Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
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Poemas
299Passou por mim feito tsunami
E quando eu percebi já estava toda revirada,
Cabeça voando sem rumo em pensamentos,
Olhos perdidos em uma procura sem parada,
Cacos de mim em mim e levados com ventos.
Quando eu percebi meus eus saíram de mim,
Um mais louco que o outro com sua presença,
Me senti só com tanto querer, alma carmim,
Vi em meio à agitação o quão faz a diferença.
Quando eu percebi já havia me levado junto,
Tudo de mim escorreu por entre o que é seu,
Agarrada não me desatei, então me rompeu.
Quando eu percebi, já éramos um conjunto,
E nossos alicerces se viraram em conchinhas,
E feito tsunami passou, despindo entrelinhas.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
256
Por quê?
E lá estão todos os porquês querendo saber: por quê?
Por que veio? A que veio? Porque agora? Porque eu?
é uma lista infindável de porquês que não dá para crê
E fica na mente martelando o porquê que lhe prendeu.
E porque eu? Porque você? O porquê dessa maneira?
E algumas respostas não existem, e é simples assim.
Esse tanto de porquês é sem razão, legítima besteira
Há coisas que são... Desde o início, no meio e no fim.
às vezes é melhor não perguntar o porquê, isso é fato.
O porquê não agrada, não é isso que queremos ouvir
Porquês certos e porquês tortos; fazem chorar e sorrir.
E às vezes o porquê está na gente, está no nosso tato
E a gente sempre foge; como dizem: a gente amarela
E às vezes sem os porquês nada nos descem na goela.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
221
Eu lua
Imaginei-me ser feito a lua
Pois tenho fases só minhas
Muitas vezes fulguro nua
Nas minhas traçadas linhas
Às vezes me sinto diminuta
Mas sem abafar meu brilho
Então me renovo vou à luta
Nuvens não me tira o trilho
Às vezes eu me sinto cheia
De um vazio que é obscuro
Porém a minha alma clareia
Cada crepúsculo é crescente
Cobiço encontrar-me na lua
Mesmo sendo fado cadente!
ღRaquel Ordonesღ
225
Das loucuras de mim
As malas das minhas ideias desarrumadas; arrumo,
Tento divisar uma ordem, qual a relevância de cada,
Dobro e desdobro, então aliso para sentir o aprumo.
Abstruso, cada uma tem valor, nenhuma descartada.
Algumas ideias passageiras, outras sempre martelam,
Algumas são meio insanas, outras são tão coerentes,
Algumas são rasas, outras na alma e coração anelam,
Umas são meio tolas; já outras tão surpreendentes.
Fico ali horas tentando nessa minha louca arrumação,
E coloco-as num canto, no meio, em cima e em baixo.
É tão melindroso, um quebra-cabeça, quase o encaixo.
E aparentemente em mim quase percebo a evolução,
E puxo o fecho éclair em torno dessa minha bagagem,
Inútil, sento em cima, tudo bagunçado, que bobagem!
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
251
Família é melodia
Família é uma serenata de encanto
A nota sol em brilho de sonoridade
Extensão de felicidade em acalanto
A nota ré de respeito a toda idade!
Um amor sem dó aqui, muito além
É a perfeita união entre o fá e o mi
São acordes lá do imo que faz bem
Verdades unidas sem pensar no si.
Família é orquestra de bela canção
Diversas notas em acordo comum
Sem perder identidade de nenhum.
Enlace divino abençoado por Deus
Um sim é dado com muita emoção
Família é a poesia, delicada oração!
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
972
Escre(v i)ver
E estou eu aqui mais uma vez em meio aos meus versos,
Escrevendo coisas já escritas, mudando palavras de lugar,
Depositando tempero por todas as direções e anversos,
Ditando meus textos para mim, num constante requentar.
Às vezes tiro muitos sentimentos e mostro-lhes a caneta,
E ela entende perfeitamente e os translada para o papel,
Sinto-me vasculhada por mim, a alma é remexida gaveta,
Vejo-me em cores sentada no meio fio com tinta e pincel.
É... Então escrevo; a saudade de você me joga nesse jogo,
Do amanhã não sei, agora eu sinto, o ontem me marcou,
Não varro, no meu verso e reverso seu cheiro se tatuou.
Por vezes me sinto valente, pois engulo lágrimas de fogo,
Brigo com algumas, mas choro, porém o sabor não é bom,
Decidi, para você meu sorriso; orna mais com meu batom.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
251
Matemática sexual
Se um quer e há solidão
Não tem porque desistir
Soma toda imaginação
Que o deleite irá existir.
Se nos dois há um querer
É só dividirem-se no ato
Sem subtração do prazer
Há uma potência de fato.
Dois corpos estão contidos.
Agrupam-se a multiplicação
Além disso, foge o padrão.
Sem precaução e distraídos
E sem ter cuidado com a tez
Já os dois tornar-se-ão três.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
224
Gavetas da alma
Gavetas que abrem e guardam segredo.
Nos compartimentos, tudo em seu lugar.
Algumas coisas se embaralham, dá medo.
O coração se confunde, não sabe separar.
Paixões se perturbam junto aos amores
Amor que aborda, e consentimos partir.
Misturam se ás violetas, rosas e as flores.
Choro vem, quando a causa é para sorrir.
Gavetas que arquivam cicatriz e tristeza
Gavetas repletas por doces recordações
Gavetas pesadas de saudade e emoções
Guardados preciosos, estilhaços de nós.
Cofres em arquivos, flash e imaginação.
Gavetas da alma... Backups do coração!
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
218
Ser mãe
Ser mãe é se disponibilizar por toda vida
É apresentar ao mundo a sua parte bela
É ter poder para cuidar de toda a ferida
É conter uma sofisticação ao ser singela.
Ser mãe é ter asas coloridas e gigantes
Daquelas que fazem trafegar ao infinito
Vigiar filhos: todos iguais e importantes
Se consagrar do jeito mais leal e bonito.
Ser mãe é não pensar na cor do batom
Ser mãe é ficar despenteada e brilhante
É não se importar com o cabelo e o tom.
É estar louca para ouvir do choro o som
Suada no seu encontro mais importante
É ter confiança: da dor nasce algo bom!
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
228
Leitor de verdade
Leitor que se presa é como um raio- x
No ato da leitura cria a sua imagem
Sabe perfeitamente o que o texto diz
Ele vai bem no fundo, faz a drenagem.
Suga para si tudo que ali está escrito
Até se coliga com a saudade exposta
Ele ouve o sussurro e também o grito
Ele lê, ele vive, é essa a sua proposta.
Leitor de fato vai com o poeta à lua
Ele se muda para o cenário na hora
Veste a dor para si como se fosse sua.
Leitor de fato, a entrelinha entende.
Ainda questiona e quer muito mais
Ele é a parte do poeta que se estende!
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.