A noite não vem só...
Esperança de um dia melhor; dorme,
É conforme o seu tempo e tão tranquilo,
Aniquilo o mau. Meu sentir tão enorme,
É uniforme o vento e canta o grilo.
O sigilo na mente que voeja.
Viceja uma vontade do teu toque,
Sem retoque, que nada me proteja.
E boceja os meus beijos em estoque.
Enfoque nos teus olhos, tua mão.
Meu vão se lança à tua entrelinha,
Aninha-me no teu corpo, emoção!
É sensação que dança; desalinha,
Sozinha não, comigo a reflexão.
Excitação por dentro que sublinha.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
Chove você em mim
Meus muros se molham, e se encharcam,
Marcam-se nossas cores em mistura,
Estruturas pulsam, e me abarcam,
Atracam; lava toda a minha altura.
É loucura esse seu chover em mim,
Meu jardim brota, é tanto perfume,
Cardume de desejo está afim,
O seu jasmim me inunda, então me assume.
Volumes, escorrências infinitas,
Imita catarata, irrigação,
A atuação dos seus pingos me agita.
Excita-me ao extremo, volição.
Então existe esse vento, e me visita,
Levita a saia da imaginação.
ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
Uberlândia MG
Do(A)ção
Uma mão se distende e a outra nem sabe.
Desabe mundo, um sino nunca bate,
Rebate o coração, nele não cabe,
E babe na renúncia, no céu se ate.
Mate o apego, atitude, com ajuda,
Muda, mostre d' alma seu quilate,
Remate com poesia, não iluda,
Escuda-se de amor, e se relate.
Desbarate o egoísmo, se desnude,
Amiúde: amor; música; trabalho,
É orvalho na flor; ou seja açude!
Virtude, é profundo do ser, valho.
Atalho para quem tem vida rude,
Plenitude do afeto sem 'migalho'.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
Crescemos sem tantas respostas
A proposta seria a meia verdade,
Crueldade! Prendiam as respostas!
As costas davam. _Eles não têm idade!
Sinceridade? São regras impostas!
Expostas as perguntas; sem retornos,
Contornos para não cair no exame,
Reclame? Nem em forma de subornos!
Em torno disso, tem sempre um certame.
Enxame de porquês e indagação,
Explicação? _A metade recebemos,
Erguemos assim, nessa construção.
Uma urbanização; conceitos temos,
Adolescemos; dúvidas então.
Educação? Foi assim que nós crescemos.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
Amor não faz sofrer o coração
Então, se sofre há algo muito errado.
Sagrado é o amor se nele mora,
Embora longe; ás vezes calado,
Separado, ele nunca sai ou vai embora.
Sem hora o sentimento; ele é forte,
Dá norte, traz pra gente uma saudade,
Sem maldade vem; há quem não suporte,
O corte é fingir, foge a verdade.
Lealdade em sentir; e tão absoluto,
Fruto que nasce em gomo de feitiço.
Viço que em nada deve ser poluto.
Indissoluto; causa reboliço.
Postiço; o não afeto é algo bruto,
Fajuto faz sofrer e é mortiço.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
Nu dez
Abrem-se da minh' alma todos os botões,
Sensações desconhecidas acendem,
Desprendem-se todas e quaisquer razões
Emoções de fato que se distendem...
E pendem-se gostares e desejos,
Beijo explícito na imaginação
Trovão e ventania com lampejos,
Sacolejos de vontade e tesão.
Porção febril com lascivo arrepio,
Frio e quente de eriço em demasia,
Fantasia e realidade em fio.
Principio: às vezes: afasia,
Alivia de toda a veste_ eu mio.
Desfio a meia; inteira poesia.
ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
Uberlândia MG
Sobre a saudade...
Tantas vezes descrita: uma vilã
Em sã consciência ela é presente,
é quente no dentro, nenhum afã.
Uma lã que nos cobre de algo ausente.
Resistente, sem aval acomoda,
Roda de cima a baixo, ninguém tira,
E gira-nos de um jeito meio foda,
Moda? _Eterna, pois na gente respira.
Suspira na alma, nosso querer grita,
Agita-nos; é boa companhia,
Sangria de pensares que negrita.
Palpita só o bom, ruim nem chia.
Magia é impressa em nossa escrita,
Levita: mote fixo em poesia!
ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
Uberlândia MG
Só tem você aqui...
Olho para o meu dentro: tem saudade,
Na verdade, você por toda parte,
Faz arte, me desperta veleidade,
Insanidade; ao meio me reparte.
Encarte agora; em mim é pertinência,
Frequência que me invade, em absoluto,
Luto, mas há na entrega transparência,
Vivência de um passado Indissoluto.
Escuto sua voz; que em mim abraça,
Amordaça-me em beijo, me tortura,
Sem censura a alma; tez, meiga textura.
É loucura, saudade que arregaça,
Arruaça no interno o tal motim,
_Assim; só tem você dentro de mim!
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
Sobre ela
Vento faz no cabelo desalinho,
Pelo caminho ela chama atenção,
Uma canção cantarola baixinho,
Devagarinho segue em contramão.
Uma porção de elegância dissipa,
A tulipa balança quando passa,
É graça, tão leve qual uma pipa,
Emancipa-se em finura; esvoaça.
Abraça o dilúculo em tom lilás;
É capaz de virar qualquer pescoço,
Esboço de deusa causa alvoroço.
Poço de ternura; se liquefaz,
É cartaz pelas ruas onde mora,
Senhora de si; um assovio a cora.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
Calembur
Eu rio, mas se sou rio, longe do mar,
Amar; vela que acende, ascende a vela,
Ela uma coragem, sou ela a navegar,
Morar no nada e nada em aquarela.
Gela se casa e não está em casa,
Em asa leve, que o seu sonho leve,
Breve a serra que cerra visão rasa,
Vaza a pena. Que pena, mas se atreve!
Escreve um conto; conto; um, dois e três,
A tez eriça, iça no canto um canto.
E levanto; acento no assento? Espanto!
Tanto cinto, que sinto, não; talvez,
Xadrez a calça; e calça bota torta,
Na torta bota vil "sarin", viu a morta.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG