Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
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Poemas
290Calembur
Eu rio, mas se sou rio, longe do mar,
Amar; vela que acende, ascende a vela,
Ela uma coragem, sou ela a navegar,
Morar no nada e nada em aquarela.
Gela se casa e não está em casa,
Em asa leve, que o seu sonho leve,
Breve a serra que cerra visão rasa,
Vaza a pena. Que pena, mas se atreve!
Escreve um conto; conto; um, dois e três,
A tez eriça, iça no canto um canto.
E levanto; acento no assento? Espanto!
Tanto cinto, que sinto, não; talvez,
Xadrez a calça; e calça bota torta,
Na torta bota vil "sarin", viu a morta.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
535
Liberdade que prende
É, tende a ser gostoso o alforriado,
E dado com vontades, integral,
Sem plural, sem composto. Predicado,
Conjugado sem aspas, não verbal.
Aval com reticências, e sem pontos,
É sem pespontos, crase e sem colchete,
Brete de ócio, vírgula se tontos,
Os dois pontos falam tête à tête.
Bilhete do sujeito: coração,
Conjugação do tempo é presente,
A mente não argui. Bravo, interjeição!
Interpretação clara e convincente,
Recorrente e sem interrogação,
Aprovação, de nada dependente.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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230
Mulher de entardeceres
Gosto do entardecer, matiz laranja,
Esbanja beleza; o fôlego tira,
E pira a imaginação, coisa estranja,
Franja de nuvens o coração admira.
Gira-me céu, raios multicolores,
As flores dançam ao vento que cheira,
A beira do limite e sem pudores,
Vetores que perdem sua estribeira.
Em fileira os pássaros cruzam o ar,
O lugar que é adotado como casa,
E vaza leveza em penas, pés e asa.
E não atrasa; o sol já vai se acamar,
Num virar de cobertas, surge a lua,
Atenua a luz, já é ocaso na rua.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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444
Somos soneto
E com uma palavra eu lhe defino:
Um menino: esse ser que só me encanta,
Levanta meu estado, homem e divino,
Felino às vezes; a minh'alma canta.
Espanta-me a elegância; o ser singelo,
Aquarelo-me, cores inexistentes,
Quentes desejos; o santo atropelo,
Caramelo com vinho em aguardentes.
Potentes quereres; sou simples rima,
Imprima-me em entrelinha dueto,
Dialeto nobre, pensar acima.
Intima-me num todo em seu livreto,
E borboleto-me em asa que anima,
No clima, chovemos: somos soneto.
ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
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307
Canção inabalável
Melodia em notas fortes; é o amor,
Um calor de voz que venta na nuca,
É muvuca na carne, acesa flor,
Rumor; perturba de fundir a cuca.
Maluca lufa n'alma desarranja,
Esbanja ritmo, um passo noutro passo,
Abraço, beijo em beijo, tudo arranja,
Manja de efeitos: santo ora devasso.
O terraço da tez é invadido,
Bandido acorde faz a roçadura,
Brandura do cochicho, aura em altura.
Partitura paixão, de amor perdido.
Sustenido imo, dantes e presente,
E sente gritos num baile silente.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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502
A poesia faz bailar as letras
Borboleta ao vento qual bolero,
Esmero, carimbó, saia, veneta,
Careta d'um funk, nem enumero,
Severo balé, passo, silhueta!
Letra que valsa em versos; destempero,
Libero a mente, sambo em etiqueta,
É cagueta entrelinha, em salsa espero,
Lero com frevo, linhas, pirueta.
Sineta pagodeia, em xote impero.
E reintero com verbo 'break', baqueta,
Faceta de forró; zumba; eu exagero.
Quero tango em poema violeta,
Greta d'alma dança, não pondero,
É vero: jaz-me jazz, rege a caneta.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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254
Chove você em mim
Meus muros se molham, e se encharcam,
Marcam-se nossas cores em mistura,
Estruturas pulsam, e me abarcam,
Atracam; lava toda a minha altura.
É loucura esse seu chover em mim,
Meu jardim brota, é tanto perfume,
Cardume de desejo está afim,
O seu jasmim me inunda, então me assume.
Volumes, escorrências infinitas,
Imita catarata, irrigação,
A atuação dos seus pingos me agita.
Excita-me ao extremo, volição.
Então existe esse vento, e me visita,
Levita a saia da imaginação.
ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
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316
Crescemos sem tantas respostas
A proposta seria a meia verdade,
Crueldade! Prendiam as respostas!
As costas davam. _Eles não têm idade!
Sinceridade? São regras impostas!
Expostas as perguntas; sem retornos,
Contornos para não cair no exame,
Reclame? Nem em forma de subornos!
Em torno disso, tem sempre um certame.
Enxame de porquês e indagação,
Explicação? _A metade recebemos,
Erguemos assim, nessa construção.
Uma urbanização; conceitos temos,
Adolescemos; dúvidas então.
Educação? Foi assim que nós crescemos.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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265
Devorando livros
Mas o livro era sobre o que? _Não importa.
Torta, animais; gibis; lutas; didático.
Pragmático ser, seu mundo transporta,
E corta a estupidez; ora lunático.
Prático viver; ler é alimento.
É sustento da mente, bel-prazer,
Crescer em escarcéus de entendimento,
Vento astuto bem antes de morrer.
Saber era vício, uma enciclopédia,
Média? _Não, muito, muito acima dela!
Janela para o mundo, fora acédia.
A comédia com garfo ou colher mela,
Zela à oração se é tragédia,
Em sédia: feijão e livro na panela.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
233
Moro em provisórios de mim
E, mutantes são todos os meus eus,
Gineceus seduzem a cada instante
Em provocantes cernes androceus,
Adeus; mudei... É um tanto constante.
Avante, lei da vida, outra procura,
A cura pra ferida o tempo traz,
Em cartaz, paixão, amores e loucura,
Apura-se na gente, agito e paz.
Jaz em cada segundo uma mudança,
Herança deixada reconstrói enfim,
O jasmim nasce, cresce e seu olor lança.
Criança que madura, senil, fim...
Assim há um processo, em mim avança,
Dança, moro em provisórios de mim.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.