
abraçados
com afiadas farpas
e pisando venenosos
espinhos;
chegando lá, ainda fizemos
poesia e amor!
esse nosso sentimento:
conseguimos ir juntos
às nuvens,
abraçados
com afiadas farpas
e pisando venenosos
espinhos;
chegando lá, ainda fizemos
poesia e amor!
158
DAS COISAS
Sim, importa redimir-me
desta inocência insana,
quebrar os espelhos,
evidenciar abnormidade,
assumir as dores
da existência abstrata
- as estrelas só são vistas
porque as sombras prevalecem entre
suas distâncias -;
não importa a dor
e a angústia de me saber não-ser,
urge-me mais que isso:
urge-me a impossibilidade
de não ser.
desta inocência insana,
quebrar os espelhos,
evidenciar abnormidade,
assumir as dores
da existência abstrata
- as estrelas só são vistas
porque as sombras prevalecem entre
suas distâncias -;
não importa a dor
e a angústia de me saber não-ser,
urge-me mais que isso:
urge-me a impossibilidade
de não ser.
149
ENCHARCADO
à noite,
a casa dorme,
o jardim defronte dorme,
ao quarto vazio tu
dormes;
as ruas e avenidas dormem,
e, enquanto o mundo
adormece
de suas faustas e diárias
fluorescências,
eu me escorro,
pela tela mambembe,
em versos, sombras
e dores,
deixando rastros
sobre os quais desdenharão,
na manhã seguinte,
as nuvens, os pássaros
e os sapiens.
a casa dorme,
o jardim defronte dorme,
ao quarto vazio tu
dormes;
as ruas e avenidas dormem,
e, enquanto o mundo
adormece
de suas faustas e diárias
fluorescências,
eu me escorro,
pela tela mambembe,
em versos, sombras
e dores,
deixando rastros
sobre os quais desdenharão,
na manhã seguinte,
as nuvens, os pássaros
e os sapiens.
186
CLARIVIDÊNCIA
Somos os reflexos
que vemos nas coisas,
com suas geometrias, cores
e valores;
a urgência das miragens,
das imagens e dos espetáculos
em fulgores;
os poemas e regozijos desbotados,
as pernas escancaradas,
os leitos alagados;
o amor, a dor,
os deuses sacrificados,
as estrelas amassadas,
o universo modificado;
sem nenhuma ordem certa,
sem nenhuma desordem aceita,
somos exatamente tudo
nada,
além do que colocamos,
espuriamente,
sob nossos faustos e sencientes
neons em ardor.
que vemos nas coisas,
com suas geometrias, cores
e valores;
a urgência das miragens,
das imagens e dos espetáculos
em fulgores;
os poemas e regozijos desbotados,
as pernas escancaradas,
os leitos alagados;
o amor, a dor,
os deuses sacrificados,
as estrelas amassadas,
o universo modificado;
sem nenhuma ordem certa,
sem nenhuma desordem aceita,
somos exatamente tudo
nada,
além do que colocamos,
espuriamente,
sob nossos faustos e sencientes
neons em ardor.
161
O EXISTENCIALISMO SAPIENS ESTÁ CONDENADO!
Cosmologicamente
falando, não há um Deus que possa
ser entendido, imaginado
ou amado,
nós não passamos
sequer de uma ilusão e, de fato,
nunca existimos
e não existe o que chamam lua,
nem o que chamam estrela, nem o que chamam
amor, nem o que chamam carinho,
amizade ou qualquer coisa
advindo da senciência
sapiens.
Sim, aos olhos
frios do apagamento, o que há é um emaranhado
ilógico e dezarrazoável de possibilidades
e nem o Cosmo, como o vemos,
existe em nada!
186
NATUREZA UNIVERSAL
Dizei-me onde há
o sincero silêncio do verbo
e a virgem sublimidade
das coisas
- a não ser
na temida e hedionda morte
ou no ansiado paraíso
que já inauguramos
em vida -
que vos provarei,
da abstrata ponte existencial
da qual a tudo elucubramos
sencientemente,
nossa inexorável
e despercebida consubstancialidade
ao apagamento que
se nos coabita.
o sincero silêncio do verbo
e a virgem sublimidade
das coisas
- a não ser
na temida e hedionda morte
ou no ansiado paraíso
que já inauguramos
em vida -
que vos provarei,
da abstrata ponte existencial
da qual a tudo elucubramos
sencientemente,
nossa inexorável
e despercebida consubstancialidade
ao apagamento que
se nos coabita.
183
ADIAMENTO
Queria poder me desfazer
- ou adiar talvez -
desse amor nuvem: tresloucado,
engolideiro;
mas não posso,
apesar de, há tanto tempo,
estarmos nos habitando entre sonhos,
sismos e abismos;
apesar de, sob severas chuvas,
estarmos nos enlaçando entre fulgores,
desejos e rancores;
apesar de, por vezes sem conta,
teres evidenciado as dolorosas verdades
de inglórias e aleivosas
atuações
aos entenebrecidos reflexos
de minha alma.
- ou adiar talvez -
desse amor nuvem: tresloucado,
engolideiro;
mas não posso,
apesar de, há tanto tempo,
estarmos nos habitando entre sonhos,
sismos e abismos;
apesar de, sob severas chuvas,
estarmos nos enlaçando entre fulgores,
desejos e rancores;
apesar de, por vezes sem conta,
teres evidenciado as dolorosas verdades
de inglórias e aleivosas
atuações
aos entenebrecidos reflexos
de minha alma.
173
Comentários (7)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*
Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*
Trivium
Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Lindo e provocante!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*