Lista de Poemas

O Menino

Aquele pobre menino
Que na areia clama
Seu coração que ama
Sob as estrelas indaga
Seus joelhos à areia
O pulso o ampara
Afloram-lhe as lágrimas
Esse era quem aguardava
Primogênito do pescador
Que morreu de amor
Içando as redes ao ar
Alegrava nosso alpendre
Agora, a profundeza do além-mar
Esperou o raquítico menino
Tão solitário, sem destino
Na orla os pés, mas a lua a cintilar
O vento soprava rígido
A areia lhe assegurava vívido
Mar de coração salgado
Bebendo prantos amargos
Sem colo que o amparasse
Fitou a canoa (o menino)
Urrando saudades claras
Rasgou as amarras
Se pôs ao mar
Aurora, meninas secas
Lábios trêmulos, rachados
Ao seu pai foi buscar.
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Abecedário

Não há homem que não a jure bela
Tampouco a metonímia sobre ela
Todos olham nos sonhos dela
Amor para conhecer a doçura nela

Acordei cedo, vi brotarem as flores
Na janela, suspirei alguns amores
Então, semeando algumas flores
Degustei, nos sonhos, doces olores

Alice, borboleta na ponta do nariz
Falo dela, minha amada Beatriz
Suave e persistente como a atriz
Sem medo de ser feliz!

Então tudo em tempo parou
O sino em meu ouvido soou
Os calhamaços de rascunhos dobrou
A estrela que me guiava cintilou

Esboços do mais cândido vel
Rabiscos puros e cores no papel
Doces e sabores leves como mel
Estrela guia, meu céu!
222

Umbigo

O que sentis, doce aurora?
Não sabes que brilhas como a flora
Nos meus olhos turvos, fez-se canto
Levou-me longe do desencanto
Para esta noite aprazível ao seu lado
Embora esteja alterado
Dir-lhe-ei então, intrépido amigo
Sou amante desde o umbigo.
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Corolário - Homenagem - Ilmo. Sr. Dr. Fernando Paredes Cunha Lima

COROLÁRIO

No início: o risco e o desenho,
Depois firmou-se a personalidade,
O espírito poético em verdade,
Vibra em sua vida com empenho.

Esboçando em cada face o cenho,
Expõe ao mundo a sua validade,
Nem por capricho ou por veleidade,
Porém com um desejo mais ferrenho.

A arte que percorre suas veias,
Assume as suas mãos formando teias
E a criatura, cria a sua meta.

A cor, quase lhe chega por herança,
Como uma ilação desde criança,
Enfim por terminar sendo poeta.

Fernando Paredes Cunha Lima[1]
(João Pessoa - PB, 30 de janeiro de 2019)
[1] Médico e membro da Academia Paraibana de Medicina. Poeta, professor e diretor da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de João Pessoa (APAE-JP), homenageado com a Comenda Poeta Ronaldo Cunha Lima.
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Homenagem - Ilmo. Sr. Paulo Cesar Riani Costa

Tamanha emoção de memorável honra escrever do autor de versos e vidas.
Lutas e superações são seu baluarte.
Nenhuma dor ou barreira intransponível fizeram eco em sua obstinada meta.
Se tem que escrever para fazer-se vivo, como desincumbir-se da tarefa por seu livre arbítrio?
Haverá de escrever, asseverou-lhe o destino.
Há de cansar-se da tarefa sem safar-se dela.
Ai de Rafael se fugir da senha.
Ler e reler, num vai e vem sem conta.
Deixar-se levar pelo sopro leve das palavras.
Eis o autor em sua santa sina.
Gratidão por ser dos primeiros a devorar seus versos.
Desejoso de esplendor em sua singular jornada.

Paulo Cesar Riani Costa[1]
(São Carlos - SP, 28 de agosto de 2019
[1] Farmacêutico-Bioquímico (Homeopatia) pela UNESP-1978. Formação Holística de Base pela UNIPAZ – Brasília – 2000. Conferencista da Cultura de Paz e Solução de Conflitos. Incentivador da Educação Ambiental e Ecoeficiência. Autor e facilitador dos Seminários "Missão Paz", “Missão de mestre: despertar talentos” entre outros. Escritor dos livros: “Téo, o Menino Azul”, ”Os Repórteres da Água” (Ed. Salesiana), "Talimamarê" (Ed. Riani Costa), “O Livro de Aventuras” (Belgo–Arcelor), “A Pedrinha que Sonhava”, “O Pequeno Planeta Azul”, “A Semente Dorminhoca”, ”A Ponte da Paz” (Rima Editora), “Pais com Paz” (Ed. Riani Costa), “Teo e o continente sustentável” (Ed. Riani Costa), “Lalá e a sacolinha falante” (Ed. Riani Costa).
Editor responsável pela Editora Riani Costa Ltda.
Idealizador e coordenador do Projeto "Escola-Escreve"
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Crítica - Ilmo. Sr. José Henrique Fabre Rolim

SENTIMENTO E PROJEÇÃO VIVENCIAL

A poesia permite ao leitor vislumbrar amplos horizontes, desafios existenciais oportunos e sempre estimulantes. Rafael Zafalon, além de artista plástico é um poeta sensível que expressa sutilmente em versos suas vivencia, observador atento, capta em cada comportamento humano a dimensão transcendental dos significados mais pungentes dos relacionamentos em seus devaneios, como nos desencontros da alma.
A complexa realidade do cotidiano é transportada para o campo da poesia como num passe de mágica, um confronto de realidades que se convergem liricamente enaltecendo a transparência de um sentimento nas suas mais envolventes harmonias ou nos conflitos mais íntimos.
A sua poesia abrange o ser humano como um todo, reflete profundamente o nosso interior, as conquistas, as frustrações, os desejos mais ardentes, as paixões mais ocultas, as fantasias passageiras de uma noite de verão e de todas as outras estações do ano.
Escrever é dialogar com a mente humana com todos os prazeres estéticos ampliando a gama de experiências vividas, desde o frescor de uma recordação recente a tantas outras manifestações memorialísticas que fazem da poesia a essência da reflexão.
 
José Henrique Fabre Rolim[1]
(São Paulo - SP, 28 de Setembro de 2019)
[1] Bacharel em Direito pela FADIR-UNISANTOS (1970 a 1974), Crítico de Arte (1977 a 1991) período em que publica nos periódicos nacionais e internacionais: A Tribuna de Santos, Folha de S. Paulo, A Gazeta, Módulo, Nuevas de España, Cadernos de Crítica, Arte em São Paulo e Arte Vetrina da Itália. Presidiu a APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte entre 2013 e 2017. Colunista (2007 até o momento) semanal no jornal Shopping News-DCI e ArteRef que enfoca as Artes Visuais, cobrindo exposições, lançamentos de livros de arte, além de matérias específicas sobre design, arquitetura, fotografia, movimentos artísticos, enfim tudo que abrange o vasto campo artístico.
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Amor

Percorri todo o campo
ansiosa à sua procura
meu peito prenhe em pranto
por sua partida tão dura.

Foi somente hoje quando acordei,
arranhei as meninas,
desprezei as matutinas,
e suspirei.

Há tempos estou à sua procura!
309

Amar como te amo?

Amar, a mercê do tempo?
Certo perdeste o senso
Não há igual sentimento!

(...)

Amar, como eu te amo?
Carinhoso e deveras teimoso
Sinônimo deste, amor não chamo!

(...)

Ver-me em chagas, tua agonia?
Unguento algum alivia
Minh'alma definhando te sacia!
252

Foi-se a chuva

Sou amor

Rasgado
Regado
Rítmico
Robusto
Rústico

Amor que chove

Cálido
Repentino
Ríspido
Oloroso
Suntuoso

Mas enfim
Foi-se a chuva
Que habitou em mim.
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Murmúrios

Murmurante, singela flor
Róseo tesouro campestre
Vistosa ao mestre
Boêmio, escrevia amor.

Encorpado, porém breve
Belo naquele sonho
Curando-me tristonho
Por fim, que celebra?

Fitarás os olhos meus?
Repulsa, sentiu em vão,
Posto que verás um dia.

Iluminada, estrela guia
Sentirás pulsante à mão
Profundo, nos olhos teus.
194

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Biografia do autor

Pintor, desenhista, gravador e escritor, autodidata no ofício da composição, inspirado pelo legado dos modernistas no Brasil. Na infância, sob o zelo da bisavó, nasce nos pincéis e têmperas a paixão pela cor e a euforia encoraja-o à prática. Em 2005, J. Borges e suas criações inspiraram-lhe aos primeiros contatos com Xilogravura. Nos anos seguintes dedicou-se à promoção cultural originando seu espólio profissional em 2014, sua primeira coletânea pictórica - “Reflexões”. Dedica-se desde 2016 aos estudos arquitetônicos e urbanísticos e, a partir de 2018, a maturidade de sua obra torna-se protagonista na pinacoteca de A. dos Santos, distinto colecionador carioca. O artista teve 7 exposições nacionais individuais em um fluxo itinerante. Atualmente, seu trabalho percorre exposições por toda Europa e, no Brasil, mantém cronograma contínuo de mostras e publicações literárias, havendo em sua jornada destacados prêmios literários entre os anos de 2017 e 2018.

Titulação

A Academia Independente de Letras junto à Casa Literária Enoque Cardozo, no uso e atribuições de suas finalidades legais, presente em seus estatutos confere o Título de Imortal ao escritor: 

RAFAEL RUIZ ZAFALON DE PAULA 

Reconhecendo assim o valor por força e mérito daquele que carrega em si o dom e o talento literário, diplomando-o e empossando-o como Membro Vitalício à cadeira de n.31, a Resiliência,outorgando-lhe os direitos e prerrogativas estatutárias regimentais.