Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
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Poemas
299Caneta
Chocada com o grito da alma
na voz muda do coração,
a caneta em hemorragia
escorre e pinta vermelhos versos!
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
286
Nosso mundo
Criou-se, mas foi assim tão de repente,
É que a gente não sabe: por que flores?
As cores aquarelam bem à frente,
Na lente da tez se corre ardores.
Motores de nós é essa vontade.
Sem igualdade no dentro transborda,
Acorda um sol de raio em liberdade,
A saudade que em tudo concorda.
Recorda um amanhã, não o passado,
Calado de um segredo que é nosso,
Endosso-me, meu ser doa aprovado.
Estrelado céu, sua boca almoço,
Posso até parecer-me um ser alado,
Ao seu lado, nosso mundo; alvoroço.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
160
Estou a procura
De sorriso com mais verdade
Do carinho com toda certeza
Da nobreza vestindo coração.
E da verdade mais sorridente
Da certeza do doce acarinhar
Do coração com alma nobre.
Caço o beijo com todo gosto
A tez que encrespa ao toque
E do corpo que pede calado.
Do sabor dos lábios beijados
Do contato que a pele abala
Do silêncio dos corpos depois.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
217
Desejo
Surge em pensamentos e martela
Vira a alma do avesso, enlouquece.
O corpo vibra excessivo e se anela
Da figura gravada não se esquece!
E volta mil vezes à mesma imagem
Incrementa-a e avança sem limite
Cola na parede do imo a paisagem
Em cor uma insanidade se permite!
E novamente a efígie vem à tona
E com ela o desejo espanca e grita
A pele treme em frisson e se agita!
Surge de algum lugar a capacidade
Torna isso um fato, se faz uma ação
Acontecência que sacia a excitação!
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
242
“Escre(vi)ver”
E a poesia em si é sem hora,
Apodera da alma por direito,
é ontem, hoje e por ai afora,
Imprime sem tempo o peito.
E a poesia em si é a senhora,
A madame de versos a florir,
Colher pensamento no agora,
Do existente e do não existir.
A poesia em si é a senha, ora!
Uma chave que temos de nós,
Embora na multidão ou a sós.
Poesia é deitar é por para fora,
é gota da gente; letras em nós,
Grafites do lápis se tornam voz.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
191
Rap da poesia
Sou vento
do pensamento,
estrela
embaixo
da lua,
tristeza
crida
em alento,
sou vestida
e sou nua.
Norte azul,
rosa no leste.
Sol de amor
migra para o sul;
de calor todo
reveste
se põe em beijo
de desejo
La no oeste.
Dos versos
o universo,
Sou o grito
em escrito,
sou contrário
o inverso,
a imaginação,
não mito.
Dos versos
a plantação,
sentimento
que escorre,
sem nenhuma
pontuação,
reticência
que não morre!
ღRaquel Ordonesღ .
Uberlândia MG
233
Soneto matuto
Lembro-me de um engenho,
Do alvorecer e do por do sol.
Na mata onde me embrenho
Orvalho na trilha no arrebol.
Canto do galo, olor de capim.
Céu luarento, grilo a cricrilar.
A charrete, os patos, jardim.
E uma laranjeira a perfumar.
Gado no pasto, verde grama.
E nas belas tardes as cigarras
E os pássaros em algazarras!
Um balanço, pique esconde.
Galinhas no quintal, o açude.
Bonecas e bolinhas de gude.
ღRaquel Ordonesღ .
Uberlândia MG
218
Preste atenção
O amor é nutrimento para o coração
Chega vestido de lua, é transparente.
Precioso; feito água clara do ribeirão.
É joia valiosa; é iluminação atraente!
Arrebata a alma, traz de volta a vida.
Deixa-nos em conjunturas de graça
É um sentir de emoção, gota infinda.
É doce sentimento que tudo abraça.
O amor quando chega bota bronca
O silêncio com apuro sabe dele falar
Não avisa, entra, faz tudo modificar.
Amar: é o momento máximo do ser
É assentar no arco-íris após a chuva
Se deixar vestir pelo amor feito luva.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
206
Das minhas preferências
Gosto dos gostos que a minha casca tênue provoca,
Dos gostos que de tão gostoso dulcifica toda a alma,
Gosto de olhar que sutilmente me come e me evoca,
Gosto das nossas miscelâneas que me atiça e acalma.
Gosto das nossas cores juntas, desenho enigmático,
Lágrima e gozo da nossa satisfação em nuança forte,
Gosto se me encobre em branco ou monocromático,
Gosto dessas tonalidades esfregadas que tira o norte.
Gosto do cheiro que é seu, mas que eu levo comigo,
Desse que o vento rouba e carrega para o meu nariz,
Gosto da sua fragrância que me molha qual chafariz.
Gosto do seu toque que me tropeça, em mim: abrigo,
Gosto da sua voz que saliva em meu ouvido e sussurra,
Gosto se faz do lençol, lona e com beijos me esmurra.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.