Rafael Ruiz Zafalon de Paula

Rafael Ruiz Zafalon de Paula

n. 1996 BR BR

Rafael Ruiz Zafalon de Paula é Doutor Honoris Causa em Belas Artes pela Emill Brunner University, especialista em Conservação e Restauração de Obras de Arte, formado em Design de Interiores e Bacharelando em Arquitetura e Urbanismo.

n. 1996-11-19, São Carlos, São Paulo

Perfil
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Algemado

Não vejo horizontes
Avisto penhascos aos montes
E a dor não passa
Se arrasta
Algemada aos meus pés
Que não tenho sido um homem de fé
E quanto ao rio
Solitário e sombrio
Narra meus sussurros
E meus medos que são noturnos.
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Biografia
Biografia do autor

Pintor, desenhista, gravador e escritor, autodidata no ofício da composição, inspirado pelo legado dos modernistas no Brasil. Na infância, sob o zelo da bisavó, nasce nos pincéis e têmperas a paixão pela cor e a euforia encoraja-o à prática. Em 2005, J. Borges e suas criações inspiraram-lhe aos primeiros contatos com Xilogravura. Nos anos seguintes dedicou-se à promoção cultural originando seu espólio profissional em 2014, sua primeira coletânea pictórica - “Reflexões”. Dedica-se desde 2016 aos estudos arquitetônicos e urbanísticos e, a partir de 2018, a maturidade de sua obra torna-se protagonista na pinacoteca de A. dos Santos, distinto colecionador carioca. O artista teve 7 exposições nacionais individuais em um fluxo itinerante. Atualmente, seu trabalho percorre exposições por toda Europa e, no Brasil, mantém cronograma contínuo de mostras e publicações literárias, havendo em sua jornada destacados prêmios literários entre os anos de 2017 e 2018.

Titulação

A Academia Independente de Letras junto à Casa Literária Enoque Cardozo, no uso e atribuições de suas finalidades legais, presente em seus estatutos confere o Título de Imortal ao escritor: 

RAFAEL RUIZ ZAFALON DE PAULA 

Reconhecendo assim o valor por força e mérito daquele que carrega em si o dom e o talento literário, diplomando-o e empossando-o como Membro Vitalício à cadeira de n.31, a Resiliência,outorgando-lhe os direitos e prerrogativas estatutárias regimentais.

Poemas

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Homenagem - Ilma. Sra. Sandra Maria Bovo Deziderá

Se você, por alguns momentos nesta vida, buscar a experiência de navegar por um universo indefinido onde "o tudo" exemplifica a razão do porquê, encontrará na expressividade adimensional deste autor, o êxtase que procura. “Um paralelo entre genialidade e psicopatologia, cabendo outras tantas definições, porém, a única forma de viver era superar dia após dia todos os dissabores. Amar e contigo conviver, uma experiência inigualável.”

E você leitor(a), mergulhe neste universo.

Sandra Maria Bovo Deziderá[1]
(São Carlos - SP, 28 de setembro 2019)
[1]Projetista de módulos e eventos expositivos, promotora de eventos e espetáculos na capital paulista entre os anos de 1980 e 1990.
"...você fez de mim um artista!", amada avó do escritor.
221

Eterno Amor

És minha mãe
E suplico-te...
Haja tão vastos amores
Ora cintilantes
Ora poentes
Mas sem cessar
Acolha-me!
Porque já não há
Na pequenez do mundo
Amor tão grande
Quanto o meu!
235

Corolário - Homenagem - Ilmo. Sr. Dr. Fernando Paredes Cunha Lima

COROLÁRIO

No início: o risco e o desenho,
Depois firmou-se a personalidade,
O espírito poético em verdade,
Vibra em sua vida com empenho.

Esboçando em cada face o cenho,
Expõe ao mundo a sua validade,
Nem por capricho ou por veleidade,
Porém com um desejo mais ferrenho.

A arte que percorre suas veias,
Assume as suas mãos formando teias
E a criatura, cria a sua meta.

A cor, quase lhe chega por herança,
Como uma ilação desde criança,
Enfim por terminar sendo poeta.

Fernando Paredes Cunha Lima[1]
(João Pessoa - PB, 30 de janeiro de 2019)
[1] Médico e membro da Academia Paraibana de Medicina. Poeta, professor e diretor da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de João Pessoa (APAE-JP), homenageado com a Comenda Poeta Ronaldo Cunha Lima.
343

Oratório

Ficam nos passos meus
Amores passados
Minutos rasgados
E no entanto
Memoráveis são os sonhos
Tortuosos ou risonhos
Flutuantes
Livres
Como este poeta amador
Que destemido roga amor
Sob as ruínas
Desta concha da fé.
143

Todo sopro é prelúdio dos sonhos

Os versos nascem dos hiatos
Adormecidos naqueles rastros
Que risonhos desbravam o céu
Mesmo distantes
Aqueles mesmos amantes
Acima de toda palavra
Nas folhas claras e secas
Ou mergulhados no mais doce mel
Dos amores nada enfadonhos
Todo sopro é prelúdio dos sonhos!
214

Críticas - Ilmo. Sr. Oscar D’Ambrósio

VERSOS NASCEM DE INSTANTES

O que é a poesia? Existem milhares de definições, mas talvez as mais importantes sejam aquelas que apontam para a arte de escrever como forma de interpretar o mundo. E, nesse sentido, os versos de Rafael Zafalon trazem um conteúdo a ser lido com carinho, pois nos motivam a repensar aquilo que entendemos como existência.
Um de seus poemas mais significativos menciona que, no fundo de uma lata de lixo, num papel amassado, pode estar o poema mais lindo do mundo. Trata-se de um belo alerta para o nosso exercício cotidiano de escolhas, nem sempre as mais sábias, mas as possíveis em cada momento que atravessamos.
O mais complexo e interessante dessa jornada é que a vida é sinônimo de transformação. Portanto, o que jogamos ao lixo ou o que dele recuperamos varia ao longo do tempo. E não adianta pensar que vivemos apenas nosso tempo terreno. Somos a soma dos que viveram antes de nós – e nós somos, de uma forma ou de outra, a base do futuro.
A meninice, como alertam os poemas de Zafalon, também artista plástico, traz consigo amores e a jornada do viver se consolida como uma errata permanente. Nesse contexto, o poeta alerta que versos nascem de hiatos e esses breves instantes são prelúdios de sonhos. Assim se instaura a magia da escrita, da existência e da vida.

Oscar D’Ambrósio[1]
(São Paulo - SP, 02 de Outubro de 2019)
[1] Jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
 
249

Todos breves passageiros

Crer em reencarnação
É como fumar um cigarro
Ser alegre no pigarro
Depurando alienação

A tristeza não vê esperança
Acolhendo agregados
Somos todos desprezados
Embora não haja aventurança

Mito dos errantes
Transeuntes rotineiros
Amores calóricos, mórbidos

Odisseia de Cervantes
Todos breves passageiros
Nesses expressos eufóricos, pictóricos.
172

Nordeste Sangue e Coração

Sereia a nos inebriar
Sem pranto e em canto
Doce voz a clarear
Nordeste sangue e coração
Apaixonados sob o ar
Canoas e cantos
Pés à areia, a caminhar
Suor nas mãos
Nossa pele ao mar
Nossos contos de paixão
Sutil dom de amar
Dos reis magos à imensidão.
166

O Menino

Aquele pobre menino
Que na areia clama
Seu coração que ama
Sob as estrelas indaga
Seus joelhos à areia
O pulso o ampara
Afloram-lhe as lágrimas
Esse era quem aguardava
Primogênito do pescador
Que morreu de amor
Içando as redes ao ar
Alegrava nosso alpendre
Agora, a profundeza do além-mar
Esperou o raquítico menino
Tão solitário, sem destino
Na orla os pés, mas a lua a cintilar
O vento soprava rígido
A areia lhe assegurava vívido
Mar de coração salgado
Bebendo prantos amargos
Sem colo que o amparasse
Fitou a canoa (o menino)
Urrando saudades claras
Rasgou as amarras
Se pôs ao mar
Aurora, meninas secas
Lábios trêmulos, rachados
Ao seu pai foi buscar.
236

Carta de amor

Agarrei-me nos seus dedos
Amordacei meus medos
E enfim pude sentir
Suave arrepio me fez sorrir
Lançados sob os lençóis os dados
Meus olhos por ti vendados
Em seus braços, adormeci
Como nos jardins onde cresci
Abrolhou-me à pele os beijos
Mil cores em feixos
Amor em florada matinal
Desejo nada trivial
Que súbito tocou a pena
Trêmula, porém doce e serena
Nesta confissão farta
De amor contido nesta carta.
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