Lista de Poemas

‘Infinitassílabo’



Caneta pega a mão, um poema laça.
_Faça um soneto; tipo: outro planeta.
Maçaneta a girar, alma se espaça.
Taça sabor, leveza borboleta.
 
Caderneta não cabe; papel caça.
Vidraça se abre; essência é veneta.
Corneta de anjos, nuvem esfumaça.
Arruaça de versos, pirueta.

Gaveta  poesia que me abraça.
Embaça minha vista qual cegueta.
Ampulheta do meu amor: uma graça!

Devassa me faz; quase uma ninfeta.
Cometa tantos verbos, letra escassa.
Traça o ‘infinitassílabo’ porreta.


ღRaquel Ordonesღ   #ordonismo
Uberlândia MG
576

‘Sonetando classicamente’



Sonetos: em quatorze versos são.
Antemão: já vêm logo dois quartetos.
Esqueleto que cerra: dois tercetos.
Dueto: alma poeta e coração.


Emoção é esquema em formação.
Canção metrificada: dialetos.
Folheto, criações fazem carretos.
Gravetos ardem, versos e escansão.


Divisão fixa; falha se há mudança.
Trança a rima; é quase idolatria.
Poesia: ‘made in Italy’ em herança.
          

Cobrança; o sonetista ‘chega pia’.
Magia: ocasião que o feito alcança.
Semelhança não tem qualquer valia.


ღRaquel Ordonesღ   #ordonismo
Uberlândia MG
572

- (Um dia de cada vez)-



Normal, por vez um dia: uma oração.
Coração na cadência; natural.
Vendaval que viaja na emoção.
Sensação de criar asa, afinal.



Vital; e é tão simples a equação.
Razão é desse tempo, literal
Degrau por degrau, alívios e tensão.
Porção: de pouco em pouco: um ritual.


Usual: o minuto, a divisão.
Sazão; o dia. Por fim chega o anual.
Cultual: pelos meses e estação.
 

Noção: sim; sem seguir o manual.
Igual a uma manada em confusão.
Visão: para o alto, os pés; despontual.


ღRaquel Ordonesღ #ordonismo



 

 

 

 

556

Solidão



Refrão calado, alado pensamento.
Vento em refrega, desalinho vão.
Rouquidão pela alma num tempo lento.
Sonolento, sem asa o coração.

 
Canção sem nota arrota todo evento.
Acento afundado; esgarça colchão.
Corrimão intacto num escuro bento.
Cimento frio sem combinação.

 
Chão circunda, inverno é andamento.
Momento tanto faz; só solidão.
Extensão d’um túnel, luz isento.

 
Requento nenhum da vida; sem mão.
Dimensão análoga a qualquer invento.
Relento, jogado ser; imersão.

 
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
469

Ouvir estrelas



 
Ouço. E não precisa dizer: maluca!
Machuca-me, escuto tudo com gosto.
Rosto feliz, e na alma uma muvuca.
Caduca nada; meu ser é o oposto.
 

Posto: a janela; o coração batuca.
Nuca arrepia em contato ao encosto.
Deposto-me a estrela; graça cutuca.
Arapuca que me prende ao exposto.

                                                                             

Arrosto a distância e nada retruca.
Cuca fresca assisto ao show disposto.
Agosto, abril; tanto faz. O céu educa.
 

Truca a imagem. Vi cenário proposto.
Imposto ouvido; entendo. Nada infuca.
Suca-me o verso no verbo composto.
 

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
570

Silêncio é um senhor?


Credor místico cheio da verdade.
Invade a alma ao bumbo de tambor.
Rancor nenhum, pois é a raridade.
Sonoridade ímpar; e não ator.

 
Amor; é integral complexidade.
Agrade ou não; é franco no sabor.
Licor que na garganta abre sem grade.
Cidade é lisura; asa pudor.

 
Por limpos pratos: é habilidade.
Frade que o diga em todo o seu transpor.       
Terror nalguns, já outro: airosidade


Sinceridade é o seu sensor.
Cor é castiça; além da extremidade.
Idade do silêncio?_ Tem vigor.

 ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
443

Desencachados versos


 
Sapeca palavra saltita em cacho.
Riacho sentir; em nada ela peca.
Peteca pra cima, vento penacho.
Agacho e elevo: levada da breca.
 

Checa a rima, o verbo é um escracho.
Esculacho; a métrica na soneca.
Caneca de café; pinga em despacho.
Acho que não alfineta essa boneca.

 
Careca o artigo, pronome capacho.
Facho de concordância quase seca.
Eca! Mas que ode é essa, diacho?

 
Racho de rir: poesia moleca!
Obceca o verso e então ele fica macho.
Recacho: _ Eita, que escritinho mais jeca!

 
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
576

Ouça veja e sinta


Então, feche teus olhos e imagine.
Nine com calma essa concentração.
Emoção nos poros que te buline,
Fascine-te, silencie: atenção.

Então: mente voando; te refine.
Menine de qualquer feitio e ação.
Agitação de gnus tal qual um cine.
Define longe a minha pulsação.

Então: de alma transparente vitrine.
Decline teu cerne pra essa visão.
Confusão; que o desafino se afine.

Atine: o pó, nossa combinação.
Transpiração e pele; cheiro retine.
Repagine: por ti o meu coração.
 
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
456

Com certeza, catastrófico


Caminho corte; cabe cumprimento.
Constrangimento, cativo carinho.
Cozinho carne, couve, condimento.
Contento com centavos; com cofrinho.

Conjuntinho cotton, curto, cinzento.
Complemento: com coque, chinelinho.
Cedinho: crença, comprometimento.
Convento: caos, cursos, cafezinho.

Caldinho, cinema: cancelamento.
Casamento, creche, culto, cantinho.
Cheirinho clássico: casa e cimento.
 
Confinamento, covid, curralzinho.
Cubinho cova, com cura caimento.
Cruento chinês. Chefe, coitadinho.
 
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
176

Memoricídio



 

Varal de poemas, artigo e conto.
Ponto de vista além do seu quintal.
Normal. Não, não; mulher não pode e pronto!
Afronto vira; se tira o avental.

Natural; inteligente em pesponto.
Tonto pensa o avesso e não dá aval.
Brutal tirar o justo; contraponto.
Confronto pra que, se é tão legal!

Rival à mulher, há um amedronto.
Aponto: já é intelectual.
Afinal: há igualdade; remonto.
 
Monto o enigma; não fecha nem a pau.
Letal rasgar registros. Desaponto.
Reconto: ainda devastando o jornal.

 ღRaquel Ordonesღ #ordonismo

Uberlândia MG – 20/06/2020

 

“Não só no Ceará, mas em todo o mundo,
houve um apagamento histórico do nome das escritoras.
Para a pesquisadora Constância Lima Duarte, este fenômeno se chama
“memoricídio”. O termo é utilizado para se referir ao apagamento das produções artísticas
e científicas de autoria feminina com o intuito de silenciá-las e invisibilizar suas produções intelectuais.  ( Literatura Cearense)

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Comentários (1)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.

Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ Uberlândia MG