Lista de Poemas

Plaft! Plaft! Plaft!

Tramas do passado
Tomados meus sentidos 
Chorosos cantos reprimidos
Titubeando desgovernado 

Plaft! Plaft! Plaft!

Sinhô, lapadas acolhem-me, por quê?
- Juras a ti faço, sou carinhoso!
- Desalegre? Estou com você!
Mas Sinhô, gotejo farto sangue , e por quê?

Plaft! Plaft! Plaft!

Sacou-me sangue fértil
Cativou-lhe um pajem 
Alforria, brasão e charque saboroso

Despercebido na terra estéril
Finei-me sob a paisagem 
Lacrimejando este vinho doloroso.
229

Enquanto Chorava

Você me perguntou o motivo do atraso
Abriu-me as portas e enfim, olhos nos olhos
Estagnado, esperei que viesse ao meu encontro
Toquei-me o peito com cautela
Arranquei algumas linhas dos botões
Esperei cabisbaixo sua chegada
Ao meu corpo nu de julgamento
Porém, não viu motivação para levantar-se
Aproximei-me, implorei sem prostrar-me
Garrafas, pinos e lacres, meu abismo
Juras que auscultei, eram falsas
No entanto, não lhe privou o mundo
Previsões ditas, consequências adquiridas
Enquanto chorava saudades amargas
Aquele cujo coração desejou
Sua ausência não o incomodou
E por fim, escarrou o amor
Terminando por conviver em dor.
205

O poema mais lindo do mundo

Ao ostracismo proclamado
Naquele poço tão sombrio 
O criado, afônico, viu-o rompido
Nos urros do poeta prolixo 
Num pranto ao seio, esboçado
Traçado gélido, instintivo

Um papel amassado 
no fundo da lata de lixo
Sujo, coberto de bichos
ninguém sabe o que está escrito

Nele ao olho, nada é legível
Porém, o sentido é explícito
Um papel rasgado, expurgado 
Esquecido por tudo e todos

O poema mais lindo do mundo.
239

Silencioso

Não compreendeste a cor
Ocre, púrpura de amor
Transpiraste, saudoso clamor
Cortesã trama indolor

Dir-me-iam - outros terão?
Nem um casual mendigo à sua porta sentar-se veio?

Bash! Booomp!
(...) derradeira queda, findou-me

Silencioso
Breve açoite
Permaneci sereno por toda noite.

232

Traiçoeira “Casa”

Sutil viajante
Na beleza do instante
Espelhou-se pleno
Compassivo e sereno
Subiu em transe
História distante
Murmurou então (...)
Estava ele
Apaixonado, em prantos
Em face do encanto
Daquela “casa”
Lasciva e amarga
Que lhe jurou amor
E não cedeu-lhe nada.
159

Percevejos

Ali não se conta estória
Transeunte algum pôde ouvir
Ladeira pouca abraça a queda 
Nem a pele molha o córrego
Ausculte na relva o parto
Ora busque alavancar as pálpebras
Ora alivie os lábios num trago amargo
Cá és locutor enfermo
E destemido arrisquei a metonímia
Posto que despertei, gélido, pálido
Pesadelo infame de Monet?
Indaguei (...)
Já não prego os olhos
Redigindo sua paixão passada
Juras de amor ingratas
Agora, já besta e suplico:
Tragam-me percevejos afiados!
242

Eterno Amor

És minha mãe
E suplico-te...
Haja tão vastos amores
Ora cintilantes
Ora poentes
Mas sem cessar
Acolha-me!
Porque já não há
Na pequenez do mundo
Amor tão grande
Quanto o meu!
224

O que é?

Tempo
Vento
Passou

Água
Céu
Ressoou

Raízes
Folhas
Pés

Lágrimas
Chuva
O que é?
157

Solilóquio Adormecido

Revirei gavetas pelo telegrama
Solilóquio lhe bastava
Novidade alguma lhe cativava
Pequerrucho garoto de programa

Findou-me num anagrama
Contei-lhe o quão amava
Espinhaço mal o botequim avistava
Dígitos vãos no anteprograma

E nada importava, então adormeço
Busco no leito aborto
Dos versos tortos
Amores mórbidos
Mas sempre acaba
Enlaço num porto
Desafio o corvo
Doloroso neste corpo
Mas sempre acaba
Despertados os olhos e estou de volta.
233

Ode a Tristeza

Haveriam mais belos contos
Quão aqueles escritos na tristeza
Das noites sombrias, sem beleza
Sulco venerado em pontos

Em meu toque frio, os contrapontos
Em meu corpo pálido, a fraqueza
Mostrara o sangue sua avareza
Em plena sinfonia de confrontos

Na queda, a beleza dos musicais
Compasso pulcro da fadiga
Ode efêmera de cristais
Em agonia derramados
 
Oferta poética da partida
Coração escasso e descarnado
Dolorosa lembrança, contraída
Adeus melancólico, estagnado.
250

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Biografia do autor

Pintor, desenhista, gravador e escritor, autodidata no ofício da composição, inspirado pelo legado dos modernistas no Brasil. Na infância, sob o zelo da bisavó, nasce nos pincéis e têmperas a paixão pela cor e a euforia encoraja-o à prática. Em 2005, J. Borges e suas criações inspiraram-lhe aos primeiros contatos com Xilogravura. Nos anos seguintes dedicou-se à promoção cultural originando seu espólio profissional em 2014, sua primeira coletânea pictórica - “Reflexões”. Dedica-se desde 2016 aos estudos arquitetônicos e urbanísticos e, a partir de 2018, a maturidade de sua obra torna-se protagonista na pinacoteca de A. dos Santos, distinto colecionador carioca. O artista teve 7 exposições nacionais individuais em um fluxo itinerante. Atualmente, seu trabalho percorre exposições por toda Europa e, no Brasil, mantém cronograma contínuo de mostras e publicações literárias, havendo em sua jornada destacados prêmios literários entre os anos de 2017 e 2018.

Titulação

A Academia Independente de Letras junto à Casa Literária Enoque Cardozo, no uso e atribuições de suas finalidades legais, presente em seus estatutos confere o Título de Imortal ao escritor: 

RAFAEL RUIZ ZAFALON DE PAULA 

Reconhecendo assim o valor por força e mérito daquele que carrega em si o dom e o talento literário, diplomando-o e empossando-o como Membro Vitalício à cadeira de n.31, a Resiliência,outorgando-lhe os direitos e prerrogativas estatutárias regimentais.