Raquel Ordones
Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ
n. 0000-08-13, Uberlândia, MG
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Poemas
299Por um triz, tesa...
Na cadeira, pernas cruzadas sob a mesa.
Sutileza na pintura; cabelo: coque.
Retoque impossível, veio da natureza,
Fineza nos ombros; leãozinho berloque.
Estoque de alegria, pacotes de humor.
Flor sobre a mesa e uma tatuagem no pé.
Fé é engrenagem, graças ao Senhor!
Frescor no seu ser; e a quentura do café.
Pontapé, mais um dia; o telefone toca;
e desloca para um lado, imprime os extratos;
Contratos, balanços, pix; a reuniões convoca.
Sufoca às vezes; trabalho é dureza,
Surpresa, sorri ao fim do dia e fofoca.
Troca o uniforme e se vai, mas por um triz, tesa.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
71
Fundo musical
Nuvens desapegam das gotas; uma a uma.
nenhuma fica triste; hora de chover.
Escorrer pra baixo, para a terra ruma;
E pruma, o vento faz tudo acontecer.
Obedecer: difícil essa missão;
Então despencam: - iupi, e vamos nós!
Após soltar; uma em cada direção.
chão: limite; ao longe ouve cada voz.
-Pós? Cof, cof! Caí no meio de um montão!
-Não, não, não! Não quero chover no molhado!
Ilhado num copo, cai um pingo safão.
No vão da porta e da janela: tum-tum!
-Hum, rolei pela folha, sem corrimão!
No espigão um pingo gritando: - ai, meu bumbum!
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
39
Delícia e pavor
Encontrei com o amor virando lá na esquina,
Imagina! Atravessou a minh’alma ao me olhar;
-Ar, ar, ar, ar; onde está você, seu traquina?
Fina, catei vento a laço pra respirar.
Parar, única coisa que pude fazer;
Correr me propus; estava toda travada,
Gelada, muda; sem ação para atrever.
Querer não era opção; tímida e embasbacada.
Coitada de mim! Era uma vez! Deu calor.
o amor se achega; daí, não sei mais o quê.
Lê o meu coração, e fala: amei o seu humor!
Cor de tomate, a minha; cadê meu dublê?
Abecê do sentir; delícias e pavor...
-Amor, foi espetacular encontrar você!
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
83
Vilã da vila
Era uma vez uma traça traiçoeira;
Madeira e papeis; prato quente: canja,
A marmanja tragava até cadeira,
Prateleira proteína; fingia: a anja.
Esbanja gulodice; treco e trapo;
Fiapo de papeis, não; livro inteiro.
Canteiro: furinhos no guardanapo.
Papo de doido: fazia um piseiro.
Sorrateiro ser; foge se é dia.
via nas estantes; obrigatórias;
Notórias idas; folhas: travessia.
Assepsias: coisas bem ilusórias;
Memórias do livro, inseto engolia;
Comia; a barriga cheia, de histórias.
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Congela a imagem
De banho tomado, cheirinho de sabonete.
Ramalhete; pétala-ombro orvalha uma gotinha,
Caminha descalça pro quarto, alcança o tapete.
Bilhete se escreve: “de mim pra mim, cansadinha!”
Aninha no lençol; uma mistura no cheiro;
travesseiro num abraço bem gostoso de urso;
Discurso e apertos, não pagam com nenhum dinheiro.
Conselheiro e consolo; se o sono é incurso.
em curso de sonhos, adormecida; mas tão ela.
Canela é cor; a canela é tão roliça;
Preguiça gostosa num suspiro; nua e bela.
E congela a imagem; psiu! Ninguém mete o bedelho.
Espelho de si; coxa sem colcha, alma enfeitiça.
Eriça; coberta só com esmalte vermelho.
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31
Pintura íntima
Desperta; som de Osvaldo, mas feliz.
o nariz bem apontado para o alto.
salto; sai da cama, cabelo frizz.
Quis só ser; baby doll, num jeito peralto.
De assalto empurra pra lá a poltrona,
Dona de si rodopia: é dança.
Criança, infantiloide; até bobona.
carona com a liberdade; avança.
balança pra um lado; junta se a porta,
Entorta o corpo; com leveza assim;
Sim, num bailado sozinha, se aporta.
Corta o quarto, feliz; cheira a jasmim;
fim, a música para; e nem importa.
Suporta o mundo ao som dos bandolins.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
50
Sem hora pra gole de poesia
Estrago no salão; ela não bebia,
Poesia, o seu preferido trago,
Afago que da sua alma escorria
Trazia consigo um sereno lago.
Vago era o tamborete ao seu lado,
Trincado um copo, no chão uma bituca,
Muvuca ao fundo, som desligado.
Embriagado moço; e ela maluca?
Sinuca, bebida e tanta fumaça,
Taça imunda; belo riso ela abriu.
Retribuiu o garçom, quase a abraça.
Faça o favor: a folha pediu,
Dirigiu-se à mesa com graça,
Traça e retraça versos; depois saiu...
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
29
Soneto para Bilac
Respeito ao construir cada verso;
Universo em métricas e perfeito.
Jeito único expunha seu reverso;
Imerso no polir; tão sem defeito.
O conceito: servir a deusa forma,
Norma de linguagem elaborada;
Padronizada, isenta de reforma.
Performa uma estrofe cristalizada.
Rebuscada e objetiva a sua cria,
Desvalia um romance; caricato,
Insensato ao comum, ousadia.
Joalheria; nobre artesanato.
Aparato à musa poesia;
Escrevia a fim do relevo exato.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie #olavobilac
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Paradoxo
O amor é bem simples, porque é um composto:
De gosto, de leveza; é sutil e forte,
É norte e trilho; reservado no seu posto;
Oposto à cobrança; feliz: passaporte.
Transporte-se para esse mundo, bem a fundo;
No submundo de si; permita a instalação;
Coração: terra santa, terreno fecundo;
segundo de amor é toda a constelação.
No vão se adentra; sem nada de fingimento.
Sentimento mor, coleção de miudeza;
Represa que deságua; fonte de alimento.
Evento sem porções, só chega por inteiro;
canteiro, flor ou uma sementinha indefesa;
a certeza? Absoluto e sem qualquer roteiro.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
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Então, chovemos...
Uma vez, minha mamãe disse assim:
-Sim, sim! A chuva é nuvem que chora;
-Ora, mamãe! Não minta para mim;
enfim, minha joia é a senhora.
-Embora em metáfora, é verdade.
Liberdade que a inspiração nos traz.
Capaz de desenho em profundidade;
santidade que é asas, e apraz.
Fugaz; nuvem feliz flui: o papel;
véu escuro, descarrega toda água.
Deságua lágrima; enxurro ao léu.
O céu do coração lava a tristeza;
Em defesa o choro vem em chuvisco,
Disco vira e traz de volta a leveza.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
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Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.