rafaeldasilva

rafaeldasilva

Perfil
24 146 Visualizações

🔵 O doutrinador

O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.




Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola.  Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).




No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.




A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”. 




Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que  ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.




Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
Ler poema completo

Poemas

453

🔵 Lula lá, eu aqui




Naquele dia, acordei mais cedo e tomei o café da manhã. Antes de sair, peguei uma pilha de “santinhos”. No panfleto, havia um sujeito barbudo e alguns escritos, dentre eles, um em destaque: “Lula lá”. Àquela época, ainda era romântico votar no PT e achar que o Lula significava o povo no poder.




Quem não foi socialista na juventude, não tinha coração; quem permanece socialista depois de adulto, não tem cérebro. Esta anedota talvez entregue que eu sempre fui frio e calculista. Não precisei receber boletos, nem DARF’s para descobrir que o Estado seria meu maior inimigo e as estatais são “elefantes brancos” que favorecem a corrupção e expõem a ineficiência do governo. Logicamente, eu ainda não havia estabelecido estes conceitos, de modo que fui convencer alguns eleitores, que assinalando na cédula o nome daquele cara, que eu mal conhecia, teríamos um País melhor.




Eu não sabia, mas aquela experiência tinha o potencial de alterar o rumo da minha vida. O terreno era espinhoso, de modo que gás lacrimogênio, jato d’água, cassetete, bala de borracha, algemas e camburão abririam um portal sem volta, deixariam uma ferida impossível de cicatrizar e alterariam minha incipiente personalidade para o resto da vida. Eu seria cooptado como um adepto de uma seita cujo fim é o suicídio coletivo. 




Nem a escola, nos anos 80, foi capaz de me tornar ávido por justiça social. As aulas de História e Geografia não me convenceram de que éramos todos opressores e oprimidos. A propaganda, feita por um professor, da fundação do Partido Verde não me comoveu, continuei achando o feto humano mais importante do que o ovo de tartaruga.




A contestação, causada pelo choque de gerações, aos meus pais era facilmente dissuadida com um pacote de ‘Biscoitos São Luiz’ sabor chocolate e a revolta com a Igreja Católica era aplacada com a ameaça de um deus vigilante e vingativo.




Essa opção, numa encruzilhada da vida, me impediu de virar um Che Guevara de butique, vestindo sandálias de couro e calça de algodão cru, passar as tardes na Vila Madalena me entupindo de cachaça com linguiça e achando Guilherme Boulos e Marcelo Freixo caras legais.




***




Consegui abstrair aquela situação e vi que não ornava. A estética era péssima: eu distribuindo panfletos do PT, sorrindo e sendo retribuído com indiferença. Constatando que aquilo não era pra mim, devolvi a pilha de panfletos e segui me decepcionando com a política, mas, a partir dali, somente com a direita.




A minha alternativa foi o Collor, o caçador de marajás. 




Fim.
52

🔵 Cão

Saltitante, trotando como um puro sangue, vinha ele. Pelo negro brilhante e uma mancha branca espalhada pelo peito e as quatro perninhas compridas. Trazia uma característica respeitosa na mandíbula comprida. Merecia um nome nobre: Duque, talvez. Contudo, sua aparência inspirou, ironicamente, a abreviação do terrível pitbull. Como de costume, mas franqueando algum respeito, chamava-o de cão.




Empertigado, pelagem brilhante, mandíbula proeminente, ossatura firme, porte esbelto, um legítimo Fox Paulistinha. Seria assim que o Pit se descreveria se tivesse o dom da fala; eu também exageraria descrevendo os seus atributos se ele fosse inscrito num torneio do Kennel Club. No entanto, o meu cãozinho trazia um rato morto na boca e, pelo que eu saiba, capturar roedores não garante nenhum brinde no Kennel Club. 




Se passeasse com o pequeno cão, sei que não poderia fingir que éramos uma dupla muito perigosa (eu, lutador de jiu-jítsu e ele, um pitbull), por isso, só tinha coragem de levá-lo para tomar vacina contra a raiva, em agosto.




Pit caçava ratos e exibia-os como se alguém admirasse essa sua habilidade. Não bastasse a ausência de higiene, o animal fazia questão de mostrar o resultado de sua busca em qualquer ocasião, inclusive na hora do almoço. Sua única habilidade apreciada — embora repetida por qualquer vira-lata velho e zuado — era pegar bolinhas. Ele apenas cessava quando eu parava de chutar as esferas; pela sua incrível frequência cardíaca, tenho certeza que só desistiria quando caísse morto.




Ele não seria útil perante um cão perdigueiro ou um cão pastor. Ele não vinha de uma raça famosa como um dálmata, a Lassie, o Snoopy, o Benji, o Scooby-Doo, o Marley etc. Ele não era um bicho feroz e temido como um dobermann, um fila, um rottweiler ou um, novamente, pitbull.




Não foi nenhum animal premiado, não possuía habilidades especiais, não fazia truques e não era um bom guarda. Entretanto, era um ótimo companheiro. A maior habilidade dele era mostrar qualidades humanas. O grande truque dele viria no ato final: saudades...




O coraçãozinho do Pit parou. Não foi apanhando ratos, nem bolas.
78

🔵 Vá ao teatro! Mas não me chame




Definitivamente, ir ao teatro não é pra mim. Talvez esse hábito exija um nível intelectual que não possuo. Entretanto, quando tento fingir que sou “antenado” e tenho um gosto cultural refinado, faço o sacrifício. Mas, ainda assim, fico com a impressão que a representação teatral não passe de uma pecinha escolar.




Enfrentar uma plateia “blasé” é pior. Este tipo de público faz questão de esfregar na cara que você não deve fazer a mínima ideia do que foi assistir ali. Um pessoalzinho descolado, antenado e citando peças obscuras — dessas que nem a turminha do Metrópolis conhece.




Meu amigo tinha um primo ligado com a cena mais “underground” de teatro que pode existir. Como frequentávamos as excelentes festas na Serra da Cantareira, nada mais justo que tirar uma noite de sábado para prestigiar a atuação da trupe.




Teatro de Bolso, Vila Madalena e aquele público “cabeça”, que olhava para nossa cara como se nós tivéssemos errado o endereço do “stand-up comedy”. Aquela combinação toda era um “combo” perfeito do entretenimento para poucos. 




Mesmo assim, arriscamos nos submeter ao critério daquela “gente fina, elegante e sincera” e, automaticamente, sermos observados como uma espécie exótica. Portanto, entramos no teatrinho minúsculo, ocupamos os assentos do fundo e aguardamos a atração. Pelo estado dos nossos trajes, tenho certeza de que éramos temidos. A proximidade realçou nossas diferenças.




Logo na entrada do elenco, gargalhamos ao ver figuras masculinas exibindo trajes femininos. Continuamos rindo meio fora de hora. Nossos risos tomaram conta daquele tacanho ambiente. A plateia, formada por gente do teatro e a nata da vanguarda das artes cênicas paulistana, no princípio ficou incomodada com o péssimo comportamento daquela escória em ambiente tão nobre. Nossa visão turva de mundo continuava contrastando com aquele povinho que se achava mais moderno porque tinha a “cabeça aberta”.




O quão ridícula era aquela situação: aquele teatro, aqueles atores, a plateia.... Todos fingindo pertencer a uma elite cultural urbana, tendo o “privilégio” de testemunhar uma manifestação artística para poucos. Mas todos estavam ávidos para devorar um “dogão” de rua com purê, milho, ervilha e batata palha, logo vi.




Nossa insistência em gargalhar começou a ser replicada. A nova reação do diminuto público nada mais era do que a galerinha “blasé” achando que não estava entendendo alguma coisa. Não cedemos o protagonismo. Conduzimos aquela pantomima ridícula, aquele jogral mal ensaiado até o derradeiro ato. Levamos aqueles nobres falidos para onde quisemos.




No final daquela aventura, o primo do meu amigo agradeceu as risadas efusivas. Coitado, mal sabe que havia franqueado a entrada àquela arena teatral a uma horda acostumada a rir de humor pastelão, histórias rasteiras, videocassetadas e piadas de mau gosto. O resultado de estudos e ensaios foi recebido com a mesma profundidade de um capítulo do ‘Big Brother’ ou ‘A fazenda’. Pronto, enfim havíamos encarado o programa do qual lamentaríamos eternamente.




Logo seríamos expelidos para o subúrbio, devolvidos ao porão cultural, garimpando no esgoto o que nos é permitido nos momentos de lazer.
91

🔵Liquidação do Mappin




Com a “roupa de sair” eu ía para a “cidade”. Cidade era como meus pais e avó (todos interioranos) se referiam a qualquer centro de cidade. Na zona rural (sítio) era assim. Com minha mãe, na São Paulo dos anos 80, eu embarcava num ônibus lento e barulhento.




O metrô sinalizava a modernidade da cidade grande e a velocidade necessária para ver um cenário que me lembrava que era Natal. Eu já tinha decorado todo o trajeto: do ônibus, do Metrô e da estação São Bento. A escada rolante, símbolo do sedentarismo, aos poucos revelava o frenético trânsito humano da Rua São Bento.




No caminho, a pé, eu seguia minha mãe, que segurava minha mão: isso me permitia olhar pra frente, pra trás, pros lados, pra baixo e, principalmente, pra cima. No Centro da capital paulista, eu via muitos edifícios que já havia visto na televisão. 




Os enfeites, as marquises das lojas, o clima (em alguns pontos) e as luzes de Natal (antes da Lei Cidade Limpa) eram o mais próximo do que via em filmes e do que deve ser Nova York. 




Entretanto, a seriedade estampando o rosto das pessoas e o mau-humor de alguns denunciavam o clima tenso que aquela urbe carregava. Os incêndios nos edifícios Andraus e Joelma e o endereço escolhido, por muitos, para encerrar a vida — devido a fatalidade do Metrô, intensidade dos veículos e altura dos arranha-céus e viadutos — pesavam o ambiente. O barulho das buzinas e sirenes, os ônibus ameaçadores e a pressa só ajudavam a tornar o ambiente mais tenso.




Como a parte ruim ainda não estava na minha incipiente e seletiva realidade, concentrei-me no ‘Mappin’ que despontava na outra extremidade do Viaduto do Chá. Anteriormente à bem-vinda invasão dós “shopping centers”, o ‘Mappin’ era um cartão-postal no Centro Novo, dominava o comércio de rua e era a referência de que havia chegado o Natal. A loja de departamentos poderia lembrar, guardadas as proporções, as grandes lojas de Nova York, exemplo: Macy’s. 




Liberado da supervisão atenta e preocupada da minha mãe, eu tinha trânsito livre no andar Infantil da loja americana. Curioso, finalmente me sentia na ‘Duncan’s Toy Chest’, loja de brinquedos dos filmes ‘Esqueceram de mim’ e ‘Quero ser grande’.




Com a curiosidade satisfeita e algumas sacolas cheias de promoções da ‘Liquidação do Mappin’, eu descia o elevador ouvindo a ascensorista, com voz anasalada e burocrática, anunciando os departamentos: Cama, mesa e banho; Esportes; Calçados; Vestuário masculino; Eletrodomésticos etc. A ansiedade para pular do cubículo lotado, só acabaria quando a entediada ascensorista falasse: Lanchonete.
63

🔴 Azar deles




Um povo não merece ser governado por um mandatário condenado. Ontem, Cristina Kirchner foi condenada pela Justiça. Como os argentinos têm azar!




Como dar o exemplo? Os pais ensinam que é feio roubar, que isso não  compensa. Os argentinos não têm mais este argumento. Aqui no Brasil, os juízes têm plena consciência: o crime não compensa. Por isto, lamento muito: que pena dos argentinos.




Governantes amigos de ditadores sul-americanos. Ditadores sul-americanos donos de uma estética caudilha terceiro-mundista. Foro de São Paulo, Grupo de Puebla, Unasul, Bolivarianismo etc. Esse pacote de besteiras faz parte do glossário do Mal e compõe  essa estética latino-americana terceiro-mundista. Todos esses mandatários parecem oferecer um ideal de sociedade tão utópico que não conseguem entregar nunca. Acabam por “quebrar alguns ovos para fazer uma omelete”. Prometem uma igualdade que, se existe, se materializa como escassez para todos. A Argentina padece na mão dessa gente. Que azar!




O futebol é o ópio do povo. É Copa do Mundo, a seleção está classificada para as quartas de final, portanto, tudo é válido; é nessas horas que medidas impopulares passam no Congresso, A nossa rivalidade é só em campo. Por serem tratados assim, tenho pena deles, os argentinos.




Mesmo após a sentença, a permanência no governo é praticamente garantida. O crime, quando não é punido se banaliza, aí a cara de pau é institucionalizada, e até a Presidência abre as portas para quem deveria estar na cadeia. Governados por quem deveria estar na cadeia. E, pela idade avançada, isso não vai acontecer. Ah, os “hermanos”, quanto azar. Graças a Deus, sou brasileiro.




Perseguição política é a narrativa padrão para “vender” a condenação como algo ilegal. A turma da vice também fala em “máfia judicial” e “Estado paralelo”. A Argentina não é para amadores.




As urnas eletrônicas provam que no Brasil, sim, existe democracia. A apuração sempre ocorre magicamente, e os resultados são divulgados como, mágica, no dia. Eleições, aqui, são tão confiáveis e ágeis, que esse dia é conhecido como: “A festa da democracia”.




Realmente, nós temos muita sorte. 
81

🔴 O MST volta a amolar




Não foi por falta de aviso. Aviso deles mesmos. O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) tem um método para realizar ataques terroristas sem ser enquadrado no crime. No entanto, Lula foi eleito, digo, “coroado” chefe do Brasil, apesar das ameaças terroristas do grupo.




É muito curioso como o MST chega nos assentamentos: picapes e outros carros. João Pedro Stédile, líder do MST, já acenava com retomada de invasões, em caso vitória de Lula. Chegou a hora.




Durante o governo Bolsonaro, o movimento resolveu suspender suas perfunctórias atividades, entrando, assim, numa hibernação compulsória e bastante oportuna. Com a tolerância zero tendo dissuadido o bando de tentar invadir propriedades, e a distribuição de terras ter feito o grupo terrorista perder a motivação, o MST não conseguiu conduzir uma turba enfurecida com sangue nos olhos e a faca entre os dentes.




Mas com a invasão-mor do PT (Partido dos Trabalhadores) servindo de exemplo, o MST está amolando os fações e foices. O amor venceu e o estímulo financeiro para colocar a justiça social em prática está chegando. Se o Lula subir a rampa, o agronegócio desce a ladeira.




Pedro Stédile e sua massa de manobra só esperou o Lula ganhar o Brasil de presente para voltar a tocar o terror. Fingindo perseguir a reforma agrária, o MST mutila animais, arrasa pesquisas e destrói plantações. A tática dos manifestantes invalida o argumento de que o grupo só invade terras improdutivas.




Jair Bolsonaro, contrariando as expectativas, realizou uma farta distribuição de propriedades rurais; essa ação desmobiliza o exército do MST. Além de impossibilitar o meio de vida de parasitas, como o Stédile, isso desmascara quem finge que luta pela reforma agrária. Resumindo: é ruim para os negócios. Se Lula não fosse conduzido à Presidência, Stédile teria que, argh, trabalhar.




Facões, foices e pedaços de madeira não são ferramentas de trabalho, são instrumentos de intimidação ou, na hora que o “bicho pega”, armas.




“Fé cega, faca amolada”.
53

🔴 Bola fora




Aquele sambinha no ônibus, a alegria movida a “ON e OFF” das câmeras e a “pachequice” do Galvão Bueno. A nada disso foi atribuída a eliminação do Brasil. Fatores extracampo não faltaram para explicar o fracasso da Seleção. Durante o torneio, Casagrande tratou de ser o zangado comentarista de comportamento dos jogadores, técnico, jornalistas, torcedores... Seu olhar acusador não deixou escapar: as dancinhas, os ex-jogadores na tribuna, todos os seres vivos bolsonaristas e a carne de ouro. Era óbvio que o episódio da churrascaria seria usado para explicar a eliminação da Seleção. 




A peça de carne não tem nada de especial, além de custar caro, ser pulverizada com o metal precioso e ser preparada por um chef-celebridade e servida com salamaleques exagerados.  A cena dos jogadores rindo, enquanto a carne era confeccionada com ouro, só é patética. Um personagem de peso (Ronaldo Fenômeno) se destacava. Apesar de não jogar futebol, o ex-craque foi escalado para o restaurante, tendo sido alimentado bem. 




Não vejo mal nenhum em visitar um restaurante com carne folheada a ouro; eu mesmo escapei dos holofotes quando frequentava o rodízio chamado ‘Novilho de Ouro’. Em termos de ostentação, isso é bem pior. Posso ter sido poupado dos “flashs” porque peguei a promoção da quinta-feira, quando o espeto corrido era mais barato. Bife de ouro.. Isso é nome de churrascaria de beira de estrada.




Prefiro o ‘Novilho de Ouro:, porque dá direito a: promoção de quinta-feira, bufffet de salada à vontade, um pedaço de pudim de graça e um cafezinho. Logo na entrada, uma lousinha, rabiscada de giz, informa qual é a especialidade do dia. Tudo isto por um precinho que cabe no bolso. Isso vale ouro!




O Brasil tentou conquistar a Copa do Mundo, mas, como consolação, comprou a carne de ouro.







A ‘carne de ouro’ é nossa,

com brasileiro não há quem possa.
54

🔴 Funcionário do Mês




O comediante Paulo Vieira foi incumbido de alegrar a turma da Globo. Não precisava muito, quem estava no programa do Luciano Huck, teria que gargalhar. Isso fazia parte do trabalho. Não podemos esperar outra reação dos funcionários, onde os premiados como “Melhores do Ano” são apenas funcionários da casa. É, basicamente, uma festa de fim de ano da firma.




O piadista escolheu um repertório sob medida para agradar os chefes e, consequentemente, a trupe global, que, “acima da espinha dorsal ereta” (caráter), tem o instinto de sobrevivência de manter o emprego. É compreensível.




Paulo Vieira atendeu a claque — que, prudentemente, ria antes do início da piada. Porém, o humor televisivo está muito fraco. Os humoristas eram provocativos, sem freios e anárquicos. No entanto, hoje eles são panfletários, autocontrolados e procuram agradar ao patrão — agradar é muito diferente de fazer rir.




O humorista reuniu, como por encomenda, temas que, sem erro, agradariam: falar mal do Luciano Hang (Véio da Havan) e dos Patriotas, que acampam nas frentes dos quartéis por não aceitarem ser roubados. Na mosca! Embora previsíveis, ele arrancou risos cenográficos e aplausos entusiasmados de Luciano Huck, Fábio Porchat, Dira Paes, Marcos Palmeira, o jornalista William Bonner e grande elenco,




Tudo, é claro, não passou de uma piada. No entanto, o humorista soube selecionar os chistes que seriam aprovados pela direção e ganharam a reação esperada dos colegas. Escravo das amarras do politicamente correto e atento à política de “compliance ESG” (conformidade com o meio-ambiente, o social e o gerenciamento sustentável) da empresa, ele não ousou contar piadas ofensivas à “tchurma” e que pudessem lhe custar o emprego.

 

E assim foi mais um domingo na Globo: repleto de “Melhores do Ano” que se comportam como “Funcionários do Mês”.




Obs: engraçada ou não, é apenas uma piada. Entretanto, o humorista ganhou uma lupa ideológica. Depois da reação dos que não acharam graça na pilhéria (pelo contrário, sentiram-se ofendidos), Paulo Vieira “pegou pilha” e começou a ofender quem pensa diferente. Aí não.
36

🔵 O último jogo de futebol




Já não passaria mal. Antes, quase vomitei, depois das corridas entre defesa e ataque. Esse era meu retorno, após um período de algum grau de sedentarismo, ao futebol de meio de semana. Todo o vigor físico conquistado era confiscado na churrasqueira e no balcão do bar.




Com a mudança de trabalho, o futebol, o churrasco e a cerveja no meio da semana tiveram que ser sacrificados. Por um lado isso era bom: não precisaria mais chegar em casa às quatro da madrugada nem acordar quebrado. Aquela vida de “atleta de um único dia” havia ficado para trás. 




Domingo, novamente entregue ao sedentarismo, os amigos me chamaram para assistir à final do campeonato. Relutei, dando explicações que não pareceram convincentes. Não conseguindo aplicar uma desculpa plausível, desisti e aquiesci ao insistente convite. 




Chegando na quadra, aproximei do narrador para ver o placar da partida. Não queria acreditar no que vi: o meu nome estava escrito na escalação que o narrador consultava. Tive um misto de orgulho e frustração típica de quem caiu numa pegadinha televisiva. A solução era eu me esconder entre os espectadores. Mas não teve jeito, fui descoberto e “convidado” (mais um convite) para vestir o uniforme e entrar na quadra.




O sedentarismo causou uma incompatibilidade entre a vontade de vencer e o corpo. O cérebro estava na quadra “society”, correndo da defesa ao ataque (e vice-versa); o corpo ainda tentava se esconder entre a torcida, “assistir” a churrasqueira ou debruçar no balcão.




A minha gana de vencer sempre contrastou com outros que, ao contrário, pareciam com vontade de perder. O placar adverso refletia o ânimo da equipe, pois, já estava estabelecida a derrota. Portanto, pouco adiantou o reforço, mesmo que eu estivesse em melhor forma física.




Apesar de eu jogar apenas para dividir a frustração por perder o campeonato, cheguei à conclusão de que os tempos de “atleta” haviam se esgotado. E, para não sofrer nenhum gol, fiquei na defesa, já que eu também estava esgotado. Apenas sobrava disposição para o churrasco e a cerveja.
57

🔴 Saidinha presidencial




Pronto, Lula subiu a rampa e, provavelmente, o Brasil descerá a ladeira. Nunca, antes, neste país, alguém foi retirado da cela e conduzido ao Palácio do Planalto. O ex-presidiário traz uma fauna acompanhante que merece ser chamada de quadrilha. Se, na trincheira, eu visse o Renan Calheiros ao lado, constataria: ops, tô do lado errado! Nem o povo, esse detalhe, conseguiu impedir. Um punhado significante do povão, sabe-se lá por qual motivo, ficou do lado do “establishment”. E assim, à força, temos um novo, digamos..., governo.




Não posso acusar o petista de estelionato eleitoral. Pelo menos as primeiras bobagens, que já estão destruindo o que foi feito, ele prometeu. Vários jornalistas e economistas já se arrependeram de fazer o “L”. Isso prova que corremos sérios riscos quando confiávamos nessas categorias.




A ditadura moderna ao menos ajudou a desmascarar a turma que vivia dos discursos: “Abaixo a ditadura”, “Tortura nunca mais” e “Censura nunca mais”. Tivemos e temos tudo isto no cardápio, no entanto, principalmente a imprensa (sempre ela) condescendeu, o que escancara a relativização do discurso. Novamente, a imprensa está do lado errado. Marcelo Odebrecht, em delação premiada da Lava Jato, disse que a imprensa sempre soube da tudo. Quando a redação da Globo comemorou, entusiasmadamente, a “vitória” do Lula, não restou dúvida que o interesse de uma empresa de comunicação, justificadamente, é financeiro; e dos funcionários, manter o emprego.




Aquele que tomou o poder já demonstra que será o ideal (e já está sendo) para estabelecer a harmonia entre os Poderes, seja por aparelhamento ou por compra. Também teremos muitas costuras de acordos, articulações e liturgia do cargo. E, sempre pensando no “melhor para o povo”, reuniões fora da agenda e jantares. 




A União Europeia terá um real “líder” na América do Sul. Os agricultores franceses colocam a “faca no pescoço” do Macron (presidente da França); este, protecionista, ameaça o, quando subserviente, presidente brasileiro. 




Lula é craque em falar o que a plateia quer ouvir: segurança alimentar, meio ambiente e mudanças climáticas. Funciona. Mesmo sem atitude concreta, ele sabe o que soa como uma bela canção aos ouvidos da ONU (Organização das Nações Unidas), União Europeia e alguns líderes e ditadores. Lula representa a grande possibilidade de interesses internacionais e avançará o nosso atraso.




Eu nunca vou reconhecer esse governo como legítimo. Isto não faz a menor diferença a quem quer que seja. Entretanto, esta certeza sempre acompanhará minha consciência. Por mais que a “Carreta Furacão” tenha algum sucesso, tenho certeza de que malas de dinheiro ilegal circularão, já vi isto acontecendo. Enquanto meu caráter não estiver no extrato de uma conta bancária, sem chance.










“Pode-se enganar a todos por algum tempo;

pode-se enganar alguns o tempo todo; mas

não se pode enganar a todos todo o tempo”.

(Abraham Lincoln)















50

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.