rafaeldasilva

rafaeldasilva

Perfil
23 702 Visualizações

🔵 O doutrinador

O ditado foi interrompido para mais um vendedor apresentar seu fantástico produto na sala de aula. Já sabia que meus pais ignorariam lousinhas mágicas, livros para colorir e demais bugigangas educativas. Meus argumentos seriam as facilidades de pagamento; porém, meus pais achariam aquilo caro e saberiam que aquele meu “coração de estudante” era falso, portanto, arrefeceria antes do pôr do sol.




Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola.  Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).




No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.




A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”. 




Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que  ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.




Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
Ler poema completo

Poemas

453

⚫️ Churrasco Grego







Caminhando pelo Centro de São Paulo, tinha o trabalho de desviar do lixo. Dizem que Nova York também é assim. Mas lá não tem o Churrasco Grego. Assim como o beijo, o iogurte e o presente, são coisas que, apesar do nome, não são típicas ou facilmente encontradas na Grécia.




Aquela traquitana, apesar de inexplorada, era familiar. O comerciante com o desbotado avental azul — avental ostentando um logotipo referente a algum bar inexistente. O tal churrasquinho era uma pilha de gordura, algo indecifrável e algum tipo de carne girando. 




Não sei se pela fome ou pela determinação do desafio autoimposto, mas o conjunto comestível me hipnotizou. Li o aviso da promoção que parecia pouco atraente, embora eterna: lanche suco. A carne tinha um aspecto atraente, mas os sucos amarelo e vermelho, eram demasiado artificiais.




Disputei espaço com desocupados, transeuntes, motoboys e demais trabalhadores com “ticket” de vale-refeição insuficiente para um prato-feito. De fato, o baixo preço era compatível com os piores cortes que giravam incessantemente no carrinho/churrasqueira.




O sujeito abriu um pão francês e esfarelou a carne que girava no carrinho e hipnotizava a ralé esfomeada. Pronto, estava construída a mítica iguaria. Pensei: com esse nome europeu, só pode ser coisa fina. Para completar esse exemplar da baixa gastronomia “Jesus me chama”, o suco: pedi, e, disputando a torneirinha com abelhas urbanas, o atendente colocou em metade do copinho de plástico, o suco artificial amarelo.




Quem consegue digerir e absorver nutrientes desse sanduíche mitológico da culinária paulistana, ingere qualquer item da região mais remota do Planeta. Larvas, insetos e raízes são fontes de proteínas palatáveis para quem consegue engolir o Churrasco Grego do Centro da Cidade.




Obs: Esta é uma obra de ficção. Eu já passei da época de me atirar a experiências insalubres. No entanto, na falta de consumir tal comida de rua paulistana, resolvi reproduzir como seria o episódio. Talvez eu tenha exagerado. Ou não.
77

🔴 O Mensalão, o Petrolão e o fujão




Lula tinha compromisso mais importante que dar satisfação por que quer voltar à... Presidência da República. Jair Bolsonaro, que não foi neutralizado neste ano, compareceu. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) transferiu para Lula um latifúndio de inserções na televisão. Entretanto, caiu no colo do candidato à reeleição uma sabatina que era para ser um debate.




O “pool” de imprensa que sabatinou Bolsonaro “pegou leve”. Não poderia ser diferente, já que a simples presença do morador do Palácio da Alvorada garantiria uma ótima audiência. Mas ele “deitou e rolou”. Fez da sabatina seu “cercadinho” no SBT; fez propaganda do seu governo; convocou a audiência para uma “live”; colocou “acidentalmente” seu número (22) na tela e, mais incrível, manteve a calma, não respondeu nenhuma pergunta atravessada, não deu uma voadora em nenhum jornalista, não distribuiu coices e não precisou voar com os dois pés no peito de ninguém.




Na Record foi melhor que no SBT. Na emissora do bispo, ele pôde desgrudar de si o episódio do Roberto Jefferson. Com o latifúndio de tempo para se defender do oportunismo eleitoral que estão tentando fazer da resistência do ex-deputado, Bolsonaro eliminou, inclusive com documento, quaisquer movimentos de trapaças,




Lula tem motivos de sobra para se arrepender do não comparecimento aos debates, a não ser por, diferentemente da presença de pessoas abobadadas e amestradas, os debates contarem com jornalistas e um debatedor hostis.




Fazendo uma analogia tosca com o futebol, como Lula tanto preza, não ir a debates e querer vencer a eleição é como querer ganhar a Copa sem jogar as partidas. Além disso, Lula tem o péssimo vício de comprar juízes. Jogo sujo.




A semana promete. Randolfe Rodrigues, André Janones e a tropa de choque farão o diabo para o ex-presidiário voltar a segurar a chave do cofre.




É tarde demais para alguém da tropa de choque de Lula judicializar, mais uma vez, pedindo para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) obrigar Jair Messias Bolsonaro a fugir de debates. Com o eleitor, as considerações finais.
47

🔴 Censura livre-se




Desordem informacional é o novo eufemismo que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) inventou para evitar usar a palavra “censura”. Pega mal utilizar a ferramenta que repudia-la foi meio de vida pra tanta gente. Entretanto, com os interesses, somados ao poder, lançaram mão de um dos instrumentos mais abjetos: a censura prévia.




Tendo a produtora de vídeo Brasil Paralelo, mas também a emissora Jovem Pan como alvos, o Jurídico estendeu seus tentáculos repressores a quem tem tradição no Jornalismo, portanto longo alcance, respeito e, logicamente, tradição.




Nesses dias de polarização e paixões políticas, somente quem teve coragem se solidarizou ou se indignou com o absurdo. Muitos se calaram e, estranhamente, outros até aprovaram o que está ocorrendo. Em tempos de militância política explícita disfarçada de Jornalismo dava até para esperar o silêncio e a aprovação da censura prévia. 




É compreensível o gosto que os “progressistas” têm pelos regimes de exceção; é sabido que a tal “luta pela democracia” foi a narrativa implantada para reinventar a História. Na verdade, os “progressistas” queriam implantar a Ditadura do Proletariado, aquela em que todos são iguais, mas uns são mais iguais que os outros. E continuam tentando. A perpetuação no poder continua sendo tentando, mas através do voto e não da luta armada. Na teoria, o que nunca deu certo em lugar algum, funcionaria aqui. Sei...




Ah, a ditadura está vindo pela hipertrofia do Poder Judiciário (juristocracia) e sua “caneta pesada”. O Senado podia ajeitar as forças, exercendo a função constitucional de freio e contrapeso, mas a pusilanimidade, a covardia e o rabo-preso do presidente da Casa desigualam a tripartição dos poderes.




O TSE, numa tabelinha com o PT (Partido dos Trabalhadores), vem removendo, ocultando e censurando conteúdos que propaguem a verdade. O irônico é que estamos num momento que é justamente quando temos que saber quem são os concorrentes, eles são bem embalados como sabão em pó. Como a verdade prejudica uma candidatura, o TSE entrou na disputa como um marqueteiro talentoso, que “vende” o político bem embalado para enganar o cliente (eleitor).




O TSE e o STF (Supremo Tribunal Federal) abusam de eufemismos para não assumirem que suas decisões são, sim, censura. De “fake news” a “distorção informacional”, todas essas expressões vêm sendo usadas para avançar a arbitrariedade até chegar a uma Jovem Pan. Que não passe daí, porque se passar estamos apenas vendo a “amostra grátis” ou o “test drive” da censura.
67

🔴 Os surfistinhas




O que Dayane Pimentel, Joyce Hasselmann, Alexandre Frota, os “Irmãos Weintraub e Soraya Thronicke têm em comum? Todos surfaram na onda bolsonarista de 2018, o sucesso subiu à cabeça, desgarraram do Capitão, aderiram ao “antibolsonarismo psicótico” (expressão de Ana Paula Henkel), se candidataram,  porém  não se elegeram.




Supostamente, por não serem contemplados numa esperada distribuição de cargos, passaram a exercer uma oposição raivosa, ou seja, o “antibolsonarismo psicótico”. Alguns, como Joice Hasselmann e Alexandre Frota acreditaram, inocentemente, no próprio capital político e não no herdado de Bolsonaro. Se deslumbraram com as festas de Brasília e, com alguns tapinhas nas costas, achavam que poderiam confiar em alguém, articulavam alianças e estavam costurando ótimos acordos. Foram enganados.




Soraya Thronicke não fugiu do “script”, achou que chegou ao Senado por forças próprias e bastava fazer cara de má para galgar cargos maiores. O engano se materializou em forma de “memes” 




Os “Irmãos Weintraub” (Abraham e Arthur) quebraram a cara. O ex-ministro Abraham, esquecendo-se que Jair indicaria o candidato ao governo de São Paulo (e não o contrário), “queimou a largada”. Não deu outra: foi infectado pelo “antibolsonarismo psicótico” e arrastou seu fiel escudeiro, seu irmão Arthur.




Sérgio Moro viu a desconstrução política dos ex-bolsonaristas e voltou pro barco do Capitão. O antigo ministro da Justiça pesou na balança, lembrou-se dos tempos de herói da “Lava Jato”, comparou com os dias de traidor e pária, voltou  para os braços do povo. Foi eleito senador e resgatou o “lavajatismo”.




Absolutamente, todos surfaram na “onda Bolsonaro”. Como declarar-se “de direita” era incipiente, bastava fazer o “símbolo da arminha”, dizer umas três palavras gatilho, como Deus, pátria e família e abominar o aborto, que estaria praticamente eleito. Neste embalo vieram todos estes citados aqui, e até desconhecidos como Dayane Pimentel.




É muito provável que o fenômeno ocorra novamente, pois choveram pessoas sem o menor perfil bolsonarista, mas que rezaram a cartilha do conservadorismo. Outro detalhe, esses neoconservadores sabem que se traírem o Capitão a marcação será implacável e o futuro político, inexistente.
57

🔴 Vendem-se pesquisas




DataFolha e outros institutos de pesquisas começaram as campanhas desacreditados. Já não se confiava pelo histórico; viraram motivo de chacota pela insistência em negar a realidade. Sempre “errando” para o mesmo lado, o comércio de preferências, de tanto se enganar foi questionado quanto ao método, local de amostragem, quantidade de entrevistados ou idoneidade.




Mais eficaz, embora nada científica, é a impressão popular — algo mais confiável, como a sensação térmica ou a sensação de segurança. É a realidade espanando a frieza dos números. Foram promovidos a termômetros da corrida eleitoral o Datapovo e o Datafeira. Lugares como a fila do supermercado, a barraca de frutas e o boca a boca ridicularizaram, mais uma vez, o militante DataFolha. Insistindo com o argumento de que a pesquisa é um “retrato do momento”, os institutos revelar-se uma fraude ou, utilizando o eufemismo, enganaram-se. 




As pesquisas estimularam um arrogante, porém falso, discurso vitorioso; do outro lado a confiança no DataPovo era tão grande, que a disputa seria liquidada no primeiro turno. Definitivamente, o DataPovo é mais confiável. Melhor, é o único confiável. O Ibope já desistiu: errou tanto, que caiu em descrédito e mudou o nome. A vontade de sumir da praça foi tanta, que o comerciante de pesquisas mudou um nome que tinha virado sinônimo de pesquisa.




As “lojinhas de porcentagem” (expressão dada por Augusto Nunes) já eram desacreditadas desde o primeiro “retrato do momento”, tanto que se esperava a corroboração da desconfiança com a totalização dos votos. Tanto que,  paralelamente às eleições, houve uma confirmação da inutilidade e uso eleitoreiro dos institutos. Inclusive, eu tinha tanta certeza da precariedade da descrição da realidade, que escrevi este texto antes da apuração, domingo, dia 2 de outubro. 




Esses resultados são divulgados com bastante seriedade pelos órgãos de comunicação. É clara a manipulação do pleito. Os vendedores de pesquisas perderam feio, entretanto, como uma mosca chata e insistente,  ressurgem. Com outro nome, mas ressurgem. No segundo turno, ressurgirão.
53

🔴 Um tapinha não dói




Lula parece ter um ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para chamar de seu. Tapinhas na cara, é com essa intimidade que Lula cumprimenta quem só aceita ser chamado de Vossa Excelência. Somente meu cachorro aceitaria tão bovinamente ser tratado assim sem revidar. O cão, mesmo com o gesto humilhante, ainda aplicaria algumas lambidas no meu rosto; o magistrado não se rebaixou nesse nível, mas entendeu o gesto como uma demonstração de poder e tranquilizou Lula: “Tá tudo em casa, tá tudo em casa...”.




Com decisões prejudiciais ao principal adversário do petista, o ministro Benedito Gonçalves aceitou a ostentação de intimidade, demonstrando, assim, o grau de subserviência. Manda quem pode, obedece quem tem juízo.




O TSE, com a decisão do ministro de estimação do Lula, proibiu Jair Bolsonaro de usar as imagens do Sete de Setembro. O presidente também não pode utilizar imagens suas no discurso da ONU (Organização das Nações Unidas), entre brasileiros em Londres, entre populares em Nova York... Para evitar a propagação dos flagras de popularidade e apoio explícito, que contradizem “pesquisas” encomendadas, seria mais eficaz proibir a veiculação de imagens do próprio Bolsonaro. Os tapinhas íntimos revelam que valeu o esforço de Benedito Gonçalves. Este faz um bom serviço, agradando aquele. Está tudo bem encaminhado.




O Tribunal agiu mediante provocação da oposição do candidato à reeleição. Essas ações são uma clara movimentação para sabotar a candidatura de um forte concorrente. O que ajuda para a aceitação das decisões e confirmação, é que se a oposição se apressa para esconder essas imagens, significa que são excelentes. E agora já é tarde, pois as imagens são de conhecimento público. É o “Streisand effect” (quando a proibição gera a curiosidade, causando o efeito contrário).




O STF (Superior Tribunal Federal) tem um famoso advogado que frequenta a Corte de bermuda; agora, o TSE cultiva seu candidato próprio. A volta da democracia está encaminhada, de qualquer jeito.




O ministro teve que tolerar apenas alguns tapinhas mafiosos, entretanto, esse gesto representa um tapa na cara da sociedade. Todos são iguais perante a lei; uns são mais iguais que outros.




Mas será o Benedito!
78

🔴 Não seja leviano, candidato!




Ninguém senta no sofá esperando ouvir as propostas dos candidatos. Debate programático é um desastre: chuva de picanha, zerar o SPC... Sabendo que os políticos apenas repetem o que os marqueteiros ensaiam, o público espera duelos verbais. Desde que não haja ofensa familiar, alguém gaguejando ou sem resposta define um debate.




Paulo Maluf, Leonel Brizola, Jânio Quadros, Franco Montoro, Orestes Quércia etc. Embates históricos, nos quais prevalecia a inteligência, mesmo com a intenção de destruir o adversário. Apesar de ficar óbvio que a rivalidade já era apenas diante das câmeras, portanto falsa, o diferencial era a cultura e a inteligência. O objetivo, aparente, dos debates é escolhermos gestores eficientes, aí a tarefa é subjetiva e difícil. Na verdade, todos querem um bom entretenimento no final do dia. Uma rinha entre humanos.




Os confrontos verbais são onde fica mais patético e claro o “teatro das tesouras”. Patético, quando vemos os candidatos fingindo e quase rindo quando “obrigados” a encenar um antagonismo. Claro, quando, contrariando o “teatro”, se unem para atacar um concorrente. 




O neologismo “tucanopetismo” define bem essa união fingindo lados opostos. Lula e Alckmin juntos ilustram completamente esta realidade. Nessa ilusão, o Brasil seguia as máximas: “Brasil, o país do futebol”, “Deus é brasileiro” e “Brasil, o país do futuro”, frases que funcionam como uma cenoura inalcançável na frente do burro.




Os debates de hoje são enfadonhos porque são demorados. São enfadonhos e demorados porque abrem espaço para um monte de franco atiradores que, não tendo nenhuma chance, unem-se para atacar o adversário do “establishment”. Além de tudo, há um vazio cultural e faltam bons oradores para prender a atenção. Resultado: como um péssimo jogo de futebol, um debate político merece, no máximo, os “melhores momentos”.




No momento das perguntas de jornalistas, que é quando se espera a manifestação de vida inteligente, assistimos atuações promíscuas de vaidade e militância. Quando os jornalistas, somando com a inépcia, tentam ser mais relevantes que os candidatos. Perde o debate e perde o Jornalismo. A prova mais contundente disso é a grandiloquência com que a ‘Band’ joga confete em si mesma por sempre abrir a temporada de debates. 









77

🔴 O hábito não faz o monge




O clérigo parece recortado de um episódio do ‘South Park’. Apesar de coadjuvante nos debates, ele não se contentou com o papel secundário e ganhou o protagonismo. O “Cabo Daciolo” da vez foi escalado para fazer uma “tabelinha” com o presidente Jair Bolsonaro, de  troco está tornando as disputas mais divertidas.




Soraya Thronicke teve uma excelente sacada quando chamou o Padre Kelmon de “padre de festa junina”. No entanto, ela deveria ter guardado a tirada, esquecendo-se que corria o risco de ofender, de fato, um padre. Soraya foi mal assessorada. Confundiram maquiagem ameaçadora, cara de poucos amigos, postura arrogante e falta de educação com mulher forte. Errou. Nem apelar para “mulher que vira onça” surtiu efeito. “Colar” na popularidade da novela ‘Pantanal’ revelou a estratégia de quem vampirizou a “onda Bolsonaro” para garantir uma cadeira no Senado em 2018.




O que aconteceu? Alguns candidatos, inadvertidamente, ofenderam um sacerdote (mesmo que folclórico), desperdiçando os dividendos eleitorais angariados junto à comunidade cristã. Fazendo um paralelo às festas juninas, lembradas por Soraya: faltou apontar o integrante da quadrilha. 




A presença do sacerdote foi conveniente à eleição que é considerada “uma guerra espiritual”. Guerra espiritual, além da guerra cultural, porque valores morais estão em xeque perante ideias macabras. Entretanto, havia um padre no meu do caminho.




A irrelevância de Simone Tebet, Soraya Thronicke e Luiz Felipe d’Avila foi ofuscada pela assertividade de um padre ortodoxo que, diante da resistência de Tebet em confessar seus pecados, exorcizou os enfadonhos debates. Definitivamente, o Padre Kelmon veio para confundir, não para explicar.




Enviado à Terra por Deus e ao debate por Roberto Jefferson, o padre petebista desestabilizou vários participantes do certame (alguns já torcem pelo Lula), inclusive o apresentador (que até absolveu Lula), políticos (que torcem desesperadamente pelo Lula), jornalistas (que, mesmo fingindo isenção, sempre torceram pelo Lula) e, certamente, amigos (que torciam, sempre à disposição) pelo Lula.




Estatística é a arte de torturar os números até que eles digam o que você quer. E no debate da Globo não foi diferente. Assim, segundo Soraya, o Brasil abriga 130 milhões de órtãos, blábláblá...




Padre Kelmon não precisou nem de água benta, nem alho, bastou uma cruz pendurada no pescoço para exaltar ânimos e libertar almas atormentadas.
50

🔴 A sacrossanta urna eletrônica

Desde que começaram a utilizar as urnas eletrônicas, observadores de vários países democráticos vieram testemunhar a novidade. Impossível não recordar como era rudimentar a cédula, que permitia rasuras e pequenas fraudes. Mais que isso, como na porta de banheiro de restaurante de beira de estrada, as cédulas de papel permitiam que se escrevessem bobagens ou que se votassem em quaisquer figuras. Animais eram eleitos, e políticos manifestamente xingados.




Comparado o voto em papel com a urna eletrônica, dava até um certo orgulho. Quando vinham observadores estrangeiros, como do Japão, eu tinha a impressão de que havíamos, enfim, ingressado no Primeiro Mundo. Nada mais enganoso. Há 26 anos, países muito mais desenvolvidos não adotaram nossa incrível maquininha. Excetuando-se Butão e Bangladesh, a tecnologia está a serviço do que parece democracia. Como o Imposto de Renda, a apuração funciona que é uma beleza!




Este ano, as comitivas internacionais estão..., digamos, observando nossas eleições. Fora balançar a cabeça afirmativamente e falar (em Português) “Bom, muito bom”, os turistas internacionais comerão,  durmirão e conhecerão as maravilhas do Brasil “na faixa”.




A atriz Maria Flor exaltou as urnas eletrônicas de maneira, diferentemente da santificação habitual, sexual. A abordagem é inédita e muito estranha. Tão estranha e surpreendente, que a exaltação das urnas por Maria Flor merece um dedicado estudo neurológico ou a catalogação como uma, até então, nova modalidade de parafilia. A abordagem erótica, embora aparentemente seja o apogeu da democracia, assusta.




A votação em cédulas está para a urna eletrônica, como o batedor de carteira está para o “hacker”. Aquele é a fraude no varejo, este é a fraude no atacado.




O sistema eleitoral poucas vezes levantou tantas suspeitas. Repito: dava até um certo orgulho. Contudo, o desespero dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), a resistência e as providencias para não aumentar a transparência das urnas sim, despertou a desconfiança. 




Na escola onde eu estudava, o sistema de escrutínio do Líder de Classe era muito rudimentar, embora mais confiável.
86

🔴 Censura livre




Barbra Streisand, atriz e cantora americana, resolveu processar um fotógrafo que registrou sua mansão. Ela quis a retirada da fotografia e um punhado de dólares. Resultado: a notícia propagou a curiosidade, e a foto bombou.




Desse episódio surgiu a expressão “Streisand Effect”, que significa quando tentam remover, ocultar ou censurar uma informação. Efeito: esta tentativa gera o efeito contrário, disseminando muito mais o que se tentava esconder. Com a internet e o destemor da “molecada” a replicação do que seria proibido é certa.




Livros, exposições, vídeos, imagens etc, quando foram proibidos, mesmo que de qualidade ruim, ganharam muita repercussão. A simples notícia da proibição tornou-se propaganda gratuita e viralizou devido à curiosidade.




As sucessivas censuras a tudo o que é de um específico espectro político levantou quem é simpático a esse mesmo lado político, tornando as medidas ditatoriais, mais que sem efeito, de efeito contrário. Uma prova disto: eu, que nem assino a ‘Gazeta do Povo”, jamais saberia que o jornal foi proibido de chamar o Lula de ladrão.




Proibiram noticiarem as “cabulosas” relações do PT (Partido dos Trabalhadores) com o PCC (Primeiro Comando da Capital) e a declaração de voto do Marcola em Lula. Logo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) irá proibir o que muita gente supôs: que o PT do Lula transitou livremente pelo Complexo do Alemão devido autorização e simpatia. Só falta a proibição para a notícia correr até onde nunca chegaria.




Alexandre de Moraes passa vergonha ao fingir que o peso de sua caneta é respeitado. Quando vêm quaisquer determinações, a vítima cumpre sabendo que a censura perderá a força e o objeto ganhará o mundo. Conclusão: Alexandre de Moraes finge que cumpre a lei, a vítima finge que acata a determinação.




Todo o esquema perpetrado para reconduzir o “L” de ladrão ao poder mostra que a ditadura já existe, vem do Judiciário e é executada pela caneta. O TSE trabalha firme por sua candidatura de estimação, quase sem disfarçar. As longas filas comprovaram que a TSE largou à própria sorte sua principal atribuição (realizar as eleições) e se dedicou a prejudicar um candidato. É a democracia sem povo.
38

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.