rafaeldasilva

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🔵 O doutrinador

O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.




Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola.  Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).




No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.




A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”. 




Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que  ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.




Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
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Poemas

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🔵 O juízo final







Secretaria da faculdade de Direito, o atendimento estava tranquilo. Entrou na Secretaria o Sálvio Spínola Fagundes Filho. Sálvio era árbitro de futebol. O senhor que trabalhava comigo conhecia o juiz, o primeiro assunto foi o próximo jogo do time dele. É claro que ele aproveitou a oportunidade para pedir pra ele “roubar” para o seu time. Não deu tempo nem pra me aproximar da conversa e tentar “ajudar” o meu Corinthians, o árbitro se dirigiu para mim, sério, e solicitou um documento à Secretaria com uma urgência exclusiva. Burocraticamente e impessoalmente, eu passei o prazo comum a qualquer aluno. Sálvio Spínola não ficou satisfeito e quis falar com o diretor.




Eu subi até a “Sala da Justiça” para falar com o diretor do curso de Direito. Ele desceu rapidamente e foi, solicito, atendê-lo. Com afã e rapidez dispôs os melhores serviços da faculdade. Foi meio embaraçoso testemunhar aquele marmanjo muito prestativo, célere e estabanado, escorando e tropeçando nos móveis, expedito, prestimoso, e atencioso com o dileto aluno. Feito o exclusivo e inédito atendimento, ofertados prazos — até então inexequíveis — o, anteriormente respeitável, diretor voltou às suas tarefas meio sem jeito, embora aparentemente satisfeito de ter proporcionado um privilégio à subcelebridade. Então tá!




             ***

Corinthians contra o Bragantino no estádio do Pacaembu. O árbitro era Sálvio Spínola Fagundes Filho. Ele, novamente, se encontrava em situação vantajosa. Embora o placar da partida dependesse da honestidade do seu trabalho, não ter que enfrentar o diretor bajulador já era algo para mim.




Desde a entrada em campo (antes do jogo) e durante a disputa, Sálvio Spínola, o árbitro, foi hostilizado. O auge das ofensas foi quando o Pacaembu inteiro “homenageou” sua mãe. Normal, é um jogo de futebol no estádio. Eu já havia esquecido do episódio, mas esse jogo ganhou um aspecto mais pessoal. Ouvindo mais de 30 mil vozes gritando aquilo, e sabendo que o juiz de futebol estava acostumado a ignorar aqueles impropérios nos ouvidos, ri sozinho.
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🔴 Não denigram o jornalismo

Estamos assistindo cenas explícitas de “lacração” na televisão. Não detectei se apenas para sinalizar virtude ou também para bajular o patrão, mas vemos jornalistas corrigindo outros jornalistas no ar sobre quais palavras convêm usar. No afã de demonstrar que seguem o “politicamente correto”, erram.




O canal de televisão de notícias CNN exibiu um episódio constrangedor de “aula” ao vivo. Apesar de politicamente incorreto, contou com a aquiescência bovina do comentarista Alexandre Borges. Este, foi “corrigido” ao vivo pelo apresentador Evandro Cini.




A palavra em questão era “denegrir”, que foi “cancelada” porque seria racista. “Denegrir” está sendo falsamente acusada de racista com uma etimologia feita “nas coxas” (uma expressão falsamente chamada de racista). A inocente palavrinha deriva do latim “debigrare” e não refere a cor de pele. 




Apesar de exercer uma “fake news” digna do ‘Twitter”, a CNN jamais será investigada no “Inquérito das Fake News”. A TV americana tem licença para mentir, assim como as brasileiras. Mas quando o jornalista não trabalha num veículo de grife é facilmente apelidado de blogueiro ou youtuber.  Apesar de ainda não serem fontes inteiramente confiáveis, cada vez mais nos blogs e, sobretudo, no YouTube que se encontrarrá o “antes e depois” conflitantes dos políticos.




Alexandre Borges aceitou a corrigenda do colega de CNN porque também reza a cartilha do politicamente correto e teme ser perseguido e cancelado por sua turminha  vigilante e  perseguidora. O jornalista, preocupado em pagar o caro pedágio ideológico, abaixou a cabeça, fechou os olhos e, tacitamente, pediu desculpas a uma turba enfurecida. Segundo Jordan Peterson, isso não se faz.




A CNN está prestes a demitir jornalistas porque passa por uma crise. Certamente,  Evandro Cini acenou para sua patota ideológica e fortaleceu sua candidatura a funcionário do mês, em detrimento do colega comentarista. Prevendo a “foice” da demissão, fez o seu ”comercial” em cima do subserviente comentarista, porém, na ansiedade, errou. Assim, a crise é, também, de credibilidade.
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🔵 Rock in rio




Rumo a São Paulo para o show dos Rolling Stones, no Pacaembu, e voltar, depois de uma hora e meia de viagem, para pegar os ingressos esquecidos instigou, dando a impressão que eu também esquecera algo. Mas eu não iria, já estava resignado.




Em Guarulhos, instigado pela expectativa da apresentação da banda e exibição dos respectivos bilhetes, não pensei duas vezes quando surgiu uma entrada para ver o show. O ingresso parecia dizer: me possua. Como não vivi os loucos anos sessenta, o cartão falando só poderia ser ilusão de óptica. Portanto, mesmo de cara limpa, eu seria seu novo dono. 




Chegando no Pacaembu, não nos espantamos com várias figuras no estilo “Hell’s Angels”, mas, logo vimos, estávamos num concerto de rock para um público mais, digamos, maduro. Como nós, havia um público jovem que parecia ter se perdido dos pais ou se enganado de show. Não teve como vivermos uma tarde sem a sensação de pertencer ao fã clube da Sandy & Junior. Mas isso durou pouco, afinal, minhas credenciais eram Guns ‘n Roses, Nirvana etc.




As apresentações de abertura foram a contento, mas a chuva incessante frustrou a “partida da locomotiva”, se é que vocês me entendem — apesar de não me interessar pelo assunto, eu fiz essa observação. Entretanto, como o prato principal era a música do grupo inglês, nem sequer uma tromba d’água interromperia o sonho. Contudo, depois do espetáculo, à noite, parou de chover, e a cidade ficou iluminada. Para muitos, o momento histórico só ficaria completo iluminado por “leds” alucinógenos. E assim foi feito.




Fui assistir aos Rolling Stones com meus amigos, mas minha irmã ficou incumbida de infiltrar uma bolsa com fundo falso. O estratagema escondeu uma inocente câmera fotográfica antiga. Numa época anterior aos celulares com câmera, tínhamos que pôr em prática um esquema de alta espionagem para registrar uma cena do espetáculo. 




Tudo era antigo: a câmera fotográfica com filme de rolo, o trólebus “soviético” que pegamos na Rua Augusta e a banda, que está até hoje em atividade.







“Os sonhos não envelhecem”

(Milton Nascimento/Lô Borges/Márcio Borges)






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🔴 Para quem odeia quem tem ódio




Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é. É com essa inversão de papéis que, sem se dar conta, aquele que age “dentro das quatro linhas”, pede desculpas a uma turba enfurecida. Nessa polarização política, quem ameaça, simula assassinatos e tenta matar, acusa o lado oposto e pacífico de pregar o “discurso de ódio”. 




Muita gente só passou a conhecê-lo depois da polêmica do “atentado ao presidente”. Para quem não tem talento, é um bom subterfúgio: o choque causado pela obra, substituindo a ausência de dom, é chamada de “genialidade não compreendida”. No entanto, o cineasta Ruy Guerra, com 90 anos, resolveu entrar no jogo dos medíocres e transformar sua obra em panfleto.




O cineasta disse que o vídeo do “atentado” foi tirado de contexto. Dentro do tal contexto deve ser exatamente o que foi interpretado. Mas, exercendo a minha boa vontade, sei, como Ruy Guerra também está careca de saber, que daqui a uma semana ninguém mais lembrara que esse filme existe. Sua sina é ganhar a “Chinchila de Ouro” como escolha do júri, o “Prêmio Arapuã de Cinema”, ser exibido numa mostra de cinema e o filme terminar seus dias esquecido numa cinemateca empoeirada.




A cena que o nonagenário resolveu gravar fará parte de um filme que encerra uma trilogia. Ah, tá... Então é uma cena fora de contexto, dum filme que poucos decoraram o nome, duma trilogia desconhecida... Poucas vezes vi algo tão avulso!




Jornalistas também tentam compensar a falta de talento, ficando conhecidos com uma polêmica besta. Desesperadamente, caçando cliques e repercussão, procurando um reconhecimento, mesmo que pela repulsa, jornalistas, apesar de não ser funkeiros, estão “descendo até o chão”. Esquecendo-se do endereço do lixo, publicam qualquer coisa que julgam ser uma boa ideia.




Hélio Schwartsman, da Folha de S. Paulo, resolveu compartilhar por que desejava matar Jair Bolsonaro; Mariliz Jorge, também da Folha de S. Paulo, gastou seu dicionário de palavrões para demonstrar seu ódio pelo Chefe do Executivo; Marcelo Coelho, claro, Folha de S. Paulo,  vendo que o arsenal contra o presidente não surtia efeito, como covarde que é, resolveu ofender as apoiadoras do Bolsonaro com insinuações libidinosas. Tamanho mau gosto, revela um desespero. Talvez queira seu retrato pendurado na parede da Folha como o “funcionário do mês”. 




Diogo Mainardi, O Antagonista, descobriu um trocadilho bem sacado, porém irreal e impublicável: chamou os caminhoneiros que pararam na Marginal Tietê de marginais; Ricardo Noblat sugeriu que o tiro no pé  será um tiro no peito do presidente da República.




Todos estes jornalistas perderam a noção da profissão e perderam a vergonha de expor o que são, para exercer uma subserviência disfarçada de ideologia. No caso do cineasta soma-se a busca desesperada por um público.




Poderia citar falas de um professor, um sedizente poeta, políticos, excetuando tuiteiros, no entanto não quero me tornar prolixo. Certamente a Psicologia teria muito mais trabalho nessa pequena amostra de ódio explícito.
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🔵 A ilha do medo







O objetivo era fugir do Carnaval. Fantasias, a música e a alegria de plástico poderiam ser trocadas por um retiro à base de cerveja, um feriadão longe da Capital e rock. Providenciamos o local ideal, barraca e partimos em dois casais para a “escondida” Prainha Branca.




De fato, a tal Prainha Branca era afastada. Difícil de chegar. Ônibus, trem, ônibus intermunicipal, balsa e trilha. Havia aquele sacrifício para desbravar uma prainha deserta.  Depois daquela peregrinação, o que encontramos não foi um pedaço de areia inexplorado, ocultado por falésias e a Mata Atlântica. Para nossa surpresa, depois de vencer a Mata Atlântica, chegamos à sucursal da Grande São Paulo ou uma filial da piscina do Sesc Itaquera. Estava muito lotada, e não parava de chegar gente. A conclusão óbvia era que todos tiveram a mesma ideia: turistas querendo distância… de turistas.




A vantagem era que a praia era muito bonita e conseguimos escapar do Carnaval – em algum lugar tocava um disco do Steve Vai, esse som tomava conta de todo aquele trecho de litoral. Achamos um espacinho em frente ao Oceano Atlântico e levantamos acampamento. Se viesse um tsunami, assistiríamos resignados nossa própria morte, sem escapatória. Mas acordar pelo menos uma vez na vida com aquela vista valia o risco. Finalmente, tínhamos nossa “residência” com aquele quintal, em frente ao oceano ao som das ondas e Steve Vai – que tocava em “looping” eterno.




A rotina foi difícil, mas perfeita para quem estava disposto a abdicar dos confortos do planalto: tomar banho com água da montanha e viver a rotina de uma barraca. A adaptação ao novo dia a dia foi rápida. 




Entretanto, logo pela manhã, depois de dormir ao som das ondas e Steve Vai e abrir a barraca pr’aquele visual de pintura, num passeio pela areia, havia um cadáver obstruindo o feriado prolongado. Infelizmente, lembramos de quem, no dia anterior, era apenas um bêbado muito louco com um copo na mão. Ele, talvez, entrou no mar naquele estado, e o mar o devolveu morto.




O acontecimento fatal derrubou nosso astral e estabeleceu como seria o clima.




Aquele final de semana era a configuração ideal para uma sequência trash de Sexta-feira 13. Em vez de uma cabana na floresta, uma barraca numa praia paradisíaca. Como, no final, apenas sobrevive o casal mais comportado, comecei a planejar como escapar dali, antes que começasse o massacre.




Ônibus urbano, metrô, trem, ônibus interestadual, balsa e trilha, na ida, era aventura. Na volta, o mesmo trajeto, apenas invertido, tornou-se interminável. Pelo menos o objetivo inicial foi alcançado: fugir do Carnaval.












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🔵 Fecham-se os portões




O Corinthians estava com seu estádio em Itaquera quase pronto. O próximo jogo seria contra o Flamengo, adversário que nunca pude assistir porque não consegui entrar nesse mesmo estádio. Comprei o ingresso com antecedência, para evitar ficar de fora mais uma vez. O último jogo no Pacaembu, como mandante, antes do estádio próprio, seria contra a equipe carioca.




Durante o caminho e o jogo relembrei cada local, dentro e fora do estádio, onde assisti a vários jogos: arquibancada, numerada, tobogã, geral, alambrado, portões e morro. O morro era um terreno baldio onde se via algo como um sexto do campo. Coisa de corintiano (maloqueiro e sofredor). Além disso, entrei no gramado (em show de rock), conheci o Museu do Futebol e algumas partes internas do complexo esportivo.




Cenas tristes: porradas, bombas, sirenes, brigas de torcidas, tentativas de (e) invasão de campo e o saque do produto de um vendedor de amendoins (“de um lado esse carnaval, do outro a fome total...”).




Lembrei das pessoas que foram àquele campo comigo: pai, irmã, tio, primo, sobrinhos, namorada e amigos. Ali, Ronaldo Fenômeno fez um ‘hat trick’ (3 gols), a Gaviões da Fiel derrubou o portão do alambrado numa derrota, o Corinthians empatou, perdeu e ganhou.




O Pacaembu foi palco do último jogo de muitos jogadores e torcedores, literalmente. Aquele Corinthians 2 X 0 Flamengo foi o meu último jogo. Atualmente, vejo a destruição do Tobogã com a mesma tristeza, e até melancolia, de quem lembrava a antiga Concha Acústica do Pacaembu dos anos 40 como se fosse extirpado um pedaço de sua história. Faz parte.




O final  da partida já havia sido há uns 30 minutos, o Pacaembu já estava fazendo eco e dava pra escutar os últimos jornalistas e funcionários do Estádio. Esperei até quase o fechamento dos portões. Quando vi a Gaviões da Fiel evadindo-se cantando Saudosa Maloca, de Adoniran Barbosa, calculei que era chegado o momento, saltei da cadeira e saí...




“... saudosa maloca, maloca querida

Que din donde nós passemos dias feliz de nossa vida...”

   (Adoniran Barbosa)
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🔵 Should I stay or should I go? (Devo ficar ou devo ir?) Café The Wall - Bixiga


O que esperava de um bar de rock, na Rua 13 de Maio? Uma boa banda de rock e uma noite agradável. No entanto, a atitude rock n’ roll e o comportamento “punk” foram suficientes para destruir o banheiro e alterar a rotina do barzinho.




Tudo normal (considerando-se o estilo da casa), até que uma turminha de, digamos, delinquentes juvenis adentrou o banheiro. Todos muito loucos (como quem nunca se divertiu tanto), ao som de “Should I Stay Or Should I Go” do “The Clash”, os desajustados começaram a destruir o banheiro no ritmo da música. Também com pouca idade, achei conveniente aquela manifestação e corri usar o mictório. Sem conseguir segurar o riso (por causa da atividade inusitada), ouvi a sinfonia da destruição, composta de vários barulhos (inclusive vidros). O furacão foi embora. Um silêncio sepulcral denunciou que coisa boa não viria.




Na saída, notei que o cenário era pior do que eu previa: espelho, “dispensers” de sabonete líquido e papel toalha e demais objetos todos fragmentados. O que sobrou foi: sujeira, destroços e estilhaços de vidro e... claro, apenas eu como o responsável por tudo aquilo. Do lado de fora, os seguranças já me aguardavam. Sem nenhum sinal dos revoltados reais executores da destruição, não encontrei alternativa senão calmamente explicar tudo, justificando que se eu conseguisse fazer aquele estrago sozinho seria melhor chamar um padre exorcista.




A balada parou. Garçons, músicos, clientes e mais seguranças vieram me perguntar o que havia acontecido. Não sei se meu amigo ficou espantado quando descobriu que eu era o epicentro daquele contratempo, mas por outros motivos isso já seria esperado.




A gangue destruidora não teve coragem de fazer a acareação. Fui dispensado e saí da confusão, como quem caminha tranquilamente deixando uma explosão para trás (imagem cinematográfica).




Sem saber, não só pelo ritmo, a trilha sonora era conveniente: “Should I Stay or Should I Go?”.
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🔴 O que é isso, companheiro?







Jean Wyllys promete retornar. Seja lá qual buraco da Europa ele se escondeu, certamente  resolveu externar essa vontade sabendo que isso é uma ameaça. Mais que isso, como a ameaça é mediante a saída do Bolsonaro do Palácio do Planalto, o político filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) imagina que será carregado em ombros amigos, no saguão do aeroporto, na sua imaginária volta à democracia.




O ex-deputado quer repetir a história, e como ela se repete como farsa, ele pode cumprir a promessa, já que a mentira é sua zona de conforto. Sua eleição foi uma mentira, a qual ele logo fez questão de “presentear” um amigo com o cargo.




Jean Wyllys diz que voltará para “reconstruir o Brasil. A questão é: se essa bravata não for sua arrogância habitual, por que ele não reconstrói a si mesmo? Um sujeito que cospe nas pessoas e gostaria de esperar um suposto fim do mundo entretido com sexo promíscuo e drogas não tem nada pra reconstruir.




Logicamente, a única chance de ele voltar ao País para, digamos, reconstruí-lo será com a vitória do Lula. Entretanto, pelo contrário, a ideia do presidenciável petista, que promete, sim, destruir o Brasil e não precisa de ajuda, é colocar o plano em ação junto a quem tenha alguma coragem.




Seja lá onde estiver, Jean Wyllys é muito mais útil longe, pois ficamos afastados das suas ideias ruins, do seu ódio  e de sua raiva, bem como de sua pusilanimidade. E é bom sempre lembrar, como sua arma é o cuspe, sua ausência é uma medida sanitária.




O petista inventou um exílio para chamar de seu. Já que ninguém se incomodou com ele, o jeito foi inventar e “denunciar” uma falsa ou paranoica perseguição. Mais uma vez, o ex-deputado planejou a própria farsa para estrelar. Ele teria medo de estar na pele do Allan dos Santos, este sim, exilado e não pode pisar em solo brasileiro para evitar ser preso.




Jean Wyllys leu algum livro, viu algum filme ou ouviu algumas histórias fascinantes da emocionante década de 60 e resolveu roteirizar sua vida de acordo com um tempo que ele não viveu. O maior empecilho é que ele obriga outras pessoas a entrarem nessa “piração” particular e representarem um papel compulsório.




Esse cara já se fantasiou de Che Guevara. É compreensível, para psicólogos. É melhor não contrariá-lo.
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🔵 Luz, câmera, ação







Parecia que finalmente havia chegado a hora. A equipe de filmagem era obrigada a me focalizar, bem como a iluminação revelar a minha atuação, em rede nacional. Bastava eu ficar atento e, quando anunciasse a matéria, liberasse o “play/rec”. Só isso.




Depois, com a gravação feita, coloquei a fita VHS no videocassete 4 cabeças. A cópia não estava muito boa, mas o registro histórico já valia a pena, ficaria para a posteridade. 




O resultado não foi como esperei. Inicialmente, numa mistura de euforia e expectativa, quis exibir o material, achando que portava uma relíquia sagrada. Segundos depois, decepção, vergonha e constrangimento. Conformado com a ausência de registro, apontei o meu braço que surgiu num canto da tela da televisão. Gesticulando, avisei, chamando a atenção de todos: “Sou eu, sou eu”.




Sim, apareci no extinto noticiário policial do SBT, Aqui Agora. Estilo “espreme que sai sangue”, o programa vespertino policialesco era muito pior que Brasil Urgente e Cidade Alerta. Para imaginar o nível, basta contextualizar que o telejornal, de gosto duvidoso, foi exibido no canal do Silvio Santos no início dos anos 90 — época do “vale tudo” pela audiência, sem o politicamente correto para frear a apelação. O ‘Aqui Agora’, jocosamente apelidado de “Caqui e Amora”, possuía uma fauna bem exótica de apresentadores e, claro, de populares.




A “obra cinematográfica” na qual fui filmado, tratava-se de um assassinato. Correto, uma sangrenta cena de crime. Meu amigo e eu, sabendo da ocorrência, fomos engrossar a massa de curiosos. Foi quando a câmera circulou, que fomos capturados pelas lentes do popularesco ‘Aqui Agora’ e espalhados do “Oiapoque ao Chuí”. Entre policiais, repórteres, a vítima e muito sangue, tive um breve registro entre outros populares.




Estrelar esse jornaleco, como curioso, numa cena de crime, na periferia de Guarulhos, não foi nada edificante. Só mesmo o tempo, um tantinho de maturidade e saber rir dessa situação para tornar esta historia digna de ser contada.
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🔵 Tyson Free







Bairro de Santana, São Paulo, podia ser uma boa. Um barzinho com banda ao vivo: legal. O nome do bar era “Overdrive”; um lugar cuja tradução do nome é “ultrapassagem” não representava nenhuma ameaça. Detalhe importante: o ‘Overdrive’ era um reduto “punk”; passado o impacto inicial, todos conseguiram disfarçar o medo, prevalecendo a postura de quem não temia tribo urbana alguma que já pisou as ruas de São Paulo. 




A bordo de um ônibus velho rumo a Santana, não havia motivo nem alguém admitiria a desistência. Chegando lá, pegamos algumas cervejas e fomos ao fundo do bar, onde uma banda destruía os tímpanos que insistiam em permanecer intactos. Mas éramos jovens e roqueiros, portanto ninguém teve a personalidade para reconhecer que aquele barulho era horrível. Então seguimos dentro da, digamos, casa... Através do corredor, examinando todo o trajeto, apenas piorou minha impressão. Espelunca foi a palavra perfeita que encontrei para descrever o local. A descrição inicial seria suficiente para manter-me longe dali, entretanto já era tarde demais, por isso sabia que a noite seria longa.




No fundo da espelunca, onde a banda “punk” ofendia o bom gosto, um sujeito repelia à base de socos e pontapés, todos que ousavam se aproximar arriscando “dançar” da mesma maneira. Observei a figura, assustado com a cena, do coturno ao boné: como disse, coturnos militares, calça camuflada e uma camiseta com a estampa do lutador Mike Tyson atrás das grades, com a “singela” frase: Tyson Free. O conjunto todo foi cuidadosamente composto para dissuadir qualquer um de nós a tentar uma proximidade num raio de 1 metro. Vendo aquele “punk”, entendi o que é enfrentar o vilão “master” na fase final do videogame. O “Tyson Free” levava a “dança” “punk” a sério, de maneira que entrar na pista e desafiá-lo era como subir num ringue. O resultado eram moleques sendo expulsos com socos e chutes, apesar da coragem.




No dia seguinte, passados o efeito do álcool e a adrenalina da música, as dores disseminadas pelo corpo trouxeram o arrependimento de ter ousado entrar, muito menos “dançar”, num local onde existia um “punk” gigante, de coturno, calça do exército camuflada e uma camiseta exigindo “Tyson Free”.
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