Lista de Poemas

🔴 Dia Internacional das...




Concordo quando dizem: Lugar de mulher é onde ela quiser. Porém, no Dia Internacional das Mulheres, quem finge promover a inclusão ajudou os homens a ocuparem locais que extrapolam aqueles que a Biologia permite. Pois, os homens foram os grandes laureados no 8 de Março!




A marca de chocolates ‘Hershey’s’ escalou uma “trans” para homenagear as mulheres; a ‘Apple’ fez o mesmo. Alguns esportes femininos abusaram da criatividade, encaixando atletas “trans”. Ou seja, homens biológicos surram (figurada e literalmente) a mulherada, aproveitando o “doping” natural proporcionado por anos de testosterona. Sem surpresa, o contrário não acontece. Seguindo a linha de misoginia mascarada, recentemente um rapaz que se sente mulher foi escolhido a “melhor cantora”. Como canta mal, o adjetivo, o artigo e o substantivo estão errados.




O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) não poderia falar na tribuna porque, segundo a turma da esquerda, ele não tem “lugar de fala”, por não ser mulher. O garoto resolveu o problema e argumentou que acordou se sentindo uma mulher. De aparência duvidosa, mas uma mulher. Para tornar seus sentimentos críveis, ele (ela) vestiu uma despenteada cabeleira loira e adotou o pseudônimo de Nikole. Pronto, o “kit” corroborava a absurda tese. O deputado topou jogar as regras da esquerda, então ele se sente a empoderada e cheia de “lugar de fala” Nikole. Esta foi uma maneira abusada de criticar a teoria do “gênero fluido”. 




O deboche foi exagerado, entretanto o sangue da 5ª série C ainda circula nas minhas veias, portanto achei aquilo engraçado, sobretudo quando a turma do mau humor demonstrou seu latifúndio de aborrecimento. Nikolas chegou metendo o pé na porta, sabendo que muita palhaçada acontece em nome da democracia. Contudo, sim, ali (Câmara) é uma Casa de respeito, tanto que o adversário merece ser xingado, desde que precedido do respeitoso pronome de tratamento “Vossa Excelência”.




Clima de primeiro dia de aula: foi assim que Nikolas Ferreira e sua turma chegaram na Câmara Federal. No entanto, sabemos, em pouco tempo eles serão “institucionalizados” (entrarão na linha). A alopração do Dia Internacional das Mulheres tem prazo de validade. O presidente da Câmara enquadrou-o, acelerando um processo que o tempo há de realizar, quando farão o que querem: cooptar um Nikolas maduro.
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🔴 Título não publicado devido a autocensura







É estranho dizer isto, mas, em 2023, meu pai estaria ouvindo a ganhadora do Grammy (revelação). Ele, de cara, menosprezaria o prêmio, sabendo que a Anitta era uma das indicadas. Entretanto, depois de convencido a conhecer a vencedora, ele admitiria que para vencer o Grammy é necessário cantar, e que Samara Joy venceu fazendo, vejam só, apenas isso!




Já Anitta teve mais, digamos, trabalho... No seu clipe, a cantora simulou sexo oral — a cena do clipe e a derrota no prêmio musical inspiraram um título sugestivo, porém de mau gosto, então descartei a ideia e titulei o texto com outra ideia.




O sucesso da brasileira é medido em “views”, cliques e execuções em “streamings”. Essa volúpia, convertida em visualizações, pode justificadamente ser impulsionada por adolescentes com os hormônios em ebulição. Samara Joy não, a cantora apenas... canta.




Anitta é, merecidamente, reconhecida por impulsionar com competência sua própria carreira. Justíssimo. Por isso, admito: Anitta como cantora é uma ótima empresária.




A cantora americana, por sua vez, canta como antigamente: jazz. Por ser anacrônico, o estilo agradaria meu pai. Contudo, o que estimularia eu recomendá-la seria apenas o bom gosto musical. 




Certamente, os mais antigos rechaçavam a música “do meu tempo”, então, a tendência é eu encarar o que é feito hoje com o mesmo estranhamento. No entanto, a mesma estratégia da Anitta já foi explorada em outros tempos. Porém, sem as mídias sociais, o sucesso do subterfúgio não era tangível. Samara Joy surpreendeu ao vencer em um ambiente tão hostil e numa época tão desfavorável. Se o sucesso de um músico fosse mensurável pelas cópias de discos vendidos (como era), em vez dos “views”, cliques e quantidade de seguidores, o resultado seria outro.




Após a premiação, a cantora americana passou a ser ofendida virtualmente, numa modalidade de “gabinete do ódio”, pelos fãs de Anitta. Sua resposta foi segui-la nas redes sociais (ou antissociais).




A funkeira conquistou, pelo menos, algo: a seguidora ilustre Samara Joy.
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⭕️ Oxímoro ou novilíngua?




Acabou a temporada da Gaviões da Fiel e da Mancha Verde, torcidas organizadas do Corinthians e do Palmeiras, respectivamente, brincarem de antifascistas. A máscara enganou aqueles que sempre foram críticos a esses grupos, mas se sentiram contemplados com a hipócrita e oportunista sinalização de virtude. Durou pouco, porque socos, chutes, pedras e barras de ferro insistem em manifestar o caráter beligerante dessas torcidas. A emboscada foi feita, claro, com muita democracia.




Pois as duas torcidas encontraram um panorama favorável para ganhar a simpatia da suposta opinião especializada e isenta (jornalistas) e grande parte da opinião pública. Conseguiram. Ideologicamente, jornalistas principalmente, sentiram-se representados e fingiram que havia virtude na ação. Alguns jornalistas, principalmente esportivos, sempre foram peremptoriamente críticos quanto a atuação, inclusive existência, das torcidas organizadas. A crítica deles perdeu impacto, eles perderam credibilidade.




Esses grupos, que se autodenominam antifascistas, usam métodos fascistas para se manifestar. Acreditar neles é deixar ser enganado. 




“Arbeit macht frei”. A frase em Alemão significa: “O trabalho liberta”. Esta frase estava escrita na portaria dos campos de concentração. Desta maneira, os judeus chegavam em lugares como o campo de Auschwitz. O restante da história já conhecemos.




Historicamente, as torcidas organizadas viram uma oportunidade e posaram de antifascistas. Normal. O incrível é “comprarem” essa redenção falsa. As mais recentes notícias evidenciaram qual é a razão da existência dessas torcidas.




Oxímoro é a figura de linguagem que utiliza, na mesma frase, palavras de sentidos opostos, paradoxais. No livro ‘1984’, George Orwell descreveu uma sociedade distópica, onde as frases eram paradoxais. Exemplos: guerra é paz e liberdade é escravidão. Estrategicamente, Lula afirmou: Na Venezuela tem democracia em excesso.




Nenhuma ditadura começa com repressão. Não por acaso, com um pouco de atenção e vontade de não se deixar enganar, devemos ficar atentos quando figuras pouco, ou nada, confiáveis repetem a palavra “democracia” e suas variantes.







Você pode enganar algumas pessoas por muito tempo; você pode enganar muitas pessoas por pouco tempo; mas não consegue enganar todos todo o tempo.




(Paráfrase de texto atribuído a Abraham Lincoln)
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🔴 Operação gambiarra




Na década de 80, a banda Ultraje a Rigor fez sucesso com a música ‘Inútil’. A canção dizia: “A gente não sabemos escolher presidente” e “A gente faz trilho e não tem trem pra botar”.  O pop/rock era escrachado para escancarar a incompetência governamental. Contudo, a licença poética virou verdade. O governo do PT sempre contou com o beneplácito de parte da imprensa e de uma intelectualidade que insiste em ver uma beleza na suposta simplicidade petista. Então, a incompetência está sendo tratada com certa condescendência.




O ministro das Comunicações, Juscelino Filho, ouviu nos telejornais que só se falava em yanomami. Procurou saber do que se tratava. Descobriu que não era uma marca de motocicleta, mas que os índios sofriam com desnutrição e falta de medicamentos. Vislumbrou uma oportunidade de agir, virar os holofotes em sua direção e conseguir mídia para o seu ministério e para si.




No entanto, esqueceu-se que era incompetente e comprou mil chips para celular. Detalhe: na aldeia não há sinal para o telefone. A compra já seria duvidosa, sem sinal ela é, como diz a música: inútil. Bastaria um ‘Google’ para evitar a decisão desastrosa. 




Como já era esperado, a série de justificativas vieram com um entusiasmo de plástico, tentando mascarar a barbeiragem. Para o partido que mente, vive de falácias e propagandas, os fins sempre justificam os meios.




Isolada, como o neurônio do ministro Juscelino Filho, a terra yanomami, em Roraima, recebeu uma “ajuda”  açodada e inócua. Até que demorou para chegar o resultado da ação de um cidadão que preencheu um cargo em troca de apoio.




Embora inócua, a ação foi espalhafatosa e contou com um sobrevoo de helicóptero. Como está tudo pago, pouco importa a inutilidade do pacote todo. De qualquer forma, o ministro das Comunicações conseguiu o que queria: uma oportunidade de agir, virar os holofotes em sua direção e conseguir mídia para o seu ministério e para si. A tentativa de “linkar” sua Pasta à questão yanomami rendeu um retrato, no qual aparecerm o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, e o presidente dos Correios, Fabiano Silva. Mesmo sem efetividade, a fotografia pode ser enquadrada. 




Como é fácil constatar, é difícil completar uma ligação em lugares afastados da cidade. Portanto, não espanta que em terras indígenas seja impossível.




“Inútil, a gente somos inútil”.
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🔴 Um rei sem palácio — GloboNews visita







A ex-visita íntima do ex-presidiário abriu o Palácio da Alvorada para a GloboNews. Natuza Nery, eterna antibolsonarista psicótica, foi estrategicamente destacada para fazer o serviço sujo. Estampando uma cara de Jornalismo sério, isento, que busca mostrar a verdade dos fatos com a devida apuração, a jornalista percorreu o imóvel, sempre espantada e ouvindo atentamente. Como em ‘Extreme make over: Home Edition’, ‘É de casa’ ou quaisquer ‘reality shows’ residenciais, o imóvel foi exibido com uma desolação eloquente.




Parecendo uma corretora ou auditora, carregando uma pasta, a senhora Lula caminhava, como quem conferia o imóvel. Era evidente que o “padrão Globo” cuidou para que sua narrativa saísse impecável. A nova moradora deve ter sentido uma ausência afetiva: a grade, a janelinha quadrada, a cama de concreto, o buraco no chão...




Contudo, surgiu um arquiteto, que só pode ser fascista, nazista, golpista e antidemocrático, desestruturando o plano arquitetado. O arquiteto, Paulo Baltokoski, surgiu para desmenti-la. Descobriu-se que em 2018 tinha menos móveis que no ano de 2023. Confiar em quem, no arquiteto ou na moça? Para desautorizar o refutador de bravatas, pode ser inaugurada uma nova categoria de pária social: o arquiteto bolsonarista; entretanto, o casal é tão confiável quanto a dupla Bonnie e Clide.




O hábito de mentir pode ser pura afinidade, certamente assunto de cama, mesa e banho. Pode até ser engraçado, enquanto o alvo das mentiras não é um ou outro. Exemplificando, numa conversa fictícia:




— Como foi o seu dia?

— Menti praqueles trouxas.

— Eu também!




Talvez tudo tenha sido urdido para contrapor à “limpa” que o eterno morador do Palácio da Alvorada, incapaz de discriminar o público e o privado, fez com joias e obras de arte em 2011. O sindicalista, como um viking na Grã-Bretanha, atacou e pilhou o acervo da República.




A suposta falta de condições da moradia serviu para a dupla ocupar a suíte de um hotel de luxo e reformar o Palácio, claro, sem licitação. Os móveis comprados sem concorrência pública custaram quase R$ 400 mil. Eu compraria a mobília completa na Marabraz, Casas Bahia ou Móveis Gazin por uns R$ 40 mil e ficaria muito feliz.




Os inventários são diferentes: em 2018, o sumiço dos objetos era, literalmente, caso de polícia; em 2023, é tentativa de emplacar uma narrativa. Estava dando tudo certo, até surgir um arquiteto e a “casa cair”.
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🔵 Ponte sobre águas turbulentas







De vez em quando, alguém dava a péssima notícia: “Fulano” morreu afogado na represa de Mairiporã. Cidade vizinha a Guarulhos, Mairiporã era um mistério que diziam existir atrás das montanhas, incrustada na Serra dá Cantareira. 




Um dia foi a minha vez de conhecer as águas da represa de Mairiporã. As estatísticas diziam que aquele dia poderia ser o último que eu seria visto com vida. 




O tempo estava bom e o ambiente era de um domingão quente de sol, celebrado com churrasco, cerveja e, argh, pagode paulista. A filial da Praia Grande estava lotada e bem animada. O final daquela animação toda, infelizmente, era bem triste. A sabedoria popular, acumulada com os anos, avisava que, no final do dia (lá pelas 18:00) o boca a boca espalharia, seriamente, que alguém morreu afogado e ainda não acharam o corpo. A sirene da ambulância apenas confirmaria o triste boato.




Crescendo na Grande São Paulo, eu acostumei a ficar sabendo que alguns amigos “saíram de cena”: morreram, foram presos ou, simplesmente, sumiram.




Pois bem, algumas cervejas foram suficientes para despertar uma coragem suicida. Pular nas águas turbulentas de Mairiporã não representavam mais uma ameaça. O efeito do álcool dissipou as minhas lembranças tenebrosas daquele rio e suas águas contaminadas com sangue humano. Agora a feroz correnteza não parecia mais ameaçadora que uma piscina olímpica com um toboágua.




Subi, transpus a grade, mirei um ponto e saltei. Conheci, empiricamente, porque aquele era um rio assassino: bati meus pés e joelhos quase como se pulasse num riacho raso. Com bastante dificuldade, venci a correnteza, alcançando as pedras da borda. Descobri, da pior maneira possível, que o leito do rio e a correnteza faziam, conjuntamente, todo o serviço sujo, transformando meus amigos em estatística.




Agora, meu A foi diluído nas águas de Mairiporã. Já deve ter “navegado” o Rio Tiête, o Rio Paraná, o Rio da Prata (Argentina) e desembocado no Oceano Atlântico.




Na hora de ir embora, tudo, como previsto, confirmou-se: o boca a boca, o afogamento, o sumiço, o bombeiro...
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🔴 O choro é obrigatório




Thiago Silva sentou e chorou quando o jogo da Copa do Mundo de 2014 entre Brasil e Chile seria decidido nos penaltis; Gilmar Mendes se emocionou com a perseverança de Cristiano Zanin, advogado do Lula; João Doria tentou chorar, em momento comoção pública, com a primeira aplicação da vacina contra a COVID-19; Ciro Gomes se esforçou para derramar algumas lágrimas, demonstrando toda a sua dor pelas vítimas da COVID-19; Lula ficou em prantos na sua “possessão”. Lula, eterno “posseiro” do Brasil, “possuído”, engatou o discursinho vitimista  e blá, blá, blá; e, agora, Marcos do Val,  num momento Joice Hasselmann, se enroscou em seu próprio discurso e... chorou.




Numa época em que o vitimismo é demonstração de virtude, é muito comum vermos fraquejarem em instantes cruciais. O choro não deixa de ser a materialização de que há uma sensibilidade. Beleza! Mas quando se torna evidente que as lágrimas se negam a escorrer, a encenação fica patética. Cai a máscara. É falso. Tudo fica como um teatrinho escolar mal ensaiado.




Os episódios que eu elenquei foram selecionados para exemplificar quando a firmeza diante do desafio seria muito mais bem-vinda que a mera sinalização de sensibilidade ou, muito grave, a pusilanimidade. 




O que se esperava do Thiago Silva, não era sentar na bola e chorar; pelo contrário, seria o zagueiro exibir uma atitude, mesmo que forçada, de vencedor. No entanto, Thiago fez questão de ficar, no campo, onde todos pudessem focalizar sua suposta sensibilidade, ou fraqueza. 




Tudo isto explica bem porque, após uma derrota, os atletas ficam no gramado, fingindo para o mundo que sentem muitíssimo a derrota. Esse fenômeno pode ser exemplificado quando, num exemplo irreal e exagerado, Honduras perde de oito a zero para o Brasil, e os jogadores hondurenhos caem no gramado, esfregando os olhos, como quem deseja enxugá-los, e ficam estarrecidos com a eliminação.




Verdadeira ou falsa, a lágrima vale votos e,  principalmente no exemplo esportivo, isenção de responsabilidade, como quem diz: minha parte eu já fiz, demonstrei sensibilidade e empatia.
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🔵 Carro véio







Festa de fim de ano da empresa é sempre igual: o pessoal do operacional encontra a turma do escritório. Desta vez, foi numa churrascaria fina. Sem novidades, seguindo as regras: beber com moderação e ser discreto.




O manobrista, acostumado, naquela região, a estacionar Ferraris, Lamborguinis, Maseratis, Porsches e outras exclusivas máquinas, foi obrigado a guiar o meu esforçado e honesto Gol 86. Tenho certeza que meu carrinho bege foi abandonado numa viela qualquer. Confesso que este pensamento me comoveu, como se meu primeiro automóvel tivesse atributos humanos. Afinal, mesmo sendo a álcool ele “pegou” sem sequer eu precisar puxar o afogador pra esquentar, não me fez passar vergonha (sendo empurrado) e me trouxe até o bairro nobre. Entretanto, não foi desta vez que meu golzinho ficou em boa companhia, ao lado de carrões.




Chegando na churrascaria, tudo certo como previsto: cumprimentos, apresentações e um previsível ‘Amigo Secreto’. Após o desfile de peças de carne e alguns chopes, havia chegado o momento de resgatar o carro nem tão antigo, que me desse o “status” de um excêntrico colecionador; nem tão novo, que merecesse estrelar o pátio da estrelada churrascaria. No entanto, o episódio foi ainda mais embaraçoso do que eu imaginava.




Mesmo me despedindo relativamente cedo, eu fiquei “mofando” na porta, aguardando a devolução do meu bravo carrinho. Apesar de não estar usando o uniforme do porteiro, eu fiquei plantado ali, me despedindo novamente do pessoal operacional, da turma do escritório e da chefia. Eu assisti a um festival de veículos nem tão luxuosos, nem tão..., digamos, exóticos quanto o meu. 




Isso já era humilhação demais, portanto, como se eu fosse o abonado proprietário de um dos carrões dali, resolvi cobrar celeridade do manobrista. Porém, tava na cara que eu só estava naquele ambiente por conta da confraternização da firma. Todos os sinais deixavam mais óbvio que o Gol bege jazia debaixo de uma árvore, numa rua escura.




Finalmente, o barulho denunciou a aproximação do meu transporte. Tranquilo por não ter que atravessar a cidade de ônibus, conferi se o manobrista havia saqueado as balinhas e moedas que transbordavam do console e parti.
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🔵 O anônimo unânime




Ver o Laert Sarrumor nas ruas de Higienópolis e acreditar que vi alguém famoso só poderia significar o auge do meu próprio anonimato. Quando, animado, arrisquei apontar discretamente e cochichar para minha namorada:




— Olha, o Laert Sarrumor! — apontei

— Quem!? — minha namorada respondeu

— Do Língua de Trapo — insisti

— ???




O breve, lacônico e decepcionante diálogo me fez voltar à realidade. Senti um misto de desapontamento e orgulho. Decepção por concluir que eu estava andando com uma garota que certamente conheceria o terceiro eliminado do Big Brother 7; e orgulho por me sentir um intelectual de periferia, desses que assistem ao programa Metrópolis, da “tevè” Cultura.




Decidi tentar novamente, dizendo que era o Laert, integrante do grupo paulistano ‘Língua de Trapo’, músico, ator, escritor... Além de parecer charada, isso ia me fazer parecer mais estranho, tipo esses caras que armazenam o potencial de, a qualquer momento, metralhar um colégio ou cinema.




No entanto, o vexame poderia ter sido muito maior. Se eu possuísse um caderninho de autógrafos ou um celular com câmera fotográfica, a abordagem seria mais agressiva. Nesse caso, o artista, é possível, ficaria surpreso, pois eu seria o primeiro transeunte a tratá-lo como celebridade. 




Cheguei à conclusão de que seria melhor ter ficado calado. Errei ao achar que Laert Sarrumor seria alguém famoso, sendo que esse artista equivalia, em notoriedade, a um figurante de ‘A Praça e Nossa’. 




Esse cara pode ter conquistado o desejo de muitos ricos e famosos, e eu não poderia ter interrompido esta tranquilidade: ele “aparecia” na televisão; ao que parece, morava num bairro legal; e não era importunado por fãs. Eu nunca poderia interromper aquele ilustre anonimato. Laert não pediu para ser reconhecido nas ruas, muito menos às três da madrugada. Ele só queria ser remunerado por sua arte, poder pagar uns boletos e morar em Higienópolis.




Naquele bairro, era mais provável, e digno, encontrar figuras notórias como: Jô Soares, Fernando Henrique ou, pelo menos, Adriane Galisteu. Entretanto, poupei Laert Sarrumor da minha inoportuna aproximação, portanto deixei o obscuro artista seguir em seu habitual esconderijo no meio da multidão.









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🔴 Ema, ema, ema, cada um cus seus pobrema 2 — Um novo morador




Bolsonaro exibiu uma caixinha de cloroquina para uma ema do Palácio da Alvorada, é lógico que o animal não aceitou a tentadora oferta, portanto não ingeriu o fármaco. Apesar de ser uma brincadeira, o caso virou um escândalo. No entanto, os bichinhos faleceram na gestão Lula. Mas não é só isso: algumas carpas também pereceram. 




Concluiu-se que as emas e carpas não eram fascistas, nazistas, golpistas e antidemocráticas, então as mortes são um escândalo. Como os animais não são bolsonaristas, a investigação irá até o fim. Como não colou o genocida de seres humanos, o PT e sua militância querem emplacar a narrativa do genocida de animais. 




Mesmo tendo assumido no primeiro dia do ano, o orador de porta de fábrica insiste em transferir a culpa. É claro, tudo isto com a anuência da “extrema imprensa”. Lula utiliza uma estratégia pueril e vitimista de atribuir qualquer responsabilidade para terceiros. Esse estratagema é, claro, para se proteger da própria incompetência.




Josias de Souza, o antibolsonarista profissional que exerce o Jornalismo nas horas vagas, num trabalho de apuração mediúnica, decretou que o assassinato das aves é obra do Bolsonaro. Eu não tenho ideia do responsável, vou ficar sabendo quando sair numa imprensa confiável.




Creio que a flora e a fauna da Presidência da República tenha seus tratadores responsáveis. Essa apelação, conhecida como politização, cabe perfeitamente no diagnóstico de antibolsonarismo psicótico, sintomas detectados em profusão no próprio Josias.




Algumas palavras são empregadas sem sentido, como coringas. O uso indevido talvez seja pela estética ou ignorância mesmo, contudo eu acredito que isso se deva à força do vocábulo. Este texto inspirou o exemplo “genocida” (como se qualquer morte fosse um genocídio). Mas também abusam dos termos “democracia” (como se democrático fosse sinônimo de bom), “literalmente” (supondo-se que literal é tudo que é exagerado) e “genial” (considerando genial o que é bem executado).




Esta não-notícia poderia ser exibida preenchendo espaço no Globo Rural, no entanto foi exibida nas principais páginas de política. Isso não pode ser sério!




Quem matou as carpas e emas da Presidência da República?
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