Eu poesia
Em uma palavra já me resumi,
Por vezes já me senti um verso,
Nas frases me dei conta; cresci,
Vi-me haicai em meu universo.
De trova em trova subi degraus,
Em forma de pensamento andei,
Levei o indriso nas minhas naus,
Colhi poesias, soneto me tornei.
Não agradada à alma embrenhei,
Brotei-me no encarnado da rosa,
Leram-me por aí feito uma prosa.
Meus olhos, refrão da minh’alma,
O sentimento dimana sem ponto,
Estendo-me em ilimitado conto...
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
Lista de Poemas
Garotinha
Miúda e suave; abraço de ursinho,
Cabelinho num rabo de cavalo,
Calo-me ao vê-la em seu vestidinho,
Passinho tão miúdo, quase embalo.
Falo por dentro: _Impecável figura!
É candura de ser, anjo na terra,
Sem guerra na alma com tanta lisura,
Desmesura que em pureza se encerra.
E berra o belo num grito singelo,
Chinelo de dedo, rastro alegria,
Poesia, no sonho o seu castelo.
Paralelo mundo, o da fantasia,
Euforia e gosto de caramelo.
E relo o meu olhar em tanta magia.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
380
Escre(vi)ver
No mundo de mim, tanto sentimento.
Vento forte em querer e de ousadia,
A poesia aqui, em assentimento,
Sem lamento, viagem fantasia.
Alegria e tristeza no papel,
O céu desce, o chão sobe; uma loucura,
A ternura borbota feito mel,
O fel da angústia nunca mais tortura.
A soltura de versos e entrelinha
Linha de verdade por tanto amar
Voar em pensamento; desalinha.
Minha saudade, meu eu no meu calar,
A pintar avesso, o lápis se alinha,
Uma palinha aqui pra me acalmar.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
254
Geração pistola
A cidade dorme, o mau pronuncia,
E guia a arma, até mesmo canivete,
Mete o dedo em gatilho; rebeldia.
Periferia; comanda um pivete.
Chiclete na boca, fala bem mole,
Engole o cuspe, é quase homem vago,
É rasgo de morte que na alma bole,
Sem prole, não pensa; isento de afago.
Trago no cigarro, fumaça de erva.
Inerva-se todo, não consentido.
Sentido ameaça, morte reserva.
Observa; tudo ali é digerido,
O gemido, o sangue e poder preserva,
É 'Minerva do hediondo' e temido.
ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
Uberlândia MG
429
Do(A)ção
Uma mão se distende e a outra nem sabe.
Desabe mundo, um sino nunca bate,
Rebate o coração, nele não cabe,
E babe na renúncia, no céu se ate.
Mate o apego, atitude, com ajuda,
Muda, mostre d' alma seu quilate,
Remate com poesia, não iluda,
Escuda-se de amor, e se relate.
Desbarate o egoísmo, se desnude,
Amiúde: amor; música; trabalho,
É orvalho na flor; ou seja açude!
Virtude, é profundo do ser, valho.
Atalho para quem tem vida rude,
Plenitude do afeto sem 'migalho'.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
304
A poesia faz bailar as letras
Borboleta ao vento qual bolero,
Esmero, carimbó, saia, veneta,
Careta d'um funk, nem enumero,
Severo balé, passo, silhueta!
Letra que valsa em versos; destempero,
Libero a mente, sambo em etiqueta,
É cagueta entrelinha, em salsa espero,
Lero com frevo, linhas, pirueta.
Sineta pagodeia, em xote impero.
E reintero com verbo 'break', baqueta,
Faceta de forró; zumba; eu exagero.
Quero tango em poema violeta,
Greta d'alma dança, não pondero,
É vero: jaz-me jazz, rege a caneta.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
243
Gramaticalmente, nós!
Gramaticalmente, nós!
Somos letras assim, independentes,
Coerentes na palavra: juntamos,
E nos damos bem, delicadamente,
Pertencentes e nos acrescentamos.
Criamos "nós"; viramos expressão,
Na pontuação mostramos respeito,
Feito com a vírgula ou exclamação,
Entonação, sem oculto sujeito.
O conceito de nós é a reticência,
Sequência; e se dígrafo tão sonoro,
_Adoro, se hiato eu te namoro!
Ignoro o ponto final e a influência,
Detença no hoje, caminho é longo,
Gongo de desejo quando ditongo.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
Somos letras assim, independentes,
Coerentes na palavra: juntamos,
E nos damos bem, delicadamente,
Pertencentes e nos acrescentamos.
Criamos "nós"; viramos expressão,
Na pontuação mostramos respeito,
Feito com a vírgula ou exclamação,
Entonação, sem oculto sujeito.
O conceito de nós é a reticência,
Sequência; e se dígrafo tão sonoro,
_Adoro, se hiato eu te namoro!
Ignoro o ponto final e a influência,
Detença no hoje, caminho é longo,
Gongo de desejo quando ditongo.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
408
Amor não faz sofrer o coração
Então, se sofre há algo muito errado.
Sagrado é o amor se nele mora,
Embora longe; ás vezes calado,
Separado, ele nunca sai ou vai embora.
Sem hora o sentimento; ele é forte,
Dá norte, traz pra gente uma saudade,
Sem maldade vem; há quem não suporte,
O corte é fingir, foge a verdade.
Lealdade em sentir; e tão absoluto,
Fruto que nasce em gomo de feitiço.
Viço que em nada deve ser poluto.
Indissoluto; causa reboliço.
Postiço; o não afeto é algo bruto,
Fajuto faz sofrer e é mortiço.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
290
A cor abriu
Fecha março; surge o botão,
Depois que a folhagem caiu,
Bem no meio a essa estação,
Entra o mês seguinte: abril!
Abriu em flor, rara violeta,
Ornamenta o maio em cores,
Abre-se: beijo da borboleta,
Adorna mundo multicolores.
Asas leves avivam o vento,
Os pássaros cantam felizes,
Misturam-se em tez matizes.
Abissal flor; floreia a orbe.
Expõe graça sai do hiberno,
Maio é mãe; junho é inverno!
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
256
Beija com teus passos
A leveza na alma tira o peso do pé,
A fé é uma grandeza de dentro que consola,
Mola propulsora de encanto e de balé,
Olé na tristeza; dê um chute, faça gol, é bola.
E descola o apego, te faças doação,
Sermão não te cabe, tão somente conselhos,
Vermelho é paz quando nativo da paixão,
Oração, não é necessário ser de joelhos.
Espelho é móvel que manifesta o reflexo,
Anexo a ele simplesmente tem a parede,
Rede que peixe afoga; da vida tem sede.
Vede todos os lados; côncavo e convexo,
E sem nexo é a pessoa que se "paraísa",
Desliza, beija com passos o chão onde pisa.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
452
Mulher de entardeceres
Gosto do entardecer, matiz laranja,
Esbanja beleza; o fôlego tira,
E pira a imaginação, coisa estranja,
Franja de nuvens o coração admira.
Gira-me céu, raios multicolores,
As flores dançam ao vento que cheira,
A beira do limite e sem pudores,
Vetores que perdem sua estribeira.
Em fileira os pássaros cruzam o ar,
O lugar que é adotado como casa,
E vaza leveza em penas, pés e asa.
E não atrasa; o sol já vai se acamar,
Num virar de cobertas, surge a lua,
Atenua a luz, já é ocaso na rua.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
428
Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.