Raquel Ordones

Raquel Ordones

Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ

n. 0000-08-13, Uberlândia, MG

Perfil
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Soneto roceiro


São cinco da manhã, o galo canta.
Levanta bota lenha na fornalha,
Palha, fumo, café, prece à santa, 
Planta o pé na botina; à batalha!

Orvalha ainda, chapéu, força, cabaça.
Abraça seu trabalho, busca o gado,
É cercado e peado, tão sem raça.
Rechaça o bezerrinho arreliado.

É ordenhado o leite. Já afofa a horta,
E corta o mato, varre seu quintal,
É bestial ofício, afã reporta.

Transporta porcos, roupas no varal,
É rural. Pesca e caça; se comporta,
Da porta, o luar, firme no degrau.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG

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Poemas

279

Conto sem desconto

 

A chuva despencou. – Mas que surpresa!

Acesa a lanterna, o farol de milha.

-Filha, blusa molhada é beleza!

-Certeza! E nem estou botando pilha.

 

Partilha incrível. Quanta sutileza!

Leveza surreal; perdido em trilha.

Ilha atraente a sua natureza.

A grandeza estampada que fervilha.

 

Cartilha inocência; moça princesa.

Pureza, sem intenção da guerrilha;

Humilha com farta delicadeza.

 

Indefesa perante a chuva; e brilha;

Sapatilha aguada; alma reacesa.

Represa de olhos; do ombro cai a presilha.

 

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

A beleza é colírio

Perfuma a alma

De’lírio...

35

Ela calçava 33

 

Ela tinha um pezinho. Não, um parzinho.

Pequenininho, mas muito macio.

No frio abrigo: meia e sapatinho.

Tempinho quente: sandalinha a fio.

 

Subiu a escada; mas que bonitinho!

Limpinho; havaianas pink floriu.

Partiu pra praia, pegar um solzinho.

Branquinho de doer, dava arrepio.

 

Vazio o espaço; seguiu o caminho.

Igualzinho no tom; fiu, fiu!

Riu, a boca mexeu só o cantinho.

 

Friozinho, pois a água os cobriu;

Feriu-se ali; pisou num caquinho.

 E beijinho é remédio, viu?

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

A borboleta da tatuagem

quase seguiu viagem,

Não fosse afixada com tinta...

 

70

Ex-vendedor de poesia

 

Pegou os seus poemas impressos no papel.

Véu cai da alma, sua essência em exposição.

Coração num fio de veia em carretel.

Carrossel: letras, palavras, verso, emoção.

 

Intenção: era espalhar muito além do céu.

Tropel de sentires da sua inspiração.

Sensação livre, sentimentos em rapel;

Cordel, soneto, haicai, até mesmo uma canção.

 

Pretensão apenas: bem distante do Nobel.

Escarcéu; sem venda, nem numa promoção.

Percepção desvalor; do fundo vem o fel.

 

Ao léu jogou seus versos; que decepção!

mão vazia, o dedo acusando: és cartel.

Cruel; tesouro que morre por rejeição.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

Olhou o livro de poemas,

Mas o “sistema” disse no ouvido:

É bobagem...

 

37

Respeito

 

Respeito: palavra de peso com doçura,

Altura: acima de todo e qualquer sujeito.

Jeito simples, revela caráter, postura;

Jura silenciosa do fundo do peito.

 

Leito que comporta, leve e sem armadura;

Estrutura, cabe pequeno e grande feito;

Suspeito é quem não pratica, áurea escura;

E finura é abraçar esse conceito.

 

Direito é ser respeitado com lisura.

Censura quem por acaso sair do seu tom;

Dom: considerar; depreciar: rachadura.

 

Cura, revela da alma o melhor entretom.

O som dito conta muito; e muda a leitura.

Pintura 'ADEUS' no espelho, não gaste batom.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

27

Sobre partir

 

Da nossa parte, vale bastante a atitude;

Amiúde, precisa botar na balança;

Cobrança, piora; um afogar em açude,

Quietude é igual a: sem esperança.

 

Desconfiança é um sinal; então a estude.

Mude a visão, dialogue; de forma mansa.

Sustança do falido, é mal à saúde.

Ajude, se ajude. Soco no vento, cansa.

 

Mudança: caminho; verdade é virtude;

Solitude faz bem; chame-a para dança.

Avança, parta, avessa; isso não é ser rude.

 

Poetude; agarre o estado feliz: se lança.

Destrança, desapegue de tudo que ilude.

Desnude: seja pra si; e bote uma aliança.

 

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

Há quem fica, mas já partiu faz tempo.

Há quem já se foi, e nunca quis ter ido.

Decida-se internamente; e se assume.

O tóxico e o não sentir, não nos obriga a nada.

 

30

Poesia

 

Poesia é um tinteiro derramado,

Ordenado, onde coração toca o papel.

Carrossel, cerne que transborda, é alado.

Pintado com aval da alma, todo em pincel.

 

Painel de sentires, que grita e silencia,

Poesia é um tinteiro derramado,

Formado por uma chama que cadencia;

Licencia as cordas do coração acordado.

 

Despontuado verbo que confidencia.

Poesia é um tinteiro derramado,

Transformado; que aos olhos, influencia.

 

Poesia: é o inteiro em folha jogado, 

Ateado vento, respiro presencia.

Poesia é um tinteiro derramado.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

14 de março – vida longa à poesia! Viva os poetas!!

 

Castro Alves, nascia na Bahia.

Poesia com “escravo” verso;

O universo recebia Carolina Maria.

42

Eu falando do amor de novo

 

Tento manter o equilíbrio, falo de flor.

Da cor dos olhinhos da esguia lagartixa.

Espicha e encolhe: emoção e razão, o que for.

Por de sol, de velhinha, até d'uma salsicha.

 

Comicha; então novamente falo do amor.

Calor de dentro que para fora, nos picha.

Ficha completa do sentimento em sabor.

Olor que às vezes, grita e também cochicha.

 

Capricha em sentir, coração bate: tambor.

Licor de deuses; jamais uma coisa micha.

Esguicha para todo lado seu vigor.

 

Amor é essa coisa que a gente sabicha.

Rixa jovem, paixão temperada de dor?

Ou senhor ranzinza, cético com barbicha?

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

31

Voz da boca pra dentro

 

Se é noite; a escuridão tudo encobre.

Descobre tanta coisa na calada.

Alada a alma centra, silêncio nobre.

Pobre é quem não acessa essa entrada.

 

Nada impede ver toda claridade.

Verdade: a solidão grita na cara;

Rara beleza, em dia a dia evade.

Unidade: eu e meus eus, nada equipara.

 

E para o respirar, intimidade;

Liberdade: sentir a coisa clara.

Desmascara-nos e sem nulidade.

 

Vontade é algo que fica, tara.

Vara, arrepio e carne; tempestade;

Maturidade, madrugada azara.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

30

Fiquei rosa chiclé

 

Tristinha estava a caneta: chué.

-Ué, que foi que houve com a bichinha?

-Linha alguma pronunciou, muié!

-Pois é, e será o que a desalinha?

 

Quietinha cheguei, pé ante pé.

Fé na ajuda, pena da pobrezinha.

Tinha ar aflito; gemia azul, até.

Café ofereci, e não quis nadinha.

 

Caminha e diz: tô de baixa maré!

Do rodapé, estendeu-me a tampinha:

aninha em minha mão, faço cafuné.

 

Zé, volte! Escreva um verso, uma notinha!

Coitadinha, parecia lelé!

Seu mané, volte a escrever, poetinha!

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

31

Hediondo

 

Pondo o pingo no i do tal Social:

Mal cheira; massacrando o ser; expondo.

Supondo: o respeito é marginal.

_Afinal: viver deve ser redondo.

 

Estrondo: atira feijão além quintal,

Jornal torcido é sangue transpondo.

Compondo a cara em fome visceral.

Arsenal fedorento; tão hediondo.

 

Rondo bandido, estilo decomposto,

Posto de saúde tem convulsão,

Mão suja da criança; pede o rosto.

 

Imposto podre; chora a educação.

Patrão abusa; não há vagas: o desgosto.

Gosto? Nada na boca; a bala, o chão...

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

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Comentários (1)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.