Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
Poemas
299Sobre o luto
Nasce a dor: o instante, golpe dentro do peito
Rejeito do estado feliz no coração.
a sensação de baque, de um buraco feito;
Efeito: silêncio grave, alta rotação.
Equação: a impotência somada ao estreito.
Desajeito; o triste quer de nós a estação.
Não é justo; mas quem parte tem o direito.
satisfeito, se passageira essa emoção.
Oração atenua, tormento rarefeito;
e perfeito é sagrar a recordação.
Relação madura com a morte: o conceito.
Respeito a ausência; faz dela iluminação.
Então sinta: a saudade pode ser enfeito.
Leito pro riso, o bom; não a mortificação.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
uma alma que parte
Não quer nos ver lagrimando
Luto não constante
Da série: Haikel’s
Cheiro de alma
Encantar com a flores da alma; transfigura.
Altura: crista do coração; nua e bela.
Revela o ser, na simplicidade; a mais pura.
Lisura, caráter; atenção em sentinela.
Cartela das mais lindas cores em pintura;
Soltura, o sentimento, a porta destramela;
Passarela de luz; fogo brando e quentura.
Depura defeitos; e a barreira cancela.
Janela dos olhos; profundo de candura;
Releitura do cerne, fragrância na tela;
Gela, esquenta, chove e venta; é sem censura.
Textura da alma no olhar; e quase esgoela.
Canela, florais, cítricos, madeira: a cura.
Procura-se alma-flores que a nossa se atrela.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Sinta cheiro de alma
feitiço, de ser com ser
o cimo do amor
da série: Haikel’s
Sua capa, pele rara
Tateei a sua capa, é de pele tão rara.
Clara a vontade que pela carne floreia.
Teia que prende, no verbo que atiça e sara.
Escancara em mim um querer, e ele esperneia.
Cheia de emoção, lhe desfolho; nada para.
Açucara-me seus versos, e pela veia;
Alheia ao mundo, na linha que me encara;
Dispara um sabor; o frisson se serpenteia.
Ceia-me em conteúdo adulto; não enfara,
Desmascara-me; sinto o braile que vagueia.
-Releia-me em teor só seu: só me apara.
e prepara o seu avesso; nele me chuleia.
Ateia a palavra, o olho sente toda tara.
Enluara-me a sua página, e chaveia.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
na página aberta
o seu escrito me provoca
reage o arrepio
da série: Haikel’s
A expectativa não é leal
Manchete:"Ah, expectativa, que coisa mais feia!"
Cheia de falsa espera; infinito promete.
Repete, não cumpre; à ilusão chuleia.
E delineia no vazio, um chão; intromete.
Remete pro presente um futuro na veia;
Meia, descalça; cor ouro na vida, mete;
Sete, pinta; ilusão que quase nos tateia.
Creia: a expectativa se passa por vedete.
Compete consigo mesma: pra tudo alheia.
Cadeia das almas; na fixação arremete.
Trompete de anjos; e nos olhos joga areia.
Anseia por sonho; mas logo despromete.
Confete joga, ainda que com o sal tapeia.
Golpeia a paz; faz da gente marionete.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleia
é que a expectativa
Não tem palavra, nem sina
o que ensina, engole
Da série haikel’s
No violão de mim, seus acordes
E num abraço, me abraça e dedilha.
Pilha-me com seu toque, e por inteira.
Verdadeira ‘xtreme’; é melhor trilha.
E Partilha em mim; um Sol e primeira.
Maneira gostosa; firma em presilha;
Empilha o corpo vibração certeira;
Maneira canção; de mim Mi desilha;
Redondilha maior; ou como queira.
Poeira Dó, querer levanta; e fervilha;
Descarrilha Ré, Si, e Lá pela beira;
e cheira arpejos; surreal a milha.
Virilha e silêncio; toque de arteira;
Brincadeira; posições, corda brilha
Estribilha; eu poema; e sem barreira.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Harmonia e toques
Nota: os versos suspiram
em sons de desejo
da série Haikel’s
Por um triz, tesa
Ora, ora! A tristeza está o ó, e bem chata;
Engata, desata e incomoda dentro afora.
Penhora o estado feliz; e é insensata.
Vira-lata de sentires, e tão inodora.
Senhora pesada; sem culpa; imediata.
Retrata o seu escuro que num abismo chora;
Mora num puxado velho com vista abstrata.
Cata sonhos; venta bem gelado e apavora.
Ignora tudo; lenta, dum oco se aflora.
Piora quase sempre; em uma cena ingrata;
Mata a esperança sem a mínima demora.
-Fora agonia! Pegue os trapos, sua rata!
Cata o seu bode, seus grilos e vá embora!
A hora eu dito; é agora: exijo essa data.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
a tristeza encosta
Venta, e gela a nuca da alma
disposta ao fundo
da série: Haikel’s
Está combinado assim...
Na curvatura do tempo; isente do estresse.
Carece deixar o ar desenhar sua linha.
e caminha sem promessa; mas se anoitece;
prece em frase curta, beijo para estrelinha.
Entrelinha do riso exposta, nem se apresse;
Tece minuto a minuto e não desalinha;
Preguicinha faz bem e a gente até merece.
Esclarece; e se quiser finja passarinha.
Ladainha dos outros, deixe lá; aborrece;
Se amanhece; renasça tal qual a plantinha;
Tadinha; há gente por aí que se apodrece.
Enlouquece? Vez ou outra, dê uma palinha;
Tinha combinado assim; se a dor endurece:
Comece e recomece; ainda que cascudinha.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
e guarde o seu fogo
O jogo da vida assopra
Se preciso, blefe...
Da série Haikel’s
É que hoje não dá...
Hoje não dá para morrer; anote:
e bote bem em texto destacado.
Negritado amarelo; não sabote.
Plote imagem; se é mal aclarado.
Encantado esse mundo; belo mote.
Holofote sol; girassol plantado,
Calado; com o vento dança o xote;
Trote, mirando ao alto, e decotado.
Estrelado o sol queima; se rebrote.
Enxote o frio; sê o alaranjado.
regado vaso; em pétala tricote.
Adote ser sensível, namorado.
Agradado viver; não se idiote.
Pilote; morrer hoje? não cotado.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Morrer não é justo
Com tanta beleza exposta
Arrote o ruim
Talvez o amor seja azul
Talvez o amor não seja cor ardente,
Quente, vermelho intenso da paixão,
Ação de calmaria que a alma sente
Rente, a ancorar em outro coração.
Então; talvez o amor seja vertente,
Meramente céu, azul em difusão,
Mansidão que cobre a dor, e silente,
Diariamente; hortênsia em botão.
Amplidão do oceano tão abrangente
Fulgente e leve em movimentação,
Religião; manto da mãe; envolvente.
Tente: sinta o amor blue; imensidão;
Não é chama que queima. Reluzente.
Piamente azul, traz quietação.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
azul céu, no sol
é azul do amar em verde
azul lê-se luz
Autolimpar-se
Se for fazer alguma arrumação,
Atenção: deixa por último a casa.
Atrasa esse ato; digo de antemão.
Não gasta o seu tempo com coisa rasa.
Embasa em cerne, arruma o coração;
oração livra; nunca se descasa.
Arrasa com bem; entorna emoção.
Canção é desinfetante, extravasa.
Casa com o amor: próprio; de paixão.
Perdão faxina; o tóxico defasa;
Brasa no abraço lava a rejeição.
Então, espana da sua a alma: o serasa.
Envasa o seu olhar; é flor perfeição.
Inspiração borrifa; sacuda a asa.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Varra toda a inveja
e para o lado de fora
Arrastando o ódio.
Comentários (1)
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.