Nunca te aconteceu no silêncio sedutor da noite, Olhares para o fio de prumo de luz que te namora o rosto, Sem paternidade de madrugada ou de dia, E descreres de mim com um despegar lento mas feito de um transparente doloroso?...
Pergunto-te a pergunta muda e irrepetivel porque me sobra o Fumo de mais este cigarro, A subir apressado em serpente venenosa de despreocupação, A espera de nada, Mas desejando muitos tudos,
Não há riso nem portes de envio de solidão , nem sequer um adeus sacrificado quando o sol dá os sinais primeiros e últimos de ditadura dos dias sem cor,...
Só há um foste sem voltar á primeira casa do monopólio em que me tens preso para a eternidade .
Foi o pior dia de vidas que estavam unidas, naquele corrupio de eternos anoiteceres ocorrido quando as costas se viraram. Da calma de uma praça de cidade pequena, de repente, surgiu a tempestade do saber-se que nunca mais olhares apaixonados se cruzariam. Lágrimas rolavam até se partirem, como cristais, na calçada portuguesa endurecida por décadas. Só restou a enviesada sensação de que às vezes é assim que se desfiam os pormenores da tristeza como costela imprescindível da condição humana...
406
Writing
Quero escrever, Dizer o que penso sem falar , Resumir o que inseguramente me mata o riso, Lavar a alma, Fazer o lindo abstrair se do feio,...
Quero escrever porque a vida me deve o que de belo eu sou, E o que de feio não quero nunca mais ser,
Se escrevo bem ou mal isso que digam os que vierem depois, E os que estão agora, E os que do passado me disseram a mim e outros que sim, Que continuar é desafiar tudo isto fazendo o suficiente para dormir, E regressar para mais, sempre mais,...
Passar por aqui é dizer a quem vem depois que somos o avesso do que nunca quisemos ser ...
198
Outono quente
A praça espera pelo teu sorriso, Todos as luzes adormeceram sufocadas por um choro surdo, Ansiosas pelo resplendor ao sol que cada passo teu representa,...
Já não há noites estreladas, Só dias iguais ao entardecer E diferentes na ânsia de quererem calor morno de um sol desenhado a tons de alegria,...
Volta, Levanta te desse sono indissociável do silêncio que me arranha a alegria de estar vivo ...
182
Astrofelicinauta
Desembainhado das calças de sol, Desfeitas as golas de estrela de uma camisa empoeirada de luar, E feitos os aprumos num colete desenhado a fios de constelações, Sobrou o silêncio do limite do universo esquadrinhado a lápis de morte...
207
Big Bang só
Dessas nuvens que não são céus mas são profissões de sumida lealdade, Desceram falos, A ideia justa do fim da humanidade, E tudo voltou ao começo,...
Com animais feitos pessoas animais, E pessoas animais desfeitas ao sol quente dos idos de um Natal arredondado,...
C hoviam nuvens de vapor cozido, Para vir a morte doce da tal explosão, Que fazia tudo voltar ao princípio, Doente, E desfasado do que acabamos de conversar em choros de bebê velho..
424
Falésia de desinspiração
Desfazes-te do mar com um aceno, Acordaste ontem com a força de mil retornos no universo debaixo da tua convicção, E foi assim que permitiste a permissão de te desautorizares perante a morte,...
Com a chuva ácida de mil terminares do mundo, A resolução está tomada, A vida acaba com um mergulho de ave pela vida, E o regresso em mil formas de azul transparente
405
Indubitável
Nunca te aconteceu no silêncio sedutor da noite, Olhares para o fio de prumo de luz que te namora o rosto, Sem paternidade de madrugada ou de dia, E descreres de mim com um despegar lento mas feito de um transparente doloroso?...
Pergunto-te a pergunta muda e irrepetivel porque me sobra o Fumo de mais este cigarro, A subir apressado em serpente venenosa de despreocupação, A espera de nada, Mas desejando muitos tudos,
Não há riso nem portes de envio de solidão , nem sequer um adeus sacrificado quando o sol dá os sinais primeiros e últimos de ditadura dos dias sem cor,...
Só há um foste sem voltar á primeira casa do monopólio em que me tens preso para a eternidade .
423
...quase um poema português
Era não o poema que quis, Mas o poema recortado nas pontas para caber no papel que quiseste para ele, Com as luas sujas e de luz refratária de que sempre falaste,...
E o povo sujo de imundície perfumada observando as com os olhos habituais de sonhos que nascem mortos,...
Ao fundo os sobreiros filhos bastardos e nus da terra mãe, Olhavam sem ser olhados o que não era mais que uma birra do tempo velho,..
E o amor desenhado no menino e na menina aleijados pela pobreza, Que desenhavam no céu de toalha estrelada posta uma mesa farta que só imaginavam,...
Terminado como começou, Dou-te este poema de beber, Se o quiseres multiplica-o pelo que o passar do tempo te trouxer ao acordar ..