Eu poesia
Em uma palavra já me resumi,
Por vezes já me senti um verso,
Nas frases me dei conta; cresci,
Vi-me haicai em meu universo.
De trova em trova subi degraus,
Em forma de pensamento andei,
Levei o indriso nas minhas naus,
Colhi poesias, soneto me tornei.
Não agradada à alma embrenhei,
Brotei-me no encarnado da rosa,
Leram-me por aí feito uma prosa.
Meus olhos, refrão da minh’alma,
O sentimento dimana sem ponto,
Estendo-me em ilimitado conto...
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
Lista de Poemas
Dos mistérios
E de todos os terços inteiros, são partes.
Encartes e cenas; com desenho na mente.
À frente a fé; tetos, janela e baluartes
Artes escritas, do passado é presente.
Vigente Rosário, mistério: uma oração:
A anunciação do anjo feito à Maria;
Daria a luz a quem seria a salvação.
visitação a prima; três meses ajudaria.
Nascia o menino; manjedoura e pastores;
Adoradores; Jesus, a apresentação;
Simeão: tomou-o nos braços; e louvores.
Doutores no templo, encontros e interação.
Integração; de vida, caminhos e dores.
Flores de palavras, plantando a boa ação.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
38
Hoje vim trazer flores para mim
É claro que são para mim! Mereço.
Obedeço quando quero; vou e faço.
Chumaço de girassóis me ofereço.
Agradeço; é sempre que me abraço.
Laço todos os meus lados: conheço.
E cresço ocupando em mim cada espaço.
Ultrapasso a ousadia; e é sem preço.
Endureço às vezes; me refaço.
O descompasso existe; reconheço.
Apreço pelo que sou; em cada pedaço.
Braço, cabelos; alma, pele e avesso.
Endereço de mim, sou eu; e me retraço.
Entrelaço os meus dias à cor; teço.
aqueço em flores; mesmo em estilhaço.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
44
Parnasiano ser
A desumanização à solta, corre.
E morre a empatia, mata dignidade;
Imoralidade romantiza e escorre.
Decorre da indiferença e crueldade.
Verdade é ilegal; respeito: porre
Incorre da lesão sensibilidade;
Realidade do outro? Dor? - Não socorre.
Concorre com nocivo em intensidade.
Capacidade de enxergar o outro: cega,
nega estender a mão; também vira a cara.
Para, subjuga, sangra, à bens apega.
E rega espinho; recusa-se e mascara.
Declara o caráter, ao atroz se entrega.
Alega bom; arrancar olhos é tara.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
43
Das raízes...
Suplante; interior é o que vem e aflora.
Fora o que falam! Filtre só fertilizante.
Importante preservar a raiz, sem demora.
Embora o externo mostre bem intoxicante.
Cante, te regue, te cultive e monitora;
A hora? – sempre! Com todo afinco, relutante.
Infectante é ódio, a inveja que a alma gora,
Bafora coisa boa; e te firme elegante.
Excitante: estender tua raiz; onde mora;
Enamora; nutra teus ramos, confiante.
Replante-te; reserva-te: só corrobora.
Revigora: sais amor-próprio: edificante;
Assaltante de sorriso flor; ‘mundo’ adora,
Ignora o perrengue; e te lista figurante.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
39
BBB
Feito: TV reporta seu desserviço,
é isso; mas qualquer pessoa entende,
tende toda a falta de compromisso.
Cortiço de conteúdo que ofende;
E transcende uma falta de respeito;
É estreito o saber, da inteligência;
Referência a nada é o conceito.
Eito entre a sanidade com demência.
A essência parte; fica a condição.
Contramão do instruir e de cultura.
Estrutura que traz desconstrução.
Educação não tem. Falta postura,
Ruptura, desavença e confusão.
Milhão; do tevente, fora da altura.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
23
O botão está tristinho
O tecido, uma agulha, uma linha e o botão.
a mão fazendo vai e vem, tão bem costurado,
Aparado o resto que sobra, fecha o vão.
Tradição: mulher esquerdo; homem, o outro lado.
Pregado num ponto estratégico: intenção.
Posição pontual; é algo organizado;
Fixado em estilo cruz; noutras vezes, não.
São pretos, brancos; colorido e perolado.
Calado, com as lágrimas na rodelinha.
Pecinha que em matéria de proteção, arrasa.
É asa para o pensamento na entrelinha.
Peninha ver o botão com emoção rasa.
Vaza um estado triste; então ele se aninha,
Da janelinha: ele vive fora da casa.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
22
Sobre poetas
Poeta não define; alma paradoxal.
É natural, sem cor; aparência não importa.
Comporta dentro uma sacada genial;
Pessoal, mas é transferível; e conforta.
Transporta para o papel seu emocional.
Varal que com o seu vento, na gente toca,
Choca; é sem contornos e transcendental.
Termal; e parece coisa de anjo essa troca.
E convoca a sua essência, estende de fato;
Ato sem mãos, dedos; que aos olhos: encanta.
Decanta na divisa com a escrita; tato.
Olfato nos versos; se atinge, não adianta;
Planta na gente semente que vira mato;
Imediato; não aperta mão, mas garganta.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Um afago às meninas e aos meninos poetas e não poetas;
imensamente agradecida pelas leituras e comentários!
Xêro minêro!
32
Querer visceral
Toque: tecla que exerce sobre nós, poder.
é ser frágil mediante a algo tão sem mando.
Comando instintivo: vem, faz acontecer.
Gemer é irrefletido; a carne intimando.
Aflorando pelos poros brota o arrepio;
Rodopio de desejo, fome e saudade;
Verdade que o corpo exala e grita à fio;
Extravio de nós, em versão tempestade.
Vontade indomada quando há pele com pele;
Expele de dentro os quereres. Visceral.
Carnal pungente; a alma sem condição, impele.
-Rele-se em mim; que na sua textura, esfrego.
Escorrego em saliva; e que nada a protele;
Grele-me ao seu prazer; só meu! E me entrego.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
36
Vilã da vila
Era uma vez uma traça traiçoeira;
Madeira e papeis; prato quente: canja,
A marmanja tragava até cadeira,
Prateleira proteína; fingia: a anja.
Esbanja gulodice; treco e trapo;
Fiapo de papeis, não; livro inteiro.
Canteiro: furinhos no guardanapo.
Papo de doido: fazia um piseiro.
Sorrateiro ser; foge se é dia.
via nas estantes; obrigatórias;
Notórias idas; folhas: travessia.
Assepsias: coisas bem ilusórias;
Memórias do livro, inseto engolia;
Comia; a barriga cheia, de histórias.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
70
Congela a imagem
De banho tomado, cheirinho de sabonete.
Ramalhete; pétala-ombro orvalha uma gotinha,
Caminha descalça pro quarto, alcança o tapete.
Bilhete se escreve: “de mim pra mim, cansadinha!”
Aninha no lençol; uma mistura no cheiro;
travesseiro num abraço bem gostoso de urso;
Discurso e apertos, não pagam com nenhum dinheiro.
Conselheiro e consolo; se o sono é incurso.
em curso de sonhos, adormecida; mas tão ela.
Canela é cor; a canela é tão roliça;
Preguiça gostosa num suspiro; nua e bela.
E congela a imagem; psiu! Ninguém mete o bedelho.
Espelho de si; coxa sem colcha, alma enfeitiça.
Eriça; coberta só com esmalte vermelho.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
23
Comentários (1)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.