Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
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Poemas
279Rap da poesia
Sou vento
do pensamento,
estrela
embaixo
da lua,
tristeza
crida
em alento,
sou vestida
e sou nua.
Norte azul,
rosa no leste.
Sol de amor
migra para o sul;
de calor todo
reveste
se põe em beijo
de desejo
La no oeste.
Dos versos
o universo,
Sou o grito
em escrito,
sou contrário
o inverso,
a imaginação,
não mito.
Dos versos
a plantação,
sentimento
que escorre,
sem nenhuma
pontuação,
reticência
que não morre!
ღRaquel Ordonesღ .
Uberlândia MG
231
Amor até rima com dor, nunca sinônimo.
Não se atropela um amor
investindo em outro amor.
Tudo tem seu momento e espaço
O máximo que se consegue
é se enganar por algum tempo.
Nenhum tipo de amor é substituível
E todos os tipos são necessários.
até rima com dor, nunca sinônimo.
Também não se transforma em ódio
E se isso acontecer, nunca foi amor.
Sentimento que jamais acaba;
Apenas uma calmaria porque o que
acontece são outras pessoas
evidenciando em nós!
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
investindo em outro amor.
Tudo tem seu momento e espaço
O máximo que se consegue
é se enganar por algum tempo.
Nenhum tipo de amor é substituível
E todos os tipos são necessários.
até rima com dor, nunca sinônimo.
Também não se transforma em ódio
E se isso acontecer, nunca foi amor.
Sentimento que jamais acaba;
Apenas uma calmaria porque o que
acontece são outras pessoas
evidenciando em nós!
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
335
Fonte que dá vida
Certo dia sai a caminhar para apreciar a natureza e respirar um pouco de ar puro.
O sol já descia para seu descanso, era tarde de outono, tarde quente.
Usando uma bermuda jeans, de camiseta solta, andei por um tempo.
Deparei-me com uma nascente e a segui. Acompanhando as águas,
percebi o silêncio delas e não o quebrei. Fiquei silenciosa para tentar ouvir seu murmúrio.
A cada obstáculo se fazia uma borbulha, imaginei que fosse uma forma de protesto, mas em momento algum vi as águas pararem por essa causa.
Continuei a seguir, andando e tentando imaginar
o que se passava. Então me questionei:
_Águas tem coração?
Refleti muito sobre isso e cheguei a uma surpreendente conclusão em meus pensamentos.
_Sim, foi a minha resposta para a minha pergunta.
Elas têm coração sim. E naquele cenário lindo, onde o tom amarelado das folhas de outono dava graça aquele lugar estava a minha resposta.
Imaginei então aquele lugar sem água, imaginei aquele cenário sem a fonte que dá vida.
E me deu um nó na garganta e com voz baixa e embargada tentei responder para que alguém ouvisse minha descoberta.
_Se a água dá vida, ela é o próprio coração, ela é o próprio sangue que irriga o mundo por canais diversos...
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
266
“Escre(vi)ver”
E a poesia em si é sem hora,
Apodera da alma por direito,
é ontem, hoje e por ai afora,
Imprime sem tempo o peito.
E a poesia em si é a senhora,
A madame de versos a florir,
Colher pensamento no agora,
Do existente e do não existir.
A poesia em si é a senha, ora!
Uma chave que temos de nós,
Embora na multidão ou a sós.
Poesia é deitar é por para fora,
é gota da gente; letras em nós,
Grafites do lápis se tornam voz.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
187
Usualidade
A boca da noite se fechou,
A luz do bar era tão pouca,
Um casal sentado em cadeiras de latas, cada um em seu celular.
de outra mesa levantou-se um homem.
Olhar distante,
Voz indecifrável,
Entre os dedos um cigarro...
Andar cambaleante.
Passou por mim, um hálito etílico,
Na periferia...
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
243
Cotidiano
...ainda sem o sol... Reflexo.
e chove...
Na rua um riacho.
Uma florada de guarda-chuvas...
o Uber dobra o valor.
No ônibus o dobro de passageiros.
As janelas embaçadas.
As vozes não se calam.
O semáforo vermelho...
o verde...
A lotação segue, são tantos destinos...
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
255
Mistérios do coração
Às vezes eu sei tanto do meu coração
Sei o que se passa, até vejo a imagem.
E outras vezes me segreda sem noção
E se tranca, retira-me toda a paisagem.
Às vezes ele tem um espantoso querer
De repente se recolhe não sei por quê.
Às vezes se doa; se entrega para valer
Já se foi com alguém, pergunto: cadê?
Às vezes bate alto, caceteia o ouvido
E às vezes o seu silêncio bulina além
Ama quem não deve; inverso também.
A fiúza é que ao amor está envolvido
E nele reside toda uma contemplação
E é mistério; enflora-se em cor e ação.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
209
Meu diário
Hoje o dia despertou emburrado,
Nublado, o sol não quis sair da cama,
E fez drama; o bonito foi ofuscado,
Camuflado, nem tirou o seu pijama.
A lama jazer, pois o calor dorme,
Meu uniforme não secou no varal,
O meu jornal se molhou; sem informe,
E conforme estação não é normal.
Portal encharcou, tem uma neblina,
Na esquina um café, mas está vazio,
Frio corre solto a ferir a retina.
Menina nem respira em arrepio,
No fio, pio e pardal sem adrenalina,
Matina glacial, mas o sol nem viu!
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
189
Nunca é tão tarde...
O sol estendia seu último raio alcançando o horizonte,
Deitando-se naquele colo em repouso.
Um sino,
Hora do 'ângelus'
Benze-se em frente à igreja...
Pai,
Um ar de cansaço...
Filho,
Em frente à TV...
Espírito Santo não é pessoa!
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
195
Polêmico
E tão forte quanto a outra, surge a sociedade virtual,
Oceano que mostra pessoas surfando em ondas raras,
E estranhos seguem estranhos, como se fosse normal,
Frequentam-se, falam-se, moram-se sem ver as caras.
Pessoas próximas se distanciam e o parente bloqueia,
Andarilhos que se somem nas vielas do seu próprio ser,
Em um surreal fotográfico de pingos de água na areia,
Êxodo para um mundo enigmático sem ver o sol nascer.
Sem romper grilhões do cárcere da rotina, sem abraço,
Remando águas plácidas, de olho no furacão profundo,
Depositando sonho em uma caixa sem chão, falso fundo.
Entes queridos fragmentam-se nesse vício, despedaço,
Em uma rotatividade de sentimentos, tantas incertezas,
Troca-se real pão por críveis pitéus em oscilares mesas.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.