Lista de Poemas
🔵 Copa 1990
Décadas depois, abri o álbum de figurinhas da Copa do Mundo de 1990. Senti o cheiro das páginas besuntadas de cola Tenaz. O olfato me tragou para a memória afetiva (ou seria memória olfativa?). Quando folheei mais o livro ilustrado, tive a impensável surpresa de encontrar um envelope de figurinhas. O cheiro me puxou de vez e, quando fechei os olhos, tinha apenas 15 anos novamente.
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A caminho do clube, seguindo a trilha de pacotinhos abertos e espalhados pela calçada, descobri de qual banca vinham os rejeitos. Comprei os meus pacotinhos e fiz o mesmo; sem nem sequer entender o conceito de limpeza pública, espalhei-os pelo meio-fio. Parece que como castigo o “bolo” de repetidas só aumentava. Às vezes, de bicicleta eu ía à banca “que dava sorte”: por coincidência ou nexo causal, quase sempre funcionava.
Já no Esporte Clube Vila Galvão, era hora de trocar cromos repetidos, mas não sem antes fazer uns gols e defesas gritando “É do Maradonaaaa” ou “Espalma Michel Preud-Hommeeee”, craque da Argentina e goleiro da Bélgica, respectivamente.
Aos 15 anos, tudo ainda podia acontecer, inclusive completar o álbum. Essa coleção é uma excelente metáfora ou comparação com a própria vida: alguns têm a perseverança de completá-los, enquanto outros desistem; antigamente a coleção era pregada com cola escolar, hoje é com a facilidade dos cromos autocolantes.
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Arremessando bolas na cesta de basquete, enquanto as caixas de som reverberavam por todo o “Vila” os sucessos do momento, adivinhava que a incipiente década de 90 seria muito boa, a julgar pela infância favorável. Entretanto, naquele momento, minha única preocupação era completar o livro ilustrado, enquanto me “embriagava” de refrigerante e aplacava o meu vício em misto-quente. E foi este meu bem sucedido objetivo. Naquele ano, eu me dediquei nesta coleção mais do que nos álbuns da falecida Copa União, do Campeonato Brasileiro de 1988 e, até mesmo, que na escola.
Após essa “viagem”, fechei o álbum, voltando à atual década, que transformou a infância em algo remoto. Infância que pode ser relembrada intensamente, abrindo um velho álbum de figurinhas que guarda o cheiro de 1990.
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🔴 Aquele que tudo vê
Chico Vigilante, deputado petista, sugeriu bustos de Alexandre de Moraes em praças do Brasil. Esta sugestão virou manchete. Entretanto, foi a maior demonstração pública e desavergonhada de bajulação ou retribuição de favor. Um neologismo se aplica melhor a essa infeliz ideia: “puxasaquice”.
Coincidentemente, “Xande” foi exaltado pelo deputado petista como merecedor do monumento, depois que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) foi elevado à presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Lá, “Xande” conseguiu emplacar o seu projeto de vida: o “Lava Lula.
Chico Vigilante apareceu com um esclarecedor segundo nome. Vigilante pode ser, sem erro, interpretado pela distopia orwelliana ‘1984’, pelo regime comunista e ditaduras como a stalinista. Para estes paralelos, nada mais adequado como uma homenagem personalista que simboliza aquele “que tudo vê”. A única certeza de um monumento como esse, é sua derrubada.
Alexandre de Moraes vem cumprindo a “cartilha do tirano”: vigiando, prendendo, cancelando e perseguindo quem declara algo que o desagrade. Ele vem censurando, desmonetizando, calando etc quem irrita-o com publicações contrárias a seu objetivo: reescrever a História.
A “xandecracia” extrapola a perseguição do TSE além do período eleitoral. A cena começou errada: uma posse que remeteu-nos ao que deve ter sido a coroação de um imperador. No final de tudo (ou não), foi celebrada a rápida apuração dos votos. Mais rápido, somente nas ditaduras, nas quais é comum se saber do resultado antes mesmo do início do processo. Entendi, o objetivo nunca foi transparência, foi ligeireza. Tudo como num crime perfeito.
Um busto ou uma estátua era o que faltava para ilustrar o grau de tirania do ministro. Medidas mais evidentes de homenagem impopular e inútil só mesmo “nome de logradouro público” ou “dia de alguma coisa”, como “o dia da sanfona”.
A História mostra que o destino das representações de poder acabam representando a queda de um poder. Isso é muito simbólico.
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🔵 O supermercado hiper assaltado
Inocentemente, me dirigi à caixa do supermercado, coloquei a garrafa de Coca no balcão e aguardei a minha vez. Saindo do meu transe e reparando bem, notei que a demora se devia a um assalto. Obedecendo a autoridade de um revólver, fui expulso para não atrapalhar a “limpeza” da caixa registradora.
Fui ao estoque, esperar os “clientes preferenciais” serem atendidos. Chegando lá, o que vi mudou minhas impressões acerca da gravidade do evento: ajoelhados, clientes e funcionários rezavam com muita fé. O local não era apropriado para aquela genuflexão forçada, mas, naquele depósito imundo, eu somava, entre barras de sabão e pacotes de bolacha, à demonstração de fé.
A cena ecumênica, emocionante, foi interrompida pelos disparos do revólver. Os estampidos acrescentaram às orações, os choros. Foi nesse momento que eu me entreguei ao “muro das lamentações”. O cenário era, definitivamente, de fanatismo explícito em direção a Meca do que os fundos de um supermercado. Como não estávamos em uma agência bancária, não havia cofre, então estava praticamente descartada a probabilidade da quadrilha espalhar o pânico.
Reconheci alguns dos “fiéis”. Apesar da pouca experiência e inédita participação em assaltos, mantive a calma. Minha vida começou a ser reproduzida como um curta-metragem, mas interrompi aquele terrível clichê e tentei lembrar das táticas dos filmes de assalto a banco. Entretanto, não havia jeito, teria que sair daquela situação constrangedora. Foi o que fiz, pois eu só queria sair daquele maldito supermercado vivo e com a garrafa de refrigerante.
Quando acabou a forçada transferência de renda, esperei o som de “fim de festa” para arriscar sair da toca. Sei que a minha humilde bebida não compensaria o prejuízo causado pela expropriação, mas, é claro, paguei a mercadoria.
Semanas depois, quando eu via aquele repositor, concentrado, entre latas de extrato de tomate e pacotes de sal, logo lembrava dele ajoelhado, rezando e murmurando aos prantos.
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🔴 Deu no New York Times
Por onde passa, ficando um certo tempo, Alexandre de Moraes contamina o ambiente. No STF (Supremo Tribunal Federal) foi assim. De repente, ministros começaram a mudar de opinião, caindo, inclusive, em contradição. Ainda não sabemos a influência que força mudanças de votos. Quando foi presidir o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), deixou um rastro de autoritarismo e levou a mão pesada para o processo eleitoral.
Cármem Lúcia deu um nó no próprio cérebro e no de quem tentou compreendê-la, ao refutar qualquer tipo de censura e, depois, corroborar uma decisão censora. Com uma conjunção adversativa (mas), ela deu um “duplo twist carpado” e pronunciou um voto vergonhoso para quem se diz ser contra a censura. Temos a relativização da censura. Proibição, “só até achatar a curva”. Sei...
New York Times e Wall Street Journal noticiaram o que brasileiros insistem em negar, se acovardam em admitir ou simplesmente ignoram. NYT: “Alexandre de Moraes é o homem que decide o que pode ser dito on-line no Brasil”. WSJ critica a esquerda brasileira por tentar amordaçar os conservadores. Respectivamente, os tradicionais jornais norte-americanos constataram de quem saem essas decisões inconstitucionais.
André Janones, o histriônico lulista de ocasião, aproveita-se desse caos judiciário. A julgar pelo empenho no jogo sujo para conduzir o petista aos cofres públicos, a oferta deve ter sido irrecusável. Gesticulando desesperadamente, ele orienta a tropa de choque servil e babando de ódio para disseminar, deliberadamente, factoides.
O caso Roberto Jefferson é um efeito colateral dessa anomia jurídica. Tudo que começa errado, termina errado. Essa situação tem um agravante: Roberto Jefferson está com câncer. As peças estão colocadas. Como tudo começou errado, o fim não será nada bom.
Os “Fique em casa”, “fake news” e “democracia” serviram de laboratório como escalada do autoritarismo. As diretrizes, por mais abusivas que fossem, foram acatadas de maneira servil. Como toda atitude escalonada, a tendência é progredir. Como a arbitrariedade tende a recrudescer, arrefecerá mediante força igual e contrária.
Alexandre de Moraes tem acelerado rumo ao precipício igual a um camicase. Como tem agido insanamente, um amigo pode detê-lo, porque se isso não for feito, terminará como o fim de qualquer sujeito mau: mal.
É PRECISO AGIR
(Bertold Brecht- 1898-1956)
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo
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🔴 Ele nunca mais
Choveram textos comparando todo o processo eleitoral com uma partida de futebol conduzida por um juiz ladrão. Essa comparação (às vezes metáfora) é injusta. Vou fazer algo que nunca fiz: defender Alexandre de Moraes. A comparação é injusta porque o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não é juiz. Entendeu? Simples assim.
E as velhas mídias? A imprensa se acostumou a assumir o lado errado. Em 1964, estimulou o Regime Militar; está até hoje, mal acostumada a reescrever a História, tentando dizer que “não era bem assim”. Agora, está torcendo pelo petista assumir plenos poderes, depois de fazer militância descarada durante a campanha; daqui a 50 anos, vai se tocar que, novamente, estava do lado errado, bem como tentará reescrever a História. Quando a imprensa está sempre atrasada, muita coisa está errada.
Eu já assinei a revista Veja e o jornal Folha de SP; descobri que as duas publicações estão contra o Brasil. É fácil entender porque esses negócios carecem de credibilidade e vendas. Jornais, revistas, portais de internet e emissoras de televisão e rádio são negócios com fins lucrativos. Porém, vimos uma imprensa promovendo o retorno de um governo que assaltou os cofres cheios de dinheiro público. Além disso, apoiou a censura e a perseguição a um grupo político.
Quando vi Gleisi Hoffmann e sua turma visitando a nova ocupação, não pude deixar de notar a demonstração de deslumbre por invadir um palácio (Planalto). O objetivo deles nunca foi governar o País.
Alguns ditadores da América do Sul correram felicitar O Chefe para garantir generosas parcerias. Esses ditadores vêm com uma abstinência de quem vislumbrou uma oportunidade de fazer “chover picanha” em seus gabinetes — se é que vocês me entendem.
Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) são hostilizados dentro e fora do País. Isso ocorre porque muitas decisões, comportamentos e atitudes são conflitantes com a liturgia do cargo do Tribunal. Exemplos: falar em público fora dos autos, fazer campanha política e adiantar votos.
A nova ditadura age dizendo que é pela “democracia”. Com o mesmo método, Hitler surgiria, hoje, bonzinho como um integrante do Clube do Mickey.
Você pode ignorar a realidade, mas não pode ignorar as consequências de ignorar a realidade.
(Ayn Randt)
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🔴 Brasil para Lula
O MPE (Ministério Público Eleitoral) de Goiás pediu investigação de adega que “cometia” a promoção de vinhos a R$ 22. A caneta da lei agiu para não impedir a propaganda irregular de Bolsonaro. A ironia me obriga a inferir que a garrafa não estava em oferta adequada; o ideal, para a Justiça seria comercializar a bebida por R$ 13.
“Ridendo castigat mores” (rindo se corrigem os costumes). De tão ridícula e absurda, a medida encorajou uma chuva de “promoções” provocativas. Exemplo: automóvel a R$ 222.222,22. Até 2:22 da tarde. Tem, também, o fusquinha de velho que ficou nacionalmente conhecido. Por que? Porque foi envelopado com a propaganda de Bolsonaro.
A sensação se confirmou: todos que se opuseram ao Capitão, fizeram uma propaganda involuntária. Toda vez que impetravam um pedido insano e determinavam uma arbitrariedade, eu imaginava uma transferência de votos em massa.
Se não for para evitar a lembrança do número do candidato, eu não consigo imaginar alguém decidindo a escolha do voto por um algarismo recorrente. Isso me parece mais aleatório que apostar no Jogo do Bicho. Essa escolha também remete àquela lenda do eleitor que definia o voto, de última hora, baseado num “santinho” (panfleto).
O ”Streisand Effect” funcionou e eu fiquei ciente de uma adega do Centro-Oeste. O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), na tentativa de demonstrar força, esqueceu-se de organizar o básico. Conclusão: enfrentamos um primeiro turno cheio de filas, como há muito tempo não se via. E os observadores internacionais tendo que fazer cara de que gostaram do que viram.
Estigmatização de palavras e censuras de pensamentos divergentes. E tem parte significativa da imprensa e dos que se alimentam do lema “censura nunca mais” concordando com isso. Dizer-se contra a censura daqui a 50 anos, não cola mais.
Parafraseando um pensamento atribuído a Bertolt Brecht
Um dia desmonetizaram
influenciadores conservadores
Como não era comigo, eu nem liguei
Outro dia prenderam políticos
Como nunca votei neles,
pouco me importei
Antes das eleições,
proibiram imagens positivas
de um candidato
Como era meu adversário,
até achei legal
Num golpe fatal,
censuraram algumas publicações
Diferentemente do meu discurso, concordei
Certo dia, me interrogaram, torturaram e prenderam.
Ninguém veio me ajudar, não sobrou ninguém.
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🔴 A bruxa está solta
Vendo a realidade (quem quer ver) é óbvio qual é o candidato que ganha a eleição para a Presidência da República. Entretanto, como existe muita força contrária, lamento, mas é muito difícil. Forças terríveis estão à solta.
Consórcio de jornalistas, políticos e instituições com abstinência de cargos e verbas. Incrivelmente, populares estão torcendo pelo “establishment” que sempre quis o brasileiro alienado com os mantras paralisantes: Brasil, o país do futuro e Brasil, o país do futebol.
Desmonetização, pesquisas “errando” intenções de votos, censura prévia, muitas inserções políticas boicotadas nas rádios do Norte e Nordeste, números artificialmente inflados no podcast Flow (fraude reconhecida pelo dono do Flow) etc.
A palavra “higidez” foi repetida, pelos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), quase como um mantra. A insistência em defender o processo eleitoral, apesar dos acontecimentos, já despertou a desconfiança. Foram muitas movimentações escusas e obscuras. Tudo isso corrobora com a máxima dita por José Dirceu, e repetida pelo outro ministro do STF, Luíz Roberto Barroso: eleição não se ganha, toma-se.
Estão forçando a barra para favorecer um lado, claramente o PT (Partido dos Trabalhadores). Essas eleições vão elencar episódios lamentáveis como o voto censitário e o voto de cabresto. Certamente, Alexandre de Moraes é um incompetente presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que fez da democracia uma lambança.
O “Streisand Effect” (quando algo que foi ocultado, removido, proibido ou censurado, viraliza, porque atiça a curiosidade) funciona que é uma beleza! Tudo que foi ocultado, proibido e censurado gerou curiosidade e propaganda involuntária gratuita. O efeito da tentativa de esconder fatos e materiais, disseminou e tornou conhecido o que jamais seria tão replicado.
A Jovem Pan está proibida de dizer Lula ladrão, corrupto, ex-presidiário, descondenado e chefe de organização criminosa. Ops! O TSE afirmou que não censurou a Jovem Pan. Então, o Jornalista Augusto Nunes falou as palavras mágicas e foi retirado do ar no dia seguinte (censurado). Simples assim.
A lagosta do cardápio supremo deve ter liberado um ser vivo (alienígena) que assumiu a autonomia do cérebro do ministro, por isso, sem freio moral, Alexandre de Moraes toma atitudes arbitrárias. Ele só acelera, sem envergar o precipício.
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🔴 No dia seguinte...
Amanheceu chovendo muito! Mas ainda não caiu nem acém do céu. Prometeram um Brasil pacificado, despolarizado e democrático. Não é isso que estou vendo e, pelo jeito, isso não vai acontecer.
Apesar de tudo, deram um jeitinho brasileiro nas eleições. Bolsonaro recebeu discursos cheios de rancor, ameaças de morte e xingamentos (inclusive charlatão e canibal!). Com o esgotamento do dicionário de impropérios, restará chamá-lo de feio, bobo e cara de melão. Tudo e todos contra, por quê? Como o Lula venceu, nós veremos quem se beneficiou e quem ficará com o ônus; afinal, não é todo mundo que pode se refugiar em Paris.
Mesmo assim, é assustador que o discurso anacrônico de “pai dos pobres” ainda “encante serpentes”. As promessas vazias de “ser feliz” e “chuva de picanha” soem como música, em vez de “teto de gastos”, “Independência do Banco Central”ou “responsabilidade fiscal”. O PT (Partido dos Trabalhadores), inteligentemente, relegou estes “palavrões” a coisa de “neoliberal”.
Mas quem votou num ladrão “chavequeiro” deliberadamente, sendo bem esclarecido, perdeu a vergonha. Essa queda pelo discurso fácil equivale a vender a alma pro coisa-ruim. Isso porque tem uma turminha que faz o “L” pra pagar pedágio para a “intelligentsia” ou por interesses muito particulares. Reitero: para muita gente, é mais importante o motoboy trazer uma pizza na porta de casa, do que a transposição do Rio São Francisco.
A grande dúvida é: será que o Lula vai parar de ameaçar o País? O velho caudilho sul-americano poderá, um dia, se aposentar como um exótico mandatário terceiro-mundista subserviente às agendas do Hemisfério Norte e dono de ideias ultrapassadas?
Olhando pra frente, ficou contente quem sabe a importância dos números, da obra embaixo da terra, do saneamento básico, ou seja, do que traz maiores resultados a longo prazo. Mirando o retrovisor, ficou triste quem esperava chuva de picanha, democracia, pacificação e felicidade. Eu sei, essas promessas abstratas e irreais foram tentadoras e renderam muitos votos. Como diria Dilma: quem perdeu, ganhou.
Em São Paulo, o Tarcísio Gomes de Freitas “pavimentou” os adversários. Estes vieram com um papinho xenofóbico de exigir, em vez de competência, certidão de nascimento. Num paroxismo da apelação, o estado foi “defendido” como uma jurisdição do Velho Oeste, com falas preconceituosas. Exemplos: “Aqui não” e “Forasteiro”.
Essas eleições não acabaram. Tradicionalmente, vem aí o “terceiro turno”, e a polarização veio para ficar. Teremos uma divisão muito parecida com a divisão dos EUA, e o PSDB pode reencontrar-se nessa dicotomia. Lula não poderá embolsar R$ 1.00, sob pena de lembrarem sua vida pregressa.
Feliz Dia das Bruxas.
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🔵 Pérolas aos porcos
Aquele uniforme era bem ridículo, ainda mais em contraste com o desfile de moda estrangeira que passava na faculdade classe A. Muito embora eu me garantisse metido na calça de tergal e camisa barata. Também tentava, eternamente, ajeitar a gravata torta sem mostrar o elástico substituindo o nó.
Final de ano, o clima era diferente, melhor. As férias estavam chegando, os melhores alunos talvez já estivessem em alguma estação de esqui ou algum balneário na Europa. No “campus” já havia um clima de férias e a Secretaria de Direito, onde eu trabalhava, acompanhava esse ritmo. Alguns inspetores de alunos ficavam na Secretaria “cozinhando o galo”.
A Sala dos Professores estava cheia. Imperava o clima de “jantar inteligente”. Nas conversas, naquele simulacro de Supremo Tribunal Federal, um tentava parecer mais inteligente que o outro. Circulando entre magistrados, juízes, desembargadores, promotores e advogados, não me impressionei com toda aquela afetação verborrágica. Até achei engraçado quando percebi que os professores achavam que falavam em outro idioma ou que eu necessitava correr para o dicionário para compreender as conversas do cômodo.
O Diretor do curso de Direito Tributário anunciava nas rodinhas, grupos e duplas de conversas um vinho italiano chamado Frascati. Os catedráticos examinavam o rótulo da garrafa; nós, o conteúdo do vasilhame. Pouco importavam o nome, a marca e a procedência da bebida, o importante é que tinha álcool.
Aquela nobreza de plástico e o clima pedante eram mera disputa de erudição, farsa que não resistiria a meio copo do maldito vinho italiano. A exibição enciclopédica de conhecimentos, aquela ostentação de cultura e erudição, o desfile de gente grande brincando de Sorbonne estava prestes a ruir, todo mundo via.
A confraria seguia emulando o ambiente intelectual de Harvard, despejando um conhecimento superficial; enquanto isso, a ralé confraternizava com sua festa na Floresta de Sherwood. Era claro, a verdadeira confraternização de fim de ano estava no “churrascão de fundo de quintal”.
E o vinho branco, o tal Frascati, rodando pra lá e pra cá, de mão em mão, recebendo “rasgados” elogios bajuladores.
Enquanto isso, o “chão de fábrica”, o “porão do navio”, “o pagode na laje” era a reunião mais agradável e sincera, com um linguajar simples. Trajando calças de tergal e falando de futebol, ríamos mais que os mestres ostentando paletós ingleses e discutindo a Revolução Francesa.
No entanto, faltava uma coisa: uma bebida alcoólica decente. Quando o festejado vinho italiano chegou no convescote proletário, não faltava mais nada. Dali, o vasilhame só foi liberado seco. Feito um reles Sangue de Boi, o Frascati matou a sede da plebe em simples copinhos descartáveis. Não havia “terroir”, nem “bouquet”, todos só queriam saber de “ficar bem louco”.
Não vi nada de especial na bebida europeia; só sei que, se fôssemos processados pelo delito, estávamos num dos piores lugares. Creio que o episódio foi minimizado porque aquele foi o nosso “Dia da Pendura”.
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🔴 Censura livre-se
Desordem informacional é o novo eufemismo que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) inventou para evitar usar a palavra “censura”. Pega mal utilizar a ferramenta que repudia-la foi meio de vida pra tanta gente. Entretanto, com os interesses, somados ao poder, lançaram mão de um dos instrumentos mais abjetos: a censura prévia.
Tendo a produtora de vídeo Brasil Paralelo, mas também a emissora Jovem Pan como alvos, o Jurídico estendeu seus tentáculos repressores a quem tem tradição no Jornalismo, portanto longo alcance, respeito e, logicamente, tradição.
Nesses dias de polarização e paixões políticas, somente quem teve coragem se solidarizou ou se indignou com o absurdo. Muitos se calaram e, estranhamente, outros até aprovaram o que está ocorrendo. Em tempos de militância política explícita disfarçada de Jornalismo dava até para esperar o silêncio e a aprovação da censura prévia.
É compreensível o gosto que os “progressistas” têm pelos regimes de exceção; é sabido que a tal “luta pela democracia” foi a narrativa implantada para reinventar a História. Na verdade, os “progressistas” queriam implantar a Ditadura do Proletariado, aquela em que todos são iguais, mas uns são mais iguais que os outros. E continuam tentando. A perpetuação no poder continua sendo tentando, mas através do voto e não da luta armada. Na teoria, o que nunca deu certo em lugar algum, funcionaria aqui. Sei...
Ah, a ditadura está vindo pela hipertrofia do Poder Judiciário (juristocracia) e sua “caneta pesada”. O Senado podia ajeitar as forças, exercendo a função constitucional de freio e contrapeso, mas a pusilanimidade, a covardia e o rabo-preso do presidente da Casa desigualam a tripartição dos poderes.
O TSE, numa tabelinha com o PT (Partido dos Trabalhadores), vem removendo, ocultando e censurando conteúdos que propaguem a verdade. O irônico é que estamos num momento que é justamente quando temos que saber quem são os concorrentes, eles são bem embalados como sabão em pó. Como a verdade prejudica uma candidatura, o TSE entrou na disputa como um marqueteiro talentoso, que “vende” o político bem embalado para enganar o cliente (eleitor).
O TSE e o STF (Supremo Tribunal Federal) abusam de eufemismos para não assumirem que suas decisões são, sim, censura. De “fake news” a “distorção informacional”, todas essas expressões vêm sendo usadas para avançar a arbitrariedade até chegar a uma Jovem Pan. Que não passe daí, porque se passar estamos apenas vendo a “amostra grátis” ou o “test drive” da censura.
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