Raquel Ordones

Raquel Ordones

Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ

n. 0000-08-13, Uberlândia, MG

Perfil
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Soneto roceiro


São cinco da manhã, o galo canta.
Levanta bota lenha na fornalha,
Palha, fumo, café, prece à santa, 
Planta o pé na botina; à batalha!

Orvalha ainda, chapéu, força, cabaça.
Abraça seu trabalho, busca o gado,
É cercado e peado, tão sem raça.
Rechaça o bezerrinho arreliado.

É ordenhado o leite. Já afofa a horta,
E corta o mato, varre seu quintal,
É bestial ofício, afã reporta.

Transporta porcos, roupas no varal,
É rural. Pesca e caça; se comporta,
Da porta, o luar, firme no degrau.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG

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Poemas

279

Amor não faz sofrer o coração



Então, se sofre há algo muito errado.
Sagrado é o amor se nele mora,
Embora longe; ás vezes calado,
Separado, ele nunca sai ou vai embora.

Sem hora o sentimento; ele é forte,
Dá norte, traz pra gente uma saudade,
Sem maldade vem; há quem não suporte,
O corte é fingir, foge a verdade.

Lealdade em sentir; e tão absoluto,
Fruto que nasce em gomo de feitiço.
Viço que em nada deve ser poluto.

Indissoluto; causa reboliço.
Postiço; o não afeto é algo bruto,
Fajuto faz sofrer e é mortiço.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
298

Um palco giratório vive em mim



É cedo; amarrotada em travesseiro.
Primeiro raio em sol mostra segredo,
Medo não tem; descalça ao banheiro,
Chuveiro me demuda: extrai-me o azedo.

Dedo do dia à cara me aponta,
Pronta? Precisa agir em outra cena,
Pequena sinto, o mundo me faz tonta,
E desmonta-me a cada instante; pena.

E serena me finjo noutra ação.
Portão se abre e eu tablado de jasmim,
Jardim, ora murcha, ora floração.

Então, lá fora tantos eus; sem fim,
Em mim o palco gira: apresentação,
No vão venho e vou, pois sou sempre assim!

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
229

A noite não vem só...



Esperança de um dia melhor; dorme,
É conforme o seu tempo e tão tranquilo,
Aniquilo o mau. Meu sentir tão enorme,
É uniforme o vento e canta o grilo.

O sigilo na mente que voeja.
Viceja uma vontade do teu toque,
Sem retoque, que nada me proteja.
E boceja os meus beijos em estoque.

Enfoque nos teus olhos, tua mão.
Meu vão se lança à tua entrelinha,
Aninha-me no teu corpo, emoção!

É sensação que dança; desalinha,
Sozinha não, comigo a reflexão.
Excitação por dentro que sublinha.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
208

A poesia faz bailar as letras



Borboleta ao vento qual bolero,
Esmero, carimbó, saia, veneta,
Careta d'um funk, nem enumero,
Severo balé, passo, silhueta!

Letra que valsa em versos; destempero,
Libero a mente, sambo em etiqueta,
É cagueta entrelinha, em salsa espero,
Lero com frevo, linhas, pirueta.

Sineta pagodeia, em xote impero.
E reintero com verbo 'break', baqueta,
Faceta de forró; zumba; eu exagero.

Quero tango em poema violeta,
Greta d'alma dança, não pondero,
É vero: jaz-me jazz, rege a caneta.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
253

Excitação poética



É patética, enfim, é natural,
E no canal da mente, ação mofética,
Dialética de alma com carnal,
Vendaval que bagunça toda estética.

Cética até, porém vem sem aval,
Um oral engolido sem fonética,
Frenética emoção descomunal,
É amoral, profana, santa: eclética.

Hipotética ideia ora real,
Literal, de miragem imagética,
É atlética prática, afinal.

Liberal, ejacula-se a poética.
Sincrética; estimulo manual,
É visceral, de síntese magnética.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
251

Chove você em mim


Meus muros se molham, e se encharcam,
Marcam-se nossas cores em mistura,
Estruturas pulsam, e me abarcam,
Atracam; lava toda a minha altura.

É loucura esse seu chover em mim,
Meu jardim brota, é tanto perfume,
Cardume de desejo está afim,
O seu jasmim me inunda, então me assume.

Volumes, escorrências infinitas,
Imita catarata, irrigação,
A atuação dos seus pingos me agita.

Excita-me ao extremo, volição.
Então existe esse vento, e me visita,
Levita a saia da imaginação.

ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
Uberlândia MG
314

Liberdade que prende



É, tende a ser gostoso o alforriado,
E dado com vontades, integral,
Sem plural, sem composto. Predicado,
Conjugado sem aspas, não verbal.

Aval com reticências, e sem pontos,
É sem pespontos, crase e sem colchete,
Brete de ócio, vírgula se tontos,
Os dois pontos falam tête à tête.

Bilhete do sujeito: coração,
Conjugação do tempo é presente,
A mente não argui. Bravo, interjeição!

Interpretação clara e convincente,
Recorrente e sem interrogação,
Aprovação, de nada dependente.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
228

Nas asas da poesia



Pena? _Não. Só há uma ventania,
é fonia por dentro: quente e amena,
Acena imaginar em demasia,
Histeria de verso; desordena.

E despena minha alma, extrai e copia,
Seria o tal plainar em linha e cena.
Arena em flor, pecado, ave-maria,
Iguaria de anseio, até obscena.

Terrena, célica essa tal sangria?
Periferia ou centro nada apequena,
Plena, absoluta. Late, uiva e pia.

E teoria alguma aclara; epicena.
Morena que avassala; a poesia,
Arrepia. Versar: voo que aliena...

ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
Uberlândia MG
199

Po(RR)esia



No bar, luar, o poeta é pura emoção,
A canção que toca o faz longe viajar,
O seu tragar no cigarro é uma devoção,
Prisão da mente em versos vem se libertar.

Imaginar fértil; um tanto dolorido,
É ressequido por dentro pela saudade,
A vontade do abraço e sorrir divertido,
Embebido no canto, é somente metade.

E com verdade, o poeta dá mais um gole,
Engole,arde, desce seco pela garganta,
É tanta a desilusão que sua alma espanta.

E canta com um tom bem alto, a voz sai mole,
Mais outro gole, uma lágrima, piração,
Coração no papel amassado no chão.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
309

A cor abriu



Fecha março; surge o botão,
Depois que a folhagem caiu,
Bem no meio a essa estação,
Entra o mês seguinte: abril!

Abriu em flor, rara violeta,
Ornamenta o maio em cores,
Abre-se: beijo da borboleta,
Adorna mundo multicolores.

Asas leves avivam o vento,
Os pássaros cantam felizes,
Misturam-se em tez matizes.

Abissal flor; floreia a orbe.
Expõe graça sai do hiberno,
Maio é mãe; junho é inverno!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
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Comentários (1)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.