Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
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Poemas
290O muro da quinta
Tinta; é tanta tinta! O muro noto.
Boto meus olhos, coisa que requinta.
Printa uma efígie, tão logo a decoto.
Broto junto; minha alma é faminta.
Extinta a escória; agora bela foto.
Adoto a cor; meu ser então se pinta.
Tilinta o coração; de encanto loto.
Borboto gradação; no cinza a finta.
Cinta é colorida; nó picoto.
Devoto-me à obra; coisa absinta.
Sucinta admiração, mas não me esgoto.
Arroto estrelas; obra é distinta.
Sinta-me dentro da arte que piloto.
Denoto-me perante o céu da quinta.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
545
- (Um dia de cada vez)-
Normal, por vez um dia: uma oração.
Coração na cadência; natural.
Vendaval que viaja na emoção.
Sensação de criar asa, afinal.
Vital; e é tão simples a equação.
Razão é desse tempo, literal
Degrau por degrau, alívios e tensão.
Porção: de pouco em pouco: um ritual.
Usual: o minuto, a divisão.
Sazão; o dia. Por fim chega o anual.
Cultual: pelos meses e estação.
Noção: sim; sem seguir o manual.
Igual a uma manada em confusão.
Visão: para o alto, os pés; despontual.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
565
Rap da gordinha
Eu sou bela, aquarela.
Sou a cor que a vida tem.
Pelas ruas e janela.
Até na lua também.
Uso longo; uso curto.
Uso listra e babado.
Que se danem, eu não surto!
Padrão: Um tanto quadrado!
O que pesa é meu amor.
E plus é o meu sorriso.
Eu exalo é calor.
Leveza da alma viso.
Sou gordinha, sim senhor!
Sou beleza radiante.
De Deus uma linda flor.
Isso me é importante.
Sou fashion, você não vê?
Tenho dado o que falar.
Um beijo pra quem me lê
Macio é o meu abraçar.
A língua é mesmo um mal.
Xô, xô, sai fora, sai...
É que eu sou original.
Vestindo o meu ‘tie dye’!
ღRaquel Ordonesღ
570
‘Sonetando classicamente’
Sonetos: em quatorze versos são.
Antemão: já vêm logo dois quartetos.
Esqueleto que cerra: dois tercetos.
Dueto: alma poeta e coração.
Emoção é esquema em formação.
Canção metrificada: dialetos.
Folheto, criações fazem carretos.
Gravetos ardem, versos e escansão.
Divisão fixa; falha se há mudança.
Trança a rima; é quase idolatria.
Poesia: ‘made in Italy’ em herança.
Cobrança; o sonetista ‘chega pia’.
Magia: ocasião que o feito alcança.
Semelhança não tem qualquer valia.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
580
‘Infinitassílabo’
Caneta pega a mão, um poema laça.
_Faça um soneto; tipo: outro planeta.
Maçaneta a girar, alma se espaça.
Taça sabor, leveza borboleta.
Caderneta não cabe; papel caça.
Vidraça se abre; essência é veneta.
Corneta de anjos, nuvem esfumaça.
Arruaça de versos, pirueta.
Gaveta poesia que me abraça.
Embaça minha vista qual cegueta.
Ampulheta do meu amor: uma graça!
Devassa me faz; quase uma ninfeta.
Cometa tantos verbos, letra escassa.
Traça o ‘infinitassílabo’ porreta.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
585
Interceptação
Eu quis escrever uma poesia.
Fia, me faltou a tal inspiração!
Ladrão do ‘carai’; é cleptomania!
Doentia é essa atuação.
Então, capenga é a maresia.
Magia escapa pelo corrimão.
Coração cabisbaixo silencia.
Ria antes, parecia bobalhão.
Cão danado! Mas quem que roubaria?
Covardia; é vil seu vacilão!
Peão besta, que coisa mais vadia!
Anarquia. Uai, cadê minha emoção?
Sensação é ruim que evidencia.
Estia o verso, minha criação.
Raquel Ordones
Uberlândia MG
519
Solidão
Refrão calado, alado pensamento.
Vento em refrega, desalinho vão.
Rouquidão pela alma num tempo lento.
Sonolento, sem asa o coração.
Canção sem nota arrota todo evento.
Acento afundado; esgarça colchão.
Corrimão intacto num escuro bento.
Cimento frio sem combinação.
Chão circunda, inverno é andamento.
Momento tanto faz; só solidão.
Extensão d’um túnel, luz isento.
Requento nenhum da vida; sem mão.
Dimensão análoga a qualquer invento.
Relento, jogado ser; imersão.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
478
Ouvir estrelas
Ouço. E não precisa dizer: maluca!
Machuca-me, escuto tudo com gosto.
Rosto feliz, e na alma uma muvuca.
Caduca nada; meu ser é o oposto.
Posto: a janela; o coração batuca.
Nuca arrepia em contato ao encosto.
Deposto-me a estrela; graça cutuca.
Arapuca que me prende ao exposto.
Arrosto a distância e nada retruca.
Cuca fresca assisto ao show disposto.
Agosto, abril; tanto faz. O céu educa.
Truca a imagem. Vi cenário proposto.
Imposto ouvido; entendo. Nada infuca.
Suca-me o verso no verbo composto.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
576
Silêncio é um senhor?
Credor místico cheio da verdade.
Invade a alma ao bumbo de tambor.
Rancor nenhum, pois é a raridade.
Sonoridade ímpar; e não ator.
Amor; é integral complexidade.
Agrade ou não; é franco no sabor.
Licor que na garganta abre sem grade.
Cidade é lisura; asa pudor.
Por limpos pratos: é habilidade.
Frade que o diga em todo o seu transpor.
Terror nalguns, já outro: airosidade
Sinceridade é o seu sensor.
Cor é castiça; além da extremidade.
Idade do silêncio?_ Tem vigor.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
450
Desencachados versos
Sapeca palavra saltita em cacho.
Riacho sentir; em nada ela peca.
Peteca pra cima, vento penacho.
Agacho e elevo: levada da breca.
Checa a rima, o verbo é um escracho.
Esculacho; a métrica na soneca.
Caneca de café; pinga em despacho.
Acho que não alfineta essa boneca.
Careca o artigo, pronome capacho.
Facho de concordância quase seca.
Eca! Mas que ode é essa, diacho?
Racho de rir: poesia moleca!
Obceca o verso e então ele fica macho.
Recacho: _ Eita, que escritinho mais jeca!
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.