Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
72 208
Visualizações
Poemas
299Intolerância
E tropeça na lei, mas tem a brecha,
E fecha-se de fora em liberdade,
Por maldade, pois fere tal qual flecha,
Uma mexa: egoísmo com vaidade.
Felicidade em outro se resvala,
A bala é certeira e a dor arranca,
Espanca; é o respeito que se abala,
Cala-se por estar com a alma manca.
E tranca-se em um mundo limitado,
Abafado; fiúza não existe,
Insiste; sem a água e sem alpiste.
Um riste em sua mira; é acuado,
Alanhado; de tudo então suspeito,
Preconceito; abre vala, sangra peito.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
215
Dos entulhos de nós
Dia após dia amontoam-se poeiras na entrelinha,
Parede da nossa poesia é disfarce não sei de quê,
E vão se acrescentando tal qual uma erva daninha,
E se a gente não faz limpeza, mal dá para nos ler.
A argila faz-se crosta, o sol vem e o resseca então,
E a nossa paisagem autêntica não mais se retrata,
Feito uma embalagem há tempos jogada no chão,
Majorada de pó, nos esbarrões a descascar a lata.
E se chovemos; a poeira é limpa, mas cresce lodo,
A solidão, a tristeza, o medo sem dar qualquer flor,
É uma casca crespa que pode até reprimir o amor.
A dica para tais destroços: somente passar o rodo,
Literal: nas janelas dos olhos, no fundo do coração,
Brilha alma, linha, entrelinha, restaura composição.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
181
Verso amassado
Debruçada à mesa da alma me acho,
Encaixo entre mim e todos meus eus,
Ateus pensares, imo cabisbaixo,
Enfaixo-me qual múmia em beijos teus.
É Zeus em minha mente e nas vontades
Hades do meu secreto; e o após da morte,
Meu norte que desnorteia saudades,
Tu invades ventas, tão fumaça e forte.
Taça em rubra paixão; gelo e completa,
Seleta safra de nossa lembrança
Pujança em trago, na boca dileta.
Repleta de ti nos bares e andança,
Mansa moça, altas horas e dieta,
Veta verso; amassando por vingança.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
233
Sonhe
Voe com asas ao céu se quiser
Voe por entre as nuvens de algodão
Escorregue no arco-íris sem corrimão!
Permita-se atravessar o limite
Vá além, vire a esquina do infinito.
Fale às estrelas em sussurro e grito!
Saia do casulo feito borboleta
Voe leve na transparência do vento
E se deixe levar pelo pensamento!
Sonho grande ou pequeno
Não se envergonhe,
Sonhe!
ღRaquel Ordonesღ .
Uberlândia MG
190
Cursando-me
Sabe quando lhe foge a administração e sua alma é poesia?
E psicologia é mania de querer essa pessoa por lei e direito?
Sabe quando o silêncio é tão unicamente a sua filosofia?
Sabe quando não há economia de sentimentos no peito?
Sabe quando sua física sente falta da química de alguém?
E você quer isso em todas as línguas, já perdeu a ciência?
Sabe quando sua matemática só carece dos dois também?
E tão simples na contabilidade, você e ele: é equivalência?
Sabe quando a sua tez arrepia e entrega toda uma história?
Sabe quando a geografia do seu corpo solicita por carinho?
Quando a tecnologia da informação torna-se pergaminho?
Sabe quando seu marketing desanda em coisa simplória?
Você perde a faculdade do pensar, sem rumo é a redação?
É que você está tão FIES fora do ar, não consigo declaração.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
248
Moras em mim
O motivo é não identificado: _é por que sim!
Para o meu gostar uma explicação não existe
Eu te gosto um tanto, acho tão simples assim
Passa minuto, passa hora, mês e isso persiste.
_ E eu gosto; em nada depende do teu sentir.
Gosto de noite; gosto de dia, na cama e mesa
Quando eu choro e gosto quando vem o sorrir
E sou tão livre nessa emoção que me faz presa.
Gosto mesmo, gosto todo tanto que pude achar
_Não, minto: gosto muito, muito e muito mais
Imensurável a extensão que invade o meu cais.
_Será que deu para entender esse meu gostar?
Resides em mim e me faz viva, incondicional
E jaz um gritar silencioso em meu eu; é abissal.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
197
Livre
E prendeu-se ao vento; correria.
Alegria, velos, solto vestido,
Colorido perfume em poesia,
Magia; liberdade, tão sentido.
Ruído, as folhas; descalçou chinelo,
Amarelo, verde em tons de vermelho,
Espelho além; de espírito tão belo,
Anelo à graça, orbe de joelho.
o conselho não quer; só ir e vir.
Sentir-se asas no limite e respeito.
Peito amor, sem vigiar o porvir.
Rir, quatro cantos, viver imperfeito,
No leito da vida um leve dormir,
Florir sempre, simples e do seu jeito.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG - 29/04/2018
264
Beije-me
Beije-me como a chuva beija a terra
No cerne o milagre da vida se encerra
Beije-me como o sol beija a bela flor
Umedecida pelo orvalho faz-se calor.
Beije-me como o mar faz com a areia
Com língua molhada, por tudo permeia
Beije-me como se as luzes acendessem
Em nossos lábios as estrelas descessem
Beije-me como o desnudamento da alma
Beije-me com o profundo do teu coração
Beije-me com carinho, faça de ti doação!
Beije-me com toda a força e com calma
Beije-me com despudor da carne e tesão
Feche os olhos e beije-me com emoção.
ღRaquel Ordonesღ .
Uberlândia MG
277
O homem de frente para si
Então, é que nos seus olhos, não olha,
Desfolha uma inverdade do seu cerne,
Não discerne seus eus, nem os restolha,
Molha e borra, na sua carne berne.
Em aderne, feito uma folha ao vento,
Fingimento na essência, franco rosto,
Desgosto não tem, há consentimento,
Sem lamento, valida esse composto.
Exposto, a sua máscara, logo usa,
Abusa do seu embuste que convence,
E pertence a duas caras; que compense.
Tem suspense no existir, fraude inclusa,
Confusa sua vida, enganação,
Então, em toda regra uma exceção.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
262
“Vida loka”
E ser poeta é ser vida loka,
Boca se tranca na alma que esvoaça,
Traça caminhos e não marca touca,
Mouca se sentir na ironia, ameaça.
Abraça a lua e conta-lhe segredo,
Sem medo, ao hediondo ele viaja,
Engaja em todo sem saber o enredo,
Dedo fala, a grafia seduz: é naja.
Haja loucura, pousa num escuro,
E no muro anda bêbado de verso,
Imerso de si de arrojo diverso.
O inverso é seu forte, voa enduro,
Apuro, contramão, sem estribeira,
Cheira o pó da saudade matadeira.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
203
Comentários (1)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.