Raquel Ordones

Raquel Ordones

Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ

n. 0000-08-13, Uberlândia, MG

Perfil
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Soneto roceiro


São cinco da manhã, o galo canta.
Levanta bota lenha na fornalha,
Palha, fumo, café, prece à santa, 
Planta o pé na botina; à batalha!

Orvalha ainda, chapéu, força, cabaça.
Abraça seu trabalho, busca o gado,
É cercado e peado, tão sem raça.
Rechaça o bezerrinho arreliado.

É ordenhado o leite. Já afofa a horta,
E corta o mato, varre seu quintal,
É bestial ofício, afã reporta.

Transporta porcos, roupas no varal,
É rural. Pesca e caça; se comporta,
Da porta, o luar, firme no degrau.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG

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Poemas

10

De fato

 

O tempo no seu tempo; é tão rotineiro.

Primeiro: não espera ninguém; é natural,

Afinal: vastidão que mora no ponteiro.

Certeiro, sem nadinha de sentimental.

 

Varal, onde estende todo e qualquer arquivo.

Retroativo? Nem pensar; só na memória.

História fragmentada; a nada relativo.

Compulsivo em passar; aquisição ilusória.

 

Notória ação, de lembrança amarelecida.

Subida para o sótão com o vulto e sombra;

Assombra: futuro é parede tecida.

 

Ida, é só o que temos; tempo regente.

Urgente; em cada segundinho há despedida 

Perdida nossa alma. - Quem ainda espera a gente?

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

46

Então, chovemos...


Uma vez, minha mamãe disse assim:

-Sim, sim! A chuva é nuvem que chora;

-Ora, mamãe! Não minta para mim;

enfim, minha joia é a senhora.

 

-Embora em metáfora, é verdade.

Liberdade que a inspiração nos traz.

Capaz de desenho em profundidade;

santidade que é asas, e apraz.

 

Fugaz; nuvem feliz flui: o papel;

véu escuro, descarrega toda água.

Deságua lágrima; enxurro ao léu.

 

O céu do coração lava a tristeza;

Em defesa o choro vem em chuvisco,

Disco vira e traz de volta a leveza.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

43

Como esconder 99 pezinhos?

 

Maria, a centopeia, vai a um evento.

Invento de Juca mandarová.

Ah, só para saber: no seu aposento.

Vento, vinho, e não sei mais o que lá.

 

Páh! E essa festa, advinha? À fantasia.

e Maria pira: -o que vou calçar?

A descabelar reza uma homilia.

-Guria style, venha me ajudar!

 

-Ká ká ká ká ! Ri a libélula Alanna;

-Soberana, fazendo conta aqui!

Xí! de sapatos vai gastar 'a grana.'

 

-Cigana? ideia melhor que pequi.

- e se, se enfeitar de uma taturana?

-Mana, melhor fantasia: saci?

 

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45

Paradoxo

 

O amor é bem simples, porque é um composto:

De gosto, de leveza; é sutil e forte,

É norte e trilho; reservado no seu posto;

Oposto à cobrança; feliz: passaporte.

 

Transporte-se para esse mundo, bem a fundo;

No submundo de si; permita a instalação;

Coração: terra santa, terreno fecundo;

segundo de amor é toda a constelação.

 

No vão se adentra; sem nada de fingimento.

Sentimento mor, coleção de miudeza;

Represa que deságua; fonte de alimento.

 

Evento sem porções, só chega por inteiro;

canteiro, flor ou uma sementinha indefesa;

a certeza? Absoluto e sem qualquer roteiro.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

81

Pare, espere! E ele segue...

 

Da janela: a rua, fio, um farol

Arrebol; nuvens e uma brisa fria.

Irradia, ainda de pijama, o sol.

Aperol por entre vãos; ousadia.

 

Alegria; a rolinha constrói o ninho;

Raminho por raminho; seu castelo.

Singelo; propício para seu ovinho.

Juntinho do vermelho e do amarelo.

 

Belo: no sinal tem um inquilino;

Felino à espreita; muita altura,

Apura a distância do muro e pino.

 

-Ladino gato! Pare, é loucura!

-Segura: espere! mas que desatino!

Traquino, segue na sua aventura...

 

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45

Alma em sua delícia de nude

 

No canto do papel, a nota pequenina.

Fina, impactante, e com um cheirinho tão bom;

Tom arco-íris e com tanta disciplina,

Menina de tudo, e já usava batom.

 

É dom de simplicidade; um tanto singela,

Bela era pouco para sua magnitude,

Atitude autêntica, verso tagarela,

Tela onde a tinta se fez cristalino açude.

 

Pude observar de perto; poesia rica;

Bica de inspiração; cerne de plenitude,

Amiúde em palavras que na gente fica.

 

Modifica o dentro, é paz e inquietude.

Alude do coração que se fortifica;

Vivifica a alma nessa delícia de nude.

 

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51

Até me estranhei

 

É, hoje tomei um chá de semancol,

Lençol perfumado, vesti o colchão,

Sensação leve num tom girassol,

Guarda-sol girei, ouvindo uma canção.

 

Coração em vida: e soltei o cabelo.

Pelo dourado; de sol, a marquinha.

Tinha uma fragrância sem atropelo.

Gelo quebrado; xô, pra picuinha!

 

Calminha; respirei fundo a alegria;

Poesia num sentimento bom;

Batom cor de boca e toda ousadia.

 

Dia incrível, pensei em mim a sorrir.

florir! Hoje me amei como ninguém.

Bem; agora vou me botar pra dormir.

 

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39

Por partes


O cabelo era preto; esvoaçante.

Semblante carregado de ternura.

Doçura no olhar; tão inebriante.

Habitante de si; e de uma finura.

 

Mistura; uma fêmea estonteante;

Flagrante de beleza sem mistura.

Madura: de fruta boca intrigante.

Mediante um nariz: rara feitura.

 

Segura de seios; e insinuante;

Ofuscante o colo; mas que loucura!

Cintura, hum! e bumbum extravagante.

 

Ante coxas e pernas: sem censura.

Altura? metro e meio; exorbitante.

Instante mágico: o pé.  Que fofura!

 

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25

Cor de canela


Havia meia sombra ali; o carro, parou.

Olhou no retrovisor interno: bonita;

Agita os cabelos, o coque desmanchou;

Pegou sua bolsa e desceu; quase levita.

 

Apita o guarda da rua; desfile em faixa;

Encaixa os passos, atravessa; pé na areia.

Serpenteia um rebolado; não desencaixa.

Abaixa, estende a canga; com sol já na veia.

 

Alheia; despe-se da veste transparente.

e sente os raios; esparrama o protetor,

Primor; a cor de canela já é presente.

 

Frente e verso; vice-versa. O sol não embaraça;

Abraça de jeito todo o corpo suado;

Calado; deixa marca tão cheia de graça.

 

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27

Arrepio


Ato estúpido; é calor ou frio?

Desvario que de dentro vem, brota.

Bota na pele um quase desafio.

É rio, vulcão, descampado, grota.

 

É nota corporal de incerta fonte.

Ponte que coliga vísceras e alma,

Calma em agitamento num desmonte;

Horizonte tênue que intriga e acalma.

 

Palmas pra essa coisa que chega e abraça.

Retraça o sentir, sutil movimento;

Vento saindo pelos poros na raça.

 

Devassa, se do sussurro: reflexo,

Genuflexo, desejo que transpassa.

Graça: orgasmo cósmico; pelo e sexo.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

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Comentários (1)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.