Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
71 971
Visualizações
Poemas
290O ódio ficou com ódio
- Pronto, olhem a alegria sorridente!
- Gente, gente! Como é que isso pode?
- Que bode! Veja o humor todo contente!
(Sente a úlcera e a vesícula eclode.)
(Sacode o ódio; inveja remetente.)
- Atente, há uma coisa em mim, e explode!
- Acode, até meu alho tem dor de dente!
- Quente sangue; de torcer o bigode.
-Pode essa exultação! Corte bem rente!
-Sustente o seu veneno! Disse o amor.
-Ditador do mal, que você se aguente!
(Impotente o ódio tragou o rancor.)
(Vapor se tornou; em fumaça doente.)
(E silente o afeto o fez decompor.)
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Quem pode, pode...
E o amor, é desses...
48
Respeito
Respeito: palavra de peso com doçura,
Altura: acima de todo e qualquer sujeito.
Jeito simples, revela caráter, postura;
Jura silenciosa do fundo do peito.
Leito que comporta, leve e sem armadura;
Estrutura, cabe pequeno e grande feito;
Suspeito é quem não pratica, áurea escura;
E finura é abraçar esse conceito.
Direito é ser respeitado com lisura.
Censura quem por acaso sair do seu tom;
Dom: considerar; depreciar: rachadura.
Cura, revela da alma o melhor entretom.
O som dito conta muito; e muda a leitura.
Pintura 'ADEUS' no espelho, não gaste batom.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
28
Ex-vendedor de poesia
Pegou os seus poemas impressos no papel.
Véu cai da alma, sua essência em exposição.
Coração num fio de veia em carretel.
Carrossel: letras, palavras, verso, emoção.
Intenção: era espalhar muito além do céu.
Tropel de sentires da sua inspiração.
Sensação livre, sentimentos em rapel;
Cordel, soneto, haicai, até mesmo uma canção.
Pretensão apenas: bem distante do Nobel.
Escarcéu; sem venda, nem numa promoção.
Percepção desvalor; do fundo vem o fel.
Ao léu jogou seus versos; que decepção!
mão vazia, o dedo acusando: és cartel.
Cruel; tesouro que morre por rejeição.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Olhou o livro de poemas,
Mas o “sistema” disse no ouvido:
É bobagem...
39
Conto sem desconto
A chuva despencou. – Mas que surpresa!
Acesa a lanterna, o farol de milha.
-Filha, blusa molhada é beleza!
-Certeza! E nem estou botando pilha.
Partilha incrível. Quanta sutileza!
Leveza surreal; perdido em trilha.
Ilha atraente a sua natureza.
A grandeza estampada que fervilha.
Cartilha inocência; moça princesa.
Pureza, sem intenção da guerrilha;
Humilha com farta delicadeza.
Indefesa perante a chuva; e brilha;
Sapatilha aguada; alma reacesa.
Represa de olhos; do ombro cai a presilha.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
A beleza é colírio
Perfuma a alma
De’lírio...
35
Ela calçava 33
Ela tinha um pezinho. Não, um parzinho.
Pequenininho, mas muito macio.
No frio abrigo: meia e sapatinho.
Tempinho quente: sandalinha a fio.
Subiu a escada; mas que bonitinho!
Limpinho; havaianas pink floriu.
Partiu pra praia, pegar um solzinho.
Branquinho de doer, dava arrepio.
Vazio o espaço; seguiu o caminho.
Igualzinho no tom; fiu, fiu!
Riu, a boca mexeu só o cantinho.
Friozinho, pois a água os cobriu;
Feriu-se ali; pisou num caquinho.
E beijinho é remédio, viu?
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
A borboleta da tatuagem
quase seguiu viagem,
Não fosse afixada com tinta...
70
Velhinha de sessenta
Pensa numa velhinha de sessenta;
Suculenta e todinha turbinada.
Focada, barriga tanquinho; aguenta?
Sedenta de vida; é temperada.
Empoderada; com andar pimenta.
Inventa, aprova; roda calibrada.
Alada; livre, leve: voa e venta.
Experimenta, e nada envergonhada.
Ultrapassada? - Jeitinho quarenta.
Alimenta-se de humor; despojada.
Obstinada; de amarguras, isenta.
Sustenta a imagem; é sempre notada.
Cuidada; em alta; no seu sessenta.
Orienta; e não deixa ser vetada.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
34
Sobre partir
Da nossa parte, vale bastante a atitude;
Amiúde, precisa botar na balança;
Cobrança, piora; um afogar em açude,
Quietude é igual a: sem esperança.
Desconfiança é um sinal; então a estude.
Mude a visão, dialogue; de forma mansa.
Sustança do falido, é mal à saúde.
Ajude, se ajude. Soco no vento, cansa.
Mudança: caminho; verdade é virtude;
Solitude faz bem; chame-a para dança.
Avança, parta, avessa; isso não é ser rude.
Poetude; agarre o estado feliz: se lança.
Destrança, desapegue de tudo que ilude.
Desnude: seja pra si; e bote uma aliança.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Há quem fica, mas já partiu faz tempo.
Há quem já se foi, e nunca quis ter ido.
Decida-se internamente; e se assume.
O tóxico e o não sentir, não nos obriga a nada.
32
Eu falando do amor de novo
Tento manter o equilíbrio, falo de flor.
Da cor dos olhinhos da esguia lagartixa.
Espicha e encolhe: emoção e razão, o que for.
Por de sol, de velhinha, até d'uma salsicha.
Comicha; então novamente falo do amor.
Calor de dentro que para fora, nos picha.
Ficha completa do sentimento em sabor.
Olor que às vezes, grita e também cochicha.
Capricha em sentir, coração bate: tambor.
Licor de deuses; jamais uma coisa micha.
Esguicha para todo lado seu vigor.
Amor é essa coisa que a gente sabicha.
Rixa jovem, paixão temperada de dor?
Ou senhor ranzinza, cético com barbicha?
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
31
I A inteligência?
A inteligência está despencando em desuso.
Confuso, né? Mas é pura realidade.
Verdade seja: falta ou sobra parafuso?
Escuso o cérebro; talvez de uma metade.
Vaidade: rainha burra; chega ao abuso;
Recuso a acreditar nessa calamidade.
Vontade de: ‘ser perfeito’; nunca concluso.
- Uso coisa que mata a originalidade.
identidade se perde; muito difuso.
Recluso de si; rasga a subjetividade.
Prioridade: aparência; pensar transfuso.
Incluso em ‘se passar’; pensar é raridade.
Criatividade cópia; aprendizado excluso.
Muso ser, inteligente, e sem capacidade.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Depoimento de uma amiga:
“injetei monjaro, fui influenciada; na hora nem pensei:
(nem sei por onde passou a inteligência!)
Todo mundo está usando, porque não?
Perdi minha fome, sem recuperação.
Cabelos e unhas se desgraçaram...
Os meus rins não estão bem...
Usei para ficar bonita;
eu me transformei numa monstra
a minha cara de doente não reconheço no
espelho...antes eu achava que era uma gordinha.
Hoje estou quase careca, a minha unha não adere na de gel,
Perdi todas as vitaminas e proteína...e mais um monte de adubo que o corpo necessita...
sem vontade nenhuma de ingerir nada; injeto os tais nutrientes para recuperação...
fora a vontade de me desligar do mundo depressivamente...
Hoje eu daria tudo, pra ser só uma gordinha...”
61
Voz da boca pra dentro
Se é noite; a escuridão tudo encobre.
Descobre tanta coisa na calada.
Alada a alma centra, silêncio nobre.
Pobre é quem não acessa essa entrada.
Nada impede ver toda claridade.
Verdade: a solidão grita na cara;
Rara beleza, em dia a dia evade.
Unidade: eu e meus eus, nada equipara.
E para o respirar, intimidade;
Liberdade: sentir a coisa clara.
Desmascara-nos e sem nulidade.
Vontade é algo que fica, tara.
Vara, arrepio e carne; tempestade;
Maturidade, madrugada azara.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
32
Comentários (1)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.