rafaeldasilva

rafaeldasilva

Perfil
23 367 Visualizações

🔵 O doutrinador

O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.




Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola.  Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).




No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.




A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”. 




Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que  ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.




Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
Ler poema completo

Poemas

12

🔴 Fernando Haddad colou, mas não colou




A equipe de transição do PT (Partido dos Trabalhadores) assusta. A mistura aleatória de colaboradores da volta do projeto nefasto de poder confirma os maiores temores de “volta ao local do crime”, dando uma leve parafraseada na exata fala de Geraldo Alckmin, vice-presidente eleito. Apelidada de Carreta Furacão — trenzinho infantil que reúne uma turminha inacreditável de personagens —, a absurda e meganumerosa equipe de transição ocupa o Palácio do Planalto como um local abandonado. Calma, quando anunciarem os ministérios, pode piorar.




Fernando Haddad, possível ministro da Fazenda, cursou apenas dois meses de mestrado em Economia, tendo “colado”. Eu não tenho sequer essa curtíssima experiência de 60 dias na disciplina, logo, não colei. Num país em que a maioria valoriza a honestidade, eu ganharia o cargo no quesito confiança. No entanto, como o STE (Superior Tribunal Eleitoral) quis dizer, a maioria não valoriza a honestidade e é ingênua, quando ao mesmo tempo cai fácil no “conto da picanha”. Triste...




Fora de contexto, piada, brincadeira, as desculpas seriam suficientemente tranquilizadoras se o político do PT não fosse cotado para o Ministério da Fazenda. Apesar das ideias assustadoras, o fato do petista ter “colado” na disciplina, pode ser uma excelente notícia, afinal o desconhecimento significa impedimento de implementá-la. Afinal, o que é pior: alguém como Guido Mantega ou Fernando Haddad?




Haddad é uma mentira ambulante. Forma uns três acordes, mas posa segurando um violão que é uma beleza, fingindo, assim, que toca o instrumento. Ele também carrega uma estética meio tucana (petista de paletó). Contudo, não se engane, apesar da estampa de professor do ‘Mackenzie’, suas ideias são radicais como as de um comunista do início do século XX. Só essas características credenciam-no como um Cavalo-de-Troia perfeito. Apesar de multi derrotado, ele se infiltrou no coração do poder.




Quando Haddad confessou que não sabia nada de Economia, a plateia aplaudiu. Essa atitude escancara o jeitinho brasileiro (malandragem). Haddad diria a seus professores: Perdeu, mané.




Não há reza que faça isso dar certo.
47

🔵 A revolução dos bixos




Resolvi começar mais uma faculdade. Sempre tomando o devido cuidado para não virar aquela piadinha besta do pedreiro que fez cinco faculdades e ía começar mais uma. A decisão era séria, entretanto desta vez os objetivos eram alguns: dar um “upgrade” na minha formação intelectual, bem como obter um diploma para pendurar no lugar do diplominha da escolinha infantil. O principal era que, com o terceiro grau completo, eu poderia prestar um concurso público mais robusto.




Ingressei numa dessas universidades “shopping center”, conhecidas como “pagou, passou” ou, ainda, prédios escolares que, distribuindo canudos, despejaram caixas de supermercados advogados e balconistas administradores de empresas. 




Nosso quadro docente contava com uma equipe pronta para formar uma guerrilha urbana e a luta armada, almejando, eternamente, a “ditadura do proletariado”. Para não sobrar dúvidas, um professor chamava-se Vladimir. Como eu não tinha talento para disfarçar que era capitalista e, além disso, conservador, só continuei o curso porque Vladimir (logo ele!) me deu cobertura e garantiu minha vida enquanto não instalassem o paredão. Descartando a possibilidade de me tornar um marxista, tratei de autopoliciar o emprego das palavras. Sem o estereótipo das classes trabalhadoras, menos favorecidas, minorias ou coletivos, logo vi que eu estava em território inóspito. Portanto, enfrentaria anos difíceis.




Mas, descobri, eu não era o único direitista infiltrado naquele ambiente socialista. O curso de Letras e os descontos atraíram um “enxame” de policiais civis e militares com o objetivo de ingressar na Polícia Federal. Um pouco de tirocínio identificava a ideologia dos indivíduos (professores e alunos).




A profissão da maioria dos calouros intimidava a aproximação dos veteranos e seus trotes. Nós, os calouros, passeávamos pelo “templo do conhecimento” espantando quaisquer ameaças de trote e, até eu evadir-me de mais uma faculdade, do trote. Enfim, consegui dissuadir a ameaça de perseguição dos malditos comunistas.




Me sentindo um veterano já no primeiro dia e incólume à doutrinação escolar, senti-me livre para acessar os gráficos da Bolsa de Valores e outros ícones da burguesia. Naquele momento, me senti incólume às lesões cognitivas causadas pela leitura de Jean-Jacques Rousseau e Michel Foucault, bem como militantes disfarçados de professores implementando sua tática gramsciana. Minhas credenciais garantiam que ninguém se aproximaria de mim me chamando de companheiro. 




Eu nunca tive vocação para me fazer de oprimido, muito menos “posar” de vítima da suposta classe opressora. A utopia socialista jamais me usaria de massa  de manobra. O Diretório Acadêmico, naquele ano, garantiria uma fornada de idiotas úteis voluntários. As expectativas iniciais tornavam tinta na cara e um corte mal feito no cabelo os menores dos males. 

































80

🔴 “Vou festejar o teu sofrer”




Dançando ao som de Beth Carvalho. Que mal pode haver nisto? Quando o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, está na festa, algo está muito estranho. A letra da música ‘Vou Festejar’ cabe perfeitamente para escarnecer de quem se deu mal no pleito. O curioso é que o responsável pela votação foi parcial. A eleição foi empurrada de qualquer jeito, não foi transparente e colocou  na Presidência um sujeito que não atua como um servidor público, mas um realizador de interesses particulares.




Dentre as imagens que eu vi, chamou a atenção um sujeito dançando solto como um “tiozão” no final de um baile de debutante. Como se não houvesse amanhã, o camarada, que devia ser um cidadão compenetrado, sério mesmo, balançava o esqueleto ao som da “melô da vingança” ‘Vou Festejar”. Com a gravata frouxa, paletó amarrotado e os dedinhos indicadores em riste (como um legítimo japonês sambando), ele gritava: “(...) vou festejar o teu sofrer, o teu penar”. Chora. Deve ser a tal “festa da democracia”. Pode não ser nada do que parece, mas tudo isto tem a estética do escárnio.




Se há políticos e autoridades comemorando absolutamente nada numa festinha brega e nababesca, o interesse público está vazando pelo ladrão. O pouco caso pode ser traduzido numa dancinha. Quem não se lembra da deputada Ângela Guadagnin e a “Dança da Pizza”. A performance, que poderia ser facilmente confundida com uma celebração mística, era a ofensiva e obscena comemoração da absolvição de um colega acusado no “Mensalão”.




“Eleição não se ganha, toma-se”; “Já vai tarde” e “Perdeu, mané” contribuem para o argumento do escárnio. Luís Roberto Barroso justifica a infelicidade do que diz como sendo piadas. O repertório de baboseiras é o suficiente para um “open mic” (microfone aberto) de “stand-up comedy”.




Políticos arriscando dancinhas, trilhas sonoras e frases que evidenciam (ao menos simbolizam) que eles não estão nem aí para o povo, são o prenúncio de uma disrupção. O ‘Baile da Ilha Fiscal’ ficou conhecido por isso. O evento que ofereceu diversão para os nobres antecipou a queda do Império e início da República. 




Já temos a dancinha, a trilha sonora e as frases infelizes. Falta pouco.



51

🔵 Copa 1990




Décadas depois, abri o álbum de figurinhas da Copa do Mundo de 1990. Senti o cheiro das páginas besuntadas de cola Tenaz. O olfato me tragou para a memória afetiva (ou seria memória olfativa?). Quando folheei mais o livro ilustrado, tive a impensável surpresa de encontrar um envelope de figurinhas. O cheiro me puxou de vez e, quando fechei os olhos, tinha apenas 15 anos novamente.




***




A caminho do clube, seguindo a trilha de pacotinhos abertos e espalhados pela calçada, descobri de qual banca vinham os rejeitos. Comprei os meus pacotinhos e fiz o mesmo; sem nem sequer entender o conceito de limpeza pública, espalhei-os pelo meio-fio. Parece que como castigo o “bolo” de repetidas só aumentava. Às vezes, de bicicleta eu ía à banca “que dava sorte”: por coincidência ou nexo causal, quase sempre funcionava.




Já no Esporte Clube Vila Galvão, era hora de trocar cromos repetidos, mas não sem antes fazer uns gols e defesas gritando “É do Maradonaaaa” ou “Espalma Michel Preud-Hommeeee”, craque da Argentina e goleiro da Bélgica, respectivamente. 




Aos 15 anos, tudo ainda podia acontecer, inclusive completar o álbum. Essa coleção é uma excelente metáfora ou comparação com a própria vida: alguns têm a perseverança de completá-los, enquanto outros desistem; antigamente a coleção era pregada com cola escolar, hoje é com a facilidade dos cromos autocolantes.




*




Arremessando bolas na cesta de basquete, enquanto as caixas de som reverberavam por todo o “Vila” os sucessos do momento, adivinhava que a incipiente década de 90 seria muito boa, a julgar pela infância favorável. Entretanto, naquele momento, minha única preocupação era completar o livro ilustrado, enquanto me “embriagava” de refrigerante e aplacava o meu vício em misto-quente. E foi este meu bem sucedido objetivo. Naquele ano, eu me dediquei nesta coleção mais do que nos álbuns da falecida Copa União, do Campeonato Brasileiro de 1988 e, até mesmo, que na escola. 




Após essa “viagem”, fechei o álbum, voltando à atual década, que transformou a infância em algo remoto. Infância que pode ser relembrada intensamente, abrindo um velho álbum de figurinhas que guarda o cheiro de 1990.
50

🔴 O país do futebol




No dia 30 de outubro, o Brasil deixou de ser o “país do futuro” para voltar a ser o “país do futebol”. Ziriguidum, borogodó, telecoteco, balacobaco, essas palavras, que parecem sem significado, sugerem a malemolência, o jogo de cintura, a malandragem e o jeitinho brasileiro. Jeitinho que conduziu o presidente daquela republiqueta sul-americana terceiro-mundista do cárcere ao Palácio da Alvorada. O próprio Lula é a personificação do jeitinho brasileiro.




É hora de deixar esse negócio de Judiciário, Legislativo e Executivo para quem entende. Ninguém quer saber de STF, TSE, STJ ou BNDES, são somente siglas desimportantes para quem deseja só um churrasquinho com uma gordurinha e cervejinha na hora do gol. Teto de gastos, responsabilidade fiscal e independência do Banco Central são coisas de neoliberal. O papo é bola na rede.




Dá de bico que o jogo é de taça; pra cima deles, Brasil; Brasil, vai buscar esse caneco. Lula pensa igual a um estelionatário: fala o que a vítima quer ouvir, faz o “otário” ser atraído pela própria  ganância e usa metáforas e comparações futebolísticas. Tudo inteligível e empático.




Com sinais claros de psicopatia, o ex-presidiário falava do Mercado e arriscava o “economês”, quando queria encantar uma plateia de empresários; quando encarava o povão, ludibriava com promessas de “cervejinha” e “chuva de picanha”. 




Com quaisquer meios justificando seus objetivos, o “sapo barbudo” segue mentindo para alojar seu exército de desocupados e incompetentes em Brasília. Obtém êxito mentindo como se não houvesse amanhã e transformando “o país do futuro” em “país do futebol”.




Pouco interessa que a Copa do Catar foi comprada, afinal “futebol é a coisa mais importante, dentre as menos importantes”. Vivemos num país onde um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) não sabe se aqui o crime compensa, outro diz, malandramente, “perdeu, mané”. Eu digo: nóis é tudo assim.




Este texto cheio de ironia é para alertar que, sim, como sempre, ficaremos inebriados durante os jogos da Seleção Brasileira, mas os políticos que confundem pacificação com distração terão oposição e vigilância ferrenhas. Será que “Macunaíma, o herói sem nenhum caráter” subirá a Rampa?
72

🔴 Este ano não acabará neste ano




Lula resolveu brincar de presidente. Viajou para o continente africano, assustou o Mercado (a cada palavra que cometeu) e montou uma equipe de transição que já merece a sequência: Mensalão, Petrolão e Transição.




Lula correu à COP 27,Egito, representar a si e posar de ambientalista, fingindo que está preocupado com o futuro da Humanidade. Os cumprimentos, sorrisos e tapinhas nas costas e o aparente bom trânsito do corrupto notório vem da facilidade com que ele obedece o que essas cúpulas e agendas mundiais impõem para travar a evolução do Terceiro Mundo: demarcações imensas de terras indígenas, deixar que estrangeiros e ONG’s estabeleçam os “cuidados” com a Amazônia, preservação do que os europeus exploram, utilizar energia limpa e diminuir as já insignificantes emissões de carbono.




Ineditamente, o governo que reivindica a vitória está espantando quem fez o “L”. Essas pessoas descobriram a ameaça tarde demais. Que analistas financeiros são esses que só interpretaram agora uma agenda econômica desastrosa que era promessa de campanha?




Jornalistas vergonhosamente fizeram o “L” e “no seu tempo” se arrependeram. Acreditaram num “Lulinha liberal”, pragmático e cheio de responsabilidade fiscal. Ora, durante a campanha o petista se apresentou como sempre foi, radical, vingativo e com péssimas ideias. 




Suspensão temporária da incredulidade, fenômeno que acomete quem cai em “contos do vigário”, pode ser a explicação para muitos que votaram no “Ali Babá”.




Nem mesmo a tal da pacificação, prometida, será cumprida. Pelo contrário, o que se vê é uma convulsão social, e já se fala em guerra civil. O “perdeu, mané” dá o tom de como a oposição é vista. Não existe pacificação assim.




A insurreição patriótica ganhou força, apoio logístico e segue incólume a apelidos pejorativos (bolsonarista, manifestações golpistas e atos antidemocráticos) e sanções insanas (multas abusivas, fiscais de ocasião, um conselho tutelar sabujo etc). Está na hora do recúo de Alexandre de Moraes. Uma coisa é certa: esse personagem já merece algumas páginas nos livros de História futuros, só não se sabe, ainda, o final.




A frase “perdeu, mané” é infeliz, porém sincera. Em apenas duas palavras foi resumido o processo que permitiu que Lula conseguisse a “saidinha eleitoral”. O “perdeu, mané” escancarou quem “ganhou” e quem é o “mané”. “Mané”, neste caso, significa otário; o interlocutor é o malandro.




“Xandi” lançou mão de tática de guerra (sufocamento); o contra-golpe, igualmente, veio numa estratégia militar (desabastecimento). A guerra participar do ministro extrapolou e prejudica milhões de pessoas. Está em tempo dele desistir.




Desde o começo, Alexandre de Moraes plantou o caos para “colar” a crise e a pecha de incompetente e golpista no Bolsonaro. Entretanto, quando explodiu a prevista erupção social, a culpa ganhou outro nome e sobrenome. Desista.
75

🔵 O supermercado hiper assaltado




Inocentemente, me dirigi à caixa do supermercado, coloquei a garrafa de Coca no balcão e aguardei a minha vez. Saindo do meu transe e reparando bem, notei que a demora se devia a um assalto. Obedecendo a autoridade de um revólver, fui expulso para não atrapalhar a “limpeza” da caixa registradora.




Fui ao estoque, esperar os “clientes preferenciais” serem atendidos. Chegando lá, o que vi mudou minhas impressões acerca da gravidade do evento: ajoelhados, clientes e funcionários rezavam com muita fé. O local não era apropriado para aquela genuflexão forçada, mas, naquele depósito imundo, eu somava, entre barras de sabão e pacotes de bolacha, à demonstração de fé. 




A cena ecumênica, emocionante, foi interrompida pelos disparos do revólver. Os estampidos acrescentaram às orações, os choros. Foi nesse momento que eu me entreguei ao “muro das lamentações”. O cenário era, definitivamente, de fanatismo explícito em direção a Meca do que os fundos de um supermercado. Como não estávamos em uma agência bancária, não havia cofre, então estava praticamente descartada a probabilidade da quadrilha espalhar o pânico.




Reconheci alguns dos “fiéis”. Apesar da pouca experiência e inédita participação em assaltos, mantive a calma. Minha vida começou a ser reproduzida como um curta-metragem, mas interrompi aquele terrível clichê e tentei lembrar das táticas dos filmes de assalto a banco. Entretanto, não havia jeito, teria que sair daquela situação constrangedora. Foi o que fiz, pois eu só queria sair daquele maldito supermercado vivo e com a garrafa de refrigerante.




Quando acabou a forçada transferência de renda, esperei o som de “fim de festa” para arriscar sair da toca. Sei que a minha humilde bebida não compensaria o prejuízo causado pela expropriação, mas, é claro, paguei a mercadoria.




Semanas depois, quando eu via aquele repositor, concentrado, entre latas de extrato de tomate e pacotes de sal, logo lembrava dele ajoelhado, rezando e murmurando aos prantos.
46

🔴 Comboio contra conluio




O conjunto organizado de caminhões, sob a guarda do Exército, parece ameaçador, mas não é. As bandeiras, estrategicamente colocadas, na frente dos veículos, mostram que há um objetivo maior. As “Tias do Zap”, senhoras com cadeira de rodas, andador e outros sinais da dificuldade de locomoção, escancaram a falácia dos ditos “protestos antidemocráticos” e “atos golpistas”. 




Inteligentemente, cada cidadão se considera e age como líder dos protestos, isso impossibilita multas e prisões, bem como a consequente desmobilização do evento. Não contente com a desobediência civil, Alexandre de Moraes ameaçou os caminhoneiros com multa de R$ 100.000 por hora (mostrando que suas ações não obedecem nem a proporcionalidade nem a razoabilidade) e, com a intenção de minar as forças da manifestação, enviou uma turminha de fiscais para tratar o povo como bandido. O plano maligno não funcionou. Os fiscais foram expulsos.




A movimentação não é contra o resultado das urnas; é contra a condução forçada (à Presidência) do chefe da organização criminosa que limpou os cofres do Brasil. Contrariando a lei, a lógica e as evidências, Lula foi solto; não dialogava, nem reunia o povo (a não ser um público amestrado, e controlado em ambientes petistas); foi presenteado com “pesquisas”, embora erradas, muito favoráveis; foi beneficiado com decisões judiciais amigas; foi protegido por ministros togados amigos (que acatam tapinhas no rosto); foi ajudado com desigualdade eleitoral programada (nas inserções radiofônicas) e uma apuração, no mínimo, estranha (dos votos). Tá bom? 




Os ministros do STF tentaram voar longe “dessa gente bronzeada”. Não adiantou. A pulverização mundial brasileira não deu sossego e brindou-os com uma amostra grátis do inferno. Sem violência, a manifestação da indignação é legítima, ainda mais no país da “freedom of speech” (liberdade de expressão). Lá, eles não podem censurar, desmonetizar, calar, prender...




Ao contrário da velha imprensa, “youtubers” e a imprensa internacional estão cobrindo as manifestações. Além disso, a ‘Fórmula 1’ (um evento mundial) internacionalizou o que está acontecendo aqui. E isto é tudo o que os togados não queriam que vazasse deste jeito.




A mobilização pode não trazer resultados imediatos, entretanto o presidente não terá sossego. Ele não precisará nem ir ao Maracanã para descobrir isto; do seu gabinete, a impopularidade já será sensível. Nem mesmo o trânsito de “dinheiros” será capaz de resgatar a governabilidade petista.




O conluio sonha com a volta do “Fique em casa”.
60

🔴 Aquele que tudo vê




Chico Vigilante, deputado petista, sugeriu bustos de Alexandre de Moraes em praças do Brasil. Esta sugestão virou manchete. Entretanto, foi a maior demonstração pública e desavergonhada de bajulação ou retribuição de favor. Um neologismo se aplica melhor a essa infeliz ideia: “puxasaquice”.




Coincidentemente, “Xande” foi exaltado pelo deputado petista como merecedor do monumento, depois que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) foi elevado à presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Lá, “Xande” conseguiu emplacar o seu projeto de vida: o “Lava Lula. 




Chico Vigilante apareceu com um esclarecedor segundo nome. Vigilante pode ser, sem erro,   interpretado pela distopia orwelliana ‘1984’, pelo regime comunista e ditaduras como a stalinista. Para estes paralelos, nada mais adequado como uma homenagem personalista que simboliza aquele “que tudo vê”. A única certeza de um monumento como esse, é sua derrubada.




Alexandre de Moraes vem cumprindo a “cartilha do tirano”:  vigiando, prendendo, cancelando e perseguindo quem declara algo que o desagrade. Ele vem censurando, desmonetizando, calando etc quem irrita-o com publicações contrárias a seu objetivo: reescrever a História.




A “xandecracia” extrapola a perseguição do TSE além do período eleitoral. A cena começou errada: uma posse que remeteu-nos ao que deve ter sido a coroação de um imperador. No final de tudo (ou não), foi celebrada a rápida apuração dos votos. Mais rápido, somente nas ditaduras, nas quais é comum se saber do resultado antes mesmo do início do processo. Entendi, o objetivo nunca foi transparência, foi ligeireza. Tudo como num crime perfeito.




Um busto ou uma estátua era o que faltava para ilustrar o grau de tirania do ministro. Medidas mais evidentes de homenagem impopular e inútil só mesmo “nome de logradouro público” ou “dia de alguma coisa”, como “o dia da sanfona”.




A História mostra que o destino das representações de poder acabam representando a queda de um poder. Isso é muito simbólico.
83

🔴 Dores nas articulações




‘O Chefe’ não vai conseguir restaurar a paz entre a população brasileira, mas já tratou de costurar a “harmonia entre os poderes”. Isto é tudo, afinal, como disse Zélia Cardoso de Mello, “o povo é só um detalhe”. A quantidade de ministérios que ‘O Chefe’ voltará a botar para funcionar dá uma dimensão de como será o “diálogo de coalizão”.




A fauna que ‘O Chefe’ trouxe como equipe de transição, apontou como possíveis ministros ou simplesmente sinalizou a aproximação assustou o mercado e as pessoas de carne e osso. Como sempre, os derrotados nas eleições garantem um cargo. 




Há um acordo tácito de apelidar uma parte da mídia de velha imprensa. Sem se dar conta de que o nome pejorativo foi dado porque existe uma nova imprensa e quem não dá mais credibilidade à velha imprensa é, justamente, seu antigo consumidor, ela acelera rumo ao abismo.




Quem assistiu à torcida explícita desta imprensa, não se surpreendeu com a redação da Globo festejando a “vitória” do “Chefe”, como se fosse a “festa da firma” ou o “amigo secreto”. Esta, digamos, imprensa não reporta algo incrível que está acontecendo: o povo nas ruas. Quando reporta, descreve, desinformando, como “ato golpista” ou “manifestações antidemocráticas”. 




Depois do relatório do Ministério da Defesa, tentaram arrefecer os atos, mas — não lamento — os atos recrudescerão. “O bicho vai pegar”. Enquanto a velha imprensa dorme, a nova imprensa e parte da reportagem internacional mostram o que está acontecendo. Como sempre, muitos se arrependerão de ignorar o fenômeno. Será tarde demais, porque a internet não esquece e é implacável com quem acostumou-se a reescrever a História. 




Emílio Surita, programa Pânico, Jovem Pan, chama esta turma (novo governo) de ‘Carreta Furacão’. Carreta Furacão é um trenzinho turístico de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. O veículo agrupa uma inacreditável seleção de personagens ensandecidos e aleatórios. Esta turminha sai alegrando e barbarizando pelas ruas da cidade. Eu gosto de comparar a equipe do ‘Chefe” como um catado de pessoas incapazes de administrar um carrinho de pipoca. São os incapazes capazes de tudo.




Agora que terminou a eleição, avisaram que a “chuva de picanha” era apenas uma metáfora. O  estelionato eleitoral, que rendeu votos, virou figura de linguagem. Os brasileiros que entenderam a promessa de campanha como a  volta do “churrasquinho com cervejinha” caíram no conto da picanha por serem analfabetos funcionais ou ingênuos. Ora, ninguém vai culpar se confundem algo irreal, como uma precipitação de proteína bovina, com fartura de carne. Temos alguns anos de incompetência sendo chamada de herança maldita e metáfora. “Faz o L”
78

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.