Lista de Poemas
🔴 Jesus e o demiurgo — O santo do pau oco
Luiz Inácio Lula da Silva contracenou com uma imagem de Jesus Cristo. Na produção cinematográfica, Lula troca uma ideia com a imagem. Sabendo que, para ele, não teria resposta, ele prometeu uma força-tarefa para mudar o Brasil. Sei... Quando o petista mente mais, fingindo fé ou desejando o bem do País? Como a intenção era só enganar, pouco importa as blasfêmias, o que realmente importa é que tudo foi registrado e divulgado. Essa representação tem um grande potencial de render votos. No fim, basta causar o mesmo efeito da picanha.
O vídeo foi tão espontâneo, que foi postado nas redes sociais para todos verem como ele é religioso. A religiosidade de Lula é tão autêntica quanto uma cédula de três reais. Deveria ter sido comovente, mas foi “fake”.
O ex-presidiário já se comparou ao próprio Jesus Cristo (várias vezes), Tiradentes, Nelson Mandela e Mahatma Gandhi. Quem é que falta? Se Lula rebaixou Deus a sua imagem e semelhança, em termos de megalomania, não consigo imaginar ninguém. Quando ele foi comparado a figuras como José Mujica, ex-presidente do Uruguai, beleza. Eu mesmo vejo semelhanças entre a dupla.
Curioso mesmo, foi Lula enxergar semelhanças com Jove da novela Pantanal. Sem uma lúcida e atenciosa curadoria feminina, aí já é demais. Seus poderes transcendentais são nulos, entretanto seu “déficit” estético é patente. Alguém que realize uma solitária sinapse vê que não tem nada a ver. Até a Janja diria: Não dá, você passou de todos os limites.
Voltando à recepção da estátua sagrada no Palácio do Planalto, Lula, cuidando para que imagem e som fossem captados, mirando a representação, disse: “Juntos, vamos mudar este país”. Se ele não estiver se referindo à Venezuela, à Argentina, à Bolívia ou a Cuba, já é uma evolução. Mas, calculando o narcisismo do demiurgo, eu acredito que ele propôs a difícil tarefa relegando a Jesus um papel secundário.
Contudo, se depender da fé comprovada pelos reais patriotas, a salvação do Brasil já foi pedida diretamente para Ele. E, pelo que sei, Lula terá que ser mantido afastado dessa salvação.
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🔴 Vai, ladrão
No livro ‘1984’, de George Orwell, a novilíngua representava esta técnica de dominação através da linguagem. Quando algum ministro petista inicia um discurso agradecendo a “todes”, mesmo sabendo que o vocábulo não existe, está dizendo “agora quem manda é a gente” e fingindo uma inclusão.
Em 2007, na sua segunda chance, Lula foi vaiado no Maracanã. Porém, como disse Nelson Rodrigues, ali vaiam até “Minuto de Silêncio”; em 2022, no Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, cantaram a musiquinha do “Lula na prisão”. Oportunamente e rapidamente, ele “explicou” que as arquibancadas da F1 eram formadas por gente rica. Apesar da gente rica fazer parte do povo, a explicação foi aceita; no velório do Pelé, terceiro dia da ocupação do petista, novamente, foi recebido com o veredicto popular. Até o momento não foi criada nenhuma justificativa.
O avião da FAB (Força Aérea Brasileira) decolou levando Lula. Levou também um sonoro “Vai, ladrão”, captado pelo microfone da torre de controle de tráfego aéreo. O ilustre passageiro não ouviu, mas tomara que, contrariando o seu histórico, o evento não contribua para aumentar o desemprego.
Estão abertos quatro longos anos de mentiras, bravatas e sinalização de virtude que enganaram e, infelizmente, seguirão enganando os incautos, distraídos e pilantras. Já teve quem, com sinceridade ou oportunamente, se arrependeram. Tarde demais. Missão dada, missão cumprida.
Algum alento é que o ex-presidiário será perseguido pelo mantra, “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão”. Não adianta, esse mantra ecoará aonde o usurpador for e onde ele se esconder. Esconderijo eficaz como as urnas, que registraram 60 milhões de supostos eleitores que se mantêm calados. Aliás, eleitores do Lula: onde vivem, como se reproduzem, do que se alimentam? Essa abstração, que seria a maioria esmagadora que elegeu Lula não se contrapõe aos que não aceitam ser governados pelo ladravaz. Pessoas que jamais foram vistas em comícios ou quaisquer aparições públicas.
Só aparece gente que não fez o “L”.
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🔵Liquidação do Mappin
Com a “roupa de sair” eu ía para a “cidade”. Cidade era como meus pais e avó (todos interioranos) se referiam a qualquer centro de cidade. Na zona rural (sítio) era assim. Com minha mãe, na São Paulo dos anos 80, eu embarcava num ônibus lento e barulhento.
O metrô sinalizava a modernidade da cidade grande e a velocidade necessária para ver um cenário que me lembrava que era Natal. Eu já tinha decorado todo o trajeto: do ônibus, do Metrô e da estação São Bento. A escada rolante, símbolo do sedentarismo, aos poucos revelava o frenético trânsito humano da Rua São Bento.
No caminho, a pé, eu seguia minha mãe, que segurava minha mão: isso me permitia olhar pra frente, pra trás, pros lados, pra baixo e, principalmente, pra cima. No Centro da capital paulista, eu via muitos edifícios que já havia visto na televisão.
Os enfeites, as marquises das lojas, o clima (em alguns pontos) e as luzes de Natal (antes da Lei Cidade Limpa) eram o mais próximo do que via em filmes e do que deve ser Nova York.
Entretanto, a seriedade estampando o rosto das pessoas e o mau-humor de alguns denunciavam o clima tenso que aquela urbe carregava. Os incêndios nos edifícios Andraus e Joelma e o endereço escolhido, por muitos, para encerrar a vida — devido a fatalidade do Metrô, intensidade dos veículos e altura dos arranha-céus e viadutos — pesavam o ambiente. O barulho das buzinas e sirenes, os ônibus ameaçadores e a pressa só ajudavam a tornar o ambiente mais tenso.
Como a parte ruim ainda não estava na minha incipiente e seletiva realidade, concentrei-me no ‘Mappin’ que despontava na outra extremidade do Viaduto do Chá. Anteriormente à bem-vinda invasão dós “shopping centers”, o ‘Mappin’ era um cartão-postal no Centro Novo, dominava o comércio de rua e era a referência de que havia chegado o Natal. A loja de departamentos poderia lembrar, guardadas as proporções, as grandes lojas de Nova York, exemplo: Macy’s.
Liberado da supervisão atenta e preocupada da minha mãe, eu tinha trânsito livre no andar Infantil da loja americana. Curioso, finalmente me sentia na ‘Duncan’s Toy Chest’, loja de brinquedos dos filmes ‘Esqueceram de mim’ e ‘Quero ser grande’.
Com a curiosidade satisfeita e algumas sacolas cheias de promoções da ‘Liquidação do Mappin’, eu descia o elevador ouvindo a ascensorista, com voz anasalada e burocrática, anunciando os departamentos: Cama, mesa e banho; Esportes; Calçados; Vestuário masculino; Eletrodomésticos etc. A ansiedade para pular do cubículo lotado, só acabaria quando a entediada ascensorista falasse: Lanchonete.
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🔵 Perdeu, mané
Trabalhando em deslocamento por todas as regiões de São Paulo, era normal eu ir parar num bairro “proibido”. Um território inóspito, o fundão de um ônibus biarticulado, uma camiseta polo com a logomarca da empresa que eu trabalhava e um relógio ostensivo (como os do Faustão), a curiosa e perigosa configuração deve ter me destacado no campo de visão do ladavaz que embarcou no transporte coletivo. Analisando bem, deveria ser o fim de expediente do “senhor ladrão”, mas a ocasião lhe parecia bastante favorável. Não poderia haver cenário mais convidativo para eu exercer o único papel que, antes nunca do que alguma vez, me cabia: vítima.
Antes, o malfeitor resolveu espalhar o terror nos outros infelizes passageiros. Finalmente, a dupla (havia um ajudante) quis socializar o meu relógio. Dando uma de malandro (igual o Luís Roberto Barroso em Nova York), “negociei”. Esgotadas as possibilidades de o meliante seguir um caminho correto, começar a frequentar uma escola ou visitar a biblioteca, não fui bem compreendido, nem bem “atendido” pelo indivíduo, portanto, entreguei o relógio que comprei num camelô.
Se quem quis levar a vantagem era o ladrão, logo eu só poderia estar fazendo o papel de mané. Sim, mané sempre foi sinônimo de otário. É a vida, ao menos eu continuava sendo honesto, e isto é um valor que não se costuma encontrar no fundo de um ônibus.
Entretanto, uma dúvida poderia inverter os papéis: eu paguei barato no relógio vagabundo sabendo que o produto estava sendo adquirido em uma banca de camelô, portanto era falso; enquanto, o ladrãozinho roubou o relógio achando que estava tomando algo valioso e obteria um bom lucro ou algumas pedras de crack.
Sei que relógio que atrasa não adianta, mas aquele acertava pelo menos duas vezes ao dia. E a sensação de ser assaltado nunca será boa. Embora, esta triste experiência seja comum numa metrópole como a paulistana, este foi meu único e barato episódio.
A súbita hora extra e aumento da jornada de trabalho foi improdutiva e pessimamente remunerada. Aquele crime não compensou.
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🔵 Casa Maluca
Eu sou tímido o suficiente para odiar “participar” de um espetáculo de auditório — daquele tipo que seleciona um “voluntário” para pagar mico e concentrar os risos e gargalhadas armazenados. Minha constatação prévia: alguém da plateia será capturado para bancar o panaca, enquanto o “Zé Graça” sai como o “bonzão”.
Como perdido do bando, desgarrado e atraído, resolvi entrar naquele “brinquedo” misterioso e sem fila. No Hopi Hari, era raro encontrar uma atração que não combinasse altura, velocidade e longas filas. Pois bem, curioso, adentrei o recinto.
Olhando, a casa é totalmente torta e tudo parece na iminência de um acidente. O apresentador, treinado para ser um animador, animadamente me chamou para desafiar a gravidade na Casa Maluca. Sucesso. Sem sequelas.
O apresentador emendou outro truque da magnífica residência. Eu já estava menos assombrado com o público olhando fixamente para mim. A sensação de que todos esperavam o meu erro já havia passado, isso hipertrofiou a minha confiança.
Fui convidado à mesa de bilhar. Esquecendo-me que estava na ‘Casa Maluca’ e que algo incrível estava para acontecer, tentei fazer o que sabia: mirei a caçapa do canto direito, golpeei a bola branca, a bola branca pulou e empurrou a bola que sumiria na caçapa e...
As três bolas escorreram para a caçapa contrária e, como num sumidouro, foram embora, frustrando as expectativas de uma audiência atenta. Pronto, eu acabava de arruinar a brincadeira. Com a impossibilidade de me assassinar, o animador esboçou um sorriso e se esforçou para puxar uma salva de palmas para mim. Eu fui brindado com aplausos esparsos e sem empolgação. Nessas alturas, já havia desistido de reivindicar o meu prêmio.
Embora eu tenha desvendado as leis da física, bancando o Mister M, não me orgulhei daquele papelão. É claro que agora eu sei que fui selecionado para participar daquela farsa e interpretar a palhaçada toda. Era esse o papel esperado na ‘Casa Maluca’: causar a ilusão de que ali dentro a Lei da Gravidade fora revogada.
Eu já havia me livrado da “atração”. Entretanto, aquela aventura jamais foi esquecida, de modo que eu saí da’Casa Maluca’, porém a ‘Casa Maluca’ nunca abandonou a minha mente. Depois que atravessei aquela porta, nunca mais fui o mesmo: Será que a casa era maluca ou eu era o maluco?
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🔵 Críticos de cinema
“Influencers” especializados em comentar filmes fazem excelentes análises. Enxergam o que o diretor quis dizer com determinada cor, mensagens subliminares embutidas em falas, nuances psicológicas, referências históricas, literárias ou da arte popular.
Depois desses vídeos, recolho-me à minha insignificância cinematográfica. Eu, que mal recordo os nomes dos principais personagens, admiro destrinchamentos tão detalhistas. Entretanto, após décadas de entendimento da malandragem humana, sei que é raro alguém que, do próprio raciocínio, faça uma análise tão profunda e detalhada, por mais “nerd” que seja. Então, algumas características recorrentes, facilmente, levam a crer que um copia o outro.
Fiquei curioso em descobrir qual é a fonte primária, ou seja: quem é o proprietário da mente brilhante que produz descrições tão profundas, detalhadas e cheias de referências? Apesar de jovens, os influenciadores são capazes de descrever visões que só podem ter existido na cabeça do diretor ou em uma mente doentia. Eu continuo tentando entender o básico.
A única coisa que me interessa nesses vídeos é o “spoiler” (revelação de fato a respeito do filme). Todos evitam o “spoiler”, porém, é justamente a palavra maldita que aumenta minhas esperanças de entender algo. Conclusão: o que afugenta os outros, pois é um verdadeiro estraga prazeres, para mim pode ser a solitária esperança de entender uma história. Se eu tropeçar num “plot twist” (virada no enredo), no entanto, tudo volta a enroscar.
Para mim, um filme que exija do espectador um QI equivalente ao utilizado para ler um livro, merece ser desprezado. Comédia, terror e ação são os gêneros mais previsíveis, por isso são, não por coincidência, meus preferidos.
Assisto a explicações embasadas em aspectos da psiquê que, imaginava, somente um especialista consiga enxergar. Contudo, eu me considero apto a interpretar um filme do Rocky Balboa ou do John Rambo, quando um soco significa um soco e bombas, tiros e facadas produzem cadáveres ou, no mínimo, ferimentos graves, respectivamente.
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🔵 Bicicletas voadoras
Aquela gangue de moleques (com uma média de 13 anos de idade) vinha tomando a Rua 13 de Maio. Como uma nuvem de gafanhotos a turminha corria e empinava as bicicletas “cross”, típicas dos anos 80.
O filme E.T. — O Extraterrestre, visto no cinema, não saía da cabeça e fazia tudo parecer possível. Como levantar voo com as “bikes” parecia impossível — coisa da mente do Steven Spielberg —, o máximo que fazíamos era dividirmos umas três garrafas de “Baré Cola”, que era o refrigerante que as esparsas moedas conseguiam servir aos ciclistas mirins, portanto, a tubaína que éramos obrigados a gostar. Impossibilitados de obter a água negra do imperialismo estadunidense, exigíamos, com desassombrada assertividade, a pobre bebida carbonatada tupiniquim. Abastecidos de alguns copos do refresco, desempilhávamos as “bikes” e partíamos “aterrorizando” o bairro guarulhense.
Comportando-se como uma gangue de motociclistas malvados, os garotos seguiam “ameaçando” quem estivesse na frente e “apavorando” o bairro da Vila Galvão. Saltando lombadas, guias e rampas, empinando, “fritando” o pneu e, às vezes, quase atropelando pedestres distraídos, seguiam ziguezagueando as pistas e deixando vestígios de borracha, lama, graxa, peças, pele, osso, dente, sangue ou alguém no solo. Isto são marcas de infância.
De vez em quando ficava um pouco de sangue, um dente ou algum fragmento de pele pelo caminho, ou seja, conquistávamos uma marca de combate, geralmente ficava uma cicatriz. Especialistas, tipo um dentista ou um cirurgião, podiam apagar as marcas dos anos 80. Mercurocromo, mertiolate (que ardia mais que a ferida) poderiam curar rapidamente as sequelas dos acidentes do asfalto, entretanto mal disfarçavam os machucados, quando não expunha-os mais.
O que parecia uma pequena gangue de desajustados se comportando como uma horda de bárbaros que imaginavam-se aterrorizando o bairro, eram, na verdade, um bando de garotos que tinham que “entrar pra tomar banho” e “vestir um casaco pra não tomar friagem”. Além disso, às vezes, tinham “lição de casa” ou que “estudar pra prova”.
Naquela época, eu pedalava imaginando a trilha sonora do John Willians. Quem disse que bicicleta não voa?
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🔵 Ver para crer
Malas, barracas e cinco pessoas. Tínhamos o necessário e principalmente um resquício “hippie”, com algumas décadas de atraso; algum espírito aventureiro, para encarar o acampamento silvestre; e o suficiente de comida e água para enfrentar a estrada para Minas Gerais.
Partimos, esperando encontrar uma São Thomé das Letras bucólica, cercada por montanhas, habitada por adoradores de Raul Seixas e Aleister Crowley; no entanto, o primeiro contato com a cidadezinha mística foi decepcionante: uma picape tocando algo entre sertanejo e pagode. O som alto poderia indicar que estávamos na Anhanguera, a caminho da Festa do Peão de Barretos, mas o cheiro de maconha não deixava dúvida, estávamos na trilha correta.
Chegando à cidade dos discos voadores, saquei a única “droga” que eu tinha: um CD de música boliviana, comprado de um grupo de ameríndios na Praça Ramos. As canções folclóricas automaticamente nos identificava como os mais alternativos e habilitava a frequentar as melhores cachoeiras.
A essência, o espírito de São Thomé continuava. Neo-hippies tocando Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Zé Geraldo e Zé Ramalho no violão estavam lá; o Cruzeiro ainda animava as noites, no alto da cidade; as atrações indicadas (pizza na pedra); cachoeiras; trilhas; e o camping. Havia tudo isso.
Contudo, a mesma propaganda boca a boca que despertou a minha curiosidade, transformou a cidade mineira, outrora escondida, em rota turística, digna de estrelinhas no ‘Guia Quatro Rodas’. Eu, que saí de São Paulo me achando um bandeirante moderno, um Fernão Dias do século XXI desbravando as ”Minas Geraes, decepcionei-me ao testemunhar hordas de “playboys” a fim de “fumar um”, “encher a cara” e “pegar umas mina”.
Eu ainda esperava encontrar uma grande concentração de gênios incompreendidos por metro quadrado, vários doidos e, dizem, alguns extraterrestres. Porém, o máximo que pude achar, a olho nu, foram uns malucos que viajaram de ácido e um pouquinho de ocultismo e não voltaram.
No entanto, o Cruzeiro parecendo um trem indiano, as cachoeiras lembrando a piscina do ‘Sesc Itaquera’, o camping emulando o Parque do Ibirapuera e as filas para tudo apagaram a magia de São Thomé das Letras.
Voltamos sem experiência esotérica, sem nenhum contato alienígena, muitos turistas (iguais a nós), mas também alguns remanescentes duma São Thomé movida a ‘ayahuasca’.
Quando a Vila Madalena parece mais mística que as montanhas de Minas Gerais, alguma coisa deve estar muito errada.
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🔴 Saidinha presidencial
Pronto, Lula subiu a rampa e, provavelmente, o Brasil descerá a ladeira. Nunca, antes, neste país, alguém foi retirado da cela e conduzido ao Palácio do Planalto. O ex-presidiário traz uma fauna acompanhante que merece ser chamada de quadrilha. Se, na trincheira, eu visse o Renan Calheiros ao lado, constataria: ops, tô do lado errado! Nem o povo, esse detalhe, conseguiu impedir. Um punhado significante do povão, sabe-se lá por qual motivo, ficou do lado do “establishment”. E assim, à força, temos um novo, digamos..., governo.
Não posso acusar o petista de estelionato eleitoral. Pelo menos as primeiras bobagens, que já estão destruindo o que foi feito, ele prometeu. Vários jornalistas e economistas já se arrependeram de fazer o “L”. Isso prova que corremos sérios riscos quando confiávamos nessas categorias.
A ditadura moderna ao menos ajudou a desmascarar a turma que vivia dos discursos: “Abaixo a ditadura”, “Tortura nunca mais” e “Censura nunca mais”. Tivemos e temos tudo isto no cardápio, no entanto, principalmente a imprensa (sempre ela) condescendeu, o que escancara a relativização do discurso. Novamente, a imprensa está do lado errado. Marcelo Odebrecht, em delação premiada da Lava Jato, disse que a imprensa sempre soube da tudo. Quando a redação da Globo comemorou, entusiasmadamente, a “vitória” do Lula, não restou dúvida que o interesse de uma empresa de comunicação, justificadamente, é financeiro; e dos funcionários, manter o emprego.
Aquele que tomou o poder já demonstra que será o ideal (e já está sendo) para estabelecer a harmonia entre os Poderes, seja por aparelhamento ou por compra. Também teremos muitas costuras de acordos, articulações e liturgia do cargo. E, sempre pensando no “melhor para o povo”, reuniões fora da agenda e jantares.
A União Europeia terá um real “líder” na América do Sul. Os agricultores franceses colocam a “faca no pescoço” do Macron (presidente da França); este, protecionista, ameaça o, quando subserviente, presidente brasileiro.
Lula é craque em falar o que a plateia quer ouvir: segurança alimentar, meio ambiente e mudanças climáticas. Funciona. Mesmo sem atitude concreta, ele sabe o que soa como uma bela canção aos ouvidos da ONU (Organização das Nações Unidas), União Europeia e alguns líderes e ditadores. Lula representa a grande possibilidade de interesses internacionais e avançará o nosso atraso.
Eu nunca vou reconhecer esse governo como legítimo. Isto não faz a menor diferença a quem quer que seja. Entretanto, esta certeza sempre acompanhará minha consciência. Por mais que a “Carreta Furacão” tenha algum sucesso, tenho certeza de que malas de dinheiro ilegal circularão, já vi isto acontecendo. Enquanto meu caráter não estiver no extrato de uma conta bancária, sem chance.
“Pode-se enganar a todos por algum tempo;
pode-se enganar alguns o tempo todo; mas
não se pode enganar a todos todo o tempo”.
(Abraham Lincoln)
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🔴 Sai Pelé, entra Lula
Dia 29 de dezembro eu estava assistindo a um programa de política. É lógico, o assunto Pelé tomou de assalto qualquer pauta, como deve ter acontecido inclusive nos programas de culinária. Pois bem, eu estava vendo Pelé, de repente entra Lula no vídeo. Eis o anticlímax.
Como se de fato fosse um rei, o Rei exercia as funções de um chefe de Estado, “abrindo portas”, representando nossa excelência e ideais; como se fosse um chefe de governo legítimo, Lula chefia o Executivo e assina papéis priorizando o “establishment”.
Para quem já esteve no exterior, era um orgulho falar que vinha do país do Rei; enquanto a simples menção do nome do ex-presidiário virou motivo de vergonha. Quando quaisquer times perdiam para um adversário do qual Pelé fazia parte, era legítimo; agora, se você for derrotado pelo Lula, suspeite de métodos sub-reptícios e ouvir, repetidas vezes, “perdeu, mané”. Dependendo do personagem (Lula ou Pelé) as palavras “jogada e drible” tem sentidos diferentes. Pelé vencia por meritocracia, porque era o melhor; Lula vence com uma mãozinha, com um jeitinho, cheio de malandragem e subterfúgios. A palavra “Pelé” abre sorrisos; a palavra “Lula” provoca risadas. Sabemos alguns defeitos do Pelé, isso o torna humano; também sabemos alguns defeitos do Lula, isso o torna desumano.
Para quem não era nascido quando Pelé jogou (ganhou), é comum herdar o testemunho paterno. Os avôs também são testemunhas privilegiadas. Contudo, esta experiência tende a ficar mais rara.
Pelo menos, numa coisa Lula foi maior que Pelé: o Rei destruiu o meu Corinthians; Lula destruiu o Brasil. Pelé tem valor, Lula tem preço.
Pelé foi o brasileiro mais ilustre, Lula é — na minha insignificante opinião — o brasileiro mais desprezível de todos os tempos.
Sai Pelé, entra Lula: esta foi a nossa mais injusta e triste substituição.
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