Raquel Ordones

Raquel Ordones

Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ

n. 0000-08-13, Uberlândia, MG

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É remédio, sabia?

 

 

Via de onde estava sentada, um aceno.

Pequeno livro; o vento, a página abria.

Surtia vontade, de querer tão pleno.

Alieno; imerjo naquela grafia.

 

Abria a página de jeito sereno.

Dreno a voz de tinta e papel; ousadia.

Havia segredos; mágico terreno.

Engreno; era análoga a uma terapia.

 

Entupia a alma de imagens jeito ameno.

Obsceno de beleza; uma poesia.

jazia no silencio e sem veneno.

 

Moreno o conto; alto. De presença esguia.

Perdia; letra e víscera, sem esqueno.

Ibuprofeno nato. Ler, alivia.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

O livro sorria

então gargalhei de volta

estamos felizes

 

da série: Haikel’s

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Poemas

304

Devorando livros



Mas o livro era sobre o que? _Não importa.
Torta, animais; gibis; lutas; didático.
Pragmático ser, seu mundo transporta,
E corta a estupidez; ora lunático.

Prático viver; ler é alimento.
É sustento da mente, bel-prazer,
Crescer em escarcéus de entendimento,
Vento astuto bem antes de morrer.

Saber era vício, uma enciclopédia,
Média? _Não, muito, muito acima dela!
Janela para o mundo, fora acédia.

A comédia com garfo ou colher mela,
Zela à oração se é tragédia,
Em sédia: feijão e livro na panela.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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235

Íntimos


Veste-se em tecido suave e leve,
Atreve na volúpia pueril,
De perfil uma escultura transcreve,
A neve ferve de jeito febril.

Abriu seus lábios e fechou num beijo,
Molejo em quadril no corpo repete,
E promete a flor em doce versejo,
Arpejo em gemidos sobre o carpete.

Reflete na alma, frêmito da tez,
Imediatez na coxa que roça,
E coça as vísceras a escutar bossa.

Apossa-se do outro mais uma vez,
Talvez p'ra sempre naquele momento,
Atento; comprime o seio no intento.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
273

Po(RR)esia



No bar, luar, o poeta é pura emoção,
A canção que toca o faz longe viajar,
O seu tragar no cigarro é uma devoção,
Prisão da mente em versos vem se libertar.

Imaginar fértil; um tanto dolorido,
É ressequido por dentro pela saudade,
A vontade do abraço e sorrir divertido,
Embebido no canto, é somente metade.

E com verdade, o poeta dá mais um gole,
Engole,arde, desce seco pela garganta,
É tanta a desilusão que sua alma espanta.

E canta com um tom bem alto, a voz sai mole,
Mais outro gole, uma lágrima, piração,
Coração no papel amassado no chão.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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314

Excitação poética



É patética, enfim, é natural,
E no canal da mente, ação mofética,
Dialética de alma com carnal,
Vendaval que bagunça toda estética.

Cética até, porém vem sem aval,
Um oral engolido sem fonética,
Frenética emoção descomunal,
É amoral, profana, santa: eclética.

Hipotética ideia ora real,
Literal, de miragem imagética,
É atlética prática, afinal.

Liberal, ejacula-se a poética.
Sincrética; estimulo manual,
É visceral, de síntese magnética.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
258

Somos soneto



E com uma palavra eu lhe defino:
Um menino: esse ser que só me encanta,
Levanta meu estado, homem e divino,
Felino às vezes; a minh'alma canta.

Espanta-me a elegância; o ser singelo,
Aquarelo-me, cores inexistentes,
Quentes desejos; o santo atropelo,
Caramelo com vinho em aguardentes.

Potentes quereres; sou simples rima,
Imprima-me em entrelinha dueto,
Dialeto nobre, pensar acima.

Intima-me num todo em seu livreto,
E borboleto-me em asa que anima,
No clima, chovemos: somos soneto.

ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
Uberlândia MG
309

Escre(vi)ver



No mundo de mim, tanto sentimento.
Vento forte em querer e de ousadia,
A poesia aqui, em assentimento,
Sem lamento, viagem fantasia.

Alegria e tristeza no papel,
O céu desce, o chão sobe; uma loucura,
A ternura borbota feito mel,
O fel da angústia nunca mais tortura.

A soltura de versos e entrelinha
Linha de verdade por tanto amar
Voar em pensamento; desalinha.

Minha saudade, meu eu no meu calar,
A pintar avesso, o lápis se alinha,
Uma palinha aqui pra me acalmar.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
270

Moro em provisórios de mim



E, mutantes são todos os meus eus,
Gineceus seduzem a cada instante
Em provocantes cernes androceus,
Adeus; mudei... É um tanto constante.

Avante, lei da vida, outra procura,
A cura pra ferida o tempo traz,
Em cartaz, paixão, amores e loucura,
Apura-se na gente, agito e paz.

Jaz em cada segundo uma mudança,
Herança deixada reconstrói enfim,
O jasmim nasce, cresce e seu olor lança.

Criança que madura, senil, fim...
Assim há um processo, em mim avança,
Dança, moro em provisórios de mim.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
216

Razão e emoção


Razão e emoção; irmãs: Ruth e Raquel,
Num painel uma pinta o coração,
Mão dada, apenas uma usa o pincel,
Há anel, mas a outra age de supetão.

A razão quer saber: como, porque e onde,
Responde por todos, quase a senhora,
Embora sensata; comento desponde,
E ponde à frente da emoção, a penhora.

Agora, a emoção é toda a nossa essência,
Transparência, intenso comportamento,
Sem invento, joga sem fingimento.

E lento é o acordo, grande resistência,
Inteligência, crânio: raciocínio,
Domínio, sentimento, alma, fascínio.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
259

Liberdade que prende



É, tende a ser gostoso o alforriado,
E dado com vontades, integral,
Sem plural, sem composto. Predicado,
Conjugado sem aspas, não verbal.

Aval com reticências, e sem pontos,
É sem pespontos, crase e sem colchete,
Brete de ócio, vírgula se tontos,
Os dois pontos falam tête à tête.

Bilhete do sujeito: coração,
Conjugação do tempo é presente,
A mente não argui. Bravo, interjeição!

Interpretação clara e convincente,
Recorrente e sem interrogação,
Aprovação, de nada dependente.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
232

A poesia faz bailar as letras



Borboleta ao vento qual bolero,
Esmero, carimbó, saia, veneta,
Careta d'um funk, nem enumero,
Severo balé, passo, silhueta!

Letra que valsa em versos; destempero,
Libero a mente, sambo em etiqueta,
É cagueta entrelinha, em salsa espero,
Lero com frevo, linhas, pirueta.

Sineta pagodeia, em xote impero.
E reintero com verbo 'break', baqueta,
Faceta de forró; zumba; eu exagero.

Quero tango em poema violeta,
Greta d'alma dança, não pondero,
É vero: jaz-me jazz, rege a caneta.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
258

Comentários (1)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.