rafaeldasilva

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🔵 O doutrinador

O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.




Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola.  Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).




No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.




A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”. 




Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que  ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.




Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
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Poemas

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🔴 Este ano não acabará neste ano




Lula resolveu brincar de presidente. Viajou para o continente africano, assustou o Mercado (a cada palavra que cometeu) e montou uma equipe de transição que já merece a sequência: Mensalão, Petrolão e Transição.




Lula correu à COP 27,Egito, representar a si e posar de ambientalista, fingindo que está preocupado com o futuro da Humanidade. Os cumprimentos, sorrisos e tapinhas nas costas e o aparente bom trânsito do corrupto notório vem da facilidade com que ele obedece o que essas cúpulas e agendas mundiais impõem para travar a evolução do Terceiro Mundo: demarcações imensas de terras indígenas, deixar que estrangeiros e ONG’s estabeleçam os “cuidados” com a Amazônia, preservação do que os europeus exploram, utilizar energia limpa e diminuir as já insignificantes emissões de carbono.




Ineditamente, o governo que reivindica a vitória está espantando quem fez o “L”. Essas pessoas descobriram a ameaça tarde demais. Que analistas financeiros são esses que só interpretaram agora uma agenda econômica desastrosa que era promessa de campanha?




Jornalistas vergonhosamente fizeram o “L” e “no seu tempo” se arrependeram. Acreditaram num “Lulinha liberal”, pragmático e cheio de responsabilidade fiscal. Ora, durante a campanha o petista se apresentou como sempre foi, radical, vingativo e com péssimas ideias. 




Suspensão temporária da incredulidade, fenômeno que acomete quem cai em “contos do vigário”, pode ser a explicação para muitos que votaram no “Ali Babá”.




Nem mesmo a tal da pacificação, prometida, será cumprida. Pelo contrário, o que se vê é uma convulsão social, e já se fala em guerra civil. O “perdeu, mané” dá o tom de como a oposição é vista. Não existe pacificação assim.




A insurreição patriótica ganhou força, apoio logístico e segue incólume a apelidos pejorativos (bolsonarista, manifestações golpistas e atos antidemocráticos) e sanções insanas (multas abusivas, fiscais de ocasião, um conselho tutelar sabujo etc). Está na hora do recúo de Alexandre de Moraes. Uma coisa é certa: esse personagem já merece algumas páginas nos livros de História futuros, só não se sabe, ainda, o final.




A frase “perdeu, mané” é infeliz, porém sincera. Em apenas duas palavras foi resumido o processo que permitiu que Lula conseguisse a “saidinha eleitoral”. O “perdeu, mané” escancarou quem “ganhou” e quem é o “mané”. “Mané”, neste caso, significa otário; o interlocutor é o malandro.




“Xandi” lançou mão de tática de guerra (sufocamento); o contra-golpe, igualmente, veio numa estratégia militar (desabastecimento). A guerra participar do ministro extrapolou e prejudica milhões de pessoas. Está em tempo dele desistir.




Desde o começo, Alexandre de Moraes plantou o caos para “colar” a crise e a pecha de incompetente e golpista no Bolsonaro. Entretanto, quando explodiu a prevista erupção social, a culpa ganhou outro nome e sobrenome. Desista.
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🔵 O supermercado hiper assaltado




Inocentemente, me dirigi à caixa do supermercado, coloquei a garrafa de Coca no balcão e aguardei a minha vez. Saindo do meu transe e reparando bem, notei que a demora se devia a um assalto. Obedecendo a autoridade de um revólver, fui expulso para não atrapalhar a “limpeza” da caixa registradora.




Fui ao estoque, esperar os “clientes preferenciais” serem atendidos. Chegando lá, o que vi mudou minhas impressões acerca da gravidade do evento: ajoelhados, clientes e funcionários rezavam com muita fé. O local não era apropriado para aquela genuflexão forçada, mas, naquele depósito imundo, eu somava, entre barras de sabão e pacotes de bolacha, à demonstração de fé. 




A cena ecumênica, emocionante, foi interrompida pelos disparos do revólver. Os estampidos acrescentaram às orações, os choros. Foi nesse momento que eu me entreguei ao “muro das lamentações”. O cenário era, definitivamente, de fanatismo explícito em direção a Meca do que os fundos de um supermercado. Como não estávamos em uma agência bancária, não havia cofre, então estava praticamente descartada a probabilidade da quadrilha espalhar o pânico.




Reconheci alguns dos “fiéis”. Apesar da pouca experiência e inédita participação em assaltos, mantive a calma. Minha vida começou a ser reproduzida como um curta-metragem, mas interrompi aquele terrível clichê e tentei lembrar das táticas dos filmes de assalto a banco. Entretanto, não havia jeito, teria que sair daquela situação constrangedora. Foi o que fiz, pois eu só queria sair daquele maldito supermercado vivo e com a garrafa de refrigerante.




Quando acabou a forçada transferência de renda, esperei o som de “fim de festa” para arriscar sair da toca. Sei que a minha humilde bebida não compensaria o prejuízo causado pela expropriação, mas, é claro, paguei a mercadoria.




Semanas depois, quando eu via aquele repositor, concentrado, entre latas de extrato de tomate e pacotes de sal, logo lembrava dele ajoelhado, rezando e murmurando aos prantos.
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🔴 Comboio contra conluio




O conjunto organizado de caminhões, sob a guarda do Exército, parece ameaçador, mas não é. As bandeiras, estrategicamente colocadas, na frente dos veículos, mostram que há um objetivo maior. As “Tias do Zap”, senhoras com cadeira de rodas, andador e outros sinais da dificuldade de locomoção, escancaram a falácia dos ditos “protestos antidemocráticos” e “atos golpistas”. 




Inteligentemente, cada cidadão se considera e age como líder dos protestos, isso impossibilita multas e prisões, bem como a consequente desmobilização do evento. Não contente com a desobediência civil, Alexandre de Moraes ameaçou os caminhoneiros com multa de R$ 100.000 por hora (mostrando que suas ações não obedecem nem a proporcionalidade nem a razoabilidade) e, com a intenção de minar as forças da manifestação, enviou uma turminha de fiscais para tratar o povo como bandido. O plano maligno não funcionou. Os fiscais foram expulsos.




A movimentação não é contra o resultado das urnas; é contra a condução forçada (à Presidência) do chefe da organização criminosa que limpou os cofres do Brasil. Contrariando a lei, a lógica e as evidências, Lula foi solto; não dialogava, nem reunia o povo (a não ser um público amestrado, e controlado em ambientes petistas); foi presenteado com “pesquisas”, embora erradas, muito favoráveis; foi beneficiado com decisões judiciais amigas; foi protegido por ministros togados amigos (que acatam tapinhas no rosto); foi ajudado com desigualdade eleitoral programada (nas inserções radiofônicas) e uma apuração, no mínimo, estranha (dos votos). Tá bom? 




Os ministros do STF tentaram voar longe “dessa gente bronzeada”. Não adiantou. A pulverização mundial brasileira não deu sossego e brindou-os com uma amostra grátis do inferno. Sem violência, a manifestação da indignação é legítima, ainda mais no país da “freedom of speech” (liberdade de expressão). Lá, eles não podem censurar, desmonetizar, calar, prender...




Ao contrário da velha imprensa, “youtubers” e a imprensa internacional estão cobrindo as manifestações. Além disso, a ‘Fórmula 1’ (um evento mundial) internacionalizou o que está acontecendo aqui. E isto é tudo o que os togados não queriam que vazasse deste jeito.




A mobilização pode não trazer resultados imediatos, entretanto o presidente não terá sossego. Ele não precisará nem ir ao Maracanã para descobrir isto; do seu gabinete, a impopularidade já será sensível. Nem mesmo o trânsito de “dinheiros” será capaz de resgatar a governabilidade petista.




O conluio sonha com a volta do “Fique em casa”.
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🔴 Aquele que tudo vê




Chico Vigilante, deputado petista, sugeriu bustos de Alexandre de Moraes em praças do Brasil. Esta sugestão virou manchete. Entretanto, foi a maior demonstração pública e desavergonhada de bajulação ou retribuição de favor. Um neologismo se aplica melhor a essa infeliz ideia: “puxasaquice”.




Coincidentemente, “Xande” foi exaltado pelo deputado petista como merecedor do monumento, depois que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) foi elevado à presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Lá, “Xande” conseguiu emplacar o seu projeto de vida: o “Lava Lula. 




Chico Vigilante apareceu com um esclarecedor segundo nome. Vigilante pode ser, sem erro,   interpretado pela distopia orwelliana ‘1984’, pelo regime comunista e ditaduras como a stalinista. Para estes paralelos, nada mais adequado como uma homenagem personalista que simboliza aquele “que tudo vê”. A única certeza de um monumento como esse, é sua derrubada.




Alexandre de Moraes vem cumprindo a “cartilha do tirano”:  vigiando, prendendo, cancelando e perseguindo quem declara algo que o desagrade. Ele vem censurando, desmonetizando, calando etc quem irrita-o com publicações contrárias a seu objetivo: reescrever a História.




A “xandecracia” extrapola a perseguição do TSE além do período eleitoral. A cena começou errada: uma posse que remeteu-nos ao que deve ter sido a coroação de um imperador. No final de tudo (ou não), foi celebrada a rápida apuração dos votos. Mais rápido, somente nas ditaduras, nas quais é comum se saber do resultado antes mesmo do início do processo. Entendi, o objetivo nunca foi transparência, foi ligeireza. Tudo como num crime perfeito.




Um busto ou uma estátua era o que faltava para ilustrar o grau de tirania do ministro. Medidas mais evidentes de homenagem impopular e inútil só mesmo “nome de logradouro público” ou “dia de alguma coisa”, como “o dia da sanfona”.




A História mostra que o destino das representações de poder acabam representando a queda de um poder. Isso é muito simbólico.
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🔴 Dores nas articulações




‘O Chefe’ não vai conseguir restaurar a paz entre a população brasileira, mas já tratou de costurar a “harmonia entre os poderes”. Isto é tudo, afinal, como disse Zélia Cardoso de Mello, “o povo é só um detalhe”. A quantidade de ministérios que ‘O Chefe’ voltará a botar para funcionar dá uma dimensão de como será o “diálogo de coalizão”.




A fauna que ‘O Chefe’ trouxe como equipe de transição, apontou como possíveis ministros ou simplesmente sinalizou a aproximação assustou o mercado e as pessoas de carne e osso. Como sempre, os derrotados nas eleições garantem um cargo. 




Há um acordo tácito de apelidar uma parte da mídia de velha imprensa. Sem se dar conta de que o nome pejorativo foi dado porque existe uma nova imprensa e quem não dá mais credibilidade à velha imprensa é, justamente, seu antigo consumidor, ela acelera rumo ao abismo.




Quem assistiu à torcida explícita desta imprensa, não se surpreendeu com a redação da Globo festejando a “vitória” do “Chefe”, como se fosse a “festa da firma” ou o “amigo secreto”. Esta, digamos, imprensa não reporta algo incrível que está acontecendo: o povo nas ruas. Quando reporta, descreve, desinformando, como “ato golpista” ou “manifestações antidemocráticas”. 




Depois do relatório do Ministério da Defesa, tentaram arrefecer os atos, mas — não lamento — os atos recrudescerão. “O bicho vai pegar”. Enquanto a velha imprensa dorme, a nova imprensa e parte da reportagem internacional mostram o que está acontecendo. Como sempre, muitos se arrependerão de ignorar o fenômeno. Será tarde demais, porque a internet não esquece e é implacável com quem acostumou-se a reescrever a História. 




Emílio Surita, programa Pânico, Jovem Pan, chama esta turma (novo governo) de ‘Carreta Furacão’. Carreta Furacão é um trenzinho turístico de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. O veículo agrupa uma inacreditável seleção de personagens ensandecidos e aleatórios. Esta turminha sai alegrando e barbarizando pelas ruas da cidade. Eu gosto de comparar a equipe do ‘Chefe” como um catado de pessoas incapazes de administrar um carrinho de pipoca. São os incapazes capazes de tudo.




Agora que terminou a eleição, avisaram que a “chuva de picanha” era apenas uma metáfora. O  estelionato eleitoral, que rendeu votos, virou figura de linguagem. Os brasileiros que entenderam a promessa de campanha como a  volta do “churrasquinho com cervejinha” caíram no conto da picanha por serem analfabetos funcionais ou ingênuos. Ora, ninguém vai culpar se confundem algo irreal, como uma precipitação de proteína bovina, com fartura de carne. Temos alguns anos de incompetência sendo chamada de herança maldita e metáfora. “Faz o L”
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🔴 Ele nunca mais




Choveram textos comparando todo o processo eleitoral com uma partida de futebol conduzida por um juiz ladrão. Essa comparação (às vezes metáfora) é injusta. Vou fazer algo que nunca fiz: defender Alexandre de Moraes. A comparação é injusta porque o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não é juiz. Entendeu? Simples assim.




E as velhas mídias? A imprensa se acostumou a assumir o lado errado. Em 1964, estimulou o Regime Militar; está até hoje, mal acostumada a reescrever a História, tentando dizer que “não era bem assim”. Agora, está torcendo pelo petista assumir plenos poderes, depois de fazer militância descarada durante a campanha; daqui a 50 anos, vai se tocar que, novamente, estava do lado errado, bem como tentará reescrever a História. Quando a imprensa está sempre atrasada, muita coisa está errada. 




Eu já assinei a revista Veja e o jornal Folha de SP; descobri que as duas publicações estão contra o Brasil. É fácil entender porque esses negócios carecem de credibilidade e vendas. Jornais, revistas, portais de internet e emissoras de televisão e rádio são negócios com fins lucrativos. Porém, vimos uma imprensa promovendo o retorno de um governo que assaltou os cofres cheios de dinheiro público. Além disso, apoiou a censura e a perseguição a um grupo político.




Quando vi Gleisi Hoffmann e sua turma visitando a nova ocupação, não pude deixar de notar a demonstração de deslumbre por invadir um palácio (Planalto). O objetivo deles nunca foi governar o País.




Alguns ditadores da América do Sul correram felicitar O Chefe para garantir generosas parcerias. Esses ditadores vêm com uma abstinência de quem vislumbrou uma oportunidade de fazer “chover picanha” em seus gabinetes — se é que vocês me entendem.




Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) são hostilizados dentro e fora do País. Isso ocorre porque muitas decisões, comportamentos e atitudes são conflitantes com a liturgia do cargo do Tribunal. Exemplos: falar em público fora dos autos, fazer campanha política e adiantar votos.




A nova ditadura age dizendo que é pela “democracia”. Com o mesmo método, Hitler surgiria, hoje, bonzinho como um integrante do Clube do Mickey.







Você pode ignorar a realidade, mas não pode ignorar as consequências de ignorar a realidade.

(Ayn Randt)
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🔵 Pérolas aos porcos




Aquele uniforme era bem ridículo, ainda mais em contraste com o desfile de moda estrangeira que passava na faculdade classe A. Muito embora eu me garantisse metido na calça de tergal e camisa barata. Também tentava, eternamente, ajeitar a gravata torta sem mostrar o elástico substituindo o nó.




Final de ano, o clima era diferente, melhor. As férias estavam chegando, os melhores alunos talvez já estivessem em alguma estação de esqui ou algum balneário na Europa. No “campus” já havia um clima de férias e a Secretaria de Direito, onde eu trabalhava, acompanhava esse ritmo. Alguns inspetores de alunos ficavam na Secretaria “cozinhando o galo”.




A Sala dos Professores estava cheia. Imperava o clima de “jantar inteligente”. Nas conversas, naquele simulacro de Supremo Tribunal Federal, um tentava parecer mais inteligente que o outro. Circulando entre magistrados, juízes, desembargadores, promotores e advogados, não me impressionei com toda aquela afetação verborrágica. Até achei engraçado quando percebi que os professores achavam que falavam em outro idioma ou que eu necessitava correr para o dicionário para compreender as conversas do cômodo.




O Diretor do curso de Direito Tributário anunciava nas rodinhas, grupos e duplas de conversas um vinho italiano chamado Frascati. Os catedráticos examinavam o rótulo da garrafa; nós, o conteúdo do vasilhame. Pouco importavam o nome, a marca e a procedência da bebida, o importante é que tinha álcool.




Aquela nobreza de plástico e o clima pedante eram mera disputa de erudição, farsa que não resistiria a meio copo do maldito vinho italiano. A exibição enciclopédica de conhecimentos, aquela ostentação de cultura e erudição, o desfile de gente grande brincando de Sorbonne estava prestes a ruir, todo mundo via.




A confraria seguia emulando o ambiente intelectual de Harvard, despejando um conhecimento superficial; enquanto isso, a ralé confraternizava com sua festa na Floresta de Sherwood.  Era claro, a verdadeira confraternização de fim de ano estava no “churrascão de fundo de quintal”.




E o vinho branco, o tal Frascati, rodando pra lá e pra cá, de mão em mão, recebendo “rasgados” elogios bajuladores.




Enquanto isso, o “chão de fábrica”, o “porão do navio”, “o pagode na laje” era a reunião mais agradável e sincera, com um linguajar simples. Trajando calças de tergal e falando de futebol, ríamos mais que os mestres ostentando paletós ingleses e discutindo a Revolução Francesa.




No entanto, faltava uma coisa: uma bebida alcoólica decente. Quando o festejado vinho italiano chegou no convescote proletário, não faltava mais nada. Dali, o vasilhame só foi liberado seco. Feito um reles Sangue de Boi, o Frascati matou a sede da plebe em simples copinhos descartáveis. Não havia “terroir”, nem “bouquet”, todos só queriam saber de “ficar bem louco”.




Não vi nada de especial na bebida europeia; só sei que, se fôssemos processados pelo delito, estávamos num dos piores lugares. Creio que o episódio foi minimizado porque aquele foi o nosso “Dia da Pendura”.






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🔴 No dia seguinte...




Amanheceu chovendo muito! Mas ainda não caiu nem acém do céu. Prometeram um Brasil pacificado, despolarizado e democrático. Não é isso que estou vendo e, pelo jeito, isso não vai acontecer.




Apesar de tudo, deram um jeitinho brasileiro nas eleições. Bolsonaro recebeu discursos cheios de rancor, ameaças de morte e xingamentos (inclusive charlatão e canibal!). Com o esgotamento do dicionário de impropérios, restará chamá-lo de feio, bobo e cara de melão. Tudo e todos contra, por quê? Como o Lula venceu, nós veremos quem se beneficiou e quem ficará com o ônus; afinal, não é todo mundo que pode se refugiar em Paris. 




Mesmo assim, é assustador que o discurso anacrônico de “pai dos pobres” ainda “encante serpentes”. As promessas vazias de “ser feliz” e “chuva de picanha” soem como música, em vez de “teto de gastos”, “Independência do Banco Central”ou “responsabilidade fiscal”. O PT (Partido dos Trabalhadores), inteligentemente, relegou estes “palavrões” a coisa de “neoliberal”.




Mas quem votou num ladrão “chavequeiro” deliberadamente, sendo bem esclarecido, perdeu a vergonha. Essa queda pelo discurso fácil equivale a vender a alma pro coisa-ruim. Isso porque tem uma turminha que faz o “L” pra pagar pedágio para a “intelligentsia” ou por interesses muito particulares. Reitero: para muita gente, é mais importante o motoboy trazer uma pizza na porta de casa, do que a transposição do Rio São Francisco.




A grande dúvida é: será que o Lula vai parar de ameaçar o País? O velho caudilho sul-americano poderá, um dia, se aposentar como um exótico mandatário terceiro-mundista subserviente às agendas do Hemisfério Norte e dono de ideias ultrapassadas?




Olhando pra frente, ficou contente quem sabe a importância dos números, da obra embaixo da terra, do saneamento básico, ou seja, do que traz maiores resultados a longo prazo. Mirando o retrovisor, ficou triste quem esperava chuva de picanha, democracia, pacificação e felicidade. Eu sei, essas promessas abstratas e irreais foram tentadoras e renderam muitos votos. Como diria Dilma: quem perdeu, ganhou.




Em São Paulo, o Tarcísio Gomes de Freitas “pavimentou” os adversários. Estes vieram com um papinho xenofóbico de exigir, em vez de competência, certidão de nascimento. Num paroxismo da apelação, o estado foi “defendido” como uma jurisdição do Velho Oeste, com falas preconceituosas. Exemplos: “Aqui não” e “Forasteiro”.




Essas eleições não acabaram. Tradicionalmente, vem aí o “terceiro turno”, e a polarização veio para ficar. Teremos uma divisão muito parecida com a divisão dos EUA, e o PSDB pode reencontrar-se nessa dicotomia. Lula não poderá embolsar R$ 1.00, sob pena de lembrarem sua vida pregressa.




Feliz Dia das Bruxas.
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🔴 Brasil para Lula




O MPE (Ministério Público Eleitoral) de Goiás pediu investigação de adega que “cometia” a promoção de vinhos a R$ 22. A caneta da lei agiu para não impedir a propaganda irregular de Bolsonaro. A ironia me obriga a inferir que a garrafa não estava em oferta adequada; o ideal, para a Justiça seria comercializar a bebida por R$ 13.




“Ridendo castigat mores” (rindo se corrigem os costumes). De tão ridícula e absurda, a medida encorajou uma chuva de “promoções” provocativas. Exemplo: automóvel a R$ 222.222,22.  Até 2:22 da tarde. Tem, também, o fusquinha de velho que ficou nacionalmente conhecido. Por que? Porque foi envelopado com a propaganda de Bolsonaro.




A sensação se confirmou: todos que se opuseram ao Capitão, fizeram uma propaganda involuntária. Toda vez que impetravam um pedido insano e determinavam uma arbitrariedade, eu imaginava uma transferência de votos em massa.




Se não for para evitar a lembrança do número do candidato, eu não consigo imaginar alguém decidindo a escolha do voto por um algarismo recorrente. Isso me parece mais aleatório que apostar no Jogo do Bicho. Essa escolha também remete àquela lenda do eleitor que definia o voto, de última hora, baseado num “santinho” (panfleto).




O ”Streisand Effect” funcionou e eu fiquei ciente de uma adega do Centro-Oeste. O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), na tentativa de demonstrar força, esqueceu-se de organizar o básico. Conclusão: enfrentamos um primeiro turno cheio de filas, como há muito tempo não se via. E os observadores internacionais tendo que fazer cara de que gostaram do que viram.




Estigmatização de palavras e censuras de pensamentos divergentes. E tem parte significativa da imprensa e dos que se alimentam do lema “censura nunca mais” concordando com isso. Dizer-se contra a censura daqui a 50 anos, não cola mais.










Parafraseando um pensamento atribuído a Bertolt Brecht




Um dia desmonetizaram

influenciadores conservadores

Como não era comigo, eu nem liguei




Outro dia prenderam políticos

Como nunca votei neles,

pouco me importei




Antes das eleições,

proibiram imagens positivas 

de um candidato 

Como era meu adversário,

até achei legal




Num golpe fatal,

censuraram algumas publicações 

Diferentemente do meu discurso, concordei




Certo dia, me interrogaram, torturaram e prenderam.

Ninguém veio me ajudar, não sobrou ninguém.

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🔴 A bruxa está solta




Vendo a realidade (quem quer ver) é óbvio qual é o candidato que ganha a eleição para a Presidência da República. Entretanto, como existe muita força contrária, lamento, mas é muito difícil. Forças terríveis estão à solta.




Consórcio de jornalistas, políticos e instituições com abstinência de cargos e verbas.  Incrivelmente, populares estão torcendo pelo “establishment” que sempre quis o brasileiro alienado com os mantras paralisantes: Brasil, o país do futuro e Brasil, o país do futebol.




Desmonetização, pesquisas “errando” intenções de votos, censura prévia, muitas inserções políticas boicotadas nas rádios do Norte e Nordeste, números artificialmente inflados no podcast Flow (fraude reconhecida pelo dono do Flow) etc.




A palavra “higidez” foi repetida, pelos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), quase como um mantra. A insistência em defender o processo eleitoral, apesar dos acontecimentos, já despertou a desconfiança. Foram muitas movimentações escusas e obscuras. Tudo isso corrobora com a máxima dita por José Dirceu, e repetida pelo outro ministro do STF, Luíz Roberto Barroso: eleição não se ganha, toma-se.




Estão forçando a barra para favorecer um lado, claramente o PT (Partido dos Trabalhadores). Essas eleições vão elencar episódios lamentáveis como o voto censitário e o voto de cabresto. Certamente, Alexandre de Moraes é um incompetente presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que fez da democracia uma lambança.




O “Streisand Effect” (quando algo que foi ocultado, removido, proibido ou censurado, viraliza, porque atiça a curiosidade) funciona que é uma beleza! Tudo que foi ocultado, proibido e censurado gerou curiosidade e propaganda involuntária gratuita. O efeito da tentativa de esconder fatos e materiais, disseminou e tornou conhecido o que jamais seria tão replicado.




A Jovem Pan está proibida de dizer Lula ladrão, corrupto, ex-presidiário, descondenado e chefe de organização criminosa. Ops! O TSE afirmou que não censurou a Jovem Pan. Então, o Jornalista Augusto Nunes falou as palavras mágicas e foi retirado do ar no dia seguinte (censurado). Simples assim.




A lagosta do cardápio supremo deve ter liberado um ser vivo (alienígena) que assumiu a autonomia do cérebro do ministro, por isso, sem freio moral, Alexandre de Moraes toma atitudes arbitrárias. Ele só acelera, sem envergar o precipício.
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