Lista de Poemas

Alma em sua delícia de nude

 

No canto do papel, a nota pequenina.

Fina, impactante, e com um cheirinho tão bom;

Tom arco-íris e com tanta disciplina,

Menina de tudo, e já usava batom.

 

É dom de simplicidade; um tanto singela,

Bela era pouco para sua magnitude,

Atitude autêntica, verso tagarela,

Tela onde a tinta se fez cristalino açude.

 

Pude observar de perto; poesia rica;

Bica de inspiração; cerne de plenitude,

Amiúde em palavras que na gente fica.

 

Modifica o dentro, é paz e inquietude.

Alude do coração que se fortifica;

Vivifica a alma nessa delícia de nude.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

43

Paradoxo

 

O amor é bem simples, porque é um composto:

De gosto, de leveza; é sutil e forte,

É norte e trilho; reservado no seu posto;

Oposto à cobrança; feliz: passaporte.

 

Transporte-se para esse mundo, bem a fundo;

No submundo de si; permita a instalação;

Coração: terra santa, terreno fecundo;

segundo de amor é toda a constelação.

 

No vão se adentra; sem nada de fingimento.

Sentimento mor, coleção de miudeza;

Represa que deságua; fonte de alimento.

 

Evento sem porções, só chega por inteiro;

canteiro, flor ou uma sementinha indefesa;

a certeza? Absoluto e sem qualquer roteiro.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

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Por partes


O cabelo era preto; esvoaçante.

Semblante carregado de ternura.

Doçura no olhar; tão inebriante.

Habitante de si; e de uma finura.

 

Mistura; uma fêmea estonteante;

Flagrante de beleza sem mistura.

Madura: de fruta boca intrigante.

Mediante um nariz: rara feitura.

 

Segura de seios; e insinuante;

Ofuscante o colo; mas que loucura!

Cintura, hum! e bumbum extravagante.

 

Ante coxas e pernas: sem censura.

Altura? metro e meio; exorbitante.

Instante mágico: o pé.  Que fofura!

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

18

Cor de canela


Havia meia sombra ali; o carro, parou.

Olhou no retrovisor interno: bonita;

Agita os cabelos, o coque desmanchou;

Pegou sua bolsa e desceu; quase levita.

 

Apita o guarda da rua; desfile em faixa;

Encaixa os passos, atravessa; pé na areia.

Serpenteia um rebolado; não desencaixa.

Abaixa, estende a canga; com sol já na veia.

 

Alheia; despe-se da veste transparente.

e sente os raios; esparrama o protetor,

Primor; a cor de canela já é presente.

 

Frente e verso; vice-versa. O sol não embaraça;

Abraça de jeito todo o corpo suado;

Calado; deixa marca tão cheia de graça.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

18

Arrepio


Ato estúpido; é calor ou frio?

Desvario que de dentro vem, brota.

Bota na pele um quase desafio.

É rio, vulcão, descampado, grota.

 

É nota corporal de incerta fonte.

Ponte que coliga vísceras e alma,

Calma em agitamento num desmonte;

Horizonte tênue que intriga e acalma.

 

Palmas pra essa coisa que chega e abraça.

Retraça o sentir, sutil movimento;

Vento saindo pelos poros na raça.

 

Devassa, se do sussurro: reflexo,

Genuflexo, desejo que transpassa.

Graça: orgasmo cósmico; pelo e sexo.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

21

Até me estranhei

 

É, hoje tomei um chá de semancol,

Lençol perfumado, vesti o colchão,

Sensação leve num tom girassol,

Guarda-sol girei, ouvindo uma canção.

 

Coração em vida: e soltei o cabelo.

Pelo dourado; de sol, a marquinha.

Tinha uma fragrância sem atropelo.

Gelo quebrado; xô, pra picuinha!

 

Calminha; respirei fundo a alegria;

Poesia num sentimento bom;

Batom cor de boca e toda ousadia.

 

Dia incrível, pensei em mim a sorrir.

florir! Hoje me amei como ninguém.

Bem; agora vou me botar pra dormir.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

31

Senso, uau!



Montanha, nos tais seios, e tão iguais.
Carnais, febris em sua sutil manha.
Picanha e filé, quente e viscerais.
Portais de paraíso; se abre e assanha.


Banha um mar de cobiças anormais.
Espirais, curvos, retos, tez castanha.
Panha fruto; sabores e linguais.
Literais: de vontade quase arranha.

 
Abocanha. São mãos livres orais.
Plurais os lábios, golpe pela entranha.
Tamanha. De arrepios musicais.
 

Corais sentires; toque que arrebanha.
Arreganha-se a força em temporais.
Sensoriais, lascivos; nada estranha.

ღRaquel Ordonesღ  #ordonismo
Uberlândia MG

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O muro da quinta



Tinta; é tanta tinta! O muro noto.
Boto meus olhos, coisa que requinta.
Printa uma efígie, tão logo a decoto.
Broto junto; minha alma é faminta.

 
Extinta a escória; agora bela foto.
Adoto a cor; meu ser então se pinta.
Tilinta o coração; de encanto loto.
Borboto gradação; no cinza a finta.

 
Cinta é colorida; nó picoto.
Devoto-me à obra; coisa absinta.
Sucinta admiração, mas não me esgoto.

 
Arroto estrelas; obra é distinta.
Sinta-me dentro da arte que piloto.
Denoto-me perante o céu da quinta.
 

ღRaquel Ordonesღ   #ordonismo
Uberlândia MG
536

Rap da gordinha



 

Eu sou bela, aquarela.
Sou a cor que a vida tem.
Pelas ruas e janela.
Até na lua também.
Uso longo; uso curto.
Uso listra e babado.
Que se danem, eu não surto!
Padrão: Um tanto quadrado!
O que pesa é meu amor.
E plus é o meu sorriso.
Eu exalo é calor.
Leveza da alma viso.
Sou gordinha, sim senhor!
Sou beleza radiante.
De Deus uma linda flor.
Isso me é importante.
Sou fashion, você não vê?
Tenho dado o que falar.
Um beijo pra quem me lê
Macio é o meu abraçar.
A língua é mesmo um mal.
Xô, xô, sai fora, sai...
É que eu sou original.
Vestindo o meu ‘tie dye’!

 

ღRaquel Ordonesღ

562

Interceptação


Eu quis escrever uma poesia.
Fia, me faltou a tal inspiração!
Ladrão do ‘carai’; é cleptomania!
Doentia é essa atuação.
 
Então, capenga é a maresia.
Magia escapa pelo corrimão.
Coração cabisbaixo silencia.
Ria antes, parecia bobalhão.
 

Cão danado! Mas quem que roubaria?
Covardia; é vil seu vacilão!
Peão besta, que coisa mais vadia!
 

Anarquia. Uai, cadê minha emoção?
Sensação é ruim que evidencia.
Estia o verso, minha criação.

Raquel Ordones 
Uberlândia MG
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Comentários (1)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.

Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ Uberlândia MG