Lista de Poemas

Um despoema

 

 

Soberba à frente do poder

 

sem tempo, briga por ele; dono do mundo.

No fundo e no raso é um ser bem mimado.

É debochado, vil, um imbecil profundo

Imundo de alma; das trevas alienado.

 

Coroado por si na lei do seu submundo.

Infecundo de bondade; de paz lesado.

Dissimulado; dos quintos é oriundo.

Vagabundo de caráter; faz do outro, gado.

 

Desnaturado, briga pelo do outro afundo.

Corcundo de amor, por poder é obcecado.

Sagrado de primórdios, macula em segundo.

 

Secundo de guerra; um louco todo inspirado,

Carregado do mal, do bento há desbundo;

Confundo-o com um monstro endemoniado.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

rio seca,

flor fenece,

se a fonte é o canal.

 

 

 

20

Sobre beleza...

 

Ela vem de dentro; no verso aflora.

Ora se mostra em lágrima, que toca.

Reboca de sensação que valora,

Reflora pele a fora; e nela entoca.

 

Foca em leveza que na alma mora;

Amora do amor; doce que não troca.

Estoca a simplicidade que enamora.

Cora de todas as cores; encanto que choca.

 

Aloca, gente gentil, sem demora.

Vigora coração, gostar que evoca.

Coloca semente, sem motivo e hora.

 

Ora, beleza inocente se emboca.

Provoca, é uma coisa: alma afora.

Tutora, e a empatia nunca sufoca.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

“Beleza interior

Não é pra qualquer decorador

Não é vista, é sentida

beleza de dentro sustenta.”

 

 

17

Castelo de Deus

 

 

É manhã, vejo um teto azul com floco branco.

Franco raio de sol na fresta; multicor.

Frescor pelo jardim, pássaros sobre o banco.

Manco lá e cá, o ar bebe o orvalho da flor.

 

A Cor verdolenga refresca a tarde afora

Vigora com a chuva a semente, e sem dor.

O senhor espaço, e o sol que vem e vai embora;

aflora a lua em prateado sedutor.

 

O motor do besouro; a abelha, o mel devora.

Chora o rio, feliz; afresca o pescador

o pintor do arco-íris, pinta e nem demora.

 

A hora: efêmera; nem detecta no sensor;

Bicolor: borboleta; a cigarra sonora

mora em castelo vasto; meu Deus e Senhor.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

Deus fez um castelo

Todo o universo e adjacências

nos cedeu aposentos.

39

Faça um verso de silêncio

 

 

Se perto ou se longe, a palavra sempre alcança.

Mansa, gritada ou até tépida, isso é certo.

Alerto: é triste se a alma do outro, balança;

Lança empatia no tom; de coração aberto.

 

Decerto não faz nenhum mal cautela; avança;

Dança pode ser sem música, no deserto

Esperto se usa imaginação; confiança.

Mudança de ritmo é ter se descoberto.

 

Liberto da ofensa palavre igual criança;

Sustança de verbo bom, do belo referto 

Descoberto da ruindade; use a aliança.

 

Amansa o que emerge do seu dentro, desperto.

Inserto verso pro silêncio; sem falança.

Poupança do bem; evite dizer o incerto.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

a palavra dita

altera a definição 

Em tom controverso

13

Sobrenome

Sobre

           nome

 

Ordones: estranho? Não, é só estrangeiro.

Primeiro: nem sabia, sem menor noção.

Então entendi: sobrenome não brasileiro.

Beiro Principado das Astúrias, Leão.

 

Intenção herança, mas nada a ver com dinheiro.

Maneiro demais! Uma identificação.

Recordação família, do nome parceiro.

Verdadeiro pedigree; elo transmissão.

 

Conexão que conta história, tem até cheiro.

Letreiro no registro, um estender de mão,

Bastão passado; mais uma flor no canteiro.

 

Mensageiro; manifesta uma sucessão.

Criação espanhola; em mim fez paradeiro.

E derradeiro: é do meu pai esse brasão.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

18

Para o meu amor

 

Agora escrevo aqui, para você, meu amor:

Cor dos meus dias em sol, lá de azul céu e mar.

Falar em silêncio e conexão sem pudor;

Calor de carne e fogo da alma a declarar.

 

Amar você: simples. Semente, galho e flor;

Olor da essência pelos poros a arrotar,

Transitar por todas as esferas sem dor.

Expor o que vai dentro sem me intimidar.

 

Amar você: culto. Rima com o que for.

Pôr do sol num amanhecer a despontar,

Amar você: o vermelhinho do rubor.

 

Teor original de nós, cheiro a acordar

e deitar lado a lado aspirando o sabor;

ardor desejo, em qualquer tempo conjugar.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Talvez...

 

Amar: se deixar 

sem culpa e desculpa.

Não é se doar.

35

Lembra da Dona Baratinha?

 

 

Dona baratinha, se via bem charmosa.

Ardilosa, cascuda de raça, seu jeito.

Ajeito nas saias de filó, poderosa.

Pavorosa, adora mesmo é o malfeito.

 

Do parapeito lança em rasante, estilosa.

Goza de asco, mete medo em qualquer sujeito.

O Peito quase não aguenta, alma em polvorosa.

Lustrosa a tal ‘cucaratcha’, igual um confeito.

 

Respeito o bicho; mas longe. É espantosa

Silenciosa; ela aprece quando me deito.

Aceito não, chinelo e baygon na feiosa!

 

Prosa; dinheiro na caixinha; outro conceito.

-Rejeito casar! ‘Nem que a vaca tussa rosa’;

Animosa: - ‘o barato sai caro’: direito.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Evoluir é

mudar de ideia sem culpa.

ser maturidade

13

“Terra a víscera”

 

 

A terra pede por socorro; e também grita.

Aflita: - salve-me! Me acho toda ferida.

Agredida por essa ganância maldita.

Negrita essa dor; ao poço desferida.

 

Encolhida; peço de joelhos: reflita!

Palpita minha entranha toda denegrida.

Corrida contra o tempo, a quem em mim habita.

Tramita de fértil para uma apodrecida.

 

Florida era sonho, pesadelo milita;

Explicita o abuso; com a vida escorrida.

Tingida do impuro, longe de ser bonita.

 

Delimita ser humano, basta! Exaurida!

Abatida definho, arranca-me a pepita.

Escrita aqui me permito; e peço guarida!

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

A terra em dor berra

Ninguém ouve; o ser é raso

- é, houve um descaso.

20

Lendo o céu

 

 

O céu estava uma perfeição; azul semblante.

Impactante, nuvens bailando com o vento.

Firmamento impecável; aquele era “o instante”.

Aconchegante aos meus olhos, um evento.

 

Lento, o ar leva nuvem por nuvem, flutuante.

Distante muitas milhas; mas ornamento.

Sustento com poder divino, tão oscilante.

Estante com poesias em texto bento.

 

Sentimento de choro, mas estonteante;

Exuberante infinitude em movimento.

Fragmento visto dali, já me era o bastante.

 

Marcante, para sempre; em mim, sem cabimento.

Atento olhar da alma, de leitura incessante,

extasiante; e eu aqui sem nenhum argumento.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Na visão da alma se encerra,

se fizéssemos leitura do céu

tudo seria completo na terra.

37

Sensual idade

 

O rosto não aparentava a real idade.

A quantidade de anos não se imprimiu.

Viu-se jovial. não era tanta a vaidade.

verdade: se cuidou; o mundo não viu.

 

Sorriu; pés de galinha pela metade;

Sanidade em linha, onde se dividiu;

Arrepio que da alma vaza com vontade.

Dualidade: carne anjo e demônio: esfio.

 

Vazio de bobagens; - xô futilidade!

Intimidade com seus eus; curto pavio.

No fio entre ser comportada e a intensidade.

 

Seguridade com decisão e desafio.

Fio dental, sim! Inteira e propriedade.

Sensualidade, caudalosa, igual rio.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

Ser rio é pulsar vida

escorrência

rumo ao mar...

 

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Comentários (1)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.

Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ Uberlândia MG