O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.
Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola. Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).
No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.
A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”.
Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.
Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
Desastrosa foi a visita dos ministros da Fazenda e Meio ambiente, Fernando Haddad e Marina Silva, respectivamente, a Davos, Suíça. Acredito que o cacoete de eternos oposicionistas prevaleceu. Então, o que vimos foi gente que tinha a obrigação de “vender” o Brasil, pelo contrário, falando mal do País. Isso mantém os investidores muito longe.
Haddad, “traduzindo” sua infeliz fala, recomendou evitar nosso país. Confessou que ele mesmo evita a alguns produtos brasileiros. Para um ministro da Fazenda, isso é espantoso! Duvida? É verdade. Vergonha internacional. É nisso que dá se preparar para falar apenas o que querem ouvir.
Marina Silva mentiu sem noção de proporção. O aspecto sempre carregado daquela estética terceiro-mundista sul-americana que tanto encanta a Europa, intelectuais e quem quer pertencer a um grupinho quer se acha o “farol da Humanidade”. A ministra mentiu quando “chutou” que o Brasil tem 120 milhões de pessoas passando fome. Bem... se ela disse isso antes do almoço, a afirmação é factível, e eu facilmente poderia ser contabilizado. A aparência dela ajuda muito a emprestar credibilidade aos absurdos números. A verdade é que os “dados” não resistem a um simples “Google”.
Quaisquer políticos distribuem números falsos, quando a própria pesquisa não é fraudada. Lula, em célebre “momento sincerão”, confessa como ía, pelo mundo, distribuindo estatísticas aleatórias sobre nossa miserabilidade. Marina, que chamava Lula e o PT (Partido dos Trabalhadores) de corruptos, aprendeu e se tornou igual aos que criticava.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destreinada e desacostumada, travou na hora de sua coletiva de impressa. Ela nunca saberá, mas pode contar com minha solidariedade. Guardadas as devidas proporções, eu já passei por isso muitas vezes. Na escola, às vezes eu tinha que apresentar um seminário sobre algo que não tinha sequer ouvido falar: mitocôndria, fagocitose, eucariontes ou platelminto. Diferentemente da ministra, eu sempre disfarçava e segurava a cartolina.
O PT sempre sobreviveu de aparências. Entretanto, com a memória do YouTube, podemos lembrar que as aparências enganam.
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🔴 Jesus e o demiurgo — O santo do pau oco
Luiz Inácio Lula da Silva contracenou com uma imagem de Jesus Cristo. Na produção cinematográfica, Lula troca uma ideia com a imagem. Sabendo que, para ele, não teria resposta, ele prometeu uma força-tarefa para mudar o Brasil. Sei... Quando o petista mente mais, fingindo fé ou desejando o bem do País? Como a intenção era só enganar, pouco importa as blasfêmias, o que realmente importa é que tudo foi registrado e divulgado. Essa representação tem um grande potencial de render votos. No fim, basta causar o mesmo efeito da picanha.
O vídeo foi tão espontâneo, que foi postado nas redes sociais para todos verem como ele é religioso. A religiosidade de Lula é tão autêntica quanto uma cédula de três reais. Deveria ter sido comovente, mas foi “fake”.
O ex-presidiário já se comparou ao próprio Jesus Cristo (várias vezes), Tiradentes, Nelson Mandela e Mahatma Gandhi. Quem é que falta? Se Lula rebaixou Deus a sua imagem e semelhança, em termos de megalomania, não consigo imaginar ninguém. Quando ele foi comparado a figuras como José Mujica, ex-presidente do Uruguai, beleza. Eu mesmo vejo semelhanças entre a dupla.
Curioso mesmo, foi Lula enxergar semelhanças com Jove da novela Pantanal. Sem uma lúcida e atenciosa curadoria feminina, aí já é demais. Seus poderes transcendentais são nulos, entretanto seu “déficit” estético é patente. Alguém que realize uma solitária sinapse vê que não tem nada a ver. Até a Janja diria: Não dá, você passou de todos os limites.
Voltando à recepção da estátua sagrada no Palácio do Planalto, Lula, cuidando para que imagem e som fossem captados, mirando a representação, disse: “Juntos, vamos mudar este país”. Se ele não estiver se referindo à Venezuela, à Argentina, à Bolívia ou a Cuba, já é uma evolução. Mas, calculando o narcisismo do demiurgo, eu acredito que ele propôs a difícil tarefa relegando a Jesus um papel secundário.
Contudo, se depender da fé comprovada pelos reais patriotas, a salvação do Brasil já foi pedida diretamente para Ele. E, pelo que sei, Lula terá que ser mantido afastado dessa salvação.
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🔴 Vai, ladrão
No livro ‘1984’, de George Orwell, a novilíngua representava esta técnica de dominação através da linguagem. Quando algum ministro petista inicia um discurso agradecendo a “todes”, mesmo sabendo que o vocábulo não existe, está dizendo “agora quem manda é a gente” e fingindo uma inclusão.
Em 2007, na sua segunda chance, Lula foi vaiado no Maracanã. Porém, como disse Nelson Rodrigues, ali vaiam até “Minuto de Silêncio”; em 2022, no Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, cantaram a musiquinha do “Lula na prisão”. Oportunamente e rapidamente, ele “explicou” que as arquibancadas da F1 eram formadas por gente rica. Apesar da gente rica fazer parte do povo, a explicação foi aceita; no velório do Pelé, terceiro dia da ocupação do petista, novamente, foi recebido com o veredicto popular. Até o momento não foi criada nenhuma justificativa.
O avião da FAB (Força Aérea Brasileira) decolou levando Lula. Levou também um sonoro “Vai, ladrão”, captado pelo microfone da torre de controle de tráfego aéreo. O ilustre passageiro não ouviu, mas tomara que, contrariando o seu histórico, o evento não contribua para aumentar o desemprego.
Estão abertos quatro longos anos de mentiras, bravatas e sinalização de virtude que enganaram e, infelizmente, seguirão enganando os incautos, distraídos e pilantras. Já teve quem, com sinceridade ou oportunamente, se arrependeram. Tarde demais. Missão dada, missão cumprida.
Algum alento é que o ex-presidiário será perseguido pelo mantra, “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão”. Não adianta, esse mantra ecoará aonde o usurpador for e onde ele se esconder. Esconderijo eficaz como as urnas, que registraram 60 milhões de supostos eleitores que se mantêm calados. Aliás, eleitores do Lula: onde vivem, como se reproduzem, do que se alimentam? Essa abstração, que seria a maioria esmagadora que elegeu Lula não se contrapõe aos que não aceitam ser governados pelo ladravaz. Pessoas que jamais foram vistas em comícios ou quaisquer aparições públicas.
Só aparece gente que não fez o “L”.
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🔵 Ver para crer
Malas, barracas e cinco pessoas. Tínhamos o necessário e principalmente um resquício “hippie”, com algumas décadas de atraso; algum espírito aventureiro, para encarar o acampamento silvestre; e o suficiente de comida e água para enfrentar a estrada para Minas Gerais.
Partimos, esperando encontrar uma São Thomé das Letras bucólica, cercada por montanhas, habitada por adoradores de Raul Seixas e Aleister Crowley; no entanto, o primeiro contato com a cidadezinha mística foi decepcionante: uma picape tocando algo entre sertanejo e pagode. O som alto poderia indicar que estávamos na Anhanguera, a caminho da Festa do Peão de Barretos, mas o cheiro de maconha não deixava dúvida, estávamos na trilha correta.
Chegando à cidade dos discos voadores, saquei a única “droga” que eu tinha: um CD de música boliviana, comprado de um grupo de ameríndios na Praça Ramos. As canções folclóricas automaticamente nos identificava como os mais alternativos e habilitava a frequentar as melhores cachoeiras.
A essência, o espírito de São Thomé continuava. Neo-hippies tocando Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Zé Geraldo e Zé Ramalho no violão estavam lá; o Cruzeiro ainda animava as noites, no alto da cidade; as atrações indicadas (pizza na pedra); cachoeiras; trilhas; e o camping. Havia tudo isso.
Contudo, a mesma propaganda boca a boca que despertou a minha curiosidade, transformou a cidade mineira, outrora escondida, em rota turística, digna de estrelinhas no ‘Guia Quatro Rodas’. Eu, que saí de São Paulo me achando um bandeirante moderno, um Fernão Dias do século XXI desbravando as ”Minas Geraes, decepcionei-me ao testemunhar hordas de “playboys” a fim de “fumar um”, “encher a cara” e “pegar umas mina”.
Eu ainda esperava encontrar uma grande concentração de gênios incompreendidos por metro quadrado, vários doidos e, dizem, alguns extraterrestres. Porém, o máximo que pude achar, a olho nu, foram uns malucos que viajaram de ácido e um pouquinho de ocultismo e não voltaram.
No entanto, o Cruzeiro parecendo um trem indiano, as cachoeiras lembrando a piscina do ‘Sesc Itaquera’, o camping emulando o Parque do Ibirapuera e as filas para tudo apagaram a magia de São Thomé das Letras.
Voltamos sem experiência esotérica, sem nenhum contato alienígena, muitos turistas (iguais a nós), mas também alguns remanescentes duma São Thomé movida a ‘ayahuasca’.
Quando a Vila Madalena parece mais mística que as montanhas de Minas Gerais, alguma coisa deve estar muito errada.
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🔵 Perdeu, mané
Trabalhando em deslocamento por todas as regiões de São Paulo, era normal eu ir parar num bairro “proibido”. Um território inóspito, o fundão de um ônibus biarticulado, uma camiseta polo com a logomarca da empresa que eu trabalhava e um relógio ostensivo (como os do Faustão), a curiosa e perigosa configuração deve ter me destacado no campo de visão do ladavaz que embarcou no transporte coletivo. Analisando bem, deveria ser o fim de expediente do “senhor ladrão”, mas a ocasião lhe parecia bastante favorável. Não poderia haver cenário mais convidativo para eu exercer o único papel que, antes nunca do que alguma vez, me cabia: vítima.
Antes, o malfeitor resolveu espalhar o terror nos outros infelizes passageiros. Finalmente, a dupla (havia um ajudante) quis socializar o meu relógio. Dando uma de malandro (igual o Luís Roberto Barroso em Nova York), “negociei”. Esgotadas as possibilidades de o meliante seguir um caminho correto, começar a frequentar uma escola ou visitar a biblioteca, não fui bem compreendido, nem bem “atendido” pelo indivíduo, portanto, entreguei o relógio que comprei num camelô.
Se quem quis levar a vantagem era o ladrão, logo eu só poderia estar fazendo o papel de mané. Sim, mané sempre foi sinônimo de otário. É a vida, ao menos eu continuava sendo honesto, e isto é um valor que não se costuma encontrar no fundo de um ônibus.
Entretanto, uma dúvida poderia inverter os papéis: eu paguei barato no relógio vagabundo sabendo que o produto estava sendo adquirido em uma banca de camelô, portanto era falso; enquanto, o ladrãozinho roubou o relógio achando que estava tomando algo valioso e obteria um bom lucro ou algumas pedras de crack.
Sei que relógio que atrasa não adianta, mas aquele acertava pelo menos duas vezes ao dia. E a sensação de ser assaltado nunca será boa. Embora, esta triste experiência seja comum numa metrópole como a paulistana, este foi meu único e barato episódio.
A súbita hora extra e aumento da jornada de trabalho foi improdutiva e pessimamente remunerada. Aquele crime não compensou.
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🔴 Sai Pelé, entra Lula
Dia 29 de dezembro eu estava assistindo a um programa de política. É lógico, o assunto Pelé tomou de assalto qualquer pauta, como deve ter acontecido inclusive nos programas de culinária. Pois bem, eu estava vendo Pelé, de repente entra Lula no vídeo. Eis o anticlímax.
Como se de fato fosse um rei, o Rei exercia as funções de um chefe de Estado, “abrindo portas”, representando nossa excelência e ideais; como se fosse um chefe de governo legítimo, Lula chefia o Executivo e assina papéis priorizando o “establishment”.
Para quem já esteve no exterior, era um orgulho falar que vinha do país do Rei; enquanto a simples menção do nome do ex-presidiário virou motivo de vergonha. Quando quaisquer times perdiam para um adversário do qual Pelé fazia parte, era legítimo; agora, se você for derrotado pelo Lula, suspeite de métodos sub-reptícios e ouvir, repetidas vezes, “perdeu, mané”. Dependendo do personagem (Lula ou Pelé) as palavras “jogada e drible” tem sentidos diferentes. Pelé vencia por meritocracia, porque era o melhor; Lula vence com uma mãozinha, com um jeitinho, cheio de malandragem e subterfúgios. A palavra “Pelé” abre sorrisos; a palavra “Lula” provoca risadas. Sabemos alguns defeitos do Pelé, isso o torna humano; também sabemos alguns defeitos do Lula, isso o torna desumano.
Para quem não era nascido quando Pelé jogou (ganhou), é comum herdar o testemunho paterno. Os avôs também são testemunhas privilegiadas. Contudo, esta experiência tende a ficar mais rara.
Pelo menos, numa coisa Lula foi maior que Pelé: o Rei destruiu o meu Corinthians; Lula destruiu o Brasil. Pelé tem valor, Lula tem preço.
Pelé foi o brasileiro mais ilustre, Lula é — na minha insignificante opinião — o brasileiro mais desprezível de todos os tempos.
Sai Pelé, entra Lula: esta foi a nossa mais injusta e triste substituição.
80
🔵 Casa Maluca
Eu sou tímido o suficiente para odiar “participar” de um espetáculo de auditório — daquele tipo que seleciona um “voluntário” para pagar mico e concentrar os risos e gargalhadas armazenados. Minha constatação prévia: alguém da plateia será capturado para bancar o panaca, enquanto o “Zé Graça” sai como o “bonzão”.
Como perdido do bando, desgarrado e atraído, resolvi entrar naquele “brinquedo” misterioso e sem fila. No Hopi Hari, era raro encontrar uma atração que não combinasse altura, velocidade e longas filas. Pois bem, curioso, adentrei o recinto.
Olhando, a casa é totalmente torta e tudo parece na iminência de um acidente. O apresentador, treinado para ser um animador, animadamente me chamou para desafiar a gravidade na Casa Maluca. Sucesso. Sem sequelas.
O apresentador emendou outro truque da magnífica residência. Eu já estava menos assombrado com o público olhando fixamente para mim. A sensação de que todos esperavam o meu erro já havia passado, isso hipertrofiou a minha confiança.
Fui convidado à mesa de bilhar. Esquecendo-me que estava na ‘Casa Maluca’ e que algo incrível estava para acontecer, tentei fazer o que sabia: mirei a caçapa do canto direito, golpeei a bola branca, a bola branca pulou e empurrou a bola que sumiria na caçapa e...
As três bolas escorreram para a caçapa contrária e, como num sumidouro, foram embora, frustrando as expectativas de uma audiência atenta. Pronto, eu acabava de arruinar a brincadeira. Com a impossibilidade de me assassinar, o animador esboçou um sorriso e se esforçou para puxar uma salva de palmas para mim. Eu fui brindado com aplausos esparsos e sem empolgação. Nessas alturas, já havia desistido de reivindicar o meu prêmio.
Embora eu tenha desvendado as leis da física, bancando o Mister M, não me orgulhei daquele papelão. É claro que agora eu sei que fui selecionado para participar daquela farsa e interpretar a palhaçada toda. Era esse o papel esperado na ‘Casa Maluca’: causar a ilusão de que ali dentro a Lei da Gravidade fora revogada.
Eu já havia me livrado da “atração”. Entretanto, aquela aventura jamais foi esquecida, de modo que eu saí da’Casa Maluca’, porém a ‘Casa Maluca’ nunca abandonou a minha mente. Depois que atravessei aquela porta, nunca mais fui o mesmo: Será que a casa era maluca ou eu era o maluco?
55
🔵 Bicicletas voadoras
Aquela gangue de moleques (com uma média de 13 anos de idade) vinha tomando a Rua 13 de Maio. Como uma nuvem de gafanhotos a turminha corria e empinava as bicicletas “cross”, típicas dos anos 80.
O filme E.T. — O Extraterrestre, visto no cinema, não saía da cabeça e fazia tudo parecer possível. Como levantar voo com as “bikes” parecia impossível — coisa da mente do Steven Spielberg —, o máximo que fazíamos era dividirmos umas três garrafas de “Baré Cola”, que era o refrigerante que as esparsas moedas conseguiam servir aos ciclistas mirins, portanto, a tubaína que éramos obrigados a gostar. Impossibilitados de obter a água negra do imperialismo estadunidense, exigíamos, com desassombrada assertividade, a pobre bebida carbonatada tupiniquim. Abastecidos de alguns copos do refresco, desempilhávamos as “bikes” e partíamos “aterrorizando” o bairro guarulhense.
Comportando-se como uma gangue de motociclistas malvados, os garotos seguiam “ameaçando” quem estivesse na frente e “apavorando” o bairro da Vila Galvão. Saltando lombadas, guias e rampas, empinando, “fritando” o pneu e, às vezes, quase atropelando pedestres distraídos, seguiam ziguezagueando as pistas e deixando vestígios de borracha, lama, graxa, peças, pele, osso, dente, sangue ou alguém no solo. Isto são marcas de infância.
De vez em quando ficava um pouco de sangue, um dente ou algum fragmento de pele pelo caminho, ou seja, conquistávamos uma marca de combate, geralmente ficava uma cicatriz. Especialistas, tipo um dentista ou um cirurgião, podiam apagar as marcas dos anos 80. Mercurocromo, mertiolate (que ardia mais que a ferida) poderiam curar rapidamente as sequelas dos acidentes do asfalto, entretanto mal disfarçavam os machucados, quando não expunha-os mais.
O que parecia uma pequena gangue de desajustados se comportando como uma horda de bárbaros que imaginavam-se aterrorizando o bairro, eram, na verdade, um bando de garotos que tinham que “entrar pra tomar banho” e “vestir um casaco pra não tomar friagem”. Além disso, às vezes, tinham “lição de casa” ou que “estudar pra prova”.
Naquela época, eu pedalava imaginando a trilha sonora do John Willians. Quem disse que bicicleta não voa?
73
🔴 Saidinha presidencial
Pronto, Lula subiu a rampa e, provavelmente, o Brasil descerá a ladeira. Nunca, antes, neste país, alguém foi retirado da cela e conduzido ao Palácio do Planalto. O ex-presidiário traz uma fauna acompanhante que merece ser chamada de quadrilha. Se, na trincheira, eu visse o Renan Calheiros ao lado, constataria: ops, tô do lado errado! Nem o povo, esse detalhe, conseguiu impedir. Um punhado significante do povão, sabe-se lá por qual motivo, ficou do lado do “establishment”. E assim, à força, temos um novo, digamos..., governo.
Não posso acusar o petista de estelionato eleitoral. Pelo menos as primeiras bobagens, que já estão destruindo o que foi feito, ele prometeu. Vários jornalistas e economistas já se arrependeram de fazer o “L”. Isso prova que corremos sérios riscos quando confiávamos nessas categorias.
A ditadura moderna ao menos ajudou a desmascarar a turma que vivia dos discursos: “Abaixo a ditadura”, “Tortura nunca mais” e “Censura nunca mais”. Tivemos e temos tudo isto no cardápio, no entanto, principalmente a imprensa (sempre ela) condescendeu, o que escancara a relativização do discurso. Novamente, a imprensa está do lado errado. Marcelo Odebrecht, em delação premiada da Lava Jato, disse que a imprensa sempre soube da tudo. Quando a redação da Globo comemorou, entusiasmadamente, a “vitória” do Lula, não restou dúvida que o interesse de uma empresa de comunicação, justificadamente, é financeiro; e dos funcionários, manter o emprego.
Aquele que tomou o poder já demonstra que será o ideal (e já está sendo) para estabelecer a harmonia entre os Poderes, seja por aparelhamento ou por compra. Também teremos muitas costuras de acordos, articulações e liturgia do cargo. E, sempre pensando no “melhor para o povo”, reuniões fora da agenda e jantares.
A União Europeia terá um real “líder” na América do Sul. Os agricultores franceses colocam a “faca no pescoço” do Macron (presidente da França); este, protecionista, ameaça o, quando subserviente, presidente brasileiro.
Lula é craque em falar o que a plateia quer ouvir: segurança alimentar, meio ambiente e mudanças climáticas. Funciona. Mesmo sem atitude concreta, ele sabe o que soa como uma bela canção aos ouvidos da ONU (Organização das Nações Unidas), União Europeia e alguns líderes e ditadores. Lula representa a grande possibilidade de interesses internacionais e avançará o nosso atraso.
Eu nunca vou reconhecer esse governo como legítimo. Isto não faz a menor diferença a quem quer que seja. Entretanto, esta certeza sempre acompanhará minha consciência. Por mais que a “Carreta Furacão” tenha algum sucesso, tenho certeza de que malas de dinheiro ilegal circularão, já vi isto acontecendo. Enquanto meu caráter não estiver no extrato de uma conta bancária, sem chance.
“Pode-se enganar a todos por algum tempo;
pode-se enganar alguns o tempo todo; mas
não se pode enganar a todos todo o tempo”.
(Abraham Lincoln)
49
🔴 Funcionário do Mês
O comediante Paulo Vieira foi incumbido de alegrar a turma da Globo. Não precisava muito, quem estava no programa do Luciano Huck, teria que gargalhar. Isso fazia parte do trabalho. Não podemos esperar outra reação dos funcionários, onde os premiados como “Melhores do Ano” são apenas funcionários da casa. É, basicamente, uma festa de fim de ano da firma.
O piadista escolheu um repertório sob medida para agradar os chefes e, consequentemente, a trupe global, que, “acima da espinha dorsal ereta” (caráter), tem o instinto de sobrevivência de manter o emprego. É compreensível.
Paulo Vieira atendeu a claque — que, prudentemente, ria antes do início da piada. Porém, o humor televisivo está muito fraco. Os humoristas eram provocativos, sem freios e anárquicos. No entanto, hoje eles são panfletários, autocontrolados e procuram agradar ao patrão — agradar é muito diferente de fazer rir.
O humorista reuniu, como por encomenda, temas que, sem erro, agradariam: falar mal do Luciano Hang (Véio da Havan) e dos Patriotas, que acampam nas frentes dos quartéis por não aceitarem ser roubados. Na mosca! Embora previsíveis, ele arrancou risos cenográficos e aplausos entusiasmados de Luciano Huck, Fábio Porchat, Dira Paes, Marcos Palmeira, o jornalista William Bonner e grande elenco,
Tudo, é claro, não passou de uma piada. No entanto, o humorista soube selecionar os chistes que seriam aprovados pela direção e ganharam a reação esperada dos colegas. Escravo das amarras do politicamente correto e atento à política de “compliance ESG” (conformidade com o meio-ambiente, o social e o gerenciamento sustentável) da empresa, ele não ousou contar piadas ofensivas à “tchurma” e que pudessem lhe custar o emprego.
E assim foi mais um domingo na Globo: repleto de “Melhores do Ano” que se comportam como “Funcionários do Mês”.
Obs: engraçada ou não, é apenas uma piada. Entretanto, o humorista ganhou uma lupa ideológica. Depois da reação dos que não acharam graça na pilhéria (pelo contrário, sentiram-se ofendidos), Paulo Vieira “pegou pilha” e começou a ofender quem pensa diferente. Aí não.