Eu poesia
Em uma palavra já me resumi,
Por vezes já me senti um verso,
Nas frases me dei conta; cresci,
Vi-me haicai em meu universo.
De trova em trova subi degraus,
Em forma de pensamento andei,
Levei o indriso nas minhas naus,
Colhi poesias, soneto me tornei.
Não agradada à alma embrenhei,
Brotei-me no encarnado da rosa,
Leram-me por aí feito uma prosa.
Meus olhos, refrão da minh’alma,
O sentimento dimana sem ponto,
Estendo-me em ilimitado conto...
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
Lista de Poemas
I A inteligência?
A inteligência está despencando em desuso.
Confuso, né? Mas é pura realidade.
Verdade seja: falta ou sobra parafuso?
Escuso o cérebro; talvez de uma metade.
Vaidade: rainha burra; chega ao abuso;
Recuso a acreditar nessa calamidade.
Vontade de: ‘ser perfeito’; nunca concluso.
- Uso coisa que mata a originalidade.
identidade se perde; muito difuso.
Recluso de si; rasga a subjetividade.
Prioridade: aparência; pensar transfuso.
Incluso em ‘se passar’; pensar é raridade.
Criatividade cópia; aprendizado excluso.
Muso ser, inteligente, e sem capacidade.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Depoimento de uma amiga:
“injetei monjaro, fui influenciada; na hora nem pensei:
(nem sei por onde passou a inteligência!)
Todo mundo está usando, porque não?
Perdi minha fome, sem recuperação.
Cabelos e unhas se desgraçaram...
Os meus rins não estão bem...
Usei para ficar bonita;
eu me transformei numa monstra
a minha cara de doente não reconheço no
espelho...antes eu achava que era uma gordinha.
Hoje estou quase careca, a minha unha não adere na de gel,
Perdi todas as vitaminas e proteína...e mais um monte de adubo que o corpo necessita...
sem vontade nenhuma de ingerir nada; injeto os tais nutrientes para recuperação...
fora a vontade de me desligar do mundo depressivamente...
Hoje eu daria tudo, pra ser só uma gordinha...”
50
Sinceramente: choro
É que a natureza desfragmentada chora;
Embora muitos cuidam; outros nem tanto.
O encanto desmorona; escorre, vai se embora.
Gora o terreno em rachadura e sangra; espanto.
Manto contuso, chão demuda; nele mora.
Flora e fauna se perdem no quase ex recanto.
Canto da ave lacrimeja, longe de outrora.
A hora? talvez seja tarde, só não sei quanto.
Desencanto; norte arrancado: nada ancora.
Apavora a chuva; peito rasga. no entanto,
planto esperança; não vinga; o coração implora.
Ora pra tudo: deuses, universo e santo;
Pranto: desespero em granizo que tratora.
Penhora sonho, a TV reprisa, enquanto janto.
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55
Desnuda
Por todo o quarto, Djavan ressoava;
Lavava su’alma com o seu oceano.
Insano sentir; saudade gritava.
Abraçava ao travesseiro; engano.
Plano em mente: matar tal sentimento.
vento ausência, rouba respiração.
canção desagua poro adentro; e lento.
Evento desespero; abre a emoção.
Mãos por entre os cabelos; espalhada.
Banhada; e toda sua pele em cheiro;
Canteiro com a flor desabrochada;
Tatuada a borboleta; nu inteiro.
Primeiro: um lado pro outro; revirada.
Cansada; doa ao sono, e sem roteiro.
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Sopro e sedução
Vento: a árvore da rua descabelou;
E transportou as folhas que estavam pelo chão,
Então: subiu e desceu, só rodopiou.
Pintou o céu de poeira; indo e vindo em contramão.
Portão rangeu a dobradiça, o vento forçou;
Espiou as rachas das portas, houve invasão.
Pressão interna; a cortina, coreografou.
Sibilou no meu ouvindo; tez, agitação.
Sensação de frescor, leveza se instalou,
E beijou-me sonoramente, sem razão.
Absorção do meu perfume; simples: roubou.
Provocou-me arrepios, e se foi em vazão.
A mão segurou a saia, ainda assim levantou;
Brincou comigo; e boba era minha expressão.
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27
Notas sobre eles
Ela era simples e paixão; brilho de sol.
Arrebol com revoada de passarinhos;
Caminhos com flores, jardim e caracol;
Aperol do céu num entardecer, e vinhos.
Ninhos com fragrâncias suaves e lençol;
Rouxinol a cantar nas pontas dos raminhos.
Carinhos de olhares, toques em voz bemol;
Mentol nos sabores com os cachos de anjinhos.
Sininhos, fadas; contos fofos; girassol.
Em prol de si, era ele: com ataques mesquinhos.
Livrinhos de assombros; com armadilha anzol.
Linhol a circundar, incapaz de uns versinhos;
Redemoinhos que arrancam o seu cachecol.
farol quebrado, agora ela jaz em espinhos.
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“tirei meu colete pra te abraçar melhor... E você atirou! “ d.a
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Bilhete
Fazia tempos que nem escrevia;
Poesia bilhete p'ro meu amor;
cor azul de costume, é magia.
Alegria e desespero em calor.
Torpor saudade, dentro ventania.
demasia: poros pulsam tambor;
Multicor se fez o cinza; euforia.
Ria a minha alma com lábios de flor.
Pôr do sol, em nós é pertencimento;
Evento é minha declaração.
Oração do tamanho firmamento.
Vento, caneta; do papel, porção.
Então, eis aqui o bilhete rebento.
Ostento:- ‘Amor, é seu meu coração!’
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29
Mais notas sobre ela
Com ciência, a sua história ela escreve;
Atreve, mas quase sempre sensata.
Acata e tenta administrar, é leve.
Deve, paga; sem a tal concordata.
Data e hora, ela busca ser pontual.
Afinal: é respeito; ela é grata.
Retrata e desculpa, sem pedestal.
Visceral intensidade; desata.
Chata às vezes, é meio normal.
Total sua engenharia, acrobata.
Se engata uma ideia: isso é fatal.
Atemporal, tempestade e pacata.
Trata os outros: incondicional.
Natural; humana pra ser exata.
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18
Lalá torresminho
E lá vai a porquinha, rebolando e roliça.
Preguiça nas passadas; que é de dar dó;
Cafundó do brejo, lá vai ela para a missa;
Castiça e macia, rabinho rococó.
Pó no caminho; segue a bichinha robusta;
Custa ter um uber? Sua raiva se atiça.
Larissa é o seu nome; Lalá, a augusta.
Ajusta sua franja com a unha postiça.
Aterrissa no cocho, e nadica ela susta,
Degusta tudo; devora toda hortaliça;
É profissa no fuçar, e isso nada custa.
Injusta às vezes; gulodice maciça;
tolhiça, que na sua gordurinha incrusta.
Assusta ao orar: Deus, não quero ser linguiça!
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Às vezes, penso que foi assim...
A letra ‘A’ se sentia tão sozinha;
pontinha que principia o alfabeto,
Incorreto! Pensava a pobrezinha,
Tinha desejos para com o afeto.
Trajeto entre letras era uma linha;
Quietinha, de soslaio observando.
Minhocando, a letra ‘M’ sempre vinha;
Advinha? A letra ‘A’ foi se apaixonando.
Osculando, a letra ‘O’ quase ronrona;
Carona com A.M, em bom humor,
Acolhedor, o ‘M’, se impulsiona.
E fricciona: AMO; quase um torpor.
Da flor se solta o R, se emociona;
À tona inventa-se a palavra AMOR.
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Dos mistérios
E de todos os terços inteiros, são partes.
Encartes e cenas; com desenho na mente.
À frente a fé; tetos, janela e baluartes
Artes escritas, do passado é presente.
Vigente Rosário, mistério: uma oração:
A anunciação do anjo feito à Maria;
Daria a luz a quem seria a salvação.
visitação a prima; três meses ajudaria.
Nascia o menino; manjedoura e pastores;
Adoradores; Jesus, a apresentação;
Simeão: tomou-o nos braços; e louvores.
Doutores no templo, encontros e interação.
Integração; de vida, caminhos e dores.
Flores de palavras, plantando a boa ação.
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.