Lista de Poemas

Versos de prazer

Não é ato, é tato.
Não é ilusão, é satisfação.
Não é tempo, é momento.
Não é usufruir, é sentir.
152

Enlaces carnosos

Desabrochei-me sobre o leito
Nos enlaces carnosos
Na fina pele fiz-nos murmurosos
Tão tímido, sem jeito

Atravesso o oceano no seu peito
Lambidelas e suspiros fervorosos
Suor e beijos calorosos
Serrando os lábios, me deito.

Sesmarias desbravei-lhe em pontos
Frênulo no mar da língua
Amei-o sem confronto

Então sussurrava-me uns contos
Desejo à boca extinguia
Saciando apetitoso encontro.
159

Quintal

No quintal da antiga quinta
A vinha seca esmigalha-se
Na folhagem do outono espalha-se
Daquela brisa faz inverno
E comovida em ardor interno
Fez morada no velho estrado
Ali deixado em mal estado
Era berço de infância
Embalava os sonhos sem ganância
Hoje faz-se duro cerne da parreira
Que frutifica na beira
Da antiga namoradeira do quintal

Sem encerramento poético, afinal de contas, nas marcas minhas, contando-as ao espelho, não recordo ter sofrido antes de nascer, e tenho a assertiva convicção de que pelo sofrimento não perecerei depois de morrer.
239

Melissa

Ora maré bravia
Ora arrebatadora aurora
Num mergulho sereno
Clímax, beijo ameno
Olhos à luz do luar
Enlace de amar
Perpétua essência
Fecunda aparência
Encanto sem premissa
Fez-se Melissa.
218

Palavras Rasgadas

Não devo sussurrar
Não posso gritar
Tampouco expressar
A cura dos teus abraços
A solidão que me consumia
Aos poucos derretia
Nos seus braços
Sentia conforto, paz
Uma praça qualquer
Alguns vidros, uma mesa
Um café que aquecia a alma
Um suspiro de desabafo
Coração simples e bondoso
Luz em dias lúgubres
Minha amiga eterna
Que habita meu coração.
237

Silencioso

Profundos em vão
Sinto nelas a imensidão
D'alma rouca
Sutileza pouca
Que faz sentir o peito
À noite, no leito
O quão sinto-me velho
E mergulho na solidão.
227

Soneto aos Mestres

Urrem-me formidáveis astros
Não basta dor que se console?
Neste frio imenso que acolhe
Meus olhos murmurosos e vastos

Que resta-me senão dor?
Na juventude, a libertação
Trovas e versos em vão
Pontas secas, traços sem cor

Ao sopro, serei atento?
Aprendiz, vocábulo faminto
Em memória, o contraponto

Mestres, há no mundo desalento?
-Escreva, posto que serás distinto!
Se foram, em minh'alma, sinto-me pronto!
254

Assim nascem os homens de bem?

As dores de infância
São fadigas de esperança
Calejando as inocências
Perfumando-os de aparências.

(...)

Assim nascem os homens de bem?
Que plantam o escárnio, sem ver a quem!
245

Meninice

Lá estava ela
Pacata e singela
Amaciando os olhos
Sonhos de infância?
Aquela menina
Minha doce criança
Orou ao céu
Por sentir-te
Tão pequena!
Sublime e calma
A paixão em alma
Em seu olhar
Mergulha e acalma
Em seu peito
Lhe adoça um beijo.
128

Todos breves passageiros

Crer em reencarnação
É como fumar um cigarro
Ser alegre no pigarro
Depurando alienação

A tristeza não vê esperança
Acolhendo agregados
Somos todos desprezados
Embora não haja aventurança

Mito dos errantes
Transeuntes rotineiros
Amores calóricos, mórbidos

Odisseia de Cervantes
Todos breves passageiros
Nesses expressos eufóricos, pictóricos.
159

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Biografia do autor

Pintor, desenhista, gravador e escritor, autodidata no ofício da composição, inspirado pelo legado dos modernistas no Brasil. Na infância, sob o zelo da bisavó, nasce nos pincéis e têmperas a paixão pela cor e a euforia encoraja-o à prática. Em 2005, J. Borges e suas criações inspiraram-lhe aos primeiros contatos com Xilogravura. Nos anos seguintes dedicou-se à promoção cultural originando seu espólio profissional em 2014, sua primeira coletânea pictórica - “Reflexões”. Dedica-se desde 2016 aos estudos arquitetônicos e urbanísticos e, a partir de 2018, a maturidade de sua obra torna-se protagonista na pinacoteca de A. dos Santos, distinto colecionador carioca. O artista teve 7 exposições nacionais individuais em um fluxo itinerante. Atualmente, seu trabalho percorre exposições por toda Europa e, no Brasil, mantém cronograma contínuo de mostras e publicações literárias, havendo em sua jornada destacados prêmios literários entre os anos de 2017 e 2018.

Titulação

A Academia Independente de Letras junto à Casa Literária Enoque Cardozo, no uso e atribuições de suas finalidades legais, presente em seus estatutos confere o Título de Imortal ao escritor: 

RAFAEL RUIZ ZAFALON DE PAULA 

Reconhecendo assim o valor por força e mérito daquele que carrega em si o dom e o talento literário, diplomando-o e empossando-o como Membro Vitalício à cadeira de n.31, a Resiliência,outorgando-lhe os direitos e prerrogativas estatutárias regimentais.