Raquel Ordones

Raquel Ordones

Eu poesia Em uma palavra já me resumi, Por vezes já me senti um verso, Nas frases me dei conta; cresci, Vi-me haicai em meu universo. De trova em trova subi degraus, Em forma de pensamento andei, Levei o indriso nas minhas naus, Colhi poesias, soneto me tornei. Não agradada à alma embrenhei, Brotei-me no encarnado da rosa, Leram-me por aí feito uma prosa. Meus olhos, refrão da minh’alma, O sentimento dimana sem ponto, Estendo-me em ilimitado conto... ღRaquel Ordonesღ

n. 0000-08-13, Uberlândia, MG

Perfil
72 397 Visualizações

É remédio, sabia?

 

 

Via de onde estava sentada, um aceno.

Pequeno livro; o vento, a página abria.

Surtia vontade, de querer tão pleno.

Alieno; imerjo naquela grafia.

 

Abria a página de jeito sereno.

Dreno a voz de tinta e papel; ousadia.

Havia segredos; mágico terreno.

Engreno; era análoga a uma terapia.

 

Entupia a alma de imagens jeito ameno.

Obsceno de beleza; uma poesia.

jazia no silencio e sem veneno.

 

Moreno o conto; alto. De presença esguia.

Perdia; letra e víscera, sem esqueno.

Ibuprofeno nato. Ler, alivia.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

O livro sorria

então gargalhei de volta

estamos felizes

 

da série: Haikel’s

Ler poema completo

Poemas

304

Arrepio


Ato estúpido; é calor ou frio?

Desvario que de dentro vem, brota.

Bota na pele um quase desafio.

É rio, vulcão, descampado, grota.

 

É nota corporal de incerta fonte.

Ponte que coliga vísceras e alma,

Calma em agitamento num desmonte;

Horizonte tênue que intriga e acalma.

 

Palmas pra essa coisa que chega e abraça.

Retraça o sentir, sutil movimento;

Vento saindo pelos poros na raça.

 

Devassa, se do sussurro: reflexo,

Genuflexo, desejo que transpassa.

Graça: orgasmo cósmico; pelo e sexo.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

35

Cor de canela


Havia meia sombra ali; o carro, parou.

Olhou no retrovisor interno: bonita;

Agita os cabelos, o coque desmanchou;

Pegou sua bolsa e desceu; quase levita.

 

Apita o guarda da rua; desfile em faixa;

Encaixa os passos, atravessa; pé na areia.

Serpenteia um rebolado; não desencaixa.

Abaixa, estende a canga; com sol já na veia.

 

Alheia; despe-se da veste transparente.

e sente os raios; esparrama o protetor,

Primor; a cor de canela já é presente.

 

Frente e verso; vice-versa. O sol não embaraça;

Abraça de jeito todo o corpo suado;

Calado; deixa marca tão cheia de graça.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

28

Até me estranhei

 

É, hoje tomei um chá de semancol,

Lençol perfumado, vesti o colchão,

Sensação leve num tom girassol,

Guarda-sol girei, ouvindo uma canção.

 

Coração em vida: e soltei o cabelo.

Pelo dourado; de sol, a marquinha.

Tinha uma fragrância sem atropelo.

Gelo quebrado; xô, pra picuinha!

 

Calminha; respirei fundo a alegria;

Poesia num sentimento bom;

Batom cor de boca e toda ousadia.

 

Dia incrível, pensei em mim a sorrir.

florir! Hoje me amei como ninguém.

Bem; agora vou me botar pra dormir.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

45

Rap da gordinha



 

Eu sou bela, aquarela.
Sou a cor que a vida tem.
Pelas ruas e janela.
Até na lua também.
Uso longo; uso curto.
Uso listra e babado.
Que se danem, eu não surto!
Padrão: Um tanto quadrado!
O que pesa é meu amor.
E plus é o meu sorriso.
Eu exalo é calor.
Leveza da alma viso.
Sou gordinha, sim senhor!
Sou beleza radiante.
De Deus uma linda flor.
Isso me é importante.
Sou fashion, você não vê?
Tenho dado o que falar.
Um beijo pra quem me lê
Macio é o meu abraçar.
A língua é mesmo um mal.
Xô, xô, sai fora, sai...
É que eu sou original.
Vestindo o meu ‘tie dye’!

 

ღRaquel Ordonesღ

574

‘Sonetando classicamente’



Sonetos: em quatorze versos são.
Antemão: já vêm logo dois quartetos.
Esqueleto que cerra: dois tercetos.
Dueto: alma poeta e coração.


Emoção é esquema em formação.
Canção metrificada: dialetos.
Folheto, criações fazem carretos.
Gravetos ardem, versos e escansão.


Divisão fixa; falha se há mudança.
Trança a rima; é quase idolatria.
Poesia: ‘made in Italy’ em herança.
          

Cobrança; o sonetista ‘chega pia’.
Magia: ocasião que o feito alcança.
Semelhança não tem qualquer valia.


ღRaquel Ordonesღ   #ordonismo
Uberlândia MG
583

Interceptação


Eu quis escrever uma poesia.
Fia, me faltou a tal inspiração!
Ladrão do ‘carai’; é cleptomania!
Doentia é essa atuação.
 
Então, capenga é a maresia.
Magia escapa pelo corrimão.
Coração cabisbaixo silencia.
Ria antes, parecia bobalhão.
 

Cão danado! Mas quem que roubaria?
Covardia; é vil seu vacilão!
Peão besta, que coisa mais vadia!
 

Anarquia. Uai, cadê minha emoção?
Sensação é ruim que evidencia.
Estia o verso, minha criação.

Raquel Ordones 
Uberlândia MG
522

‘Infinitassílabo’



Caneta pega a mão, um poema laça.
_Faça um soneto; tipo: outro planeta.
Maçaneta a girar, alma se espaça.
Taça sabor, leveza borboleta.
 
Caderneta não cabe; papel caça.
Vidraça se abre; essência é veneta.
Corneta de anjos, nuvem esfumaça.
Arruaça de versos, pirueta.

Gaveta  poesia que me abraça.
Embaça minha vista qual cegueta.
Ampulheta do meu amor: uma graça!

Devassa me faz; quase uma ninfeta.
Cometa tantos verbos, letra escassa.
Traça o ‘infinitassílabo’ porreta.


ღRaquel Ordonesღ   #ordonismo
Uberlândia MG
587

O muro da quinta



Tinta; é tanta tinta! O muro noto.
Boto meus olhos, coisa que requinta.
Printa uma efígie, tão logo a decoto.
Broto junto; minha alma é faminta.

 
Extinta a escória; agora bela foto.
Adoto a cor; meu ser então se pinta.
Tilinta o coração; de encanto loto.
Borboto gradação; no cinza a finta.

 
Cinta é colorida; nó picoto.
Devoto-me à obra; coisa absinta.
Sucinta admiração, mas não me esgoto.

 
Arroto estrelas; obra é distinta.
Sinta-me dentro da arte que piloto.
Denoto-me perante o céu da quinta.
 

ღRaquel Ordonesღ   #ordonismo
Uberlândia MG
547

Senso, uau!



Montanha, nos tais seios, e tão iguais.
Carnais, febris em sua sutil manha.
Picanha e filé, quente e viscerais.
Portais de paraíso; se abre e assanha.


Banha um mar de cobiças anormais.
Espirais, curvos, retos, tez castanha.
Panha fruto; sabores e linguais.
Literais: de vontade quase arranha.

 
Abocanha. São mãos livres orais.
Plurais os lábios, golpe pela entranha.
Tamanha. De arrepios musicais.
 

Corais sentires; toque que arrebanha.
Arreganha-se a força em temporais.
Sensoriais, lascivos; nada estranha.

ღRaquel Ordonesღ  #ordonismo
Uberlândia MG

568

Solidão



Refrão calado, alado pensamento.
Vento em refrega, desalinho vão.
Rouquidão pela alma num tempo lento.
Sonolento, sem asa o coração.

 
Canção sem nota arrota todo evento.
Acento afundado; esgarça colchão.
Corrimão intacto num escuro bento.
Cimento frio sem combinação.

 
Chão circunda, inverno é andamento.
Momento tanto faz; só solidão.
Extensão d’um túnel, luz isento.

 
Requento nenhum da vida; sem mão.
Dimensão análoga a qualquer invento.
Relento, jogado ser; imersão.

 
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
480

Comentários (1)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.