Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
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Poemas
299Os Filhos são crianças para sempre
Um dia a mais ou é um dia a menos?
Plenos. Importam são os dias atuais
Tais questionamentos me são venenos.
Pequenos para sempre, para os pais.
Sinais de madureza, alvos terrenos.
Frenos se abalizam, racham os ais
Canais; esforços são bem mais amenos.
Fenômenos; transpõem os seus portais.
Varais das afeições; razões, cossenos.
Serenos imos; cheiros tão florais.
Cais; extensão de nós e sem empenos.
Drenos de nossa dor, especiais.
Desiguais; mundo. Filhos são de Vênus.
Acenos de alma, derme e literais.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
582
Parnassus Contemporâneo
Chapéu negro; de costas é tão bela.
Tela no cabelo e no dedo, anel.
Pitéu;mas quando se vira : congela.
Pela um medo; que horror, coisa pinel!
Véu na alma, e pelos olhos a remela.
Mela o nariz e manca em seu tropel.
mundaréu de caras, boca banguela.
Apela em feiura e ganha troféu.
Céu de maldade, nuvem de mazela.
atrela frisson, bizarro painel.
cruel é seu jeito, em nada singela.
Anela o mal, em volta fogaréu.
Fel e pesadelo Vênus cruela,
flagela o sonho; de Zeus é um réu.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
233
Nude da alma
A palma do meu dentro para cima.
Rima com um querer; estupidez.
A tez eriça; desejo obra prima,
Acima, adentro, abaixo; em fluidez.
Outra vez, e outra vez... Consecutivo.
Cativo essa loucura; é só minha,
Desalinha; nada diminutivo.
Coletivo, gostar em mim aninha.
E caminha por meus eus um lampejo,
Ensejo ímpar, em mim um açude.
Em plenitude vivo e aqui versejo.
Vejo, suo ventos e quietude,
Saúde de sentimento, sobejo.
E despejo toda a minh’alma: seu nude.
ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
http://raquelordonesemgotas.blogspot.com.br/
696
Os meus olhos
Os meus olhos são castanhos como folhas de outono
Dançam soltos ao vento coreografando a te procurar
Quase dourados buscando por sair de um abandono
Se movem para todos os lados tentando te encontrar.
Os meus olhos gritam e chamejam intensidade total
Quebram o teu silêncio com lágrimas e movimentos
Em minha retina tua imagem se mostra cartão postal
E dela escorre a transparência dos meus sentimentos.
Meus olhos acreditam na tua volta para poder dizer
Que a minha poesia transborda por seres inspiração
Piscam, mas atentos a tudo e não perdem a emoção.
Os meus olhos são castanhos como folhas de outono
Em meio às tempestades de saudades sempre a voar
Esperando a leveza da tua chegada; vir comigo viajar!
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
970
Precisa-se
Precisa-se de gente que doe sorriso sem permuta,
De gente com verdades e de palavras de verdade,
Precisa-se de gente que arregaça a manga vai luta,
De gente que não coloca cor nem sexo na amizade.
Precisa-se de gente de atitude, braços descruzados.
Precisa-se de gente que "seja" e não só que "tenha"
De gente que acredita e faz residência se abraçados
De gente que ousa e se joga e que nada o detenha.
Precisa-se de gente que grave estrela no céu alheio,
E risque horizonte em sua e em quaisquer paredes,
Precisa-se de gente que compartilhe os pães e redes.
Precisa-se de gente de bem, que mostre a que veio.
Precisa-se de gente que pinte jardins de toda a cor,
E que borde nas cortinas do coração somente amor.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
939
Pobreza do ser
Possui asas, sem a menor vontade de alçar vôos,
Possui boa visão, mas bitola-se a uma mesmice,
Tem um leque de tudo, mas por dentro os enjoos,
Tem o mundo de adulto, mas opta por criancice.
Tem uma vida remediada, mas de tudo reclama,
O otimismo e a fé não fazem parte do seu léxico,
Não sabe o que é amar, não aquilata quem o ama,
Aparência rechonchuda com o espírito anoréxico.
Perante cama, mesa e banho, diz que vai embora,
Usufrui de tudo que há e diz que Deus não existe,
Prende os seus pássaros, mas sequer lhe dá alpiste.
Com pensamento solto pedindo poesia, ele chora,
O dinheiro é a causa maior e só isso lhe faz feliz,
Morre de sede; sentado ao léu a beira do chafariz.
ღRaquel Ordonesღ
961
A felicidade morava lá
Quando era criancinha e morava distante.
Tinha uma porteira na entrada da fazenda,
E tudo era simples, o amor era importante.
Café e bolo de fubá sobre toalha de renda.
Um pomar extenso cheio de frutos e flores,
Um córrego cristalino no fundo do quintal.
Vaca e cavalo no pasto, borboletas e cores
Uniformes tão pequenos e brancos no varal.
Um pé de santa Bárbara, nele havia balanço
Uma bica do lado de cá e de lá o galinheiro.
A galinha da angola voava sobre o chiqueiro.
O cachorrinho Tarzan companheiro e manso.
As tarefas da escola feitas à luz de lamparina
Que saudade tenho da minha estação menina!
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
944
“Vida loka”
E ser poeta é ser vida loka,
Boca se tranca na alma que esvoaça,
Traça caminhos e não marca touca,
Mouca se sentir na ironia, ameaça.
Abraça a lua e conta-lhe segredo,
Sem medo, ao hediondo ele viaja,
Engaja em todo sem saber o enredo,
Dedo fala, a grafia seduz: é naja.
Haja loucura, pousa num escuro,
E no muro anda bêbado de verso,
Imerso de si de arrojo diverso.
O inverso é seu forte, voa enduro,
Apuro, contramão, sem estribeira,
Cheira o pó da saudade matadeira.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
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Ao meu ledor
Em cores escrevo, inda que não entenda.
Legenda do imo em vidas e calores,
Rumores de mim ouvem a alma e fenda,
Sem emenda os sabores e os amores.
Flores semeio em versos com essência,
Aparência é simples, profundeza,
Riqueza que faz dentro permanência,
É vivência, sonhos e proeza.
É fineza, a leitura lisonjeia,
Gorjeia o peito, então doo o meu canto,
Em decanto a carícia que permeia.
E pareia a fortuna, existe encanto,
Santo é o cuidar da minha veia,
Teia da poesia; cobre em manto.
ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
Uberlândia MG
Leitor é um universo que acha os versos
Com ou sem rima absoluta emoção,
Leitor é do poeta a extensão.
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Lixeiro
Correndo pelas ruas; trança-trança.
Lança-se seguro ao caminhão,
Desce e sobe cidade inteira avança,
E se cansa. Chão ao alto, alto ao chão.
É ação permanente, noite e dia.
É ousadia em rir cantarolar,
Passar um tanto célere, judia,
Desafia; o seu corpo a difamar.
Ilustrar seus caminhos, assim faz,
É cartaz. Limpa tudo no capricho,
Tem buchicho: é coisa que lhe apraz?
Atrás da condução com ganho micho,
É nicho com mau cheiro, tão mordaz,
Putrefaz valor, coletor de lixo.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.