Eu poesia
Em uma palavra já me resumi,
Por vezes já me senti um verso,
Nas frases me dei conta; cresci,
Vi-me haicai em meu universo.
De trova em trova subi degraus,
Em forma de pensamento andei,
Levei o indriso nas minhas naus,
Colhi poesias, soneto me tornei.
Não agradada à alma embrenhei,
Brotei-me no encarnado da rosa,
Leram-me por aí feito uma prosa.
Meus olhos, refrão da minh’alma,
O sentimento dimana sem ponto,
Estendo-me em ilimitado conto...
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
Lista de Poemas
Ela calçava 33
Ela tinha um pezinho. Não, um parzinho.
Pequenininho, mas muito macio.
No frio abrigo: meia e sapatinho.
Tempinho quente: sandalinha a fio.
Subiu a escada; mas que bonitinho!
Limpinho; havaianas pink floriu.
Partiu pra praia, pegar um solzinho.
Branquinho de doer, dava arrepio.
Vazio o espaço; seguiu o caminho.
Igualzinho no tom; fiu, fiu!
Riu, a boca mexeu só o cantinho.
Friozinho, pois a água os cobriu;
Feriu-se ali; pisou num caquinho.
E beijinho é remédio, viu?
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
A borboleta da tatuagem
quase seguiu viagem,
Não fosse afixada com tinta...
45
Respeito
Respeito: palavra de peso com doçura,
Altura: acima de todo e qualquer sujeito.
Jeito simples, revela caráter, postura;
Jura silenciosa do fundo do peito.
Leito que comporta, leve e sem armadura;
Estrutura, cabe pequeno e grande feito;
Suspeito é quem não pratica, áurea escura;
E finura é abraçar esse conceito.
Direito é ser respeitado com lisura.
Censura quem por acaso sair do seu tom;
Dom: considerar; depreciar: rachadura.
Cura, revela da alma o melhor entretom.
O som dito conta muito; e muda a leitura.
Pintura 'ADEUS' no espelho, não gaste batom.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
19
Poesia
Poesia é um tinteiro derramado,
Ordenado, onde coração toca o papel.
Carrossel, cerne que transborda, é alado.
Pintado com aval da alma, todo em pincel.
Painel de sentires, que grita e silencia,
Poesia é um tinteiro derramado,
Formado por uma chama que cadencia;
Licencia as cordas do coração acordado.
Despontuado verbo que confidencia.
Poesia é um tinteiro derramado,
Transformado; que aos olhos, influencia.
Poesia: é o inteiro em folha jogado,
Ateado vento, respiro presencia.
Poesia é um tinteiro derramado.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
14 de março – vida longa à poesia! Viva os poetas!!
Castro Alves, nascia na Bahia.
Poesia com “escravo” verso;
O universo recebia Carolina Maria.
33
Voz da boca pra dentro
Se é noite; a escuridão tudo encobre.
Descobre tanta coisa na calada.
Alada a alma centra, silêncio nobre.
Pobre é quem não acessa essa entrada.
Nada impede ver toda claridade.
Verdade: a solidão grita na cara;
Rara beleza, em dia a dia evade.
Unidade: eu e meus eus, nada equipara.
E para o respirar, intimidade;
Liberdade: sentir a coisa clara.
Desmascara-nos e sem nulidade.
Vontade é algo que fica, tara.
Vara, arrepio e carne; tempestade;
Maturidade, madrugada azara.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
22
Fiquei rosa chiclé
Tristinha estava a caneta: chué.
-Ué, que foi que houve com a bichinha?
-Linha alguma pronunciou, muié!
-Pois é, e será o que a desalinha?
Quietinha cheguei, pé ante pé.
Fé na ajuda, pena da pobrezinha.
Tinha ar aflito; gemia azul, até.
Café ofereci, e não quis nadinha.
Caminha e diz: tô de baixa maré!
Do rodapé, estendeu-me a tampinha:
aninha em minha mão, faço cafuné.
Zé, volte! Escreva um verso, uma notinha!
Coitadinha, parecia lelé!
Seu mané, volte a escrever, poetinha!
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
21
Sobre partir
Da nossa parte, vale bastante a atitude;
Amiúde, precisa botar na balança;
Cobrança, piora; um afogar em açude,
Quietude é igual a: sem esperança.
Desconfiança é um sinal; então a estude.
Mude a visão, dialogue; de forma mansa.
Sustança do falido, é mal à saúde.
Ajude, se ajude. Soco no vento, cansa.
Mudança: caminho; verdade é virtude;
Solitude faz bem; chame-a para dança.
Avança, parta, avessa; isso não é ser rude.
Poetude; agarre o estado feliz: se lança.
Destrança, desapegue de tudo que ilude.
Desnude: seja pra si; e bote uma aliança.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Há quem fica, mas já partiu faz tempo.
Há quem já se foi, e nunca quis ter ido.
Decida-se internamente; e se assume.
O tóxico e o não sentir, não nos obriga a nada.
21
Velhinha de sessenta
Pensa numa velhinha de sessenta;
Suculenta e todinha turbinada.
Focada, barriga tanquinho; aguenta?
Sedenta de vida; é temperada.
Empoderada; com andar pimenta.
Inventa, aprova; roda calibrada.
Alada; livre, leve: voa e venta.
Experimenta, e nada envergonhada.
Ultrapassada? - Jeitinho quarenta.
Alimenta-se de humor; despojada.
Obstinada; de amarguras, isenta.
Sustenta a imagem; é sempre notada.
Cuidada; em alta; no seu sessenta.
Orienta; e não deixa ser vetada.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
23
Eu falando do amor de novo
Tento manter o equilíbrio, falo de flor.
Da cor dos olhinhos da esguia lagartixa.
Espicha e encolhe: emoção e razão, o que for.
Por de sol, de velhinha, até d'uma salsicha.
Comicha; então novamente falo do amor.
Calor de dentro que para fora, nos picha.
Ficha completa do sentimento em sabor.
Olor que às vezes, grita e também cochicha.
Capricha em sentir, coração bate: tambor.
Licor de deuses; jamais uma coisa micha.
Esguicha para todo lado seu vigor.
Amor é essa coisa que a gente sabicha.
Rixa jovem, paixão temperada de dor?
Ou senhor ranzinza, cético com barbicha?
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
22
Foi assim o meu sonho...
Sonhei que brilhava; muito, muito! Eu era a lua.
Na rua, vestido com estrelas bordado;
Acolchoado nuvens; peso que atenua,
Sua e tão sua! O seu poema ilimitado.
Desnudado fulgor; de beleza crescente.
Atraente, almejada e musa do poeta.
Inquieta na noite, afixada e pendente.
Latente, minguante do denso, tão seleta.
Discreta; e ao mesmo tempo, irreverente;
Regente, singular, toda nova e concreta.
Completa, cheia de poderes, influente.
-Gente, eu sonhei, é isso! mas tá tudo bem!
Ninguém é perfeito; me maquiei de repente.
Ciente de que só amanhã o sol vem.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
23
Hediondo
Pondo o pingo no i do tal Social:
Mal cheira; massacrando o ser; expondo.
Supondo: o respeito é marginal.
_Afinal: viver deve ser redondo.
Estrondo: atira feijão além quintal,
Jornal torcido é sangue transpondo.
Compondo a cara em fome visceral.
Arsenal fedorento; tão hediondo.
Rondo bandido, estilo decomposto,
Posto de saúde tem convulsão,
Mão suja da criança; pede o rosto.
Imposto podre; chora a educação.
Patrão abusa; não há vagas: o desgosto.
Gosto? Nada na boca; a bala, o chão...
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.