Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
Poemas
299Foi assim o meu sonho...
Sonhei que brilhava; muito, muito! Eu era a lua.
Na rua, vestido com estrelas bordado;
Acolchoado nuvens; peso que atenua,
Sua e tão sua! O seu poema ilimitado.
Desnudado fulgor; de beleza crescente.
Atraente, almejada e musa do poeta.
Inquieta na noite, afixada e pendente.
Latente, minguante do denso, tão seleta.
Discreta; e ao mesmo tempo, irreverente;
Regente, singular, toda nova e concreta.
Completa, cheia de poderes, influente.
-Gente, eu sonhei, é isso! mas tá tudo bem!
Ninguém é perfeito; me maquiei de repente.
Ciente de que só amanhã o sol vem.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Sopro e sedução
Vento: a árvore da rua descabelou;
E transportou as folhas que estavam pelo chão,
Então: subiu e desceu, só rodopiou.
Pintou o céu de poeira; indo e vindo em contramão.
Portão rangeu a dobradiça, o vento forçou;
Espiou as rachas das portas, houve invasão.
Pressão interna; a cortina, coreografou.
Sibilou no meu ouvindo; tez, agitação.
Sensação de frescor, leveza se instalou,
E beijou-me sonoramente, sem razão.
Absorção do meu perfume; simples: roubou.
Provocou-me arrepios, e se foi em vazão.
A mão segurou a saia, ainda assim levantou;
Brincou comigo; e boba era minha expressão.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Sinceramente: choro
É que a natureza desfragmentada chora;
Embora muitos cuidam; outros nem tanto.
O encanto desmorona; escorre, vai se embora.
Gora o terreno em rachadura e sangra; espanto.
Manto contuso, chão demuda; nele mora.
Flora e fauna se perdem no quase ex recanto.
Canto da ave lacrimeja, longe de outrora.
A hora? talvez seja tarde, só não sei quanto.
Desencanto; norte arrancado: nada ancora.
Apavora a chuva; peito rasga. no entanto,
planto esperança; não vinga; o coração implora.
Ora pra tudo: deuses, universo e santo;
Pranto: desespero em granizo que tratora.
Penhora sonho, a TV reprisa, enquanto janto.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Hediondo
Pondo o pingo no i do tal Social:
Mal cheira; massacrando o ser; expondo.
Supondo: o respeito é marginal.
_Afinal: viver deve ser redondo.
Estrondo: atira feijão além quintal,
Jornal torcido é sangue transpondo.
Compondo a cara em fome visceral.
Arsenal fedorento; tão hediondo.
Rondo bandido, estilo decomposto,
Posto de saúde tem convulsão,
Mão suja da criança; pede o rosto.
Imposto podre; chora a educação.
Patrão abusa; não há vagas: o desgosto.
Gosto? Nada na boca; a bala, o chão...
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Notas sobre eles
Ela era simples e paixão; brilho de sol.
Arrebol com revoada de passarinhos;
Caminhos com flores, jardim e caracol;
Aperol do céu num entardecer, e vinhos.
Ninhos com fragrâncias suaves e lençol;
Rouxinol a cantar nas pontas dos raminhos.
Carinhos de olhares, toques em voz bemol;
Mentol nos sabores com os cachos de anjinhos.
Sininhos, fadas; contos fofos; girassol.
Em prol de si, era ele: com ataques mesquinhos.
Livrinhos de assombros; com armadilha anzol.
Linhol a circundar, incapaz de uns versinhos;
Redemoinhos que arrancam o seu cachecol.
farol quebrado, agora ela jaz em espinhos.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
“tirei meu colete pra te abraçar melhor... E você atirou! “ d.a
I A inteligência?
A inteligência está despencando em desuso.
Confuso, né? Mas é pura realidade.
Verdade seja: falta ou sobra parafuso?
Escuso o cérebro; talvez de uma metade.
Vaidade: rainha burra; chega ao abuso;
Recuso a acreditar nessa calamidade.
Vontade de: ‘ser perfeito’; nunca concluso.
- Uso coisa que mata a originalidade.
identidade se perde; muito difuso.
Recluso de si; rasga a subjetividade.
Prioridade: aparência; pensar transfuso.
Incluso em ‘se passar’; pensar é raridade.
Criatividade cópia; aprendizado excluso.
Muso ser, inteligente, e sem capacidade.
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Depoimento de uma amiga:
“injetei monjaro, fui influenciada; na hora nem pensei:
(nem sei por onde passou a inteligência!)
Todo mundo está usando, porque não?
Perdi minha fome, sem recuperação.
Cabelos e unhas se desgraçaram...
Os meus rins não estão bem...
Usei para ficar bonita;
eu me transformei numa monstra
a minha cara de doente não reconheço no
espelho...antes eu achava que era uma gordinha.
Hoje estou quase careca, a minha unha não adere na de gel,
Perdi todas as vitaminas e proteína...e mais um monte de adubo que o corpo necessita...
sem vontade nenhuma de ingerir nada; injeto os tais nutrientes para recuperação...
fora a vontade de me desligar do mundo depressivamente...
Hoje eu daria tudo, pra ser só uma gordinha...”
Sobre mulher...
Mulher: não só mulher, nem adjetivação.
Ação, às vezes com o seu momento flor.
Amor; além de presente; aspira atenção.
Oração que tem fé, se ajoelha em clamor.
Calor que abraça; inda simples é elegância.
Fragrância que espalha cor no branco e no preto.
Soneto perfeito, ultrapassa redundância.
Importância: uma só expressão ou um livreto.
Carreto de equilíbrio, um trem de segurança.
Confiança no tamanho, também no espiche.
Capriche: extrai-se do seu dentro, uma criança.
Avança: tem medos, tem sonhos e fetiche.
e cochiche ao seu ouvido: aceite essa dança?
É lança, sossego ou strike no boliche.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
“Uma simples mulher existe que,
pela imensidão de seu amor, tem um pouco de Deus;
e pela constância de sua dedicação, tem muito de anjo.” d.a
Feliz dia da Mulher...e todos os outros dias!
Lalá torresminho
E lá vai a porquinha, rebolando e roliça.
Preguiça nas passadas; que é de dar dó;
Cafundó do brejo, lá vai ela para a missa;
Castiça e macia, rabinho rococó.
Pó no caminho; segue a bichinha robusta;
Custa ter um uber? Sua raiva se atiça.
Larissa é o seu nome; Lalá, a augusta.
Ajusta sua franja com a unha postiça.
Aterrissa no cocho, e nadica ela susta,
Degusta tudo; devora toda hortaliça;
É profissa no fuçar, e isso nada custa.
Injusta às vezes; gulodice maciça;
tolhiça, que na sua gordurinha incrusta.
Assusta ao orar: Deus, não quero ser linguiça!
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Às vezes, penso que foi assim...
A letra ‘A’ se sentia tão sozinha;
pontinha que principia o alfabeto,
Incorreto! Pensava a pobrezinha,
Tinha desejos para com o afeto.
Trajeto entre letras era uma linha;
Quietinha, de soslaio observando.
Minhocando, a letra ‘M’ sempre vinha;
Advinha? A letra ‘A’ foi se apaixonando.
Osculando, a letra ‘O’ quase ronrona;
Carona com A.M, em bom humor,
Acolhedor, o ‘M’, se impulsiona.
E fricciona: AMO; quase um torpor.
Da flor se solta o R, se emociona;
À tona inventa-se a palavra AMOR.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Bilhete
Fazia tempos que nem escrevia;
Poesia bilhete p'ro meu amor;
cor azul de costume, é magia.
Alegria e desespero em calor.
Torpor saudade, dentro ventania.
demasia: poros pulsam tambor;
Multicor se fez o cinza; euforia.
Ria a minha alma com lábios de flor.
Pôr do sol, em nós é pertencimento;
Evento é minha declaração.
Oração do tamanho firmamento.
Vento, caneta; do papel, porção.
Então, eis aqui o bilhete rebento.
Ostento:- ‘Amor, é seu meu coração!’
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Comentários (1)
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.