Raquel Ordones

Raquel Ordones

Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ

n. 0000-08-13, Uberlândia, MG

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Soneto roceiro


São cinco da manhã, o galo canta.
Levanta bota lenha na fornalha,
Palha, fumo, café, prece à santa, 
Planta o pé na botina; à batalha!

Orvalha ainda, chapéu, força, cabaça.
Abraça seu trabalho, busca o gado,
É cercado e peado, tão sem raça.
Rechaça o bezerrinho arreliado.

É ordenhado o leite. Já afofa a horta,
E corta o mato, varre seu quintal,
É bestial ofício, afã reporta.

Transporta porcos, roupas no varal,
É rural. Pesca e caça; se comporta,
Da porta, o luar, firme no degrau.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG

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Poemas

299

Se...

Se houver semente:
_Rama!
Se não houver vento:
_Reme!
Se houver versos:
_Rime!"
Se houver fé:
_Roma!
Se houver norte:
_Rume!

Raquel Ordones
Uberlândia MG
200

Criatividade cavalar


(sonhando ser Pégasus)

.
Como corcel corta céu com calma, cometa,
Crina cavalga; convive constelação,
Contextualizando cores com cerceta?
Cria casta; compartilhando coração.

Corre cata cambiantes celestiais,
Cabresto castanho cai, corda corroída,
Coleta cercado; castelos colossais,
Cede chuva; cronometragem concluída

Claridade, circuito completo, consome,
Corre célere, constante corrupiar,
Cara contente com cerne comemorar.

Caminha cavalariça coberta, come,
Com corpo calmo, cocheira capim colchão,
Carinho, cujo casco combina com chão.

ღRaquel Ordonesღ
212

Cheia de vazio



Base da sociedade falida,
Em nada altera pedir concordata,
É meio raso de nobreza infida,
Vive da aparência que maltrata.

Mas toda regra tem sua exceção,
Geralmente isso numa minoria,
As máscaras predominam então,
Segue em frente o mundo de fantasia.

E finge que a miséria não existe,
Faz de conta que reina a educação,
De caráter tem uma plantação.

Na tecla da falsa moral, insiste,
Ergue o recheio do existir humano,
Num mero vazio de embuste insano.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
279

Vi-me atrevida



Em rendas negras a transparecer-me
A silhueta se expõe através do tecido
Pele em cor morena a estremecer-se
Em leves arrepios se ouve o gemido.

Os cabelos aos cachos soltos a bailar
Os dedos que por entre eles correm
Os gestos e olhares vêm a provocar
Gostos de beijos na boca escorrem.

Em negligência toco-te lentamente
Sinto teu pescoço atiçar meu olfato
Meu corpo puxa, eu sinto o teu tato.

Atrevida, misturo minha pele na tua.
Tu'alma respira, mordisco teu queixo.
O prazer me aflora por tirar-te do eixo!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
236

E que doa a quem doer...

Talvez, verdade seja feita pra matemática,
A gramática em sua regra já aceita exceção.
O coração tem, às vezes nem põe em prática,
Elástica vida: a poesia usa imaginação.

Ilusão, uma verdade bem simpática,
Temática de muita gente, quase oração.
Interação com sua vida lunática,
Apática a quem pratica inversa ação.

Então, a verdade em si nem é mais aromática,
Antipática quem a versa, uma infração!
Sua estação aboliu a era agora é errática.

Tática talvez, a falsidade é a comunicação.
Coação da verdade na ligeireza da informática.
E midiática a prudência perde a visão.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
194

Ensina-me a ler-te



Às vezes eu sei muito bem o que diz
E outras vezes me perco no teu dizer
E de repente tu dizes algo e já desdiz
Não sei realmente em que posso crer.

Às vezes creio em tudo, pois foi dito
Eu boto fé nas emoções do momento
Ninguém diz nada senão em negrito
Se não houve o legítimo sentimento.

E o teu silêncio faz barulho em mim
Muito maior do que a tua expressão
_Gostaria tanto de ler o teu coração.

Ensina-me a ler-te, e preciso, enfim
Eu preciso descobrir a tua sensação
_Quando teu sim é sim e o não é não?

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
215

DoAr



Irrigo-te com vida; de mim a doação.
De coração aberto minh'alma se deita.

Rejeita-me inda que peça vida em oração,
A mão eu estendo, mas não é aceita.

Receita de vida; saúde, em Deus ser feliz!
Fiz do viver a leveza dum bumerangue.

Se langue não recebe, inda por um triz,
Quis teu bem; ao doar-te de meu sangue.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG



Doar sangue é ato de nobreza
A beleza da vida vale muito além,
E se tem; repartir é grandeza,
Fineza é não olhar a quem...

ღRaquel Ordonesღ
160

Eu poesia



Em uma palavra já me resumi
Por vezes já me senti um verso
Nas frases me dei conta; cresci
Vi-me haicai em meu universo.

De trova em trova subi degraus
Em forma de pensamento andei
Levei o indriso nas minhas naus
Colhi poesias, soneto me tornei.

Não agradada à alma embrenhei
Brotei-me no encarnado da rosa
Leram-me por aí feito uma prosa.

Meus olhos, refrão da minh'alma
O sentimento dimana sem ponto
Estendo-me em ilimitado conto!

ღRaquel Ordonesღ
247

Mulher mendiga



Eu falo da mulher que contenta com migalhas
Falo dessa que não enxerga em si a confiança
Dessa submissa que se acha e as outras falhas
Cuja maturidade não chega aos pés da criança.

Falo da mulher que seu companheiro persegue
Seu mundo é de chantagem; cada segundo liga.
Falo da mulher que se humilha; a intriga segue.
Essa sim; concedo o título de mulher mendiga.

Eu falo dessa mulher que ofusca o seu destino.
Com pequenez impede a sua estrela de brilhar
Eu falo dessa mulher fraca que vasculha celular.

Falo dessa mulher sem domínio... Que se anula
Dessa que nenhuma aclaração satisfaz: ignora
Essa que não se dá valor e por carinho implora!

ღRaquel Ordonesღ .
Uberlândia MG
239

O espaço entre nós



Há uma lacuna que separa a gente
Espaço só físico, mas transponível
Invadido por uma química ardente
Por um imenso querer quase visível.

E nascemos um para o outro, enfim
Só que nos afastamos nesse espaço
E nesse recinto erigimos um jardim
E com flores bonitas fizemos o laço.

O espaço que há entre nós é nosso
Nele escorre nosso olor fantasioso
Um vínculo abrasador e prazeroso.

O espaço entre nós é bastante perto
Bem próximo do toque e do coração
Aonde tudo é válido na imaginação.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
267

Comentários (1)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.