Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
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Poemas
299Mistérios do coração
Às vezes eu sei tanto do meu coração
Sei o que se passa, até vejo a imagem.
E outras vezes me segreda sem noção
E se tranca, retira-me toda a paisagem.
Às vezes ele tem um espantoso querer
De repente se recolhe não sei por quê.
Às vezes se doa; se entrega para valer
Já se foi com alguém, pergunto: cadê?
Às vezes bate alto, caceteia o ouvido
E às vezes o seu silêncio bulina além
Ama quem não deve; inverso também.
A fiúza é que ao amor está envolvido
E nele reside toda uma contemplação
E é mistério; enflora-se em cor e ação.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
214
Cotidiano
...ainda sem o sol... Reflexo.
e chove...
Na rua um riacho.
Uma florada de guarda-chuvas...
o Uber dobra o valor.
No ônibus o dobro de passageiros.
As janelas embaçadas.
As vozes não se calam.
O semáforo vermelho...
o verde...
A lotação segue, são tantos destinos...
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
257
Razão e emoção
Razão e emoção; irmãs: Ruth e Raquel,
Num painel uma pinta o coração,
Mão dada, apenas uma usa o pincel,
Há anel, mas a outra age de supetão.
A razão quer saber: como, porque e onde,
Responde por todos, quase a senhora,
Embora sensata; comento desponde,
E ponde à frente da emoção, a penhora.
Agora, a emoção é toda a nossa essência,
Transparência, intenso comportamento,
Sem invento, joga sem fingimento.
E lento é o acordo, grande resistência,
Inteligência, crânio: raciocínio,
Domínio, sentimento, alma, fascínio.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
259
Nunca é tão tarde...
O sol estendia seu último raio alcançando o horizonte,
Deitando-se naquele colo em repouso.
Um sino,
Hora do 'ângelus'
Benze-se em frente à igreja...
Pai,
Um ar de cansaço...
Filho,
Em frente à TV...
Espírito Santo não é pessoa!
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
196
...
Engraçado como alguém se planta ou nasce na vida da outra sem mais nem por que. E é mais engraçado ainda quando você rega essa planta ela se torna mais viçosa, inda que pareça meio murcha um dia ou outro a gente sabe da firmeza do ramo; a gente sabe que o adubo que a gente usou é de boa qualidade e a água é insípida, inodora e incolor.
Às vezes a gente é capaz de jurar que é para sempre... E claro que é para sempre! Quando a gente vive cada segundo como se realmente fosse para sempre, quando a gente vive a intensidade do sentimento, quando a gente se joga no agora sem se prender no ontem e sem se importar no que vai acontecer amanhã... Afinal, amanhã a gente resolve.
É muito bom quando a gente se sente grande em saber que podemos comportar algo imensurável e ao mesmo tempo se sente minúscula perante essa imensidade... Acho que mais ou menos é isso.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
Às vezes a gente é capaz de jurar que é para sempre... E claro que é para sempre! Quando a gente vive cada segundo como se realmente fosse para sempre, quando a gente vive a intensidade do sentimento, quando a gente se joga no agora sem se prender no ontem e sem se importar no que vai acontecer amanhã... Afinal, amanhã a gente resolve.
É muito bom quando a gente se sente grande em saber que podemos comportar algo imensurável e ao mesmo tempo se sente minúscula perante essa imensidade... Acho que mais ou menos é isso.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
245
Po(RR)esia
No bar, luar, o poeta é pura emoção,
A canção que toca o faz longe viajar,
O seu tragar no cigarro é uma devoção,
Prisão da mente em versos vem se libertar.
Imaginar fértil; um tanto dolorido,
É ressequido por dentro pela saudade,
A vontade do abraço e sorrir divertido,
Embebido no canto, é somente metade.
E com verdade, o poeta dá mais um gole,
Engole,arde, desce seco pela garganta,
É tanta a desilusão que sua alma espanta.
E canta com um tom bem alto, a voz sai mole,
Mais outro gole, uma lágrima, piração,
Coração no papel amassado no chão.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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313
Crescemos sem tantas respostas
A proposta seria a meia verdade,
Crueldade! Prendiam as respostas!
As costas davam. _Eles não têm idade!
Sinceridade? São regras impostas!
Expostas as perguntas; sem retornos,
Contornos para não cair no exame,
Reclame? Nem em forma de subornos!
Em torno disso, tem sempre um certame.
Enxame de porquês e indagação,
Explicação? _A metade recebemos,
Erguemos assim, nessa construção.
Uma urbanização; conceitos temos,
Adolescemos; dúvidas então.
Educação? Foi assim que nós crescemos.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
265
Das tempestades de nós
Das tempestades de nós
Ardência em vento que esvoaça folhas,
Escolhas nulas; gruta de impotência,
Escorrência na tez e almas pimpolhas,
Bolhas colidem em fixa demência.
Influência sã, força irrestrita,
É negrita a faísca em letra avulsa,
Pulsa num raio à menor escrita,
Cita cúmulo-nimbo que convulsa.
Expulsa o pó, pretérito se parte,
Arte presente de nós um dilúvio,
Anuvio volição, voar em marte.
Aparte o mundo, no dentro Vesúvio,
Plúvio e trovões, Zeus em mim encarte,
Em comparte: nós em nosso eflúvio.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
Ardência em vento que esvoaça folhas,
Escolhas nulas; gruta de impotência,
Escorrência na tez e almas pimpolhas,
Bolhas colidem em fixa demência.
Influência sã, força irrestrita,
É negrita a faísca em letra avulsa,
Pulsa num raio à menor escrita,
Cita cúmulo-nimbo que convulsa.
Expulsa o pó, pretérito se parte,
Arte presente de nós um dilúvio,
Anuvio volição, voar em marte.
Aparte o mundo, no dentro Vesúvio,
Plúvio e trovões, Zeus em mim encarte,
Em comparte: nós em nosso eflúvio.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
428
Um palco giratório vive em mim
É cedo; amarrotada em travesseiro.
Primeiro raio em sol mostra segredo,
Medo não tem; descalça ao banheiro,
Chuveiro me demuda: extrai-me o azedo.
Dedo do dia à cara me aponta,
Pronta? Precisa agir em outra cena,
Pequena sinto, o mundo me faz tonta,
E desmonta-me a cada instante; pena.
E serena me finjo noutra ação.
Portão se abre e eu tablado de jasmim,
Jardim, ora murcha, ora floração.
Então, lá fora tantos eus; sem fim,
Em mim o palco gira: apresentação,
No vão venho e vou, pois sou sempre assim!
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
233
Somos soneto
E com uma palavra eu lhe defino:
Um menino: esse ser que só me encanta,
Levanta meu estado, homem e divino,
Felino às vezes; a minh'alma canta.
Espanta-me a elegância; o ser singelo,
Aquarelo-me, cores inexistentes,
Quentes desejos; o santo atropelo,
Caramelo com vinho em aguardentes.
Potentes quereres; sou simples rima,
Imprima-me em entrelinha dueto,
Dialeto nobre, pensar acima.
Intima-me num todo em seu livreto,
E borboleto-me em asa que anima,
No clima, chovemos: somos soneto.
ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
Uberlândia MG
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.