Eu poesia
Em uma palavra já me resumi,
Por vezes já me senti um verso,
Nas frases me dei conta; cresci,
Vi-me haicai em meu universo.
De trova em trova subi degraus,
Em forma de pensamento andei,
Levei o indriso nas minhas naus,
Colhi poesias, soneto me tornei.
Não agradada à alma embrenhei,
Brotei-me no encarnado da rosa,
Leram-me por aí feito uma prosa.
Meus olhos, refrão da minh’alma,
O sentimento dimana sem ponto,
Estendo-me em ilimitado conto...
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
Lista de Poemas
Um despoema
Soberba à frente do poder
sem tempo, briga por ele; dono do mundo.
No fundo e no raso é um ser bem mimado.
É debochado, vil, um imbecil profundo
Imundo de alma; das trevas alienado.
Coroado por si na lei do seu submundo.
Infecundo de bondade; de paz lesado.
Dissimulado; dos quintos é oriundo.
Vagabundo de caráter; faz do outro, gado.
Desnaturado, briga pelo do outro afundo.
Corcundo de amor, por poder é obcecado.
Sagrado de primórdios, macula em segundo.
Secundo de guerra; um louco todo inspirado,
Carregado do mal, do bento há desbundo;
Confundo-o com um monstro endemoniado.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
rio seca,
flor fenece,
se a fonte é o canal.
20
Sobre beleza...
Ela vem de dentro; no verso aflora.
Ora se mostra em lágrima, que toca.
Reboca de sensação que valora,
Reflora pele a fora; e nela entoca.
Foca em leveza que na alma mora;
Amora do amor; doce que não troca.
Estoca a simplicidade que enamora.
Cora de todas as cores; encanto que choca.
Aloca, gente gentil, sem demora.
Vigora coração, gostar que evoca.
Coloca semente, sem motivo e hora.
Ora, beleza inocente se emboca.
Provoca, é uma coisa: alma afora.
Tutora, e a empatia nunca sufoca.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
“Beleza interior
Não é pra qualquer decorador
Não é vista, é sentida
beleza de dentro sustenta.”
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Castelo de Deus
É manhã, vejo um teto azul com floco branco.
Franco raio de sol na fresta; multicor.
Frescor pelo jardim, pássaros sobre o banco.
Manco lá e cá, o ar bebe o orvalho da flor.
A Cor verdolenga refresca a tarde afora
Vigora com a chuva a semente, e sem dor.
O senhor espaço, e o sol que vem e vai embora;
aflora a lua em prateado sedutor.
O motor do besouro; a abelha, o mel devora.
Chora o rio, feliz; afresca o pescador
o pintor do arco-íris, pinta e nem demora.
A hora: efêmera; nem detecta no sensor;
Bicolor: borboleta; a cigarra sonora
mora em castelo vasto; meu Deus e Senhor.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Deus fez um castelo
Todo o universo e adjacências
nos cedeu aposentos.
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Faça um verso de silêncio
Se perto ou se longe, a palavra sempre alcança.
Mansa, gritada ou até tépida, isso é certo.
Alerto: é triste se a alma do outro, balança;
Lança empatia no tom; de coração aberto.
Decerto não faz nenhum mal cautela; avança;
Dança pode ser sem música, no deserto
Esperto se usa imaginação; confiança.
Mudança de ritmo é ter se descoberto.
Liberto da ofensa palavre igual criança;
Sustança de verbo bom, do belo referto
Descoberto da ruindade; use a aliança.
Amansa o que emerge do seu dentro, desperto.
Inserto verso pro silêncio; sem falança.
Poupança do bem; evite dizer o incerto.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
a palavra dita
altera a definição
Em tom controverso
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Sobrenome
Sobre
nome
Ordones: estranho? Não, é só estrangeiro.
Primeiro: nem sabia, sem menor noção.
Então entendi: sobrenome não brasileiro.
Beiro Principado das Astúrias, Leão.
Intenção herança, mas nada a ver com dinheiro.
Maneiro demais! Uma identificação.
Recordação família, do nome parceiro.
Verdadeiro pedigree; elo transmissão.
Conexão que conta história, tem até cheiro.
Letreiro no registro, um estender de mão,
Bastão passado; mais uma flor no canteiro.
Mensageiro; manifesta uma sucessão.
Criação espanhola; em mim fez paradeiro.
E derradeiro: é do meu pai esse brasão.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
18
Para o meu amor
Agora escrevo aqui, para você, meu amor:
Cor dos meus dias em sol, lá de azul céu e mar.
Falar em silêncio e conexão sem pudor;
Calor de carne e fogo da alma a declarar.
Amar você: simples. Semente, galho e flor;
Olor da essência pelos poros a arrotar,
Transitar por todas as esferas sem dor.
Expor o que vai dentro sem me intimidar.
Amar você: culto. Rima com o que for.
Pôr do sol num amanhecer a despontar,
Amar você: o vermelhinho do rubor.
Teor original de nós, cheiro a acordar
e deitar lado a lado aspirando o sabor;
ardor desejo, em qualquer tempo conjugar.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Talvez...
Amar: se deixar
sem culpa e desculpa.
Não é se doar.
35
Lembra da Dona Baratinha?
Dona baratinha, se via bem charmosa.
Ardilosa, cascuda de raça, seu jeito.
Ajeito nas saias de filó, poderosa.
Pavorosa, adora mesmo é o malfeito.
Do parapeito lança em rasante, estilosa.
Goza de asco, mete medo em qualquer sujeito.
O Peito quase não aguenta, alma em polvorosa.
Lustrosa a tal ‘cucaratcha’, igual um confeito.
Respeito o bicho; mas longe. É espantosa
Silenciosa; ela aprece quando me deito.
Aceito não, chinelo e baygon na feiosa!
Prosa; dinheiro na caixinha; outro conceito.
-Rejeito casar! ‘Nem que a vaca tussa rosa’;
Animosa: - ‘o barato sai caro’: direito.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Evoluir é
mudar de ideia sem culpa.
ser maturidade
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“Terra a víscera”
A terra pede por socorro; e também grita.
Aflita: - salve-me! Me acho toda ferida.
Agredida por essa ganância maldita.
Negrita essa dor; ao poço desferida.
Encolhida; peço de joelhos: reflita!
Palpita minha entranha toda denegrida.
Corrida contra o tempo, a quem em mim habita.
Tramita de fértil para uma apodrecida.
Florida era sonho, pesadelo milita;
Explicita o abuso; com a vida escorrida.
Tingida do impuro, longe de ser bonita.
Delimita ser humano, basta! Exaurida!
Abatida definho, arranca-me a pepita.
Escrita aqui me permito; e peço guarida!
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
A terra em dor berra
Ninguém ouve; o ser é raso
- é, houve um descaso.
20
Lendo o céu
O céu estava uma perfeição; azul semblante.
Impactante, nuvens bailando com o vento.
Firmamento impecável; aquele era “o instante”.
Aconchegante aos meus olhos, um evento.
Lento, o ar leva nuvem por nuvem, flutuante.
Distante muitas milhas; mas ornamento.
Sustento com poder divino, tão oscilante.
Estante com poesias em texto bento.
Sentimento de choro, mas estonteante;
Exuberante infinitude em movimento.
Fragmento visto dali, já me era o bastante.
Marcante, para sempre; em mim, sem cabimento.
Atento olhar da alma, de leitura incessante,
extasiante; e eu aqui sem nenhum argumento.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Na visão da alma se encerra,
se fizéssemos leitura do céu
tudo seria completo na terra.
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Sensual idade
O rosto não aparentava a real idade.
A quantidade de anos não se imprimiu.
Viu-se jovial. não era tanta a vaidade.
verdade: se cuidou; o mundo não viu.
Sorriu; pés de galinha pela metade;
Sanidade em linha, onde se dividiu;
Arrepio que da alma vaza com vontade.
Dualidade: carne anjo e demônio: esfio.
Vazio de bobagens; - xô futilidade!
Intimidade com seus eus; curto pavio.
No fio entre ser comportada e a intensidade.
Seguridade com decisão e desafio.
Fio dental, sim! Inteira e propriedade.
Sensualidade, caudalosa, igual rio.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Ser rio é pulsar vida
escorrência
rumo ao mar...
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.