rafaeldasilva

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🔵 O doutrinador

O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.




Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola.  Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).




No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.




A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”. 




Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que  ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.




Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
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Poemas

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🔴 História da histeria




Em 1938, Orson Welles narrou uma invasão de marcianos. Uma histeria coletiva deixou a população insana, e o pânico se instalou. Como uma “Pegadinha do Mallandro”, era tudo brincadeira. Porém, como experimento social foi proveitoso. Essa “experiência” mostrou como é fácil manipular a opinião pública.




E a polêmica “Alexandre de Moraes X Elon Musk” deixou a torcida do Alexandre nervosa. Jornalistas, influenciadores e interessados em geral “passaram recibo”, ou seja, expuseram um desespero que inspirou diversos memes (nacionais e internacionais). A histeria chegou ao paroxismo quando “descobriram” e avisaram que era falsa a seguinte postagem: Moraes dá 24horas para Elon Musk entregar o passaporte e a chave do foguete SpaceX na Polícia Federal e proíbe o bilionário de deixar o planeta. É, lógico, uma piada!




Entretanto, como Orson Welles, a jornalista Daniela Lima, da GloboNews, tentou transformar uma teoria conspiratória em histeria coletiva. Texto: “O Elon Musk está espalhando uma estratégia de articulação internacional de radicais de direita”. Pois bem, como há muito tempo a moça já zerou o estoque de credibilidade, eu apenas ri. É uma pena, porque a jornalista se esforçou em empregar um tom de urgência, embora o resultado foi o desespero de emplacar uma fantasiosa teoria da conspiração.




Da série “Como eu não pensei nisso antes!”, alguém encontrou a solução: o PT banir o ‘X’ (Twitter) e lançar o ‘L’ como rede social equivalente. Isso é tão genial quanto a ideia do ministro do Trabalho: o Uber ser substituído pelos Correios. Entre aviões e helicópteros, isso parece tão simples como inventar o carro.




Num surto de megalomania de periferia, como quem pergunta “Quem é esse Elon na fila do pão!”, começaram a se referir ao bilionário Elon Musk como... bilionário. Sim, disseram que seu objetivo é ganhar dinheiro! Igual os jornalistas que o criticam. Desqualificar um bilionário é um péssimo negócio para quem tem um George Soros para chamar de seu.










🔹 Princípios são mais importante do que o lucro 

(Elon Musk)






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🔴 Cenas do próximo capítulo




Várias novelas receberam títulos com a palavra “Brasil” (e suas variações) como metáfora para o roteiro do País. Não é à toa, diariamente, diretamente na política, bem como na periferia do poder, o desenvolvimento (no sentido de dramaturgia) segue uma realidade fantástica, como se fosse escrito por Dias Gomes.




A série “House of Cards” já mereceu comparações com os acontecimentos de Brasília. No entanto, como é absurdo, o que ocorre na capital federal desafia a criatividade dos roteiristas cinematográficos.




Parecia que apenas eu não assistia ao último episódio de ‘Avenida Brasil’. Entretanto, basta acompanhar algum noticiário para saber como desenrolam tramas, traições, brigas, poder, fama, cargos, finanças etc.




A minha desprezível curiosidade de me manter “informado” das intrigas, melindres e dramas pessoais, também é saciada nos blocos políticos dos telejornais. Parte do jornalismo se presta a ser uma espécie de “TV Fama”, considerando as trivialidades que refletem nas decisões do Executivo, Legislativo e Judiciário. 




Nos livros de História, os grandes acontecimentos são retratados com cenas épicas e espadas apontando para o céu. Mas, na prática, as principais decisões são tomadas baseadas em fatos corriqueiros de cama, mesa e banho.




Contrariando as páginas dos livros didáticos, um amor serviu como fator que culminou na Proclamação da República; isso me leva a desconfiar que o “impeachment” do Collor, que ganhou impulso com a delação do seu irmão, daqui a uns 100 anos, será abordado como algo heroico e disruptivo como a Queda da Bastilha.




O noticiário atual está num capítulo que joga em “praça pública” uma briga de casal. Mas fazer o quê, se a picuinha está escondida entre as cotações da bolsa de valores e o PL (Projeto de Lei) na Câmara. Resultado, sem acompanhar programas de fofoca, eu fico inteirado de assuntos domésticos e da delegacia da mulher.




Os assuntos políticos têm começo, têm meio, mas não têm fim.
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🔵 Guerra dos sexos




Apesar de soar estranho, ir a um boliche foi aceito, Para dois casais, era difícil argumentar que, em São Paulo, faltou opção melhor; porém, o esporte/entretenimento, mesmo não sendo convencional era uma mania que seria praticado com chope e fritas e era diversão garantida. E o melhor: atento às armadilhas, eu poderia trafegar na minha zona de conforto.




Aquela derrota na sinuca, eu estava certo disso, foi um acidente, portanto, tinha muita certeza, não a levaria à pista de boliche sem a absoluta segurança da vitória. Mesmo no Shopping Center Norte, a experiência adquirida na avenida Guilherme Cotching era suficiente para escapar das “armadilhas” mesmo lutando contra os efeitos etílicos.




O esporte obscuro era uma oportunidade de eu demonstrar alguma superioridade, fingindo dominar o jogo. Mas eu não sabia que o chope iria me prejudicar. Confesso que cada “strike” realizado pela minha namorada doía no coração. Meu amigo logo viu que aquele teatro farsesco naufragaria, então não participou da “confraria masculina”.




O final da noite foi bem diferente do que eu pude imaginar. Melancólico, não sei se foi meu orgulho masculino ferido ou machismo na mais selvagem manifestação, mas levar uma surra no boliche se revelou uma péssima experiência corriqueira, porque essa desmoralização já me ocorreu no jogo de bilhar. A cada pino que ela derrubava, diminuía minha autoestima; quando o mecanismo recolha os restos dos “strikes”, o restante da minha confiança escorria pelo ralo.




A humilhação só não foi completa porque as mulheres fazem questão de demonstrar sua superioridade com uma modalidade de dó. Lógico que isso é muito pior e parece proposital, porque te deixa lá embaixo. 




O requinte de crueldade doeu na alma, mas, admito, se eu fosse o ganhador, jamais faria o mesmo. Se tivesse sido o grande vencedor da noite, provavelmente eu passaria o restante da vida lembrando dos “strikes”. Porém, como nada saiu conforme o esperado, o evento contou com todo o meu empenho para cair no esquecimento. 




Mesmo com minha tentativa vil de alterar este acontecimento histórico, nada se compara ao silêncio ensurdecedor e aquele sorrisinho lembrando do triunfo esportivo da minha namorada. Aquela forma de desprezo tirou toda a minha moral.




Cansado de levar uma surra feminina e a ponto de ter que ouvir um discurso feminista (que hoje seria chamado de empoderamento), eu poderia fingir que facilitei a disputa. Entretanto, era tarde demais, portanto, tive que suportar aquele vexame.
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🔴 Prenda-nos se for capaz




Querubim e Serafim, digo, Tatu são nomes que remetem a uma certa ternura. Porém, diferentemente, são os apelidos de dois integrantes de facções criminosas que fugiram de um presídio de segurança máxima.




Sim, o governo federal criou a fuga de presídio de segurança máxima! Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça e Segurança Pública, justificou a falha, dizendo: relaxamento por conta do Carnaval. Só faltava ele dizer, malandramente: Sabe cumé quié, ziriguidum, telecoteco, balacobaco, prucurundum...




Humilhação ou facilitação, tirem suas conclusões. Dando asas à imaginação, a façanha foi cinematográfica como as peripécias de Indiana Jones. Os facínoras (Querubim e Tatu) tiveram sua aventura facilitada com câmeras desligadas, vigias curtindo um carnavalzinho e ferramentas à disposição. Sim, os fugitivos encontraram a facilidade de quem vai passando de fases num joguinho de videogame.




Lewandowski, investido de poderes de “Loucademia de Polícia”, considerou a operação de recaptura fracassada um êxito — o oxímoro que incluiu fracasso e êxito na mesma frase causa uma estranha falta de coerência que prova que não há propaganda ou embalagem que salve um péssimo produto.




Os bandidos, com nome de nova dupla sertaneja sensação do Brasil, inauguraram a novíssima gestão do ministério com uma sincronia cirúrgica, o que mostra com quem foi parar a responsabilidade da Segurança.




Nossa Justiça solta a bandidagem e devolve produtos de roubo. Ou seja, julga criminosos com “prerrogativas laxativas”, trata senhorinhas com uma espada vingativa (utilizada como arma sangrenta) e analisa as partes com uma balança viciada. Aquele símbolo da Justiça cega passa a ter o sentido de deficiência visual.







PS: Minha limitação criativa não permite que eu desperdice um terrível trocadilhado que me ocorreu. Então vai: Tatu, onde tu tá?
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🔴 O Forrest Gump brasileiro




O instinto de sobrevivência e a modéstia me mantiveram escondido esses anos todos, entretanto, sinto que chegou o momento de compartilhar minha acidental existência. Fui o personagem de alguns retratos que eternizaram momentos cruciais, seja para o Brasil, seja para o mundo. Muito embora, frutos do acaso.




No Brasil, falei que lutei pela democracia, correndo da Polícia e do Exército, enfrentando cavalos. No entanto,, levei a pior, escorregando em bolinhas-de-gude. Os policiais correram para me ajudar. Contudo, o disparo fotográfico me foi generoso, portanto, mantenho a narrativa que lutei contra a Ditadura.

  

Perseguindo, com tenacidade, o objetivo democrático, fui surpreendido por um clique dedo-duro. Desta vez, pixando um muro. Eu estava escrevendo “Abaixo a ditadura do proletariado”, mas fui interrompido. A frase, que inclusive virou enredo de escola de samba, saiu na emergência da atitude. A fotografia ficou histórica, mas meus pais nunca gostaram dela.




A Copa do Mundo de 82 me proporcionou uma tristeza incompatível com o choro, mas irresistível para um clique: acabou o amendoim! Apesar do motivo trivial, achei que era válido manter aquela narrativa da imagem da “Tragédia do Sarriá”.




Minha avó sempre achou que eu estava pendurando um quadro num muro, mas eu juro que ajudei a derrubar o Muro de Berlim. Dizem que há um conflito entre cultuar Che Guevara, Fidel Castro, Lênin, Stalin e ajudar a derrubar esse símbolo do Socialismo. Eu refuto, pois era um evento histórico e havia câmeras do mundo inteiro. Como no ‘Rock in Rio’, eu tinha que estar lá. Eu fui!




Na Praça da Paz Celestial, estive no lugar errado, na hora errada. O nome bonito e uma certa agitação que havia nesta praça me atraíram para lá, de modo que resolvi alterar o meu retorno do supermercado. Contudo, obstruindo o meu novo caminho havia blindados. Inocentemente, não desviei e, para minha surpresa, os veículos recuaram. O mundo inteiro achou que foi coragem minha, mas foi pura inocência e falta de noção do perigo.




Mesmo tendo escondido por tanto tempo, resolvi compartilhar as fotografias famosas e me revelar como o protagonista destas cenas. Uma mentira rejuvenescedora.







PS: A efeméride do início de abril me abriu a “licença poética” para a incoerência etária e a megalomania.







Texto com imagens no blog:

Gazeta Explosiva
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🔴 “A Amazônia é o jardim do quintal”




Lula acumula números negativos; Macron enfrenta uma Revolução Francesa por semana. Lula, como solução, selecionou uma verba espetacular para uma propaganda bem petista. Macron municiou-se de repelente e veio até a “Terra da Dengue”, nos “Jardins Suspensos da Amazônia” passar uns dias de “Lua de Mel” com o barbudo. Um punhado de índios da ONU, e defensores das minorias lulistas enfeitavam a reunião.




Vendo-se impossibilitado de controlar os agricultores franceses, Emmanuel Macron pisou nesta terra “abençoada por Deus e bonita por natureza”. O Francês saiu à francesa e trouxe debaixo do braço propostas draconianas. Lula, como de costume, logicamente, obedecerá. 




Nesses momentos, eu realmente gostaria que o “presidengue” usasse todo o seu maquiavelismo. Mas não, ele infelizmente faz tudo o que o francês quer. Ruim para os brasileiros, bom para os franceses. Atingindo plenamente seus objetivos, o europeu até aceitou com alegria o cenário de povos originários e uma encantadora, pirilampa, serelepe, lépida e fagueira e de mãozinhas dadas, fuga pela mata.




A imprensa lulista, claro, não toca no assunto “derretimento do governo petista” e, para edulcorar o presidente, exalta a desconstrução do machismo. O casal Lula & Macron seguiu apreciando juntinho as maravilhas da floresta tropical úmida.




Tudo, claro, é só uma brincadeira, uma fonte de memes, um momento de descontração. Inclusive a maneira debochada como escrevo é tudo isto, um jeito leve e jocoso de abordar o assunto. Pretensiosamente, eu gostaria que o próprio ex-presidiário risse disto.




Lula pretende ser visto como um tipo de “Mandela brasileiro” e ainda tem a esperança de receber o ‘Nobel da Paz”. Isso não é difícil, gente como ele, o cacique Raoní e a ministra Marina Silva vem equipada com um exotismo terceiro-mundista somente encontrado em repúblicas bananeiras da África e da América do Sul. Justamente por isso, assistimos, incrédulos, ao fetiche que mandatários, jornalistas e artistas europeus têm por ditadores desses países.
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🔴 Quem procura, acha




Natuza Nery e Janja percorreram alguns cômodos do Palácio da Alvorada. Numa estética que remetia imediatamente à revista Caras ou a um programa que visita as casas dos ricos e famosos, ambas examinaram as avarias no imóvel e o sumiço dos móveis supostamente usados pela família presidencial anterior.




A repórter da GloboNews abandonou as técnicas jornalísticas e bancou uma bajuladora colunista social. Demonstrando indignação, a repórter seguiu o roteiro de Janja. A moça tem método, não à toa ela é esposa do Lula e petista.




Michelle Bolsonaro avisou onde a mobília deveria estar. Mas os comparsas já haviam tramado tudo, e a nova mobília teria que ser comprada sem licitação. Não um estofado em 12X na Marabraz; não um lindo guarda-roupa de 8 portas no crediário das Casas Bahia; não um conjunto de mesa e 4 cadeiras no cartão Gazin, mas móveis finos com caríssimas e renomadas assinaturas.




Ao ver a descrição de uma poltrona eletrônica, parecia a exibição das vantagens de se adquirir por telefone uma daquelas traquitanas da televisão. Bugigangas típicas de novo rico — ou quem tá com um dinheirinho sobrando — com “dor nas junta”, esses produtos, paradoxalmente, são de uma praticidade complicada. 




Pois os móveis foram encontrados. Lógico, depois da compra emergencial, portanto, sem licitação. Natuza, em vez de demonstrar a indignação própria de quem foi enganada, acusou o golpe,  exibindo a vergonha de quem sabia que estava construindo uma farsa.




A falcatrua de cama, mesa e banho custou muito dinheiro público. Sabendo do nefasto gatilho emocional que qualquer referência aos bolsonaros aciona no casal perturbado psicologicamente, uma cômoda causaria incômodo.




Antigamente, o ilusionista David Copperfield ficou famoso por fazer sumir grandes objetos (por exemplo, um avião), mas a dupla Lula & Janja superou a façanha ao proporcionar o sumiço de 261 móveis.




É óbvio que nunca encontraram, porque não procuraram. “A casa caiu!”






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🔵 Telespectador na linha



Tinha a impressão que apenas eu estava assistindo àquele programa do canal guarulhense. A atração realmente era muito fraquinha: as apresentadoras eram esforçadas; o cenário, amador; os convidados, risíveis; e as atrações musicais, constrangedoras.




Apesar de ser um picareta histórico, o convidado falava sobre um tema pertinente aos guarulhenses, como eu. Depois de uma longa deliberação individual, resolvi ligar e fazer a minha pergunta.




Como foi a primeira vez que interagi com um programa ao vivo, achei aquilo curioso e divertido. Fiz uma pergunta besta qualquer e, talvez demonstrando não ir com a cara do entrevistado, debati ao telefone. Depois de terminado o “combate”, elogiei as apresentadoras e terminei a desastrosa participação.




Ainda foi “cometida” uma atração musical de gosto duvidoso. Parece que tentando garantir aquele recorde de público, as apresentadoras prometeram que no final do show haveria o sorteio do novo CD do grupo. Após um solilóquio interno, aceitei suportar o odioso conjunto de sambinha paulista.




A minha solitária audiência ao show da televisão local foi contemplada com o disquinho do grupo desconhecido de pagode dos anos 90. Eu não gostava de pagode, mas como tratava-se de um prêmio, decidi retirá-lo.




Era uma sexta-feira, estava indo a pé até a rádio. Eu fazia questão de aquela prenda não me obrigar a desembolsar nem sequer o dinheiro do ônibus. Enquanto eu andava, fui refletindo se valia andar tanto e ainda ouvir o “troféu” que eu fazia questão de receber.




No fim, ponderei as vantagens e desvantagens de reclamar o prêmio do certame. Então concluí que não compensava conspurcar minha coleção fonográfica, arriscando meu gosto musical. Ignorei o meu brinde, dando meia-volta.




Hoje penso, seria excêntrico ter um “compact disc” de um grupo obscuro de pagode com um nome ridículo tipo “Esperanssamba” ou “Corassamba” e rimando “amor com dor” ou “razão com paixão”. Seria, pelo menos, uma boa lembrança de quando eu justifiquei a existência daquele programinha, quase artesanal, do canal UHF que encontrei entre a Globo e a MTV.
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🔴 Eles estão entre nós

Outro dia, vi algumas entrevistas. De modo “artesanal”, a repórter conservadora saiu em campo, com a liberdade e isenção típicas de quem não carrega uma pauta amarrada a verbas públicas e patrocínios estatais.




Pois bem, a entrevistadora caçou algumas pessoas num local estratégico: debaixo do MASP (avenida Paulista). Os jovens faziam parte, claramente, da “linha de produção” da doutrinação escolar. Dentre os transeuntes interpelados, uma garota me chamou a atenção. Visivelmente uma garota “do bem”, portanto, num processo ainda em andamento de lavagem cerebral; ela, a cada resposta, demonstrava uma ansiedade típica de quem tenta lembrar a resposta decorada para a prova de Geografia.




Olhando para o alto e agitado as mãos, ela expunha suas diretrizes sobre drogas, violência e aborto. Seu discurso era eivado de lugares-comuns, donde se conclui que ela era cheia de opinião que não era dela. 




Por ser uma menina legal, tomara que ela só esteja exercitando para responder o que os professores desejam, ou seja, trata-se de uma alma que ainda pode ser salva do pensamento sectário.




Quando perguntados sobre a liberação das drogas, os entrevistados sacavam o tal “racismo estrutural”. Tentando afastar algum rastro de racismo, portanto, sinalizando uma virtude, esses neófitos no debate sociológico, agindo como robozinhos teleguiados, agem com um racismo assombroso, próprio de quem acha que conhece o mundo através das lentes do ‘Globo Repórter’. Associar qualquer etnia ao consumo de drogas é racismo na veia. Repetidores de discursos pré-fabricados, eles não percebem isso.




A nova geração afastou aquela pecha de que o conservador/direitista era seu avô pregando “como eram bons aqueles anos de governo militar”. Nikolas Ferreira, que provou sua popularidade no meio estudantil, está mostrando que essa ideologia é adotada por um moleque (no bom sentido) que traz uma leveza e liberdade de quem pensa por si. E não é escravo de um mentor ideológico e que tem que dizer amém ao “grande líder”.




Precisava nascer uma geração pós briga de ditaduras. Eles estão aí.



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🔵 Só se vive uma vez




Num bar na Vila Madalena, fomos “intimados” a ir numa festa itinerante dos anos 80 no Centro de São Paulo. Por que não? Estávamos no século XXI e eu sabia da “furada” que eram essas tentativas frustradas de reproduzir ou reviver décadas passadas. Geralmente é uma galerinha que não tem a mínima ideia do que foi aquele período. 




De 20 em 20 anos rola uma nostalgia de tempos não vividos ou, pior, uma caricaturização na tentativa de reproduzir, portanto, simplificar, uma época. Esse fenômeno aconteceu muito com os 50’s, 60’s e 70’s. O resultado sempre foi, lógico: um punhado de rockers com gel no cabelo, hippies de butique (criados na 25 de Março) e clubbers de brechó.




Fomos conferir aquela “modinha retrô”. Conclusão, a “festa estranha com gente esquisita” parecia o que eu temia: uma festinha de criança, com adultos extremamente infantilizados, Festa animada com músicas do ‘Balão Mágico’, ‘Trem da Alegria’, ‘Xuxa’, ‘Mara Maravilha’, ‘Sérgio Mallandro’ e grande elenco.




Com a impossibilidade de reproduzir o “zeitgeist” (espírito do tempo) dos 80’s, tudo lembrava uma festa a fantasia. Pensando que iria relembrar ‘Capital Inicial’, ‘RPM’, ‘Ultraje a Rigor’, ‘IRA!’, ‘Barão Vermelho’, ‘Legião Urbana’ etc, fui levado a uma armadilha onde meus ouvidos foram torturados por ‘Sidney Magal’, ‘Menudo’ e o fino do brega. 




Os anos 80 foram resumidos a tudo o que evitávamos e desprezávamos, ou seja, músicas ruins, roupas espalhafatosas, cores chamativas e acessórios duvidosos como a pochete, enfim, um recorte caricatural.




Suprindo esse vazio existencial e acomodando marmanjos nesse edredom emocional, talvez, precisando quitar boletos atrasados, alguns ex-integrantes do grupinho ‘Balão Mágico’ arrecadaram alguns reais saudosistas; e a duplinha Sandy & Junior, mesmo sem precisar, supriu a nostalgia noventista. Aliás, falando em anos 90, seria patético voltar a vestir camisa de flanela (“grunge”) no nosso clima tropical.




Pior do que terminar a noite chorando no meio-fio ou no canto do banheiro, em posição fetal, é lamentar: eu era feliz e não sabia...
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